Filme "Kong: Ilha da Caveira" (resenha)

   
    
   Quem não conhece a história de King Kong? O gorila gigante que, retirado de seu habitat natural, vai para cidade grande e apronta altas confusões? Sinopses clichês a parte, esse clássico de 1933 permanece na nossa cultura até os dias de hoje e recebeu milhares de remake, o último deles em 2005, dirigido por Peter Jackson, mesmo diretor de O Senhor dos Anéis.
   Falo que o último remake foi em 2005 porque para mim esse filme atual não é um remake. Pelo contrário, me parece uma espécie de expansão do Universo do personagem. O objetivo, pasmem, é realizar um  crossover entre King Kong e Godzilla nos cinemas.
   Mas isso é outra história, vamos ao filme. Para quem estava esperando cochilar e dormir "Kong: a ilha da caveira" foi uma grata surpresa. A história tem um ritmo bom e os personagens tem tempo de apresentação antes de irem para a ilha, o que significa que os expectadores acabam tendo motivo para gostar da maioria deles ao invés de torcer para o mostro matar a todos. Ironicamente, os personagens que tiveram mais tempo em tela no período pré-ilha são personagens que se tornam secundários quando vão para o local. Com exceção do personagem de Samuel L. Jackson, que tem bastante destaque na história e é igualmente bem desenvolvido, os personagens principais (vividos por Brie Larsson e Tom Hiddleston) tem um que de artificial, que o roteiro não conseguiu resolver. 
   O filme conta a história de um grupo de pesquisadores que, junto a um pessoal da aeronáutica, vai fazer um reconhecimento na tal "Ilha da Caveira". Os soldados só estão cumprindo ordens ao escoltar os cientistas até lá e quando jogam bombas no lugar. Já os cientistas, como todo cientista nesse tipo de filme, sabem mais do que aparentam e usam bombas para fazer com que os seres que vivem nessa ilha, incluindo Kong, saiam de suas "tocas". Mas acordar um gorila gigante com bombas acaba não sendo uma boa ideia e todos tem que lutar por suas vidas ao mesmo tempo em que tentam escapar da ilha blá-blá-blá. 

   Achei que iria me cansar desse plot rapidamente e dessa super exposição do macaco gorila e tal mas o filme soube dosar as aparições de Kong de forma que haja certa expectativa e empolgação com seu aparecimento. Um dos motivos pelo qual é possível esconder um gorila gigantesco nessa ilha é a descoberta de que na Ilha da Caveira existem mais seres gigantes, além do macaco. Um desses seres, inclusive, é uma espécie de dinossauro subterrâneo - e é também o maior inimigo de Kong. 
   Por mais que eu tenha gostado de ver Kong brigando com diversos seres igualmente gigantescos (a cena do polvo, por exemplo, não tem qualquer contexto na história mas é sensacional) me incomodou essa preocupação do roteiro em apresentar o famoso monstro como algo além do que um monstro. Falar que os "dinossauros" são inimigos de Kong porque mataram o pai do gorila é um exemplo do que eu estou falando. Já que é para ser divertido, que os próximos filmes tenham mais lutas entre monstros e menos dessa palhaçada de contar história da infância do gorila. 
   Claro, essa coisa de atribuir sentimentos ao monstro é um pouco da mística de Kong. A personagem de Brie Larsson é a loira da vez pela qual o macaco acaba se apaixonando e, eventualmente, até salvando. Brie Larsson tem um bom timing para ação e manda bem no filme mas é divertido ver que a personagem dela  acaba tendo mais química com um macaco do que com o personagem de Tom Hiddleston, que seria o seu relacionamento romântico na trama. 

   Sobre Tom Hiddleston, não me senti convencida com essa atuação dele.  Embora fisicamente apto para o papel (está mais forte e bronzeado), falta algo em todos os momentos de luta ou ação do personagem, algo de indefinível, como a forma sensível que ele pega em uma arma ou a total falta de carisma que o ator emite ao tentar viver um mocinho tradicional. O filme teria sido bom o suficiente sem um herói salvador e acho que isso também contribuiu para eu não gostar muito desse personagem. 
    Um personagem que me surpreendeu foi Preston Packard, vivido por Samuel L. Jackson.  No início a gente até entende o lado dele e torce para que ele consiga realizar seus objetivos mas, em mais uma tentativa de humanizar Kong, ele vira uma versão daquele capitão do Moby Dick e só quer saber de matar, matar, matar.  Entendo que é necessário um antagonista que não seja um monstro para que possamos torcer ainda mais pelo monstro mas a mudança me deixou meio pasma. Coisa de louco.
     Analisando o todo de uma forma puramente subjetiva, eu gostei de "Kong: Ilha da Caveira". Não é revolucionário, não é incrível mas é divertido de uma maneira simples. 

   Um filme de sessão da tarde: pra assistir e se divertir sem esquentar a cabeça. Nota 7,5 - o filme é ok e o meio ponto é por algumas cenas bem legais. 

IT (A Coisa) - Stephen King


Bem vindo a Derry! 

   Como destruir algo que a encarnação dos pesadelos de cada pessoa?  IT, livro escrito por Stephen King na década de 80, conta a história de 7 amigos que, um dia, 27 anos atrás, tentaram destruir essa "Coisa". Muitos anos se passaram e todos seguiram com suas vidas, ficaram mais velhos, casaram-se. Uma noite, porém, todos recebem a mesma ligação: devem voltar a Derry. A Coisa havia retornado
   Um calhamaço de 1100 páginas contando a história de um ser assustador e de toda uma cidade que foi construída praticamente em cima do local onde esse ser vivia. Uma história que mescla tanto a infância quanto a vida adulta dos personagens e faz isso de forma que as duas histórias - a do passado e a do presente - terminem quase ao mesmo tempo no livro. Um mostra do ego de Stephen King, uma ode a infância e aos dias que não voltam mais. Há tanta coisa a ser dita sobre IT, mas vou estruturar essa resenha escrevendo sobre cada uma das cinco partes que compõe a história e seguir a partir daí. Para quem quiser saber comentários mais detalhados, no Tumblr do blog há um diário de leitura do livro. 
   A primeira parte é bem curta, apenas nos apresenta alguns crimes ocorridos em Derry na década de 80 e os telefonemas que esses amigos recebem. Todos os crimes parecem estar de alguma forma ligados já que, em todos eles, há sempre um palhaço, que se apresenta como Pennywise, segurando um punhado de balões. Os crimes motivaram esses telefonemas, amigos são lembrados de promessas feitas quando tinham 11 anos e (quase) todos retornam a Derry. Nesse primeiro tempo já há a alternância entre o passado e o presente dos personagens e, quando vi a parte da infância, foi impossível não lembrar de Stranger Things. Há algo nessa coisa de crianças saindo perseguindo monstros que me lembra essa série mas a atmosfera nostálgica a verdadeira razão pela qual isso me ocorreu.  O próprio King comentou sobre a familiaridade das séries com suas obras, então acho que não estou tão maluca ao fazer essa comparação. 
   Como ocorre em O Iluminado, também de King, aqui o mal não está em pessoas ou em um contexto mas sim na própria Derry. Como no hotel Overlook, as coisas estranhas vem acontecendo nessa cidade há muito tempo e o mal parece ter se entranhado por ali desde a sua fundação. Não é só uma rua, não é só uma casa - toda a Derry parece estar amaldiçoada e corrompida e a razão tem tudo a ver com o palhaço Pennywise, com A Coisa. 
   A parte 2 do livro se concentra no início de verão de 58, mostrando como os 7 se conheceram e as coisas assustadoras que viram na época. Bill Gago, o líder do grupo, é um garoto triste que perdeu o irmãozinho de repente, uma história meio esquisita que destruiu a sua família e que ele não entende direito. Eddie é o amigo asmático de Bill e o vê como uma espécie de herói, alguém quem ele gostaria de ser mas que não pode, devido as doenças (reais ou imaginárias?) que sua mãe diz que ele tem. Richie, o boca de lixo, é irreverente, bem humorado e chega a perder a mão algumas vezes, por sempre querer fazer piada de tudo e de todos (sem filtros). 
Magda PROski

   Há também Ben, um menino gordo e sozinho, que encontra com Eddie e Bill por acaso, quando estava fugindo de meninos chamados Henry, Arroto e Victor pelo local conhecido como Barrens (uma espécie de matagal de Derry, onde se passa boa parte da história). A partir daí Ben também faz parte do grupo, conhece Richie e Stan, um judeu quietinho e um tanto misterioso. Bev também se junta ao grupo na segunda parte, uma menina linda, excluída pelas outras garotas da sua idade por morar na parte pobre da cidade. Todos os meninos são um tanto apaixonados por Beverly (Ben mais do que todos) mas, naquele verão, Bervely se apaixona totalmente por Bill. 
   Embora Mike, praticamente o único garoto negro que vive na cidade, seja citado nessa segunda parte e embora seja ele que tenha feito todos aqueles telefonemas anos depois, ele não se reúne ao grupo naquele início. Talvez tenha sido uma estratégia do autor para prolongar a história? Não é como se IT precisasse de algo assim. De qualquer forma, a forma como Mike chegou ao grupo, durante a "apocalíptica guerra de pedras" que ocorre na parte 4, é um dos melhores momentos do livro. 
   Esse é o terceiro livro que leio desse autor e já consigo identificar alguns elementos padrões em sua história. O primeiro é um toque de inacreditável que sempre permeia a suas histórias, alguma situação tão absurda e fantástica que acontece e faz com que o leitor tenha que abandonar completamente a voz da razão para comprar aquilo que está sendo escrito. Em IT esse momento foi quando Bill e Richie visitam uma casa abandonada. Já estava começando a comprar a história de que A Coisa é uma criatura sobre-humana e assustadora mas como levar a sério um monstro que espirra com pó de mico? Nas mais de 1000 páginas que compõe essa história acabamos percebendo que esse elemento infantil é proposital, que não é a toa que tenham sido 7 crianças a desafiar "A Coisa" etc. mas, como uma pessoa que já leu uma história de King sobre uma máquina de passar assassina, posso afirmar que esses momentos bizarros e estranhos são a cara dele. 
   O segundo elemento/assinatura do autor que reconheço nessa obra e nas outras dele que li é que, por mais que sejam histórias de medo e horror, há sempre algum elemento de tristeza, pesar ou melancolia na trama. No caso de IT esse sentimento é mais uma saudade que permeia as frases e momentos do passado e presente dos personagens. Ler Stephen King para mim é sempre uma mistura de ficar com medo, tentar superar algumas passagens e me emocionar em outras. Tem algo triste nesse autor e isso me toca profundamente - não é a toa que comecei e terminei esse livro com lágrimas nos olhos. 
   A terceira parte, com os amigos já adultos e reunidos, é a que menos gosto. A figura dA Coisa só funciona, só faz sentido para mim quando coloquei nela um olhar de criança e quando li sob o ponto de vista de crianças. Quando a narrativa foca em adultos tanto o personagem quanto a trama perdem a força. Não por acaso, foi nesse momento, entre a página 400 4 a 600 do livro, que comecei a achar Pennywise um pouco sem graça e repetitivo. Não dá para ter medo de um monstro que você vê toda hora. 
   Felizmente, a quarta parte volta a se focar nos personagens quando crianças, e o livro engrena de novo. Gosto muito das cenas envolvendo a rivalidade entre o grupo de Henry Bowers e o grupo de Bill Gago. Bowers é o único antagonista humano dos meninos que vemos e acompanhamos de perto e da para ver sua loucura aumentando ao longo das páginas. Mas um pouco dessa loucura é um pouco influência do pai de Henry e, claro, dA Coisa. 
   Nesse ponto a figura dA Coisa acaba se tornando a figura do mal encarnado. Em Nárnia, Aslan não criou sua antagonista, a feiticeira essa chega ao mundo criado por ele quase por acaso. Em IT o mesmo acontece, a coisa não foi criada. A cena de sua chegada a Terra, no entanto, me soou um pouco sem graça e forçada. 'Show don't tell' não funciona para King: ele tem que mostrar E falar para não deixar nenhuma dúvida no que ele está mostrando. 
BANKSY

    A última parte da coisa reúne a conclusão do último confronto com A Coisa, 27 anos atrás e o confronto atual. Novos elementos são adicionados à trama e há momentos de tensão quando os amigos fazem o ritual que chamam de Chüd, bem nas profundezas de Derry. 
   Alternando, ora o passado, ora o presente, descobrimos a história como um todo e a natureza dA Coisa e da própria Derry. “A Coisa” é a externalização do mal, se alimenta de crianças, literal e metaforicamente: é a fé das crianças que o monstro  quer, uma fé que é capaz de acreditar em coisas que os adultos esqueceram faz tempo. Derry está contaminada por essa coisa, por esse mal e todos os habitantes parecem ser mais ou menos influenciados por ela (é por isso que tantas coisas ruins acontecem em Derry).
   A razão pela qual A Coisa é desafiada por crianças no início é porque essa fé infantil também pode poder: é necessária certa dose de fé para encarar o mal nos olhos e não enlouquecer de vez e isso falta nos adultos. 27 anos depois, Stan, que sempre foi adulto para sua idade, enlouqueceu só de pensar em encarar "A Coisa" de novo. Para o restante do grupo conseguir derrotar esse tipo de mal seria necessário, de alguma forma, voltar a ser um pouco das crianças que foram 27 anos atrás. 
   Não quero dar Spoiler nesse final e ainda estou refletindo sobre tudo o que esse livro me causou. Há certamente muitos pontos positivos e que dialogaram comigo: no fundo é uma história sobre o bem e o mal, sobre amor, amizade e infância. Há também aquela nostalgia melancólica das histórias do autor, aquela sensação de que as coisas jamais serão como antes. Isso é triste mas também é muito bonito.
   Por trás desse desfecho porém há uma história muito irregular, com páginas demais, pontos de vista demais, personagens demais. King parece ter a necessidade de dar um nome e uma história para cada pessoa que já pisou em Derry e, embora isso possa ser interessante para dar realismo a trama, no decorrer das páginas acaba ficando um pouco cansativo. Além disso, nesse mesmo desfecho que me emocionou há situações que eu simplesmente não posso acreditar que estão ali, como a cena com Beverly e os meninos no meio dos esgotos de Derry há 27 anos. Sério, qual a necessidade daquela cena? 
   Há também a super utilização do monstro. Pennywise sequer aparece no encerramento do livro e a razão disso, imagino, é que nem King se assustava mais com o palhaço macabro. Ao invés disso vemos A Coisa em sua "verdadeira forma", o que foi um recurso interessante para renovar a trama na reta final mas que não seria necessário se houvesse um pouco mais de cuidado na utilização desse antagonista inumano. Em determinado ponto da história Henry Bowers foi mais assustador para mim do que A Coisa e, mesmo que tenha sido mostrado que Bowers foi influenciado pela criatura, achei isso mais uma demonstração do quanto a história acabou sendo prejudicada pela quantidade de páginas
   Apesar de todas as ressalvas acima dei 4 estrelas para IT no Skoob. Como eu disse acima, no fundo essa é uma história sobre a infância, sobre a amizade e eu senti isso em cada um desses momentos entre Bill, Ben, Richie, Eddie, Beverly, Mike e Stan. Cada um desses personagens acabou se tornando meu amigo ao longo desses dois meses de leitura e, por isso, não consigo dar uma nota baixa para esse livro, apesar de todos os problemas que citei. 
   Já estava com saudades dos personagens quando vi que saiu o trailer do filme. Mal vejo a hora de assistir IT nos cinemas, embora tenha consciência de que filme nenhum, por mais longo que seja, seria capaz de retratar tudo o que vemos e sentimos ao ler IT.
   Nota 9 - muito bom. 

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'Passageiros',' Assassin's creed' e 'Autópsia de Jane Doe' (DIRETO AO PONTO #018)


Passageiros
Ano: 2017
Atores / Atrizes: Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen
Diretor: Morten Tyldum
Opinião: É a história de Jim, um rapaz que está viajando numa nave espacial a caminho de outro planeta mas acaba acordando antes de todo mundo - 90 anos antes, para ser mais preciso. Em determinado momento do filme Aurora também acorda e ela e Jim começam a se apaixonar. 
Esse filme é o maior exemplo do que uma propaganda enganosa pode fazer. Eu tinha a sensação de que essa seria uma história cheia de ação e cenas divertidas, já que envolve um elenco de qualidade e conhecido pelo seu bom humor (Lawrence e Pratt). Ao invés disso, o que temos aqui é um romance que se passa no espaço. O filme tem todas as características de contos de fadas, com direito a referências à "Bela Adormecida". O final até aquece o coração mas imagino a reação das pessoas que foram ao cinema ver uma ficção científica e se depararam com esse romancinho água com açúcar.
Cena: Eu gosto das cenas de conversa entre os personagens e o robô, Arthur. Tem umas ceninhas de ação bacanas mas quem disse que eu gosto de ação?
Nota: 7 - o filme é ok. Não crie expectativas e pode gostar tanto quanto eu. 


Nome do filme: Assassin's Creed
Ano: 2017
Atores / Atrizes:  Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons
Diretor: Justin Kurzel 
Opinião: Uma empresa de video game resolve fazer um filme de um de seus sucessos e contrata um elenco excelente, além de estar disposta a investir uma cacetada de dinheiro em efeitos e outras coisas. O que pode dar errado? 
Tudo. Esse filme é a prova disso. Ficaram tão preocupados em fazer cenas incríveis pro trailer que se esqueceram de criar um roteiro interessante e coerente. Entre "os atores de peso", Marion Cotillard faz o pior papel de sua carreira e Michael Fassbender interpreta um Magneto que usa capuz. 
Cena: o filme é visualmente interessante, todas as cenas que se passam na Espanha são legais. Mas do que vale isso se a história é uma droga?
Nota: 6 - não gostei


Nome do filme: A autópsia de Jane Doe
Ano: 2017
Atores / Atrizes: Emile Hirsch, Brian Cox, Ophelia Lovibond
Diretor: André Øvredal 
Opinião: Primeiro terror que assisti em 2017, se passa em um necrotério, onde pai e filho precisam fazer uma autópsia em uma desconhecida durante a madrugada (Jane Doe é uma gíria para desconhecida em inglês). Conforme a autópsia vai avançando, a situação vai ficando mais assustadoras.
Esse é um filme de baixo orçamento, com uma proposta interessante e algumas cenas assustadoras. Não me matou de susto mas gostei da história e da forma como ela foi contada. Me lembrou "O navio fantasma", "A casa da colina" e outros filmes de terror em que espíritos se encarregam de envolver os personagens em uma ilusão e levá-los a loucura. 
Cena: Nunca pensei que sentiria medo ao ouvir o som de um sininho. Parabéns ao diretor. 
Nota: 8 - bom filme. Embora não seja espetacular ou revolucionário é uma boa pedida para os fãs do gênero, cheio daqueles clichês que amamos.

***

A Redoma de Vidro - Sylvia Plath (Resenha)

   

Esther Greenwood
é uma jovem que parece estar no momento mais feliz de sua vida: aos 19 anos, cursando a faculdade de seus sonhos, em Nova York apps ganhar um concurso, estagiando em uma revista de moda. Ela passa seus dias de maneira glamurosa, assistindo a desfiles, comendo caviar, em encontros com belos homens. Mas, ao invés de exaltante, Esther se sente entorpecida. 

"Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia."

   Saber que o único romance de Sylvia Plath foi publicado algumas semanas antes de sua morte e que esse livro tem diversos elementos autobiográficos já é algo pesado. A trama também acrescenta certo peso, pois vemos uma jovem, que aparentemente tinha tudo, entrar em um nível de apatia tão grande que começa a perder tudo, o que a deixa ainda mais depressiva.  E isso vai crescendo tanto que acaba atingindo um pouco quem lê também. 
   Este é um livro curto, mas muito bem escrito. Sylvia Plath, enquanto poeta, sabe utilizar muito bem as palavras e isso está presente nesse texto. Entendo porque esse livro tenha causado impacto quando foi publicado, na década de 60 e ainda hoje - além da já citada escrita excelente, temos uma trama sobre doença mental narrada sob o ponto de vista de uma doente mental. Não sei muito sobre a história da psicologia mas acredito que, na década de 60, doenças como a depressão ainda eram um tabu.

"Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim".
   Como personagem principal é narradora da história o ponto de vista de Esther é tudo o que vemos e, ao mesmo tempo em que se sente pena e tristeza pelo destino da personagem, também podemos captar algumas facetas menos atrativas de sua personalidade. Esther é uma moça um tanto fútil e desapegada dos seus familiares; ela também é um tanto racista e homofóbica. 
   Essas partes menos atraentes da protagonista, ao contrário de afastarem o leitor, o aproxima.  Esther é fruto da sua geração e, de certa forma, a sociedade opressiva que a gerou acaba por deixá-la doente. O constante dilema de escolher entre algum caminho na vida - casar e ter filhos ou optar pela carreira - é algo demais para a protagonista e, como vemos, para outras moças que ela acaba conhecendo, que estão na mesma situação de Esther. 
   Sobre a conclusão, percebi um esforço da autora em terminar essas páginas numa nota mais positiva. O suicídio de Plath, posterior a publicação de A Redoma de Vidro, talvez seja a razão para que essa mostra de algum tipo de superação termine de forma aberta, com a protagonista prestes a entrar numa sala. Talvez a própria autora não fosse capaz de escrever um desfecho positivo Esther estando ela tão longe de seu próprio final feliz. Cabe ao leitor imaginar o que ocorre com a protagonista depois, se o mesmo que ocorreu com a autora, ou se algo mais positivo. 
   Embora não seja uma leitura fácil, acho que esse livro deveria ser mais lido e discutido. A Redoma de Vidro é um retrato sobre as pressões com a qual uma mulher da década de 60 tinha que conviver mas, acima disso, também é uma  relato realista da mente de uma pessoa depressiva e  a apatia geral que se sente nessa situação - daí o nome, já que a personagem diz sentir que há uma Redoma separando-a do resto do mundo. 
   Se você tiver tendências depressivas talvez esse livro seja alguma espécie de gatilho mas, de um modo geral, considero uma obra muito importante e necessária. Precisamos falar mais sobre a depressão e o suicídio em nossa sociedade; talvez A Redoma de Vidro ajude essa discussão ao proporcionar uma visão de dentro do transtorno para os que não o possuem e assim adicionar empatia para essas pessoas. 
    Nota 8 - bom livro
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Filme Cinquenta tons mais escuros (Fifty Shades Darker))

   
   O que esperar dessa sequência de um filme que foi tão amado e tão odiado ao mesmo tempo quando 50 tons de cinza? Depois de mudar de roteirista e de diretor, a expectativa  por partes dos fãs só fez crescer, já que isso atrasou o lançamento do filme. 
Nessa sequência de Anastasia não quer mais saber de Christian, está focada em seu trabalho em uma editora. Pelo menos nos primeiros 10 minutos de filme. Logo Christian aparece e a agressão sofrida antes passa a ser apenas um mal entendi - here we go again
   Mesmo sendo 50 tons mais escuros uma versão extremamente fiel do livro (até demais, na minha opinião) dá para dizer que o filme é melhor que o livro. Afinal, são apenas duas horas da sua vida perdida acompanhando essa "bela" trama ao invés das horas de leituras que eu perdi naquela escrita sofrível da E.L. James. 
   No post que fiz do livro há mais detalhes do porque detestei toda essa história sobre o nada. Não é a toa que desisti da trilogia depois que li o segundo livro - acho essa uma história vazia, que desperdiça todo o possível drama em prol de mais cenas (chatas) de sexo entre os protagonistas. Como eu disse, o filme é muito parecido com o livro, então todo o aspecto negativo se mantém. 

   Nesse segundo filme, além de uma história ruim, temos todo um conjunto de diálogos horrorosos entre os atores com interpretações dignas de um framboesa de ouro. Kim Bassinger até entendo, ela está tão esticada que nem expressão mais parece que tem, mas o que dizer Jamie Dornan? Assisti-lo como Christian Grey no primeiro filme já era constrangedor, dava a impressão de que o ator estava extremamente desconfortável em cena. Em 50 tons mais escuros não é diferente mas o autor parece ter conseguido restringir o desconforto às cenas em que tem que dar uns tapas em Ana - nas demais ele parece "apenas" desconectado de toda a história, soltando as frases frente a câmera sem se importar muito. 
   A única atuação um pouco acima da linha da mediocridade é a de Dakota Johnson. Ela não só convence como Ana, ela faz com que o expectador se importe com ela - a cena com Jack Hyde é um dos poucos momentos que me fizeram vibrar nesse filme (vai, Ana!). O único problema é que a personagem é irritante e não há muito que um ator possa fazer sobre isso. 
   Para vocês não ficarem dizendo que eu só critiquei o filme, embora a duração seja excessiva, a direção preguiçosa e a trama um desastre, a trilha sonora é muito boa. Se você gosta de música pop recomendo ouvir a trilha sonora de 50 tons mais escuros no Spotify, tem Sia, Taylor Swifit e Zayn, entre outros. 
   Não pensem vocês que eu odiei esse filme. Eu até me diverti com o absurdo e a cafonice de tudo, cheguei a rir em alguns momentos. Mas, enquanto o primeiro filme era despretensioso e sabia rir de si mesmo, "Cinquenta tons mais escuros" se leva a sério demais - e isso perdeu um pouco de pontos comigo. 
   A duração é outro absurdo, essas duas horas poderiam ser diminuídas facilmente de uns 30 minutos se o roteirista fosse um pouco mais competente e retirasse todos os milhares de momentos desnecessários que passaram do livro para o filme. Mas E. L. James bateu o pé que queria seu marido fazendo o roteiro - e o resultado foi essa bomba aí.

   Enfim, não se prive de assistir a esse filme se estiver com vontade. Tenho uma amiga que até gostou mais desse filme que do primeiro, no que eu discordo, mas coloco aqui para vocês verem que tem gosto para tudo nesse mundo. Talvez você goste de 50 tons mais escuros, talvez ache as cenas de sexo excitantes, não tem problema nenhum nisso. 
   Assim como não há problema de eu achar esse segundo filme bem mais chato e as cenas de sexo (além de mal filmadas) todas repetitivas e sem imaginação. É tudo uma questão de gosto pessoal, creio. 
   Nota 6 -  não gostei   
|TRAILER|

Livros 'Uma criatura dócil', 'Navegue a lágrima' e 'E se?' (DIRETO AO PONTO #017)


Uma criatura de dócil 
Autor: Dostoievski 
Ano:     /   Formato: LIVRO
Editora: Cosac Naify 
Opinião:  

O LIVRO FAZ PARTE DAS MINHAS METAS PARA 2016
Essa é uma novelinha curta, publicada pela editora Cosac Naify. Conta a história desse homem possessivo  e dominador que se casa com uma pobre coitada que conhece através do seu trabalho numa penhora de objetos apenas para dominá-la e a fazer sentir miserável (ao menos é isso o que parece). 
O livro é narrado sob o ponto de vista do homem e este se dirige a nós como se fossemos um juiz ou júri - o narrador nos conta sobre seu casamento para justificar a sua inocência: o corpo de sua esposa está na sala ao lado, mas ele quer que acreditamos que a culpa não é dele. 
Cena: Esse é um livro curto e não tem nenhuma cena especial ou favorita. O mérito dessa obra é a escrita do autor e a forma como ele, mesmo em poucas páginas, consegue elaborar uma história engenhosa e com personagens complexos. 
Nota: 8 - bom livro



Navegue a lágrima 
Autor: Letícia Wierzchowski
Ano: 2015    /   Formato: E-BOOK
Editora: Intrínseca
Opinião:  uma mulher solitária compra uma casa em um Balneário que pertencia a uma escritora a qual ela tem grande admiração. A mulher carrega seus próprios fantasmas do passado mas é o "fantasma" dos antigos moradores que ela passa a ver andando no local, de forma que toda a história daquela família acaba desenrolada para ela. O livro conta a história dessa família, narrada por sua nova narradora, que conta o que vê e também sua própria história. 
Navegue a lágrima foi uma leitura muito irregular para mim. Gostei da primeira parte da história e da escrita da autora nessa primeira metade. Embora tudo ainda esteja envolto em mistério, ficamos com vontade de saber o que de tão terrível vai acontecer com aquela família - a narradora deixa claro que os dias felizes ali retratado fazem parte do passado, que o presente é muito mais tenebroso. 
Na segunda metade, porém, não só a escrita da autora piora - me fazendo pensar que existe um lapso de tempo em que uma parte e outra foi escrita - como o enredo começa a se revelar bem sem graça também. Dessa forma, Navegue a lágrima pode ser interpretado de duas maneiras: Pode ser o exercício de superação de uma perda feito por uma mulher por volta dos sessenta que se sentia sozinha - e precisava de alguma forma desabafar para poder lidar com os seus sentimentos para superar tudo. Ou pode ser mais um caso em que a autora quer ter tanto controle sobre a obra (ou se apega tanto aos personagens) que acaba se perdendo e concluindo a história de uma forma que não faz jus ao resto do texto. 
Cena: Gosto da parte em que é narrada a forma como a escritora que morava na casa e seu marido se conheceram. 
Nota: 6,5 - eu achei o livro ok, mas tirei meio ponto porque me parece uma história que vou esquecer na primeira oportunidade



E se?
Autor: Randall Munroe
Ano: 2014    /   Formato: E-BOOK
Editora: Companhia das Letras
Opinião: O livro é um compilado de um blog de ciência que responde a perguntas estranhas dos leitores. Eu gosto muito da série "Guia dos curiosos", por isso achei que gostaria desse livro - afinal é mais um compilado de conhecimento inútil. O problema é que as respostas dadas pelo autor são cheias de cálculos e conceitos que são desinteressantes para mim. Dessa forma fiquei um ano lendo esse livro, pelo simples fato de que estava tudo muito chato. 
Cena: As únicas partes que gostei foi as que o autor dava resposta através de desenhos às perguntas mais esquisitas que eram enviadas ao blog. 
Nota: 6 - o livro pode ser interessante se você gostar de cálculos e de ciência, principalmente física. Mas física é a matéria que eu menos gosto, por isso não gostei MESMO desse livro.

As Aventuras do Bom Soldado Svejk - Jaroslav Hašek (ou: finalmente terminei o Livrada 2016!)


   Um calhamaço de mais de 688 e tantas páginas que, mesmo contando sobre as "aventuras de um soldado" não mostra uma única batalha. Eis "As Aventuras do Soldado Svejk" escrito pelo autor checo Jaroslav Hašek com base em suas próprias experiências na primeira guerra mundial. A história gira em torno desse personagem principal que, seja porque é muito esperto e dissimulado, seja porque é uma verdadeira mula, acaba se metendo nas improváveis e hilárias situações - e conseguindo se safar de todas elas.
   Esse era um livro que eu tinha grande vontade de ler desde o início do "Desafio Livrada" mas acabou que foi o último dos livros desse desafio que li. Aliás, essa palavra parece a mais ideal para descrever minha experiência de leitura, uma vez que acompanhar as peripécias desse soldado foi um dos esforços (literários) mais hercúleos que já fiz na minha vida. Para vocês terem uma ideia: Comecei a ler esse livro em setembro de 2016 e terminei somente no final de janeiro de 2017, após jurar para mim mesma que iria terminar esse livro ainda no ano passado. 
   Talvez, quando você tenha visto ou ouvido falar desse livro, alguém tenha lhe dito que se trata de uma história muito divertida e bem humorada e que esse é um livro muito gostoso de ler. Longe de mim dizer que as pessoas que pensam assim estão erradas - realmente o autor parece querer que o riso seja a resposta do leitor as peripécias do personagem. Mas o que acontece quando o humor que há nas páginas de um calhamaço de quase 700 páginas não é o humor que o leitor se identifica ou acha engraçado? Foi o que aconteceu comigo. 

   Não que o livro seja de todo maçante. Até dei uma ou duas risadas em alguns momentos mas as histórias me parecem tão repetitivas que logo foram perdendo a graça. O humor de Hasek, além de apresentar o pior tipo de pessoa possível para dialogar com Svejk, consiste em fazer com que os personagens comecem a narrar "causos" absurdos enquanto dialogam entre si. Então é uma história e cada personagem que fala entre si vai contando outra história e assim vai até que o assunto principal retorna e é resolvido de forma abrupta. 
   Acompanhando Svejk desde o início, em seu alistamento, até todo o percurso que o mesmo faz para chegar até o local da guerra na companhia de seu batalhão, sinto um misto de admiração, por aquilo que Hasek estava tentando fazer (que é mostrar os absurdos e mazelas da Primeira Guerra Mundial pelo ponto de vista do povo checo e utilizando humor) e aquilo o que ele me passou, um bando de pessoas horríveis dizendo e fazendo coisas tão horríveis que parece até engraçado. 

   Foi muito difícil persistir nessa leitura e, quando cheguei ao final, acabei por receber outro golpe: O livro não tem final. O autor faleceu antes de concluir a história então tudo termina em meio a outro diálogo absurdo - ficamos sem saber até onde iria nos levar aquele aqueles momentos, se pessoas iriam morrer ou se a guerra iria mesmo acontecer para esses personagens. Tudo acaba de um momento para outro e não temos resposta alguma do que significava toda essa trama meio sem sentido. 
   Se você gosta de um humor seco e pautado no pior do ser humano, se quer conhecer algum ponto de vista diferente da Primeira Guerra Mundial ou ainda, se pretende ler alguma coisa que te faça conhecer melhor a cultura checa, leia "As Aventuras do Soldado Svejk". Caso contrário, não recomendo a leitura. 
   Nota 6 - não gostei 

DECLARO AQUI ENCERRADO O DESAFIO LIVRADA 2016! Um beijo para quem achou que eu não ia conseguir!