|Resenha| Amanhã você vai entender - Rebecca Stead

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   Miranda Sinclair é uma garota comum, criada apenas pela sua mãe. Ela tem uma vida comum e é feliz com seu amigo Saul, até que um dia este leva um soco na rua e tudo muda. Quase como se estivesse relacionado a esse evento, Miranda começa a receber billhetes anonimos que, apesar de bem estranhos a assustam muito: o autor dos bilhetes parece conhecer sua vida e destino com precisão assustadora. 
   A história se passa no inicio dos anos 70 e é narrada pela própria Miranda, uma menina de 12/13 anos. Mesmo sendo uma história voltada para o público jovem, pela narrativa da protagonista podemos ver alguns temas, como diferenças sociais e racismo, abordados de maneira muito sutil ao longo da história. Miranda estuda em uma escola pública e acaba estudando e convivendo com pessoas muito diferentes dela própria. 
   Esses aspectos apenas enriquecem a narrativa, cujo tema principal é... *musica de suspense* viagem no tempo. Alguns podem considerar essa revelação um micro-spoiler mas, quem já tem algum contato com narrativas que tem esse plot vai perceber isso logo de cara, então... Enfim, eu mesma só fiquei com mais vontade de ler quando fiquei sabendo disso. (Aliás, obrigada JotaPluftz por indicar esse livro em um dos seus vídeos).
   Os capítulos são bem curtinhos e instigantes e o livro passa num piscar de olhos. Li em 5 dias por que comecei a economiza-lo: a leitura estava tão interessante que eu queria parar para pensar nos mistérios que rodeavam a personagem e saborear a história antes de terminá-la. Fora os mistérios, as discussões de Miranda com o personagem Marcus são interessantíssimas e merecem ser lidas com bastante atenção. 
   A história ocorre em uma espécie de flashbacks pois Miranda vai relembrando e tentando fazer sentido aos eventos dos últimos meses, ao mesmo tempo em que vive a situação atual, em que sua mãe está treinando para participar de um programa de tv (no estilo Mega Senha) em que pode ganhar até 20 mil doláres, uma fortuna pra época. Miranda e Richard (namorado de sua mãe) ajudam a mãe de Miranda a treinar, criando questões etc. Miranda se lembra que essa participação da mãe no show era uma das coisas que estavam escritas em um dos bilhetes misteriosos que recebeu. O mesmo bilhete que afirmava que algo horrível ocorreria a seu amigo. 
   Como eu disse no inicio, trata-se de uma história para o público jovem/adolescente, por isso a linguagem é bem acessível. Mas, mesmo para mim que tenho 23 anos,a leitura valeu muito a pena. Você nem vê as páginas passando, a história toda é muito divertida e interessante, você não pode esperar para saber o desfecho. O final não chegou a ser surpreendente mas isso não tirou em nada o mérito dessa história incrível, que espero poder presentear a alguma criança/jovem algum dia. 
   Rebecca Stead escreveu uma história completamente despretensiosa e, por isso mesmo, cativante. Recomendo se você gosta do tema (viagem no tempo) mas também se estiver querendo ler algo diferente, com uma narrativa mais simples mas que não vai falhar em te entreter, nem que seja por algumas horas de leitura. 
   Nota 9 - um livro muito bom, que tem tudo para entrar nos meus favoritos (só não dei 10 por que preciso relê-lo para saber se será  um favorito ou não).

|FILME| A forca (Resenha / Review)

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   Há 20 anos atrás, em uma peça teatral chamada "A forca", encenada por alunos do ensino médio de uma escola, um terrível acidente ocorreu: o personagem principal, que seria enforcado na peça, morreu de verdade. 
   Agora, na mesma escola e mesmo palco de anos atrás, a mesma peça será encenada, como forma de "homenagear" a tragédia de anos atrás. Dessa vez o personagem principal será vivido por Reese, um típico astro do futebol, que não tem um pingo de talento para o teatro. Na verdade, Reese só aceitou participar da peça para impressionar Pfeifer, que co-estrela o espetáculo com ele. 
   Eu não sabia muito sobre "A forca" (The Gallows) a não ser aquele viral do "Charlie, Charlie" que se espalhou que nem febre entre os teenagers na época do lançamento do filme. Logo, não estava muito empolgada para ver o filme, por achar que seria sobre um punhado de adolescentes brincando de "Charlie, Charlie Challenge". Mas então eu vi um postêr que dizia algo como "todas as escolas são mal-assombradas" e me empolguei para conferir essa história. Explicação rápida para minha empolgação: Eu trabalho em uma escola e tenho uma ou duas histórias estranhas para contar. 
   O filme começa de forma bem clicherizada. Sim, mais um filme em primeira pessoa, com aquele inicio em que todo mundo dá um jeito de se apresentar, inclusive o câmera-men/personagem que, no caso, é o melhor amigo babaca de Reese, Ryan. É Ryan que, após descobrir uma porta do teatro que fica sempre aberta, dá a brilhante ideia: Ele e Reese iriam entrar na escola naquela noite e quebrar todo o cenário. Assim, Reese não iria se envergonhar na estreia, que ocorreria no dia seguinte e nem precisaria dar pra trás de ultima hora.
   É só após que Ryan, Reese e Cassidy (namorada de Ryan) entram na escola que o filme começa a ficar interessante. A partir daqui não vou dar mais spoilers, mas o clima de suspense causado por uma escola/teatro no meio da noite, cheio de lugares completamente estranhos e até então desconhecidos pelos personagens, convence bastante.

   O filme vai melhorando gradativamente, com cenas que mesclam sustos e medo de maneira divertidíssima até o final, que é simplesmente um tapa na cara. Primeiro, por que eu não esperava. Segundo, por que as cenas do desfecho são simplesmente as melhores de todo o filme, daquelas de se arrepiar, gritar e sair depois pensando na história.
   Não posso terminar essa resenha sem comentar sobre um dos meus pontos favoritos do filme, o antagonista Charlie. Em todas as histórias o antagonista tem sua importância mas é só nos filmes de terror que ele pode ser até mais importante que o protagonista. A maneira como eles personificaram esse adolescente com um destino trágico e sedento de vingança foi o que fez o filme sair do medíocre e ser mais que apenas mais um filme no estilo de Atividade Paranormal. Um fantasminha incógnito aqui seria decepcionante; os produtores acertaram em cheio criando esse ser sobrenatural assustador e garantiram personalidade ao filme ao faze-lo. (Aliás, prevejo continuações desse filme, anotem aí).
   A forca não é nenhum filme espetacular, tampouco entrou para a minha lista de favoritos mas é o primeiro filme de terror/suspense que assisto em muito tempo que cumpre o seu papel básico: assustar e entreter o público que assiste. Não é o tipo de filme que te faz ficar noites sem dormir e o começo é bem maçante mas, com o desenrolar do filme, a história consegue envolver o expectador e (talvez, se você estiver distraído) até mesmo surpreender.
   Se você ainda não assistiu A forca, recomendo que o faça chamando seus amigos para um cine em casa com muita pipoca, refrigerante e guloseimas. Os sustos e calafrios estão garantidos.
   Nota 8 - um bom filme.


|RESENHA| A Esperança (Jogos Vorazes #003)

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Atenção: Esse post NÃO contem spoilers de "A esperança". Porém, por se tratar de uma sequência, pode haver spoilers dos livros anteriores (Jogos Vorazes e Em Chamas)






   O terceiro volume da trilogia Jogos Vorazes começa com Katniss visitando o distrito 12 (ou o que sobrou dele) e vendo toda a destruição que o presidente Snow causou naquele lugar. Agora totalmente destruido, o 12 serve apenas como um cemitério a céu aberto de milhares de corpos. Katniss ainda está se recuperando dos ferimentos físicos e emocionais que sofreu no Massacre Quaternário mas naquele momento, depois de passado um certo tempo vivendo praticamente como um zumbi pelos corredores dos distrito 13, é que ela começa a entender a necessidade da guerra e de derrubar o governo déspota da Capital. Mas ela ainda reluta em assumir o papel de "Tordo" da revolução, em ser o rosto dos rebeldes. Isso até ver a entrevista de Peeta (que fora capturado pela Capital) em que esse manifesta-se contra a revolução e a favor da Capital. Ela não sabe por que Peeta está fazendo isso mas entende que precisa assumir logo o seu papel antagonista ao dele, do contrário a rebelião perderia a força. 
   Eu tive muitos, mas muitos problemas lendo esse livro. Para vocês terem uma ideia, ganhei ele em Janeiro de 2014, comecei a ler em outubro daquele mesmo ano e só fui ter forças para terminar agora, em 2015. Acho que a base desse problema foi o fato de que, enquanto eu lia o livro, não consguia deixar de pensar "Qual a necessidade disso?" várias vezes em um loop eterno. A autora usou a mesma fórmula nos 3 livros e, no terceiro, isso começou a me irritar.

 A fórmula? Segue abaixo: 

Começo do livro: Nada acontece a não ser as reflexões da personagem a respeito da vida, do universo e tudo mais. São paginas e paginas de Katniss descrevendo coisas e conversas absolutamente desimportantes para a história. 
Meio do livro: Uma ou outra cena de ação ou de algum interesse mas recheadas de mais páginas de reflexões. Normalmente aqui vemos Katniss numa situação em que a deixa desconfortável: no primeiro, foram as entrevistas e eventos antes do jogos, no segundo as entrevistas e eventos pré Massacre Quaternário e, no último, todas as suas atribuições como "O tordo" (que é quase como se ela fosse uma super star ou coisa assim.
Final do livro: quando a treta realmente começa e quando muitas pessoas morrem. 

   Quando vi todo o mimimi do começo logo percebi que ainda levariam muitas e muitas páginas até a ação começar de verdade. E eu sabia que pouca coisa ali seria realmente importante para a história então tive que me conter para não revirar os olhos, principalmente nas partes em que Katniss fica pensando em Peeta ou em Gale ou quando ela repetia pela décima quinta vez o quanto se sentia mal em representar o Tordo e que a presidente Coin estava usando ela tanto quanto Snow a usou nos dois primeiros livros. Sério, a quantidade de mimimi nesse livro é absurda - ou talvez fosse apenas eu, que nunca tive muita paciência com o gênero YA e estava me obrigando a ler esse terceiro livro antes do filme ser lançado.
   Depois da metade, mais precisamente depois da cena que acontece no final de "A esperança parte 1" a coisa dá uma melhorada, as batalhas realmente começam a acontecer. Mas o livro já tinha me irritado tanto que acabei abandonando e só retomando agora no meio desse ano, e terminei em mais duas semanas.
  Vale dizer que, nesse momento, eu já tinha spoilers dos dois principais eventos do livro (me contaram dois personagens importantes que morriam. Obrigada pessoas.) então não esperava muita coisa. Com essa expectativa mais baixa, minha leitura melhorou bastante. Por que não demorou muito para a "treta" realmente começar e coisas interessantes começarem a acontecer.
   Mas vamos aos personagens. Katniss é uma personagem que sempre gostei e desgostei ao mesmo tempo. Nos livros ela me irritava profundamente, nos filmes ela era phodástica. Nesse terceiro livro não há diferenças, continuei tendo momentos em que eu gostava dela e outros nem tanto (tenho certeza que vou amá-la no filme). Mas deu pra perceber uma mudança da personagem aqui: não mais a luta pela sobrevivência, na verdade, em muitos momentos Katniss pouco se importa se vai morrer ou não - ela só quer vingança e proteger seus entes queridos.
   Gale e Peeta, no entanto, mudaram mais. Gale está obcecado com a guerra, com vingar seus distrito e as pessoas que ele viu serem mortas. Ele ainda quer Katniss mas não vejo ele disposto a conquistá-la (alguma vez ele já tentou?) estando, na maioria das vezes, mais como amigo do que como interesse amoroso - isso quando ele não parece estar é bem chateado com ela. Já Peeta está bem mudado, a guerra não foi boa com ele (isso é tudo o que vou dizer) - e não é que Katniss resolveu sentir falta do antigo Peeta justamente quando ele não existe mais?
   Ao mesmo tempo em que tenta desembrulhar o "triângulo amoroso" - entre aspas por que a gente sabe como vai terminar - a heroína ainda tem que agir como o Tordo e encontrar uma forma de conseguir matar o presidente Snow, para concluir a sua vingança pela destruição do 12. É interessante observar que, embora tenha sido irritante vê-la repetir várias e várias vezes ao longo da história, Katniss está certa: qual é realmente a diferença entre a presidente Coin e Snow?
   Apesar de ser um YA e de seguir algumas fórmulas que não me agradaram por enrolar demais a história, tenho que admitir que Suzanne Collins tem algumas ideias muito boas. Esse terceiro livro, por exemplo, está repleto delas, como a "mudança" do Peeta, e algumas decisões sobre o destino dos personagens. A resolução do triângulo amoroso foi algo que fugiu do tradicional clichê "transformar o outro num vilão" ou "arrumar uma quarta pessoa" e eu achei muito interessante do ponto de vista intelectual, embora tenha me deixado meio dúbia (Katniss NÃO escolheu, vocês perceberam?).
   Quanto ao fim da Guerra, aquelas ultimas páginas me deixaram com o coração na mão. Não posso dar spoiler (droga!) mas é de partir o coração, mesmo que já soubesse. No entanto, esse evento X foi o catalisador para uma outra coisa que muda totalmente os rumos da revolução: Então até mesmo na hora de f... com um personagem, Suzanne fez com propósito, para que o outro pudesse tomar uma decisão que, de outra forma, não tomaria.
   No entanto, o ultimo capitulo e o epílogo foram um anti-clímax para mim. Se na construção do desfecho da Guerra, Collins foi realista e coerente, esses dois capítulos pareceram algo feito meio "nas coxas". Algumas partes fizeram muito sentido para mim, como o sentimento de Katniss no ultimo capítulo, mas a autora foi um pouca ingênua nesse Happy Ending agridoce que criou. Depois desse ato X, tudo se resolve rápido demais e é narrado de forma meio dispersa e corrida, que podemos atribuir ao fato da protagonista-narradora não estar presente durante esses fatos.
   O Epílogo, que deveria responder algumas perguntas importantes, foi um clichezaço à lá Harry Potter que, embora fofo, não serviu para apaziguar todos os meus sentimentos e questões. E quanto a mãe da Katniss? E Gale? O que aconteceu com eles são apenas algumas das perguntas que me fiz.
   Posso dizer, de modo geral, que não me arrependo de ter lido essa trilogia, mesmo com esse final que me deixou meio pirada e que me fez pensar horas e horas depois do fim. Penso no primeiro livro e no terceiro: Será que tudo valeu a pena? 
   Suzanne Collins pode não ter me agradado em seu desenvolvimento, acho que ela tem uma certa dificuldade com cenas de ação e se atém a futilidades (uma descrição do traje da heroína ganha a mesma quantidade de linhas que uma morte, por exemplo). Mas ela toma decisões corajosas e tem boas "sacadas", o que faz da trilogia "Jogos Vorazes" algo acima da média dentro do gênero a que pertence (romance jovem adulto). Não é atoa a quantidade de livros que surgiram na onda desse, a temática é bem diferente dos romances YA que tinham sido lançados até 2010.
   Talvez o que tenha estragado essa história foi terem feito uma trilogia de uma trama que seria muito melhor contada em um só livro (no máximo dois). Ou talvez Jogos Vorazes simplesmente não tenha funcionado para mim como para os fãs dessa saga: eu vejo seus pontos positivos mas não foi uma leitura que gostei realmente de fazer. Tirando alguns momentos realmente bons, não via a hora do livro acabar.
   Enfim, se você gosta de YAs, de distopias e de finais agridoces, Jogos Vorazes é a sua saga. Se fosse pelo final ou pelos três livros, daria um 8 (bom) mas, analisando somente esse terceiro livro, minha nota é 7 - apesar do começo bem ruim, é um livro razoável e tem momentos realmente bons.


Confira a sinopse do livro no Skoob