|Resenha| Incendeia-me - Tahereh Mafi

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   |ATENÇÃO|  Esse é o terceiro livro da trilogia "Estilhaça-me" e a resenha pode conter spoiler do primeiro e segundo livro. Para ler sobre os outros livros da série clique aqui


         Juliette acorda e não sabe onde está. Tudo o que ela sabe é que, depois do tiro no peito que levou, ela deveria estar morta... Mas então ela reconhece o quarto e a pessoa a sua frente: Warner.
Ela descobre então que o ponto Ômega foi completamente destruída e a possibilidade de alguém ter saído de lá com vida é extremamente remota. Incapaz de aceitar um final tão trágico para Kenji, Adam e os outros, Juliette ataca Warner e pede para visitar o lugar onde um dia o ponto Ômega existiu. Ela não sabe o que pensar, não sabe o que sentir, principalmente com Warner tão diferente do maníaco controlador que ela conhecera. 
         Warner agora é mais calmo, mais cuidadoso e parece ouvir tudo o que Juliette tem a dizer. Ele mudou, Juliette pensa, ou esse apenas mais um truque? Revelações sugerem que esse é apenas o verdadeiro Warner e que tudo o que ela pensava saber sobre ele estava incorreto. Não tendo mais porque odiá-lo, o que Juliette irá fazer com a crescente atração que sente por ele? 
         Quem me conhece sabe que sou #TeamWarner desde o primeiro livro da série, quando ele era um maluco homicida e cruel mas, ainda assim, um personagem mais interessante que Adam (e que a própria Juliette). Warner é intenso, magnético e provavelmente maluco - mas continua um charme mesmo assim. 
          Mas, mesmo torcendo por ele, nunca (nunca!), nem em meus sonhos mais surreais, eu poderia imaginar um livro como 'Incendeia-me'. Provavelmente eu deveria começar dizendo que Warner está completamente diferente do primeiro livro e até mesmo do segundo livro, quando ainda escondia seus verdadeiros sentimentos com uma mascara de charme e arrogância. Warner parece ter ficado tão abalado pela quase-morte de Juliette que não consegue mais alcançar aquela postura indiferente e distante, por mais que tente.
O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui. (Fonte: Tumblr)
         Ele não começa a ser um doce com todos e até mesmo com Juliette tem seus momentos "não quero falar sobre isso". Mas vemos, logo do início, que ele a ouve, que se importa com que Juliette pensa e sente. E que está disposto a tudo para que ela seja feliz. 
           Eu poderia falar do Warner em toda a resenha, sobre sua nova atitude e sua lenta tranformação num mocinho. Mas não foi isso o que mais me impressionou em "Incendeia-me" - a maior mudança no terceiro livro ocorreu na protagonista/narradora, Juliette.
           Onde está aquela menina que chora a cada 2 capítulos? Aquela jovem que não se encaixava com o mundo a seu redor e que só queria viver feliz para sempre com seu príncipe encantado - Adam? A jovem que não queria saber de guerra contra o Restabelecimento parece ter morrido depois daquele tiro. A nova Juliette faz o que a maioria das mocinhas de YA deveriam fazer e não conseguem: tomam conta do próprio destino (e chuta alguns traseiros no processo). 
Esta garota está me destruindo (Créditos)
            Como o próprio livro diz, não se trata de Warner ou Adam. Se trata da própria Juliette, de como ela consegue agora ficar confortável em sua própria pele, com seus poderes. Como ela pode escolher com qual dos dois ficar se mal conhece a si mesma? A própria heroína parece ter consciência desse fato e, embora ainda com dificuldade de se expressar em palavras, consegue impor suas vontades - para Warner e para Adam. E, finalmente, resolve assumir o papel que lhe cabe na revolução contra o Restabelecimento.
            A questão é que essa "nova Juliette" não agrada a todos. Na resenha de 'Liberta-me' eu já havia comentado o quando Juliette é submissa quando está com Adam, em oposição a garota desafiante que toma conta quando Warner está por perto. Adam quer a menina pela qual se apaixonou, e não a garota madura e com planos de controlar o país pós-revolução. Ele pensa que Warner fez algum tipo de lavagem cerebral com ela, e o culpa pro essa súbita mudança, mal percebendo que essa "nova" persona esteve sempre ali, visível para o leitor apenas em vislumbres ao longo de toda a trilogia. 
"...Acha que não sei como é esse olhar? Acha que eu não saberia reconhecer? Ela costumava olhar para mim desse jeito. Eu a conheço... Eu a conheço tão bem...
- Talvez não conheça." ( diálogo entre Adam e Kenji p. 159)
      Não li o livro em pessoa nem do Warner e nem do Adam e sinceramente não acho que acrescentarão muito a minha compreensão da história, talvez uma informação ou outra a respeito do estranho dom de Warner em ler os sentimentos das outras pessoas, ou do que de fato pensa Adam com o sumiço de Juliette. Mas não acho que seja relevante ler tais histórias agora, não quando já terminei a trilogia principal. 
     Mas quando terminei de ler "Incendeia-me" eu quis pegar "Estilhaça-me" e começar tudo de novo, dessa vez sabendo o que sei agora, para tentar identificar se esses eram os planos da autora desde o princípio ou se ela apenas mudou sua história original quando percebeu que a fanbase de Warner era mais forte. O livro da a entender que sempre foi Warner e me convence disso mas preciso ler os livros anteriores novamente, só para ter certeza. 
        Porque um título nunca foi tão preciso: a história foi incandescente do inicio ao fim, incendiando tudo o que eu acreditava saber sobre os personagens, sua motivação e seu destino. Fui pega de surpresa mas me diverti muito, tanto que li o livro em menos de 24 horas e estou aqui já para escrever sobre ele, tamanha minha empolgação.
    Tudo é perfeito? Certamente não. Alguns artifícios da autora para 'solucionar' o triângulo foram muito clichês (transformar um personagem num babaca, surgir com uma quarta pessoa na história). Mas a maioria das explicações fizeram sentido - era como se a autora tivesse lido todos os meus pensamentos e tivesse colocado tudo lá, ainda conseguindo me surpreender um par de vezes - como na explicação sobre o pássaro. 
Eu quero fazer uma lista de todas as suas coisas favoritas e eu quero estar nela. (Fonte: Pinterest)
      Já gostava da série antes mas 'Incendeia-me' fez com que a trilogia adquirisse novo status para mim. Agora está sem dúvida entre as minhas séries favoritas, daquelas que releria diversas vezes se pudesse. Sim, a escrita da autora continua cheia de metáforas e me fez ler diversas vezes a mesma frase só para entender completamente. Sim, há muitos furos e falhas. Mas há também uma história envolvente, narrada em primeira pessoa e capítulos curtos, de forma que o leitor se vê enlaçado pela trama e sem conseguir largar o livro até o final. 
        O lado ruim é que é o ultimo livro. A série acabou e não verei mais Warner, ou Juliette ou Kenjji. 
       Vou sentir muita falta de novas histórias sobre esses personagens. Mas há sempre as releituras, certo? 
         
        Nota 9 - muito bom     


|FILME| Exôdo: Deuses e Reis (2014) (Resenha / Review)

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          Em "Exôdo: Deuses e Reis", Christian Bale vive Moisés, que foi criado junto a família do faraó mas na verdade é um hebreu, povo escravizado pelos egípcios. Moisés foi salvo da morte quando criança (o faraó ordenou que se matasse todas os nascidos hebreus naquela época, por medo de uma profecia de que nasceria aquele que poria fim a seu regime) e acabou sendo adotado e criado junto a riqueza. Porém, quando sua real identidade é revelada, Moisés é condenado pelo novo faraó (com quem fora criado como um irmão) ao exílio e parte sem destino.
     Você pode não ser cristão mas certamente conhece algo do livro de "Exôdo" do Antigo Testamento. A história de Moisés, com as sete pragas do Egito, a abertura do mar vermelho etc. é uma das mais conhecidas da bíblia. É por isso que um filme desses, baseado em uma história bíblica, se torna também uma aposta muito alta de Ridley Scott pois é uma história considerada de "domínio público" e que reúne altas expectativas, de crentes ou não crentes. 
         Quando vi o trailer de "Êxodo" eu sabia que ia assistir no cinema assim que lançasse. Os efeitos especiais prometiam cenas épicas e também não é todo o dia que vemos um filme bíblico com alta produção e grandes atores. Mas foi daí que resultou o maior dos meus equívocos, da crença de que 'Êxodo' seja uma história biblíca. Sim, foi retirado da bíblia mas não é um filme religioso
      Deixe-me explicar. Todos os eventos paranormais que ocorrem no filme são colocados de maneira dúbia, de forma que todos os supostos milagres possam ter uma explicação "racional". As moscas vieram quando os peixes começaram a apodrecer e os sapos vieram para comer as moscas, de forma que pareçam várias pragas mas é simplesmente uma maré de azar. Ou não? 
         Quando se coloca um personagem para dar uma explicação dessas, mesmo que o personagem em questão termine enforcado, o objetivo está claro: lançar uma explicação racional sobre o fenômeno supostamente miraculoso. 
"Procurando uma explicação científica numa época em que nem existia ciência".
          Eu entendo que essa alternativa seja uma forma de agradar gregos e troianos, cristãos e céticos. Mas vamos falar só um segundo da narrativa, sem pensar de que se trata de uma história advinda de uma das religiões mais populares do mundo? Esse negócio de ficar agindo como se tudo tivesse uma explicação "perfeitamente natural" deixa a história chata. Eu não quero um deus que possivelmente só existe na cabeça de Moisés, que teve uma sorte lascada pra tirar um povo escravo das garras do faraó. 
Isaac Andrews, que vive Deus no filme
        Pense num filme de mitologia grega: Em nenhum momento há esse tipo de questionamento sobre a existência ou não dos deuses e de suas ações: Zeus está numa nuvem e manda um raio certeiro em alguém - CABRUM! - o raio cai na cabeça do dito cujo, sem o  mimimi de que pode ser uma região com muitos raios. É ficção, não Discovery Channel.
      As poucas cenas em que vi um Deus realmente com "D" maiúsculo foram seriamente prejudicadas pelo fato de Deus ser representado por uma criança. No começo achei interessante mas acabou prejudicando nas cenas mais dramáticas: Quando Deus diz a moisés que não vai mais esperar mais 400 anos para libertar seu povo, era pra ser o desabafo de um deus poderoso - mas soa como uma birra infantil (mesmo com a boa interpretação de Isaac Andrews).
           No mais é um filme cheio de boas cenas e efeitos especiais mas carente daquele "Q" que torna as histórias inesquecíveis ou especiais. A história se chama  tem a palavra "Deuses" mas só há um Deus - se chama "Reis" mas só há um faraó (e o pai deste, mas não conta). Utiliza 'Êxodo' no título mas resume páginas e páginas do livro homônimo em um 5 minutos de filme. Não queria alta fidelidade para uma peregrinação de anos e anos mas a história inteira foi muito corrida, o que prejudicou também a identificação com os personagens. 
Esse mar não era pra ter aberto? 
       É um filme razoável, que recomendo para vocês assistirem no cinema apenas pelos efeitos especiais. No quesito 'emoção' ainda prefiro assistir O príncipe do Egito que Êxodo. Hey, Ridley Scott: É assim que se abre um mar! 

                 Nota 7 - razoável


               

|FILME| O hobbit - A batalha dos cinco exército (Resenha / Review)

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     Terceiro filme da Trilogia 'O hobbit'. Clique aqui para review de 'O hobbit - uma jornada inesperada' e aqui para a review de 'O hobbit - A desolação de Smaug'. 

      
      O filme começa imediatamente após o final do segundo, com Smaug saindo da montanha de Erebor com o objetivo de destruir a Cidade do Lago, para desespero de Bilbo e dos anões que só podem assistir enquanto Smaug aterroriza os moradores da cidade. Para a sorte dos humanos, Bard está no local e consegue matar o monstro e, embora ele já tenha destruído boa parte do local, os moradores saem razoavelmente incólumes. 
      O problema é que agora estão todos pobres (o 'prefeito' roubou todo o ouro da cidade) e não tem como construir a cidade sem a ajuda de Thorin, que havia prometido parte da riqueza aos moradores como agradecimento. Só que Thorin está seduzido pelo ouro de Erebor e se tranca lá dentro com sua comitiva de anões, esperando que seu exercito de anões chegue. Quase ao mesmo tempo, os elfos da floresta também aparecem pedindo um jóias de Erebor que também pertenceriam aos elfos. 
       Bilbo, percebendo que Thorin já está cego pelo poder e riqueza, rouba o item mais precioso de Erebor, a pedra Arken, e entrega aos 'inimigos', com a esperança de que isso faça Thorin negociar. Mas o resultado é justamente o oposto, e agora a guerra parece inevitável. Enquanto isso, Galdalf está aterrorizado pois, a que tudo parece, Sauron retornou.
        Há muitos anos atrás, no início da minha adolescência, eu li um livro chamado "O hobbit". Me lembro de ter amado a história, rido e chorado, de ter ficado completamente encantada com os personagens e com o mundo criado ali por Tolkien. E é por ter gostado tanto assim do livro que fui contra essa trilogia desde o inicio.
        Primeiro pela pretensão do projeto, querendo transformar uma aventura para um publico ‘infanto-juvenil’ num épico à lá Senhor dos Anéis, com 3 filmes e cenas ‘memoráveis’. Segundo por entender que não há história para tantos filmes assim, pois tudo pode ser resumido em 1 ou (no máximo 2 filmes) com folga.
        O terceiro motivo pelo qual eu nunca fui a favor dessa trilogia se revela mais nesse terceiro filme, ‘A batalha dos cinco exércitos’. Nele, a sensação de que eu tive nos dois primeiros filmes ,de que o diretor está forçando a barra pra tentar trazer alguma relevância para os 3 filmes, se acentua.
Minha cara vendo Peter Jackson f*der com 'O hobbit'
         Afinal, qual a necessidade de colocar Sauron no meio dessa história? Não faz o menor sentido, ainda mais quando esse vilão (praticamente indestrutível na primeira trilogia) treme e desaparece perante um 2 elfos e 3 magos. Qual a necessidade de tentar o tempo inteiro fazer referências ao filme antecessor sendo que os acontecimentos de ‘O senhor dos Anéis’ só vão acontecer daqui a 50/60 anos? Qual a necessidade de inventar uma elfa que não existe só para ele se apaixonar por um personagem e dar algum romance para a trama?
         Desculpem-me repetir tantas vezes mais vou ter que fazê-lo novamente: QUAL A NECESSIDADE DESSE FILME, AFINAL? Se para Peter Jackson Thorin estava cego pelo seu tesouro, para mim o próprio Peter Jackson ficou cego pela montanha de ouro que a trilogia ‘O senhor dos anéis’ rendeu e quis repetir o feito.
         Eu sei que ‘A Batalha dos Cinco Exércitos’ existe também no livro, mas é impressionante como o autor conseguiu fazer uma guerra se tornar maçante. Eu normalmente sentiria vergonha de dizer isso, mas não posso negar para vocês que cochilei em diversos momentos do filme, quando os diálogos vazios e sem propósito entre os personagens parecia se estender por horas.
Galdaf não aguentou o tédio do filme e também dormiu. 
         Das 2h24min de filme eu devo ter dormido uns 20 ou 30 minutos, sem brincadeira. E, pior, isso não fez com que eu perdesse o andamento da história, posso contar o filme inteiro se vocês quiserem.
         Nas ultimas cenas, quando Gandalf e Bilbo se despedem, eu me senti duplamente triste. Primeiro por que essa serie a última vez que veria essas personagens de Tolkien no cinema. Segundo por que a despedida, ainda que eu não esperava muita coisa, teve gosto de decepção.

          Nota 6 não gostei.

P.S.: Desculpem a review curta, fiquei tão chateada com esse filme que foi uma verdadeira batalha de cinco exércitos escrever sobre ele.