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Confie em Mim - Harlan Coben⠀



 ⠀ O que você faria para proteger a sua família? ⠀
⠀ Essa é a premissa de Confie em Mim, do autor Harlan Coben. O livro trabalha com vários arcos: o principal é dos pais Tia a Mike que resolvem instalar um aparelho espião no computador de seu filho Adam. A medida é fruto do desespero dos pais com o silêncio do filho e acaba por ter consequências inesperadas.
⠀ A segunda história é sobre um assassino que segue em sua Van matando mulheres com ajuda de uma companheira Sérvia. Temos a trama da filha de Mike e Tia, Jill, cuja amiga Yasmin teve a vida destruída por um professor.⠀ Todas essas histórias vão seguindo em paralelo ao longo do trama de Confie em Mim, até o momento em que tudo se junta de uma forma, no mínimo, mirabolante.
⠀ Já havia lido outros livros do autor e esse não traz nenhuma novidade para os demais. Harlan Coben tem uma forma muito específica de estruturar suas histórias e é um suspense interessante de acompanhar; parece que você está assistindo um filme ou série.
⠀ No geral foi boa essa primeira leitura do clube do livro do qual participo. Somente o final que achei um pouco inverossímil. ⠀ ⠀ Recomendo aos que gostam de histórias de suspense/investigação.⠀ ⠀

Stalker - Lars Kepler



O assassino observa suas vítimas pela janela e manda a filmagem pela polícia apenas quando já terá sido tarde demais para impedir o delito. Ninguém sabe quem é, o porque dos crimes e qual a relação entre as vítimas. Os corpos são deixados em posições cuidadosamente arranjadas e o rosto das vítimas, todas do sexo feminino, é totalmente destruído. 

É essa a premissa do novo livro policial escrito pelo pseudônimo Lars Kepler (na verdade os autores são um casal). Por se tratar de um novo livro da série do detetive Joona Lina é interessante que você tenha lido os livros anteriores, principalmente O homem de Areia, antecessor desse. Mesmo assim, dá para encarar esse direto sem grandes prejuízos na leitura. 

Gosto dessa série de thrillers dos autores suecos por ser uma leitura bem rápida - os capítulos curtos vão passando e quando se vê já foram 300/400 páginas facilmente. O detetive Joona se destaca na corporação policial mas não chega a ser nenhum Sherlock; seus insights vem da observação e trabalho policial. 

Não esperava ser surpreendida pelo desfecho do livro mas fiquei feliz quando aconteceu a revelação da identidade do assassino e vi que não era quem eu pensava. Meu único porém para a história são as cenas finais que eu achei meio absurdas, mas nada que prejudique a trama.

 Recomendo para os que estão procurando uma leitura para as férias. Porém, se você ainda não tiver lido O homem de Areia, sugiro que comece por ele - além de ser o anterior da série, também é bem melhor que Stalker. Nota 3,5 ⭐/5

Estatísticas de 2021



Esse ano foi um pouco mais modesto de leituras. As estatísticas na foto abaixo mostram o retrato de uma estudante de graduação que só consegue ler pra valer nas férias. 

Mesmo assim, fiquei feliz porque consegui minha principal meta que foi ler mais livros de não ficção. Li também alguns mangás e consegui ler, se não todos, a maioria dos livros do #ClubedoLivro mensal que participo. 

Além disso, a média das notas foi relativamente alta quando comparada aos outros anos. Posso dizer que li poucos e bons livros 📚 

Para 2022 a meta é não ter metas. Quero continuar mantendo um ritmo de leituras que faça sentido para a minha rotina e conseguir continuar lendo pelo menos um livro de não ficção a cada trimestre. 

Vamos ver o que vem por aí! 🙌🏾 Feliz Ano Novo a todos! 🍾 ✨

 Como foram suas leituras em 2021?

Sexo, gênero e sexualidades - Elsa Dorlin

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Uma coisa leva a outra, que leva a outra...

 Lendo o livro "Um feminismo decolonial", me deparei com a referência a Elsa Dorlin. E não é que eu tinha um livro dessa autora por aqui? Logo que terminei Françoise Verges, então, peguei "Sexo, gênero e sexualidades". 

Como um livro muito curto sobre assuntos muito complexos (na foto abaixo tem o índice), o livro não chega a se aprofundar tanto assim nos temas mas serve de panorama interessante para o início dos estudos relacionados à esses temas, uma vez que levanta as diversas correntes relacionadas a um mesmo assunto. Em muitos momentos fiquei um pouco confusa pois foi o meu primeiro contato com alguns dos temas levantados pela autora. 


Mesmo assim, achei muito interessante a forma como ela organizou a obra, por tematicas e não por "ondas" como alguns livros fazem. Termino o livro com alguns questionamentos muito interessantes em mente e uma ou outra certeza ou tópico que pretendo procurar saber mais. 

Pretendo reler daqui a um tempo, para ver como mudaram as minhas interpretações e conclusões. Recomendo para quem se interessa pelos temas do título.

 Nota 4⭐ /5

Um feminismo Decolonial - Françoise Verges

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Um livro-manifesto sobre a urgência na existência de um feminismo anticolonialista e antirracista, para além do feminismo branco burguês que se vê tradicionalmente no norte global (Europa e EUA). Para a autora, "se o feminismo permanece fundado na divisão entre mulheres e homens (...) mas não analisa como a escravidão, o colonialismo e o imperialismo agem sobre essa divisão - nem como a Europa impõe a concepção da divisão mulheres/homens aos povos que ela coloniza ou como esses povos criam outras divisões -, ele é, então, um feminismo machista".

 É preciso ver, então, para além dessa dualidade simplista, uma vez que as mulheres não são, por si mesmas, uma categoria política: logo, se falo que defendo o direito das mulheres, a pergunta seguinte deveria ser "quais mulheres?"

 Gostei bastante dessa leitura e das reflexões da autora, que me fizeram querer procurar e ler outras autoras citadas no texto. Embora não tenha certeza que concorde com todos os pontos abordados, a urgência dessa reflexão antirracista em torno da pauta feminista é um ponto que dialoga bastante com o que penso e pretendo ler mais sobre isso (aceito sugestões, inclusive).

 A segunda parte, mais focada na situação da França, é ainda interessante por contemplar a invisibilidade das mulheres racializadas que trabalham na manutenção/limpeza das cidades. Gostaria que a crítica fosse um tanto mais global e menos focada na França mas é possível estabelecer vários paralelos com a situação brasileira. 

Recomendo esse livro para quem interessou pelo assunto. É uma leitura relativamente rápida e que desperta bastante reflexões. Nota 4⭐/5

Livro: Tarô - Simbologia e Ocultismo (Estudos Completos do Tarô vol 1) - Nei Naiff

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Esse livro é o resultado de uma vontade que surgiu no final de 2020, que foi começar a estudar Tarô. Eu já estudava (um pouco) de astrologia e sempre fui interessada por questões místicas, mas o Tarô foi uma vontade recente, fruto talvez de um ano de pandemia em que era impossível fazer qualquer tipo de previsão sobre o que viria a seguir. 

 Por mais excêntrica que a ideia parecesse a primeira vista, tive incentivo de diversos amigos, entre os quais o @lopsluan, que foi quem me deu esse livro no meu aniversário. Comecei a ler imediatamente mas a vida aconteceu e só consegui terminar ele agora, quase 12 meses depois. 

 Esse primeiro volume é uma introdução muito interessante para quem está iniciando no tema e ainda meio perdido com o excesso de informações que existem. Afinal, qual baralho comprar? Qual a origem do tarô? O que é o tarô? São algumas questões respondidas nesse volume. 

Apesar de ficar um pouco massante no final devido à retrospectiva histórica apresentada, foi divertido intercalar essa leitura com todos os textos jurídicos que tive ao longo do ano. Pretendo comprar/ler os próximos dois volumes com toda a certeza. 

 Dei nota 4 ⭐ /5

Sociedade do Cansaço - Byung-Chul Han

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Finalmente terminei de ler esse livrinho, faltava só um texto que fiquei enrolando meses. Apesar de se basear em uma premissa que se mostrou falsa (vejam a imagem abaixo) o livro tem boas reflexões a cerca da nossa sociedade atual, em como acabamos nós mesmos forçando a nossa mente em torno de um ideal de super produtividade e positividade extremas. Recomendo para os que gostam de filosofia. Nota 3 ⭐ /5


Something to talk about - Meryl Wilsner⠀ ⠀

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Ao convidar a sua assistente Emma para ser seu date na premiação do SAG Awards, Jo esperava apenas que ela agisse como distração para os repórteres que não paravam de perguntar sobre o seu novo trabalho. Porém, após uma cena mal interpretada no tapete vermelho, a notícia que se espalha é que as duas estão saindo e a vida das duas vira de ponta cabeça.⠀ ⠀ Fazia bastante tempo que não lia um romance e esse livro veio preencher esse lugar de uma forma incrível. Temos um casal que, a princípio, não é um casal mas que acaba se aproximando por causa desse escrutínio. Porém, devido a relação profissional, ambas ficam receosas de fazer algo mais a respeito, fazendo com que o desenvolvimento do relacionamento entre as personagens seja bem lento.⠀ ⠀ ⠀ Gosto de livros assim, onde temos tempo de conhecer as personagens e apreciar o desenvolvimento da relação entre elas. O livro foca no dia a dia do trabalho das duas em uma série de TV, e apresenta personagens secundários que são tão interessantes quanto os principais - fiquei até com vontade de que houvesse um livro específico sobre a Chantal, por exemplo. ⠀ ⠀ Emma é toda fofa e atenciosa enquanto Jo faz o tipo "dama do gelo" (embora seja só uma máscara), fazendo com que também surja a dinâmica das personalidades opostas que se atraem. Gosto muito desse "clichê" e gostei da forma como foi explorado aqui, sem apelar para extremos e mostrando a complexidade das personagens envolvidas.⠀ ⠀ Minha única ressalta talvez esteja no fato de que não conseguimos ver muito das personagens enquanto casal e nem conferir como as coisas deram certo entre elas após certos acontecimentos (spoiler: tanto Jo quanto Emma mudam de empregos - como fica esse relacionamento agora com a distância no trabalho?).⠀ ⠀ Fora isso, esse romance é uma graça, daqueles que deixam o coração quentinho e pronto pras batalhas da vida. Recomendo se você gosta de romances.⠀ ⠀ Nota 4 ⭐ /5⠀ ⠀

How to take smart notes⠀ ⠀

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Um livro mais técnico sobre a escrita, apresenta um método diferenciado para a elaboração de textos científicos (artigos, TCC etc). Mesmo não tendo aplicado o método, mudou muito a minha forma de enxergar as leituras que faço e como penso na escrita de não ficção.⠀ ⠀ Nota 3⭐/5⠀ ⠀ #livros #lido #naoficcao #bookish #bookgram #Instalivros #igliterario #instabooks #bibliophilia #leituradodia #leituras #lendo #kindle #lidodomes #ClubedoLivro #AtaClubedeLeitura #writing ⠀ ⠀ 

Na casa dos sonhos - Carmem Maria Machado⠀ ⠀



Um livro de memórias sobre um relacionamento abusivo entre duas mulheres. Um romance experimental onde cada capítulo é realizado com uma abordagem diferente da do anterior. Uma análise de personagem e casais de gays e lésbicas na cultura pop. O que é Na casa dos sonhos? Tudo isso é também algo além. ⠀ ⠀ Demorei para falar desde livro porque meio que me faltavam palavras para dizer o quanto essa leitura foi importante e interessante pra mim. A autora levanta questões importantíssimas sobre sexualidade, raça, violência (principalmente psicologica) e representação midiatica de LGBTQIA+ mas não esquece, ao longo de suas páginas, do principal: a história precisa ser contada.⠀ ⠀ E, mais ainda, essa história precisa ser sentida. É muito difícil não se envolver emocionalmente lendo esse livro, não sentir raiva, não temer pela personagem. Parte pelo talento da autora, claro, mas em parte também porque todos nós já conhecemos essa história. Seja por ter vivido ou por conhecer alguém que o fez, a verdade é que ninguém está imune ao terror que é descobrir que quem se ama não é aquilo que pensávamos, que é algo muito pior, alguém que quer nos destruir.⠀ ⠀ Esse tema ressoou em você de alguma forma? Recomendo então esse livro. Tenho certeza de que a autora nem sempre será unanimidade, principalmente por escolher retratar sob uma ótica pouco positiva uma relação homossexual. Mas acho que, independente das ressalvas que se possa ter, é um livro muito bom que te faz refletir sobre muitas coisas e sentir outras muitas também⠀ ⠀ 5⭐/5 e candidato a fav do ano ⠀ ⠀ Publicado por @apphipost

A forma da noite - Tess Gerritsen

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Este livro foi o escolhido do mês para o #Clubedolivro que eu participo. Nele acompanhamos a chegada de Ava até um casarão misterioso no Maine que muitos dizem ser assombrado pelo antigo dono. No desenrolar da história vemos, porém, que Ava também carrega consigo suas próprias assombrações. Comecei com medo porque pensei que seria uma história de terror mas depois achei tudo um grande romanção (com direito a cenas bdsm entre ava e o fantasma). O livro também conta com sua parte de drama uma vez que Ava tem várias questões complicadas que estava acontecendo em sua vida antes de ir pra esse lugar. Aliado a tudo isso ainda há espaço para uma trama de assassinato, em que a identidade do assassino parece ser muito mais real que a figura do fantasma. Se você terminou esse parágrafo de cima meio confuso e sem saber bem sobre o que é esse livro é sinal que consegui passar bem como é ler A forma da noite. Em determinado momento eu simplesmente entreguei pra Deus e fui me deixando levar pelos acontecimentos sem tentar catalogar a história em um gênero específico. A análise final é de que se trata de um livro com uma escrita muito tranquila, com uma trama que corre rapidamente, ou seja você lê o livro muito rápido e pode até se entreter no processo. Penso também que se trata de um livro de fantasmas escrito por uma pessoa que não acredita neles - talvez por isso a autora tenha sentido a necessidade de colocar tanta coisa aleatória. Minha nota foi 3 🌟 /5. OBS.: caso você queira conhecer algum livro dessa autora sugiro fortemente a série que começa por "O cirurgião" - trata-se de livros de suspense médico muito interessantes e divertido. 

LIVRO| A elegância do Ouriço - Muriel Barbery



 A elegância do Ouriço é um livro escrito com uma linguagem simples porém com discussões muito filosóficas sobre a vida, a essência das coisas, a arte. É um livro sobre amizade, sobre afeto, solidão, arrependimentos, perdas.
 O que faz com que nossa vida valha a pena? É a pergunta que faz a si mesma Paloma, filha de um politico francês, que está disposta a cometer suicídio dali alguns dias. Ao mesmo tempo temos Renee, uma mulher que experimenta uma morte em vida, que se esconde do mundo e das pessoas, por entender que essa é a melhor forma de sobreviver.
 Uma jovem síndica e a menina de 12 anos podem ser almas gêmeas? Através desse livro podemos ver que sim. Muito embora não haja muito de interação entre ambas e nem tenham os mesmos conflitos, a ligação entre Renee e Paloma é muito maior que a de simples habitantes do mesmo prédio. Ambas são mais do que aquilo que primeiro se vê. 

Comecei a ler esse livro no mês passado mas só pude me dedicar a ele mesmo nos últimos dias. E, nossa, como valeu a pena! É uma história muito gostosa de ler, com capítulos curtos e reflexões interessantíssimas a cada página. Se nem sempre eu concordava com algum pensamento das personagens ao menos tinha que parar para pensar sobre os assuntos ali tratados. Porém, acima dessas discussões filosóficas, o que mais me atraiu no livro foi sentir nele o eco de questões que também me são caras: amizade, solidão, propósito na vida. 
O final me deixou um pouco dividida (por motivos que não posso comentar pra não dar spoiler) mas emocionou muitíssimo. Na verdade já tinha me emocionado com outros trechos, é um livro muito bem escrito e com imagens e situações muito belas em sua singeleza. Recomendo para os que gostam de filosofia e bons personagens. Nota 5⭐ /5 e oficialmente na lista dos favoritos

 P.S.: apesar de estar lendo esse livro para o Clube desse mês, o exemplar me foi dado de presente pela minha amiga @emitame_ Menina, não teria presente melhor, acredite! ✨🌻

A cabeça do Santo - Socorro Acioli



A ressaca literária chega para todos nós e para mim não foi diferente. Nessas últimas férias eu fiquei pulando de um livro para outro sem ter muita vontade de ler nada, sem nenhuma história que parecesse mais interessante que infinitos reels e vídeos do t1kt0k. Mas eis que, aos 45 do segundo tempo, já no ônibus que me levava a Três Lagoas eu finalizo A cabeça do Santo. Leitura rápida, fluída, divertida e interessante que conta uma história de uma cidade Nordestina onde há - veja só - uma cabeça de santo no chão. A própria existência dessa cabeça no chão, enquanto o corpo fica no outro lado, já renderia uma baita história. Mas o que acontece é que Samuel, que busca abrigo dentro dessa cabeça de interior oco, passa a ouvir todas as orações que são destinadas a esse santo e resolve utilizar isso para ganhar muito dinheiro. Se você busca uma boa história, com personagens interessantes e um final absolutamente perfeito, leia A cabeça do Santo. Além de ser muito gostoso de acompanhar a história de Samuel e da cidade, também é ótima a evolução do personagem - a discussão sobre o livro que rolou no meu clube também foi incrível! 

Nota 5⭐ /5 e candidato a favorito do ano

O homem que amava os cachorros - Leonardo Padura


Esse romance histórico se divide em três histórias: as primeiras contando a vida de Trotsky e Ramon Mercader, seu assassino. A terceira conta sobre a vida do suposto autor da história, Ivan Cardenas Maturell. Através da narrativa da vida desses três homens vemos também uma narrativa sobre o comunismo e socialismo ao longo do século XX: seja na revolução russa, na guerra civil espanhola, na segunda Guerra mundial e até mesmo na guerra fria e na vida em Cuba pós revolução. 

Este é um livro de leitura bem densa, mas nem tanto pela escrita. Com muitos poucos diálogos, o livro parece ter sido embasado em vasta pesquisa histórica que transparece ao longo das suas quase 700 páginas. É útil, embora não obrigatório, certo conhecimento da história para compreender melhor a trama e os diversos nomes de pessoas reais que são citados. Dessa forma, o período de um mês que tive para lê-lo (é o livro do mês no clube do livro do qual participo) talvez não tenham sido o ideal para aproveitar bem a leitura, que muitas vezes pode ser maçante e cansativa, se não puderem ser feitas algumas pausas. 
Mesmo assim achei que valeu muito a pena ter lido, principalmente quando parei de tentar ler a tempo pro encontro do clube. É uma história interessante que te faz ter vontade de pesquisar e entender melhor muita coisa, principalmente sobre a vida de alguns personagens citados (George Orwell e Frida Kahlo para citar alguns dos nomes mais conhecidos que aparecem nas páginas desse livro). 

Recomendo aos que gostam de história e tramas mais políticas, que são o norte que conduz essas páginas.

Nota 3,5⭐ /5

P.S.: estava aqui pensando, esse livro me lembra um pouco Doutor Fausto do Thomas Mann, na medida em que ambos usam a história de pessoas para falar sobre a derrocada de toda uma geração por acreditar em uma ideologia política. No caso de Dr. Fausto a metáfora talvez seja mais sutil, mas trata sobre a relação da Alemanha com o Nazismo

O enigma do quarto 622 - Joel Dicker

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Um escritor se propõe a escrever um livro sobre o seu editor e, para isso, viaja a um hotel nos Alpes. Chegando lá depara-se com uma situação inusitada: o hotel não possui um apartamento de número 622, sendo o de número 621 procedido pelo de 621 bis. O que estaria por trás desse mistério? Com a ajuda de uma fascinante hóspede, o escritor começa essa investigação que parece remeter a um crime cometido vários anos antes.
*
Em meio ao caos do final de semestre consegui ler O enigma do quarto 622. É um livro de várias páginas e idas e voltas no tempo o que as vezes confunde o leitor. O excesso de informações e reviravoltas também não ajuda - se você pegar esse livro depois de muito tempo sem ler, é capaz que fique um pouco perdido. O ritmo ideal é ler meio que de uma vez, o que se complica por se tratar de uma história contada em mais de 500 páginas.
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Apesar de tudo achei a leitura rápida e a escrita do autor é bem simples o que facilita ler várias páginas em uma sentada. É interessante acompanhar essa trama rocambolesca e, porque não, cafona. Os personagens, apesar de possuírem segredos, não tem muita profundidade ou desenvolvendo, parecendo até mesmo caricaturas em alguns momentos.
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Ao fim, o desfecho envolvendo a identidade do assassino decepciona, mas a série de reviravoltas que antecedem a ele são muito divertidas de acompanhar, mesmo que um pouco previsíveis. O autor lida com is mistérios do livro soltando pequenas dicas em meio a toneladas de informações e acontecimentos: se você prestar atenção você vê que estava ali o tempo todo, em meio aos outros acontecimentos. Considero essa técnica divertida, é como assistir uma mágica, e por isso vai boa parte da nota desse livro.
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Outros pontos não tão positivos, incluem a insistência do autor em contar fatos sobre seu editor (recém falecido) que não tem qualquer relevância pra história. Há também a arrogância do autor em alguns momentos, a forma pedante como ele parece ter necessidade de explicar
detalhes insignificantes na elaboração da trama. 
* 

Por esse motivo, entre outros, é que parte da nota desse livro foi pra mim mesma, que consegui terminá-lo. Não que seja um livro ruim, só não é o tipo de leitura que me atrai nesse momento. A vida já anda bagunçada demais. 

Nota 3 ⭐/ 5

Rebecca - Daphne du Maurier

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Releituras são sempre uma experiência interessante. Lembro que a primeira vez que li esse livro (no alto dos meus 13/14 anos, interpretei essa História mais como uma história de amor que como o suspense que, de fato é. A narradora em primeira pessoa, uma jovem não identificada que, aos 21 anos se casa com Maxim DeWinter, bem que tenta nos fazer comprar esse amor de conto de fadas entre ela e o homem muitos anos mais velho. Mas logo a realidade se impõe: quando voltam da lua de mel a mansão Manderly são recebidos por uma criadagem e com uma casa cheia de lembranças da falecida esposa de Maxim, Rebecca.

 É singular que a mulher que dá titulo ao livro sequer aparece na história, enquanto da narradora mal sabemos o nome. Na verdade, até mesmo a narradora logo se vê obcecada por Rebecca, como ela era, o que fazia, como era o casamento dela com Maxim. E quanto menos o marido quer falar sobre a falecida, mais a narradora quer descobrir - tanto que acaba conseguindo. 

Ao ler esse livro tenha em mente que foi publicado pela primeira vez em 1938 - tal História não faria o menor sentido se ocorresse em um período posterior à esse e talvez não faça muito sentido se os leitores não tiverem a consciência de que se trata de uma História escrita onde havia convenções sociais que hoje não mais existem. Apesar de ter sentido dificuldades devido a tradução antiquada que peguei, gostei dessa releitura, talvez por motivos diferentes que a Karol adolescente. 

Recomendo para quem está no pique de ler um romanção de época meio sombrio (uns elementos do gótico podem ser percebidos) e com um desfecho surpreendente.

 Nota 4⭐ /5

Livro: Olhares Negros raça e representação - Bell Hooks

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O livros é composto por uma série de ensaios da autora americana Bell Hooks em que é proposto um olhar politizado para diversas obras cinematográficas, literárias e artísticas para a representatividade negra que se apresenta nas obras. Foi um livro que levei certo tempo para terminar, um pouco pela correria do dia a dia e um pouco de propósito. Gostei da escrita da autora e seus pensamentos sobre diversos temas me fizeram querer adotar uma postura mais questionadora das obras que costumo ler/assistir. Nem sempre concordo com algumas posições, mas não posso negar a eloquência e inteligência de Bell Hooks, bem como seu papel como uma das grandes pensadora negras da atualidade. Meu único porém com relação ao livro é o fato de sua publicação original ter sido feita a mais de 20 anos, razão pela qual algumas referências ficaram datadas e acabaram passando desabercebidas pra mim. De todo modo indico muito para quem se interessa pelo tema, pretendo ler mais Bell Hooks assim como possível. Nota 3⭐ /5

Conversas entre amigos - Sally Rooney



Francês e Bobbie são inseparáveis desde o dia em que terminaram o relacionamento e se tornaram amigas. Quando conhecem o casal mais velho formado por Melissa e Nick, Bobbie logo se interessa por Melissa, para a angústia de Frances, a complexa narradora dessa história. 

Conversa entre amigos acompanha a história dessas quatro pessoas (dois casais?), suas dinamicas e conflitos ao longo de certo período de tempo. A narradora é apontada pelos outros personagens como a mais fria e reservada dos quatro mas só o leitor e a própria narradora é quem consegue ver o universo de angústia existencial burguesa e tentativa de auto controle e afirmação que existem na personagem. 

Esse é um livro com pessoas muito jovens e nem tão jovens assim fazendo coisas reprováveis. Para fugir do seu tédio burguês, talvez? Boa parte dos personagens são brancos, cis, com uma vida confortável; possuem privilégios e tem consciência social. Eles tomam café em bares enquanto discutem sobre os conflitos na Palestina, bebem vinho falando sobre o racismo cometido na polícia americana. Todo mundo muito cool, muito moderno e inteligente - muito rebelde e contestador. 

Não que os personagens não tenham problemas. Mas é que parece que somente Frances - que tem que esperar o exame do sistema público de saúde e passa por algumas dificuldades financeiras - tem algo sólido para se preocupar, todos os outros parecem um pouco desocupados demais. Mesmo Francis parece estar mais preocupada em manter sua pose blasé que em resolver as questões de sua vida, muitas das quais ela mesmo se meteu.
Como bem previ no começo, é um livro de pessoas tomando decisões duvidosas. 

Gostaria de dizer que não criei expectativas a respeito dos personagens mas nas últimas páginas a autora me pegou: por um momento achei que chegaria a um final esperado, uma paz seria estabelecida. Mas um final sem conflitos seria fácil demais e esse final em si, piegas e conservador demais para personagens que se consideram tão descoladas. 

Apesar de me sentir frequentemente como se estivesse assistindo um acidente de carro acontecer ("vai dar muito errado isso") achei uma leitura rápida e sem grandes transtornos. Sally Rooney escreve muito bem mas me pareceu um pouco pedante em alguns momentos. 

No geral gostei da leitura mesmo tendo certas ressalvas a esse tipo de livro, em que você parece alternar entre raiva e pena dos personagens. Essa questão da trama menor, que atinge apenas um pequeno número de pessoas me é particularmente agradável: de repente o cotidiano passa a ser objeto do livro. 

Recomendo caso você queira conhecer essa jovem escritora que já foi comparada a Elena Ferrante e Sallinger. Eu, particularmente, senti algo de Fitzgerald, talvez mais pelo tema que pela escrita. Não sei se lerei outros livros da autora, mas essa me parece ser uma boa forma de adentrar em sua escrita.

Nota 3 ⭐ /5

O complexo de Cassandra - Laurie Layton Schapira



"Leiga resolve se meter com psicologia analítica e olha no que deu" 

   Propondo uma análise da "mulher Cassandra" como a histérica dos dias atuais, o livro se põe a analisar esse arquétipo na perspectiva da psicologia analítica bem como a sugestão do "tratamento", isto é, como o terapeuta deve conduzir esses casos. 

   Uma leitura muito rica e interessante, da qual certamente não aproveitei nem metade por não ter tanto conhecimento assim sobre essa abordagem psicológica: tenho um pouco sobre mitologia e isso ajudou em alguns pontos, mas os conceitos psicológicos me travaram um pouco a leitura - muitas vezes precisei consultar o "glossário dos termos junguianos" ao fim do livro e, ainda assim, apanhei bastante.

    Mesmo com essa limitação, gostei bastante de ter lido "O complexo de Cassandra". Espero retornar a ele quando tiver um pouco mais de conhecimento sobre o tema, tenho certeza que será uma leitura ainda mais rica.

 Nota 4 ⭐ /5

(In) distraível - Nir Eyal



   Ganhei esse livro de aniversário*, mas já há um tempo estava querendo lê-lo. Fala sobre a importância de se manter focado nas suas atividades em um mundo cheio de distrações (a maioria delas online). O autor, Nir Eyal, publicou anteriormente "Hooked", um livro que ensina as empresas de tecnologias a manter os usuários cada vez mais conectados em seus aplicativos. Indistraível é um pouco como o outro lado dessa discussão, dessa vez mostrando aos consumidores, como é possível se proteger desses gatilhos.
    O que mais gostei do livro foi a constatação de que a distração nada mais é do que um mecanismo pra evitar fazer o que você tem que fazer. Se estou planejando estudar, por exemplo, e resolvo mexer no celular, isso é uma distração mas igualmente seria se resolvesse conversar com um amigo ou limpar a casa (porque o que planejei fazer foi estudar). Logo, a reflexão sobre o que estamos evitando já permite um olhar sobre essas distrações e nossos gatilhos internos muito mais aprofundado. Depois de analisar as distrações internas, o autor passa passa para as externas, mostrando truques e dicas importantes para não deixarmos ser consumidos por notificações e pop-ups. Por último, há dicas sobre "tração", ou seja, como se manter focado nos afazeres. 
   Todas essas partes do método são muito interessantes e com certeza serão relidas, já que é um processo constante esse de manter o foco no que importa e faz sentido. Mas já posso dizer que gostei muito do livro e já apliquei várias coisas sugeridas por ele na minha vida pessoal. 

Nota 4 ⭐ /5 

* Obrigada, @mairaa.costa ! ✨