Filme: Sem escalas (Resenha / Review)

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          Com o 11 de setembro, muitas coisas mudaram com relação a segurança nos voos americanos. Uma delas foi a atribuição de agentes de segurança infiltrados entre os passageiros, a cada voo realizado. Neil Marks é um desses agentes, um homem que já trabalhou para a polícia mas agora desempenha uma função burocrática, voo após voo. Ele tem um passado misterioso, uma série de dívidas e uma atitude indiferente com relação a sua função.
          Tudo muda, no entanto, quando Neil recebe a primeira mensagem em seu celular do trabalho, de um número não rastreado.  O remetente anônimo afirma que uma pessoa irá morrer a cada vinte minutos naquele voo, a menos que 150 milhões de dólares fossem depositados em uma conta bancária. 
          Mesmo duvidando da alegação, Neil começa a investigar o caso com ajuda de Jen Summers (vivida por Julianne Moore) uma passageira sentada ao seu lado durante o voo e automaticamente inocente aos olhos de Neil pois não poderia ter enviar a mensagem se que ele visse. Eles começam a olhar as câmeras do avião mas 20 minutos passam rápido e logo a primeira pessoa é morta. Neil conseguirá descobrir a identidade do assassino antes que seja tarde demais?
          Entrei no cinema sem ter a mínima ideia da história desse filme mas logo fiquei intrigada pela história. Como um bom livro de suspense, a missão seria descobrir a identidade e os motivos do assassino. Eu, que sou fã de livros assim, logo fiquei presa ao suspense e as deduções para saber quem era a pessoa por trás dos assassinatos.
          O clima de suspense do inicio é ótimo, mas logo algumas coisas começaram a me incomodar e principal delas foi o personagem principal, vivido por Liam Neeson. Estava esperando um detetive mais intelectualizado, como nos livros de suspense, mas acabo me deparando com um homem um pouco ingênuo e mais disposto a utilizar a força bruta do que seu cérebro. A velocidade com que Neil passa passa a utilizar a força bruta em suas ações, no modo “bater antes, perguntar depois” chega a ser assustadora. Pra mim, esse personagem é louco, pronto e acabou, mas ele é o protagonista então tive que torcer pelo seu sucesso em descobrir quem era o assassino, mesmo não concordando com seus métodos investigativos.
          A medida que o filme avança ficou mais parecido com um filme de porradaria do que um suspense, propriamente mas fui ficando cada vez mais obcecada com a identidade do vilão, até que o final chegou e... bem, como eu disse antes, a coisa é mais ação física do que cerebral e os motivos para o crime são tão idiotas quanto o personagem principal. O que me irritou nesses motivos foram a aura politizada que senti neles, como se o autor estivesse mais preocupado em passar uma mensagem do que em ser coerente.
          Mas não dá para dizer que o filme é ruim. Até o final as cenas são de tirar o folego e roer as unhas, mal percebi e a 1h46 já tinham passado. O final é tão descartável quanto os motivos do assassino, mas ‘Sem escalas’ é um filme bem razoável e interessante para assistir e indicar aos amigos.

          Por isso minha nota é 7 – um filme razoável


Em tempo: Lupita Nyong'o, ganhadora de um Oscar (por esse filme aqui) também está nesse filme. 

O lado bom dos livros pirateados - part. 3 (FINAL)

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        Esse ultimo post sobre "O lado bom dos livros pirateados" é, na verdade, um resumo das ideias anteriormente expressadas e uma reflexão sobre o futuro do livro impresso versus e-book.
         No primeiro post dessa série vimos como os livros pirateados podem ser portas para que os leitores conheçam as obras antes de comprarem a versão impressa. Citei como exemplo os livros de Paulo Coelho, que são comercializados livremente na internet e o fato de que isso não impede que as suas obras sejam best-sellers a cada ano. Aproveitei para citar dados que comprovam que, apesar do mimimi das editoras, as vendas de livros só tem aumentado, ano após ano.
Para Sempre: o livro tem a capa do filme e vendeu
muito bem, obrigada.

          No segundo post eu viajei um pouco mais e, citando o que vi no mercado fonográfico (com CDs sendo usados para divulgação) previ que os livros logo irão se tornar parte de uma indústria maior, voltada para experiências e licenciamento e que utilizarão o livro como um passaporte para a venda de produtos maiores. Consequentemente esses outros produtos é que trarão lucro para as editoras e não o livro em si. 
           Terminei o segundo post dizendo que, é certo, as editoras precisam mudar a sua forma de trabalho, principalmente para não cair na mesma armadilha que os CDs. Tudo bem, hoje as vendas vão de vento em poupa mas a realidade é que o mercado literário está mudando e não adianta só culpar os livros piratas e dizer que o resto está certo. Muita coisa precisa mudar.
            Vejo que, nos últimos anos, algumas coisas já mudaram aqui no Brasil. Temos editoras novas, com preços mais competitivos e que investem em romances e histórias que já tem uma pré-aprovação no restante do mundo. É o caso de Editoras que lançam livros que inspiraram (ou inspirados) em filme, com direito até a capa da versão cinematográfica. Caso também das editoras que publicam N livros de um mesmo autor, por que escritores best-sellers são aposta garantida (embora essa não seja uma estratégia nova, ainda funciona). Vocês sabem quais são essas editoras, e elas realmente vão conseguir um bom lucro com essa estratégia.
Livros não vão morrer mas e-books são
 o futuro.
             Mas e quando os e-books forem maioria e não exceção? Como as editoras vão convencer a mim, uma leitora com pouca grana, a baixar um e-book pago e não uma versão pirata? Os livros impressos não vão acabar, a pirataria não vai acabar. Mas as editoras precisam mudar, caso contrário elas acabarão.

              Estou sendo meio dramática, eu sei. Talvez as editoras não acabem, talvez apenas precisem, tal como já tem feito, investir pesado em marketing e lançar um novo "50 tons de cinza" ou "Crepúsculo" a cada estação. Mas, novamente, o que impediria uma pessoa de baixar o livro do momento de graça, ao invés de baixar a versão paga?
               Minha sugestão permanece de pé. É preciso desapegar dos livros, assim como já se desapegou-se dos CDs, como já disse acima. O certo, porém, é que isso ainda demorá muito tempo para acontecer, talvez décadas. A indústria do cinema não continua se apegando com unhas e dentes em seus direitos autorais? O mesmo, infelizmente, acontecerá com os livros.

               Espero que tenham gostado dessa série de postagem e espero poder contar com o feedback dos meus possíveis leitores nos comentários, quero saber o que pensam dos downloads piratas. Comentem!

Resenha: O pecador - Tess Gerritsen

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               O pecador é o terceiro livro da série “Rizzoli & Isles”. Embora a trama principal seja independente, vale a pena acompanhar as protagonistas nos livros anteriores (respectivamente O cirurgião e O dominador).

               A Dra. Maura Isles é conhecida como a “Rainha dos mortos” entre seus colegas policiais e legistas. Mas até mesmo sua compostura gelada é abalada com a cena do crime que surge diante dela: Duas freiras assassinadas brutalmente em um convento. Junto a detetive Jane Rizzoli, Maura irá tentar desvendar os detalhes desse homicídio, ao mesmo tempo em que tenta lidar com o retorno inesperado de seu ex-marido.
               A Dra. Isles já tinha aparecido brevemente em O dominador, mas, nesse livro, sua participação na história adquire ares de protagonista, com direito a capítulos em terceira pessoa narrados sob seu ponto de vista. Já Rizzoli, embora igualmente importante para a trama, está longe da obsessão e intensidade do primeiro livro. A heroína também enfrenta certos problemas particulares que acabam se sobressaindo frente à investigação.
               Uma das coisas que mais gosto dessa série é o suspense médico, a descrição de autópsias e procedimentos que irão revelar o que aconteceu na cena do crime. Muitas vezes a identidade do assassino não é conhecida pelo leitor, portanto não é aquele suspense de “Quem matou...” mas sim a investigação e o processo de descoberta do assassino que são interessantes.
               Nos livros anteriores acompanhamos alguns momentos em que o serial killer, em primeira pessoa, narra seu prazer e suas reflexões sobre suas matanças. Mas O pecador não é um livro sobre serial killers, infelizmente. Dessa vez o importante é descobrir os “porquês” do homicídio e para isso somos levados há uma história que tem inicio a cerca de um ano atrás, já que uma das vítimas está grávida.

               Como não podia faltar em livros que tem algum mote religioso, há aquela velha discussão sobre a fé. Ambas as protagonistas não acreditam em Deus e, mais importante, não acreditam em si mesmas. Maura reflete se deve dar uma nova chance ao seu marido Victor, mas não acredita que eles possam dar certo juntos, pois são muito diferentes. Ela também tem que lidar com a indesejada atração pelo pároco da igreja onde ocorreram os homicídios, um homem que tem a fé como o objetivo de vida.
               Já Rizzoli, que já não vinha bem desde O dominador, agora parece mais calma, porém com um drama maior em suas costas. Não é mais um assassino que a persegue mas as responsabilidades e escolhas que irá ter de fazer – e que afetarão seu relacionamento com o agente do FBI Gabriel Dean.
               Li O pecador sem pressa, como costumo fazer com os livros dessa autora. Tess Gerritsen escreve muito bem, mas seus livros não são thrillers alucinados e sim histórias bem elaboradas e interessantes para os momentos de lazer. Como disse acima, dá pra perceber que, nesse livro, a investigação forense é deixada um pouco de lado, o que me decepcionou um pouco, já que havia me acostumado (e aprendido a apreciar) todo o jargão médico das histórias da autora. A ausência de um serial killer na história diminuiu bastante o nível de ação da história – comparado aos livros anteriores ‘O pecador’ é um livro melhor elaborado, porém com um ritmo mais lento.
               Apenas uma coisa me incomodou de verdade nesse livro e foram as ligações românticas das protagonistas. Uma coisa que me irrita em Tess Gerritsen é que ela cria mulheres fortes como Rizzoli e a Dra. Isles, só para fazer com que elas derretam ao primeiro sinal de testosterona. Ambas as protagonistas são bem sucedidas e inteligentes, mas parecem meter os pés pelas mãos quando se trata de relacionamento, passando a agir como mocinhas indefesas de um romance de banca. Me vi torcendo para que os casais não dessem certos, para que Rizzoli fizesse a escolha mais pragmática, para que nada mudasse no universo das personagens por que sabia – e sei  - que se houvesse um happy ending o próximo livro seria um porre.
               Dá para dizer que o final foi feliz, porém (Graças a Deus!) ainda tenho algumas esperanças para a próxima história, embora não sei se irei compra-lo tão cedo. Rizzoli, minha personagem favorita, aquela que me fez comprar os outros livros depois de ‘O cirurgião’, já não é mais a mesma de antes. E Maura Isles, apesar de interessante como a ‘Rainha dos mortos’, não é uma protagonista tão dinâmica quando Jane Rizzoli.


               Indico essa série se gostar de tramas bem escritas e com um ar médico (quase ausente nesse ultimo livro mas espero que volte nos próximos). O pecador não é o meu livro favorito de “Rizzoli & Isles”, ainda prefiro O dominador, mas é uma história importante para a evolução dos personagens principais então dou nota 7,5 um bom livro mas tirei meio ponto pela mudança pela mudança no mote ‘suspense médico’ e na personagem Jane Rizzoli. 

Página do livro no Skoob