|FILME| Homem-Formiga (Resenha / Review)

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   Para impedir que a fórmula para encolher seja passada a uma organização criminosa por seu antigo pupilo, Darren Cross, o Dr. Hank Pym precisa encontrar um novo Homem-Formiga, alguém que possa vestir o traje de encolhimento (algo que, por motivos não muito claros, ele não pode mais fazer).
   É então que entra em cena Scott Lang, um ex-presidiário com mestrado em Eng. Elétrica (!) mas que, por conta do seu passado, não consegue arrumar emprego em lugar nenhum. Scott topa realizar mais um roubo, justamente na casa do Dr. Pym mas não sabe que tudo se trata de um plano para que ele passe a usar o traje, o que ele acaba aceitando, depois de se ver em uma situação sem saída.
   Não sabia muito o que esperar desse filme mas topei assistir sem ver um único trailer, porque é da Marvel (sim, sou dessas). Não me arrependi, temos aqui um típico filme de herói, com humor, ação, crossovers e cenas pós créditos (duas, a propósito). Certamente agradará aos fãs do gênero e aqueles que gostam desses filmes "meio sessão da tarde".

   No entanto, como todo filme e introdução, Homem-Formiga tem algumas limitações, a principal com relação ao enredo. Temos aqui uma história razoavelmente simples e até meio boba, porque o foco não é bem o que está sendo contato mas nos mostrar quem é o Homem-Formiga, quais são seus "poderes", quem são seus inimigos e como ele se encaixa no "grande universo das coisas" - no caso, nos próximos filmes da Marvel. O filme cumpre essas funções com louvor e nos deixa bem ansiosos para os próximos filmes da franquia, principalmente Capitão America - Guerra Civil.
Hank Pym e Deputado Russo Darren Cross
  Gostei muito da interpretação de Paul Rudd como Homem-Formiga, embora tenha me surpreendido ao descobrir que ele não seria o Hank Pym mas sim uma terceira pessoa. Não tinha visto nenhuma noticia ou trailer do filme e fui ao cinema com aquilo que sei sobre as HQs, que Hank Pym é o Homem-Formiga. Achei meio esquisita a mudança (se tiver algo assim nas HQs me desculpem, não sou uma leitora) mas depois acabei entendo: não faria sentido pegar um herói dos anos 80 e colocar ele atualmente como se não tivesse envelhecido. 
   O final é a parte mais incrível. A ultima cena, que cita indiretamente o Homem-Aranha e tem participação de Stan Lee (teve até gritinho no cinema quando ele apareceu) é divertidíssima e me deu vontade de assistir ao filme de novo, desde o começo. Depois, as duas cenas pós-créditos são muito boas também: mal posso esperar para ver a Vespa nos próximos filmes do herói e meuDeusdocéu o que foi aquela outra cena?! Tenho que assistir Capitão América 2, urgentemente.
   Enfim, como disse acima, recomendo se você gosta de filmes de herói, com aquela pegada de humor misturado com a ação. O Homem-Formiga pode até ser um "herói menor" e esse filme ainda não chegou no nível de "Guardiões da Galáxia" (minha maior surpresa do ano passado) mas eu gostei muito de ter assistido a essa história e tenho certeza de que vocês também vão gostar.
   Nota 8 - um bom filme

|FILME| Cidades de Papel (Resenha / Review)

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   Quentin está no ultimo ano do Ensino Médio e tem sua vida toda planejada: ele vai ser médico, se especializar em oncologia, casar e ter filhos aos 30 anos. Margo, sua vizinha e primeiro amor, é o oposto: já fugiu de casa vezes sem conta e vive se metendo em confusões (ou aventuras, depende do ponto de vista). Quando eram crianças Quentin e Margôocostumavam ser amigos mas acabaram crescendo separados, embora Q. ainda tenha uma queda por ela. 
   Uma noite, Margo pula a janela do quarto de Quentin e o chama para uma de suas aventuras, um elaborado plano de vingança. Ele até hesita mas aceita e vive uma das melhores noites de sua vida. O problema é que, depois dessa noite, Margo simplesmente desaparece. 
   Agora, com Margo desaparecida, cabe a Quentin interpretar as pistas que ela deixou e encontrá-la. Para isso ele conta com a ajuda de seus dois melhores amigos Ben e Radar, além da melhor amiga de Margo, Lacey. A busca parece levar a uma "Cidade de Papel" e os jovens partem numa aventura. Cidade de papel é o nome dado a uma  cidade inexistente, colocada em mapas para proteger direitos de reprodução: assim, se alguém copiasse um mapa com uma cidade de papel X, esse cartografo poderia provar que o mapa foi copiado já que nele haveria essa cidade inexistente. 
   Eu tinha expectativas bem neutras com relação a esse filme. Primeiro pensei que fosse um romancinho/draminha no gênero de "A culpa das estrelas", que é do mesmo autor. Depois vi o pessoal que já assistiu dizendo que é melhor "A culpa é das estrelas" comecei a ter uma certa esperança de que a história fosse valer a pena, mas ainda com o pé atrás - afinal o filme estava sendo divulgado como 'aventura' e eu não sabia muito o que esperar disso. 
   Mas é como dizem, de onde nada se espera é que não vem nada mesmo. Mesmo tendo em mente de que se trata de um filme adolescente e para adolescentes, de que o objetivo é o entretenimento, não tive como gostar de Cidades de Papel. Sim, o filme tem várias cenas divertidas, os amigos (Quentin, Radar e Ben) são os típicos nerdões de quem é impossível não gostar, o filme tem uma mensagem meio saudosista bonitinha... Mas nada disso apaga o fato de que o plot da história é uma droga (desculpem o termo, foi o mais bonitinho que achei). 
 Desde o desaparecimento de Margo até a obsessão de Quentin, tudo é completamente inverosímel, por que a história não nos dá nenhum bom motivo para os personagens agirem como uns completos malucos. Se você fugiu de casa, por que deixar pistas? Se quer mostrar que está bem por que não deixa um bilhete? Será que Quentin não se tocou que, se Margo quisesse vê-lo, ela teria o chamado para fugir com ela? 
   O pior é que não existe nenhum questionamento dessa situação absurda. Não há um único personagem para chegar no Quentin e dizer que ele está fora da sua mente, que viajar a droga do país inteiro com o carro da mãe é uma ideia ridícula e que essa garota tinha passado os últimos 7 anos ignorando a presença dele e não merecia o esforço.  Nenhum! E outra: onde estão os pais desse menino? Não tem um adulto nesse lugar não? A mãe do Quentin só aparece para levá-lo na escola e os pais dos outros jovens são citados superficialmente. 
   Enfim, nem Ansel Elgort (com uma participação relâmpago) ressuscitam esse enredo natimorto. Talvez esteja pegando pesado com o filme mas ele peca no básico, que é convencer o expectador da possibilidade da história. Sem essa base, Cidades de Papel se torna uma porção de situações absurdas amontoadas, com uma ou outra cena engraçadinha com um desfecho que te faz pensar que o autor se acovardou em fazer o que teria mais sentido para a história. (SPOILER: Margo deveria ter se matado e Quentin estar seguindo essas pistas todas só por que ela queria que alguém encontrasse o corpo. Ou então ela poderia nunca ter sido achado, o que também teria mais sentido do que aquela conversinha ridícula no café FIM DO SPOILER). 
   Se você quiser ver esse filme, recomendo que assista "A culpa é das estrelas" de novo - ou qualquer outra coisa que não seja essa história absurda. Nota 6 - não gostei. 


P.S.2: me vejo julgando o John Green pelos filmes derivados em suas obras e me antipatizando com o autor antes de ler seus livros (o mesmo que ocorreu com o Nicholas Sparks). Alguém me indica um livro dele que realmente valha a pena? "A culpa é das estrelas" é o melhor mesmo ou tem algum outro? 

|RESENHA| A guerra dos tronos - George R. R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo #01)

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"O inverno está chegando"
   Quando Eddard Stark, lorde de Winterfell, recebe uma visita de seu rei e amigo Robert Baratheon, sabe que algo não vai bem. Afinal, a antiga "mão" do rei, o braço direito que vazia valer todas as vontades do soberano, havia acabado de morrer de uma doença misteriosa: o que teria Robert que se deslocar por todo o país em direção ao Norte naquele momento? Ao mesmo tempo, a esposa de Ned, Catelyn Stark, recebe uma carta perturbadora de sua irmã, que deixa a entender que não só a antiga "mão do Rei" havia sido assassinada, mas que também tinha sido a própria Rainha, Cersei Lannister, a responsável pelo crime.

   Disposto a descobrir o que houve e temendo que a vida de Robert esteja em perigo, Eddard se vê sem escolhas quando o Rei pede que seja sua nova "mão". Ele deixa sua casa, Winterfell, e vai para Porto Real, a Capital dos Sete Reinos, onde nada (e ninguém) é o que parece ser.
  Eu devo ser a ultima pessoa do mundo a estar lendo esse livro, lançado há 5 anos, um grande fenômeno de vendas e de popularidade. Quem nunca ouviu falar da série inspirada nele, Game Of Thrones, certamente andou vivendo em uma bolha nos últimos anos. Eu, como fã da série, a tempos vinha tentando criar coragem para ler esses livros imensos: pra vocês terem uma ideia esse livro foi comprado há quase um ano atrás e estava lá, embalado na estante durante todo esse tempo. Não li antes, tanto por preguiça quanto por medo de ler algum spoiler da trama (sim, eu gosto tanto assim da série). 
     Mas aí a quinta temporada chegou e eu me obriguei a começar, me forçando (literalmente) a ler um Capítulo por dia. O começo foi bem difícil, até por que o primeiro livro é a primeira temporada, linha por linha, quase que as mesmas falas utilizadas. Para quê ler uma história em que eu já sabia tudo o que iria acontecer? Fora isso, estranhei a alternância de pontos de vistas, cada hora indo para um personagem diferente. 
       Sim, por que uma hora a história é vista pelo ponto de vista de Ned, sua esposa ou algum de seus filhos, Bran, Arya, Sansa ou Jon (o bastardo). Em outra hora, temos o ponto de vista de Tyrion Lannister, o irmão anão da Rainha, desprezado pelos seus irmãos e pelo pai e um tanto cínico. Logo em seguida, atravessa-se o mar estreito e conhecemos Daenerys Targeryan, a irmã do antigo rei (que foi morto por Robert) e que agora vive uma vida fugitiva.
"Aquilo que amamos nos destrói sempre, rapaz.  Lembre-se disso..." - Lorde Mormont para Jon
      Com o passar das páginas, no entanto, ter assistido a série foi se revelando uma grande vantagem. A começar pelos benditos nomes dos personagens, tão difíceis de guardar se já não os conhecessem: Para se ter uma ideia, uma amiga minha demorou a perceber que Eddark Stark, o Lorde de Winterfell e Ned eram a mesma pessoa. O mesmo se refere a aparência, as famílias e aos próprios cenários - seria muito difícil imaginar uma Winterfell e logo depois uma terra cheia de Sol como a que Daenerys e o povo Dothraki passeia sem já ter visto a série e sua caracterização magnífica e impressionante. 
      Essas "vantagens" consegui seguir com o livro, num ritmo muito bom e, finalmente, conclui-lo. A polêmica quinta temporada de Game Of Thrones só me deu mais vontade de continuar lendo: afinal, se é para acompanhar essa história, que seja da maneira como o autor imaginou (e não pelos olhos de algum roteirista sanguinolento). Para quem não sabe: se a primeira temporada foi uma cópia fidelíssima do primeiro livro, a quinta já se afastou tanto da obra original que se parece uma história diferente (ao menos é o que tenho ouvido). 
    Mas voltando ao livro. George R. R. Martin criou um mundo completo, cheio de referências, lendas e mitologia. Cada povo, cada casa, cada religião, tem firmeza, uma base sólida que certamente foi construída bem antes do primeiro livro. No entanto, sua forma de narrar não fica em nenhum momento enfadonha, pois toda essa história é diluída com naturalidade ao longo da história. Ainda há muito para ser descoberto sobre os 7 reinos mas o autor tem todo o controle sobre a história, a ponto de dar indicações, logo no primeiro livro, de coisas que só aconteceriam nos livros seguintes (ao menos pelo o que vi na série). 
"Minhas histórias? Não, meu pequeno senhor, minhas não. As histórias são, antes de mim e depois de mim, e antes de você também". - Velha Ama para Bran 
     Some tudo isso a uma escrita despretensiosa, sem firulas e você tem um baita livro: Sou leiga nesse tipo de literatura mas algumas cenas do livro me lembraram aqueles romances de cavalaria ou até mesmo contos de fadas. Claro, estamos falando aqui de um "conto de fadas" repleto de incesto, estupro, pedofilia, morte e sangue. Talvez seja por isso que a história tenha chocado tanto as pessoas, a maneira despreocupada com que Martin sai matando personagens importantes e traçando os piores destinos para os outros. 
     Falando em pedofilia, bendita seja a série por ter colocado atores mais velhos para viver os personagens! Quando li que Arya Stark só tinha 9 anos, Sansa 11 e Daenerys 14 quase tive um treco: tanto as meninas quanto os meninos (Jon, Rob e Bran) passam por muita coisa em sua pouca idade e, se ver isso com personagens adultos já foi difícil, imagine ver crianças. Uma coisa é certa: jamais verei Khal Drogo com os mesmos olhos (o cara é praticamente um pedófilo).
       No final, mesmo sabendo tudo o que ia acontecer, me vi torcendo para que não acontecesse, o que demonstra a habilidade do autor em nos envolver com os personagens e com sua história. Se não tivesse visto a série, certamente teria chorado muito lendo esse livro e, mesmo sabendo, algumas cenas fizeram meus olhos arderem. Foi quando percebi o quão interessante é essa alternância nos pontos de vista: é dificil não se importar com um personagem quando você consegue ver suas emoções, sentimentos e perspectivas a respeito do que está havendo. Só não me peçam para gostar da Sansa, por que nem isso Martin foi capaz. 
       Mas, então, uma série aclamada, livros estouradíssimos... Será que compensa ler "As crônicas de Gelo e Fogo"? Eu imagino que hoje os leitores dessa série podem ser divididos em dois grupos: Aqueles que gostam do gênero fantasia de verdade e que piram tanto por essas histórias como por títulos menos badalados como "O nome do vento" - esses são os "leitores tradicionais". O outro grupo é o de "leitores por circunstância", que são aquelas pessoas que começaram a ler devido ao buzz da série e dos comentários nas redes sociais. Eu facilmente me encaixo nesse segundo grupo.
"Quando se joga o jogo dos tronos, você vence ou você morre. Não existe meio-termo" - Cersei Lannister 
     Se você curte fantasia e histórias do gênero, não deixe de ler essa saga, você certamente encontrará muita diversão e reviravoltas para se entreter ao longo das 500 e poucas páginas do primeiro volume. Agora, se você está curioso sobre o que se trata esse livro, eu recomendo que assista a série primeiro. Se curtir, vá em frente e leia! Assim, como eu, você irá descobrir uma leitura difícil mas recompensadora, do qual não se arrependerá.

          Nota 8 - um bom livro.

P.S.: Estou sem o livro aqui, por isso não postei em qual página estão as citações. 
P.S. 2:  Escrevi essa resenha ouvindo a Soundtrack da primeira temporada de Game Of Thrones.