Filme IT (Review)


    Pennywise no cinema! A primeira parte da adaptação de IT para as telonas saiu no cinema e o resultado cumpriu com todas as minhas expectativas.
    A história do "Clube dos Otários", um Grupo de 7 amigos que tem que lidar com bullying, problemas familiares e uma ameaça sobrenatural é tão cativante em tela quanto nos livros. Por mais que seja um filme de terror, a amizade entre Bill, Beverly, Ben, Richie, Mike e Eddie é o principal no livro e o filme conseguiu adaptar isso muito bem.
    Gostei particularmente da escolha em dividir a adaptação em duas partes, focando uma na juventude dos garotos e a segunda com eles já adultos. Isso deixa a trama mais linear e mais simples, além de haver a possibilidade maior de um desenvolvimento da história e dos personagens. No primeiro filme nós sabemos quem essas pessoas são, no segundo quem se tornaram depois de 27 anos.
    O drama é muito legal, as cenas da infância deles muito divertidas mas essa é uma adaptação de Stephen King. O terror da história é tão excelente quanto os outros aspectos: O ator que faz Pennywise é excelente e entrega um palhaço que consegue ser divertido e medonho ao mesmo tempo. Os efeitos de algumas cenas são meio forçados mas o clima de ansiedade e suspense que o diretor consegue levar para esses momentos faz com que valha a pena. Isso sem contar os sustos! Gritei alto umas duas vezes no cinema, o que é uma espécie de recorde nesse ano (nem com Anabelle 2 me assustei tanto).
    Infelizmente, vi muitas pessoas falando groselhas a respeito desse filme. A primeira é que seria uma cópia de Stranger Things. Alô, pessoa, Stranger Things é que é uma cópia de IT! Afinal, o livro foi lançado na década de 80, mais de 30 anos antes da série. Gosto de Stranger Things também mas temos que admitir que parte do charme da série é a influência que dos livros de Stephen King nessa obra.
    A segunda besteira que tenho lido, são as críticas de que o filme é bobo ou que não é tão assustador assim. Respeito a opinião pessoal de cada um mas é lamentável que a nossa geração esteja acostumada com um único tipo de história de terror (Atividade Paranormal, Anabelle e outras histórias com fantasmas/demônios). Para essas pessoas, tudo o que sai desse padrão é ruim ou tosco.
     Aconteceu isso com "A Bruxa" ano passado e vejo uma pequena parcela das pessoas fazendo o mesmo com IT. Esses dois filmes não tem nada em comum, apenas o fato de serem rejeitados por uma parte das pessoas por não serem aquilo que se espera. Para você que não assistiu IT ainda minha única sugestão é: assista esperando, mais do que um filme de terror, uma boa trama com ocasionais sustos.
    Porque IT é mais que terror. Tem sustos mas também tem drama, tem cenas engraçadas, tem suspense. Há momentos em que a história parece um filminho de sessão da tarde mas isso não prejudica em nada a história. Pelo contrário, ajuda quem está assistindo a se identificar ainda mais com os personagens.    Recomendo muito essa adaptação, que considero uma das melhores já feitas de uma obra do King. Claro, fizeram várias modificações com relação ao livro, mas as alterações não mudaram o espírito da história ou a personalidade dos personagens.
    Uma das coisas que eu mais gostei do filme foi justamente a adaptação de uma cena horrorosa que se passa no final do livro, nos esgotos - o filme colocou uma cena que tinha mais ou menos o mesmo contexto, mas que ficou muito mais fofa.
    Enfim, dei nota 9 - muito bom.

P.S.: Também escrevi review desse filme para o Multverso Geek.

Redescobrindo "Sociedade dos poetas mortos"

   

   Sexta a noite, eu na minha rotina de assistir uma série antes de dormir. A escolhida das últimas semanas é Brooklyn 99, já que tenho dado preferência para coisas mais leves pra ler e assistir nos últimos tempos.
   Eis que, no final do episódio (que também era o último da temporada) quando todos os personagens estão se despedindo do capitão Holt, uma frase de dois segundos me faz lembrar de Sociedade dos poetas mortos. Foram apenas dois segundos mas foi como se o Leonardo Di Caprio tivesse entrado nos meus sonhos e plantado uma ideia na minha cabeça: eu tinha que rever esse filme.
   Assisti mais um episódio de Brooklyn 99 mas o filme ficou na minha cabeça. Será que tem na Netflix? Não tinha. Mas tinha no PopCorn Time, o que me pareceu uma grande coincidência e incentivo pra rever um filme que eu só tinha assistido uma vez há quase 15 anos atrás.
    Lembro que quando assisti esse filme pela primeira vez, fiquei bastante impressionada, com a história, com os personagens, com tudo. Mesmo tendo esquecido quase toda a trama, os anos deixaram aquela última cena bem gravada no meu subconsciente. "Oh, captain, my captain"! Quem lembra?       
    Reassistir um filme de (quase) 30 anos foi quase como entrar numa outra realidade. A Sociedade dos Poetas Mortos é um filme de 89 e pode ser considerado como uma história sobre jovens brancos da classe média alta, filhos de uma geração que queria filhos médicos, advogados, contadores. Essa avaliação, no entanto, me parece um tanto cínica para um filme que, em essência, trata de sentimentos que todos nós (adolescentes ou não) já enfrentamos. Fazer o que se quer ou o que se espera de nós? Viver ou só existir? Carpe Diem talvez seja um pouco batido hoje em dia mas ainda tem seu apelo, principalmente para os que andam em uma fase de reflexão sobre a vida e os caminhos que seguimos.
   Fui assistindo sem me lembrar muito de muita coisa. Aquele ali leva um soco no nariz, aquele é um traíra, eram apenas alguns detalhes que me ocorriam. Já me aproximando do final, exatamente uma cena antes de um momento bem importante para a trama, eu lembrei de tudo, de todo o desfecho do filme. E, subitamente, percebi porque foi tão difícil para meu eu adolescente não me emocionar com esse final - era só olhar para mim naquele momento, chorando até não querer mais, pra entender.

    Engraçado que, por mais ressalvas que eu poderia ter com esse filme, re-assistir só fez com que ele crescesse no meu conceito, em admiração e significado. Não só uma nova interpretação de alguns momentos da história mas também uma compreensão dos demais personagens, que antes não me ocorreu. Quando era mais nova me identificava mais com os alunos, hoje, reassistindo, pude também compreender mais o professor (atuação maravilhosa de Robbie Williams) e até mesmo os pais de um dos garotos.
   Com tudo isso, Sociedade dos poetas mortos passou de um filme ótimo que vi no início da minha adolescência a um dos meus filmes favoritos. Eu nunca tinha percebido o quando essa história marcou a minha vida, até assistir novamente depois de todos esses anos.
   Se isso fosse uma review eu diria que a nota desse filme é 10 e indicaria para os que tem empatia ou estejam passando por algum questionamento do tipo citado mais acima. Mas nem sei o que é esse texto, só queria compartilhar essa experiência com vocês e dizer que há muito tempo não me emocionava assistindo algo como me emocionei com esse filme.
   Talvez seja por coisas muito mais pessoais do que relacionadas a história e tramas em si, talvez pelo significado que essa história teve (e tem) pra mim. De todo modo, fica o registro da noite em que comecei assistindo Brooklyn 99 e terminei as lágrimas com Sociedade dos poetas mortos.


Você tem algum filme que tenha algum significado especial pra você? Se tiver, deixe aqui nos comentário. Até a próxima!


P.S.: comecei o texto falando que estou numa fase de evitar coisas muito pesadas emocionalmente e terminei contando como fui as lágrimas com um filme que não via há anos. Coerência, pra quê?

Livros que quero reler em alguns anos (ou: Minha lista imaginária de releituras)

Reler é a chave para entender/aprender

Esse ano resolvi começar a ler Dr. Fausto do Thomas Mann. Aproveitei uma leitura coletiva do canal do Marcos Amaro e embarquei nessa missão: ler o livro de Mann inteiro no mês de agosto. Como queria manter o desafio apenas durante a semana (segunda a sexta) resolvi ler trinta páginas por dia. Pensei que era uma tarefa fácil e estava certa: não é difícil ler 30 páginas diárias de Thomas Mann. Difícil é entender completamente tudo o que é dito nessas 30 páginas.
No começo eu bem que tentei e reli algumas passagens mas, lá pela página 170 eu entendi que teria de reler esse livro algum dia. Continuei tentando entender o livro, claro, mas percebi que algumas páginas estava além da minha capacidade intelectual – não ia conseguir entender 100%. As discussões filosóficas que Adrian e o narrador tem na faculdade, a respeito da religião, da política, da música estão em um nível intelectual muito alto para mim. Como essas discussões representam apenas alguns momentos da história, continuei a ler e prometi a mim mesma reler o livro em alguns anos, quando meu conhecimento humano, filosófico e musical for maior do que é hoje.
Esse não é o único motivo pelo qual as pessoas querem fazer releituras. E nem é o motivo mais comum já que gostamos de reler aquilo que nos agrada. Eu costumava fazer muito isso, reler o que eu gosto(e até já escrevi sobre), mas, nos últimos anos, posso contar nos dedos quantas releituras fiz apenas por prazer em reler um favorito (os motivos para isso rendem outro post).
Por que mais as pessoas releem livros? Outro motivo é quando você tem a sensação de que a releitura pode te dar uma nova perspectiva. Nesse mês de agosto eu também li "As Ondas" da escritora Virginia Woolf e acabei colocando ele também na minha lista imaginária de futuras releituras. No caso do livro da Virgínia não é bem uma falta de compreensão, ao menos não como a que ocorre em Dr. Fausto. Reler um livro tão poético quanto As Ondas é o equivalente de reler um poema - sempre se acrescenta alguma percepção ou sensação àquelas que se tinha antes.
Sobre ler o livro no momento errado, o que é um pouco o que ocorreu comigo em Dr. Fausto, também tenho mais dois exemplos. O primeiro é "O velho e o mar" do Hemingway. Eu não gostei do ritmo dessa história (achei lento demais) e nem muito da narrativa do autor mas, depois que terminei, me vi pensando em como encararia essa história quando fosse mais velha - será que acharia tão lento assim?
O  segundo caso é 'Persuasão', da escritora Jane Austen. Eu simplesmente amo essa trama mas fiquei muito incomodada com a narrativa da autora aqui. Quem leu Persuasão, descobre uma Jane Austen muito distante da que escreveu "Orgulho e Preconceito". Li há uns 10 anos mas me lembro que tive a sensação de que o livro era uma espécie de rascunho publicado antes do tempo, que a autora ainda poderia ter limpado um pouco melhor a história. Mas será que é isso mesmo ou apenas uma tradução mais cansativa? De todo modo, Jane Austen merece uma nova chance.

Fiquei pensando nessas releituras e nessa minha lista (agora não tão imaginária) de livros que quero reler e resolvi escrever sobre isso. Claro, há muitos livros que penso em reler, mas essas são as releituras que decidi fazer mais recentemente e o que me levaram a fazer esse post. 
 Vocês tem algum livro que pretendem reler? Por qual motivo? Comentem! 

Drácula - Bram Stoker (resenha)

  
  Quem não conhece a história de Drácula, o vampiro que vai da Transilvânia a Londres e deixa um rastro de morte em seu caminho? Ironicamente, a maioria das pessoas está mais habituada as versões cinematográficas do personagem - da história original, poucos sabem com exatidão. A começar pela luz do sol: na versão de Bram Stoker, o Conde não tem qualquer problema em se locomover durante o dia - nada de queimaduras ou coisa que o valha. O único problema é que, nesses períodos de claridade, sua força é reduzida e ele não pode mudar sua forma. 
   Outra diferença é aparência do conde, que no livro está mais para uma versão envelhecida do de Vlad Steps (principe da Valaquia). Nos filmes oscila-se entre uma aparência mais grotesca (vide Nosferatu) e a figura de um homem charmoso e sedutor, que é mais usada recentemente. Para a maioria das pessoas dizer que Drácula tem grandes bigodes brancos é tão absurdo quanto dizer que ele se tornou vampiro após estudar magia negra em uma escola no meio  da floresta - essa é outra diferença entre livro e filme. 
   Citei essas diferenças para mostrar o quanto a leitura desse livro é uma experiência tanto familiar quanto nova, mesmo para os que gostam de histórias do gênero. Aqui temos os elementos mais tradicionais das histórias vampirescas mesclados com transes, aparelhos fonograficos e barcos a vapor - modernidades para a época, que o autor certamente utilizou para embelezar a trama. Um prato cheio para qualquer psicólogo, o livro tem personagens e trama aparentemente simples mas há algo de estranho e ambíguo em suas páginas. Um exemplo dessa ambiguidade é a estranha relação entre Jonathan Harker e o Conde; por mais que o vampiro beba apenas de jovens mulheres, é somente sobre Jonathan que ele exerce sua posse. "Esse homem me pertence!" grita, em determinado ponto da história. Isso sem contar todo contexto dos vampiro: mortos extremamente atraentes (!) que parecem seduzir os vivos. 
   A introdução da edição Penguin tem uma introdução muito interessante que toca um pouco nessas polêmicas, ao mesmo tempo em que nos narra um pouco a história do próprio Bram Stoker. Escolhi ler nessa edição por ser mais fácil de transportar, mas também li algumas partes da edição da Landmark. A tradução dessa última é a mais direta possível mas achei o texto mais seco e menos interessante dessa forma. Um ponto positivo nessa edição é a presença do texto original, em inglês. Sempre é divertido tentar ler esses livros mais clássicos no inglês original - só para descobrir em seguida que você não vai dar conta. 
   Não sei se por gostar muito da temática (Vampiros) ou por ser um livro que eu queria ler a tempos mas Drácula cumpriu com todas as minhas expectativas. No início a pegada é m
ais de terror (muito mais do que eu esperava, aliás) mas depois a trama ganha traços mais aventurescos. Há certo exagero na escrita de Stoker - as pessoas parecem chorar e fazer discursos loquazes o tempo todo. Embora tenha certeza de que o autor escreveu tudo isso a sério, me diverti com essa drama digno das melhores/piores novelas mexicanas. Recomendo Drácula para você que gosta de Vampiros e romances extensos. A narrativa é composta por cartas, diários, telegramas e isso torna a leitura bem rápida e interessante. Além disso, é muito bom ver o famoso monstro como foi concebido - e não da forma Hollywoodiana. 
   Nota 9 - muito bom



Annabelle 2 - A Criação do Mal (review)

   
  Annabelle 2- A Criação do Mal (daqui em diante apenas referida como Annabelle Creation, o título em inglês) é a sequência do derivado de Invocação do Mal, Annabelle.  Se o primeiro filme foi um hype enorme e fez todo mundo voltar a ter medo de boneca (eu achei meio bleh, mas...) o segundo parece ter tido uma estreia um pouco mais tímida. Eu, pelo menos não ouvi falar tanto sobre ele. 
   Ironicamente, estamos diante de um caso em que a sequência é muito melhor do que o primeiro filme. Tanto a trama quanto o clima de suspense, os personagens... Tudo é melhor em Annabelle Creation, quando comparamos ao filme de origem. 
   A impressão que dá é a de que a equipe criativa tentou concertar o roteiro fraco do primeiro, inserindo aqui uma história de origem muito mais verossímil e interessante que a primeira

   Claro, o final tenta "fechar o ciclo" e unir esse suposto prólogo ao primeiro filme da franquia, criando ao mesmo tempo necessária e meio desconexa com o restante do filme. Precisava mesmo de algo que unisse Annabelle à Annabelle Creation. Mas, ao fazê-lo, a sequência acabou perdendo a força. 
   Talvez a principal vantagem desse filme é o entendimento de que, para se fazer um bom terror é necessário algum grau de empatia pelos personagens. As crianças do filme se encarregam de criar esse sentimento - são todas muitos talentosas, desde a primeira garota (que faz Anabelle) até as jovens do orfanato. 
   Claro, não dá pra dizer que Annabelle Creation inventou a roda em matéria de terror. É tudo muito previsível, desde as cenas de susto até o andamento do roteiro. Mesmo assim essa previsibilidade, nesse caso, é até um pouco divertida: a gente sabe que a boneca estará atrás da garota, mas tapa os olhos mesmo assim. 

     Isso ocorre porque o andamento do filme é bom e a direção muito competente. O enredo pode até ser previsível mas é conduzido tão bem que a gente releva tudo. 
   "Mas Karol, você não disse que o enredo era bom?" é melhor do que o primeiro, sim. A história ao menos interessa. Mas é excelente? Vai mudar minha vida? Não. 
   Ainda sobre o enredo, até quando os filmes de terror do James Wan* vão seguir a mesma fórmula? Desde Invocação do Mal é sempre a mesma coisa: a gente acha que é um espírito e no final é um demônio. Okay, já entendi. Vamos seguir em frente?
   Enquanto isso não ocorre fica aí mais um filme divertido e que vale sim a pena, se você gostar do gênero. 
   Só não espere muito mais que uma boa diversao e algumas cenas de dar medo. 
   Nota 8 - bom filme


* James Wan produziu o filme.

P.S.: Passei a resenha inteira dizendo que o segundo filme é melhor que o primeiro mas vi agora que dei 8,5 para Annabelle enquanto a sequencia ganhou apenas um 8. Motivos? Embora no quesito narrativo a sequencia seja melhor, o primeiro filme tem duas cenas sensacionais, do tipo que eu me lembro e sinto medo até hoje. 


Dr Fausto - Thomas Mann (Resenha)

  
   A história de um homem que vende sua alma ao diabo na esperança de alguma gratificação terrena não é nova. Em Dr. Fausto de Thomas Mann o homem é Adrian Leverkuhn, um jovem e talentoso músico. Sua "biografia" é narrada por seu amigo de infância, Serenus Zeitblom, que começa a escrevê-la em meio a segunda guerra mundial. 
   A história de Adrian acaba servindo como metáfora da própria nação alemã, que também fez, de certa maneira, um pacto faustico com Hitler para assumir o domínio mundial. A deterioração da Alemanha e de Adrian vão acontecendo simultaneamente na narrativa do autor, muito embora a história do músico e compositor tenha se passado anos antes da sina alemã. Zeitblom, o suposto narrador da história, vai dando algumas pinceladas "do momento atual" em que está narrando a história, antes de se voltar para o passado. 
   Meu primeiro do Thomas Mann, tive alguma dificuldade com a escrita do autor no começo. Não só porque sua forma de narrar é das mais antiquadas e com vocabulário pouco utilizado; também suas ideias e concepções filosóficas e musicais estão muito além da minha capacidade intelectual. 
   Tirando esse desconforto pelas digressões que eu até agora não entendi e o ritmo arrastado da história, gostei muito da experiência de ler Dr. Fausto. Uma das reflexões que mais me chamou a atenção foi quando o autor afirma que inovar é como andar numa esfera - mais cedo ou mais tarde acabamos voltando ao início, ao primitivo. 
   Essa afirmação dialoga com a concepção de que a história mundial é cíclica, que as coisas estão meio que se repetindo ao longo dos anos, em maior ou menor grau de imitação. Com as notícias recentes de neonazistas nos Estados Unidos, ler esse conceito em um livro escrito durante a segunda Guerra mundial não deixa de ser simbólico. 
   Com certeza terei que ler Dr. Fausto algum dia, quando tiver mais bagagem filósofica para entender algumas discussões que ocorre no período em que Adrian passou na faculdade de teologia e em outros períodos do texto. Mesmo assim não me arrependo de ter lido esse lido agora, aproveitando a leitura coletiva que o Marcos Amaro propôs no canal dele. Ler Dr. Fausto desperta todas as sensações e reflexões que temos ao ler um legítimo clássico mundial.
   Recomendo aos que tiverem paciência e vontade de conhecer esse calhamaço impressionante, tanto pelo tamanho quanto pelas ideias nele expressas. 
   Nota 8 - bom livro


Meu Primeiro Assassinato - Leena Lehtolainen (Resenha)


   "Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro..."
   Djavan sabia mesmo das coisas. Tem melhor coisa do que ler tranquilamente naquele friozinho? Foi só o tempo esfriar que peguei esse romance policial, já que isso normalmente é sinônimo de uma leitura agradável. Junte-se isso ao fato da história se passar na Finlândia, um lugar beeem frio e pronto, temos a receita que tem tudo para dar certo. 
  "Meu Primeiro Assassinato" conta a história da policial temporária Maria Kallio, que é chamada para uma cena de homicídio em uma casa de campo. Ao chegar ao local se dá conta de que este não será mais um caso simples como os que vem trabalhando anteriormente: primeiro porquê não há, entre as 8 pessoas, qualquer uma que tenha assumido a autoria pelo assassinato. Depois há o pior de tudo, Maria conhece aquelas pessoas, incluindo o morto. 
    Embora haja uma chamada na capa que diz que essa é "uma estreia de tirar o fôlego para Maria Kallio" o andamento de "Meu Primeiro Assassinato" é tão lento que duvido que tire o fôlego de qualquer um. 
   Isso não seria um problema se o desenvolvimento fosse interessante mas é justamente aí que se encontra a maior falha desse livro. A investigação policial acontece de uma forma tão lenta e sem perspectivas que, quando tudo é esclarecido, a gente se pergunta se a detetive não acertou tudo por mero palpite.
   Maria Kallio é daquelas detetives que funcionam mais pesquisando e analisando as evidências. Porém, Kallio carece de personalidade e se comporta de maneira dúbia e indecisa o tempo todo. Os outros detetives não sentem confiança no trabalho de Kallio e o mesmo acontece com o leitor. Mas, no caso deste último, o que provoca a desconfiança não é por ela ser mulher e sim por carecer de qualquer qualidade especial que a possa distinguir de qualquer outro detetive. 
   Eu até leria outro livro dessa autora (vi que tem uma continuação) não fosse o final, que é absolutamente ridículo. O que era uma história mais ou menos se tornou um completo fiasco com um desfecho que inclui a detetive principal do caso tendo que levar um tapa da cara para se recuperar. A cena tem ares de dramalhão e só piorou o livro pra mim. 
   Terminei duplamente decepcionada pois, não só perdi meu tempo com uma história que não me deu o que esperava, como também falhei em encontrar uma boa série policial cuja protagonista é mulher.
   Nota 6 - não gostei.


P.S.: Alguém tem alguma sugestão de livro com polícia/detetive feminina? Miss Marple não conta.