|Resenha| Álbum de casamento - Nora Roberts

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   Mac é uma bem-sucedida fotografa de casamentos que, junto com suas amigas Parker, Emma e Laurel, tem uma empresa de casamento chamada "Votos". Porém, embora trabalhe nesse tipo de evento desde que se entende por gente, Mac não acredita no amor e sim em momentos. Afinal, depois de presenciar vários divórcios de seus pais, ela sabe que "felizes para sempre" só existe nos contos de fadas.
    É por isso que, quando se encontra com Carter, um antigo colega de colégio e este lhe diz que sempre sentiu uma "quedinha" por ela, Mac fica intrigada e preocupada ao mesmo tempo. Por um lado, ela quer conhecer essa nova visão de Carter, tão igual (e ao mesmo tempo tão diferente) da de anos atrás. Preocupação por que ela sabe que Carter não é do tipo que tem flertes passageiros - com ele é tudo ou nada.
     Mesmo com suas reservas a respeito de relacionamentos, Mac começa a se envolver com Carter, ao mesmo tempo em que tem de lidar com seus compromissos na "Votos" e com sua mãe, uma mulher egoísta e infantil, que acha que sua vontade deve ser seguida sem hesitação. Enquanto tenta se livrar do controle que sua mãe exerce em suas atitudes, Mac vai conhecendo Carter melhor: mas ela estará preparada para o seu "felizes para sempre"?
      Nora Roberts foi, durante muito tempo, uma das minhas autoras favoritas (até escrevi esse post aqui recomendando os livros dela) e, ainda hoje, são a seus livros a que recorro quando me bate aquele desânimo literário. Quando comecei a ler "Álbum de casamento" eu já tinha começado um punhado de livros, sem terminar nenhum (em minha defesa eram livros de contos mas, ainda assim) estava completamente desanimada para qualquer história da minha estante, então vi esse livro e pensei: Por que não? Esse foi o ultimo livro que recebi da Editora Arqueiro antes do encerramento da nossa parceria no ano passado e até esse ano ainda não o havia lido. 
       No começo parecia com qualquer outro livro da "Diva". Quatro amigas responsáveis por uma empresa de casamento e, como se trata de uma quadrilogia, cada uma delas teria um livro onde seria contado como elas encontraram o amor. Mac dá de cara com Carter novamente, após tantos anos, quase por coincidência e, no inicio, sequer reconhece ele. Porém, quando o faz, senti algo além da alegria de rever um conhecido e, com o tempo, percebe que está atraída pelo desastrado professor. 
        Sobre Carter, ele não é o típico herói dos livros da Nora, ele é desastrado, com certeza apanharia em uma briga e fica nervoso facilmente, No entanto, tem a mesma fibra e personalidade de todos os heróis da Nora (desde Roarke até Daniel MacGregor) e, quem diria, os mesmos olhos azuis de muitos deles. Logo, mesmo que nunca tivesse lido esse livro, reconheci a personagem, assim como a heroína, Mac, de outras histórias.
       Embora logo de cara tivesse me prendido a história e a sua familiaridade, logo percebi que esse livro estava um tanto diferente. Mocinha Impulsiva? Ok. Mocinho decidido? Ok. Uma das partes tinha uma linda familia? Ok. Todos os elementos das obras de Nora Roberts estavam lá e, ainda assim... Não era a Nora Roberts que havia sido minha autora favorita por tanto tempo.
       Continuei a ler, tentando perceber o que havia mudado. A primeira coisa que percebi foram os diálogos, mais duros e artificiais, com expressões que deveriam modernizar a história mas que a deixou mais esquisita e não-fluída. Além disso, havia a insistência dos personagens principais de travar monólogos imensos sobre os seus sentimentos... algo que, em outras histórias, faria parte da narrativa, agora era um diálogo sem resposta, dignos de novelões mexicanos. 
        Tudo bem, a escrita da autora pode ter mudado com os anos, isso eu posso aceitar. O que não me desceu nesse livro, no entanto, foi como a autora tentou se fazer relevante ao longo da história. Deixe-me elaborar melhor: Carter é um professor de literatura. E, ao longo do livro, eles faz comentários sobre a "importância dos best-sellers", sobre o quanto eles retratam bem o período em que estão e não dá pra ler esse tipo de coisa sem imaginar a própria Nora tentando validar sua obra*. Fora isso, Nora ainda tenta dialogar com uma obra do Shakespeare, que cita umas 3 vezes ao longo do livro, como um exemplo de história divertida etc. e comecei a achar tudo muito pretensioso nessa história.
         Eu poderia ter aceitado a tentativa de modernizar a história, transformando-a muitas vezes em algo próximo de um chick-lit e poderia aceitar a prepotência da escritora se ao menos a história fosse interessante. Mas o livro, embora seja rápido e (algumas vezes) divertido de se ler, é bem mais ou menos. Todo o conflito da história está no fato de Mac não querer se envolver e é resolvido "ao virar de uma página". Além disso, senti falta da química entre os personagens, Mac e Carter simplesmente não me convenceram como casal - mas talvez a autora desenvolva-os melhor nos próximos livros, não sei.
          Poderia recomendar esse livro para os que estão afim de um romance água com açúcar mas há inúmeros livros que são melhores que esse. Talvez continue lendo os livros dessa série para ver se melhora mas não imediatamente. Nota 7 - um livro razoável.

* Lembrei de uma entrevista que ela deu a revista Veja há muitos anos em que ela faz a mesma defesa de seus livros, incluindo se comparando a Jane Austen - o único link que achei para ela foi do Yahoo Respostas mas dá pra ter uma ideia.

|RESENHA| Battle Royale - Koushun Takami

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                 Todos os anos dezenas de adolescentes são presos a uma arena, em um local desconhecido e obrigados a lutar até a morte até que apenas um sobreviva. O vencedor será noticiado por todo o país. Os escolhidos são selecionados em aparente aleatoriedade, o que contribui para o clima de medo do país, que nesse futuro distópico, é controlada por um governo opressor e ditatorial.  Jogos Vorazes? Não, estou falando de Battle Royale, livro lançado em 1999 pelo japonês Koushun Takami e que, embora Suzanne Collins jure nunca ter lido, tem muitas semelhanças com o clássico YA.
                A primeira vez que eu ouvi falar sobre esse livro foi numa resenha do NUPE, quando o livro ainda não havia sido lançado em português. Me lembro que eles elogiaram o livro, que foi lançado antes de Jogos Vorazes, mas afirmaram que essa história era muito mais descritiva e graficamente forte do que o livro mais conhecido. Fiquei levemente interessada mas, como não tinha lido nem Jogos Vorazes naquele tempo, acabei esquecendo o assunto.
                Desde então li o primeiro e segundo volume da série da Suzanne Collins (e vi os filme) e batalho para terminar o terceiro, algo que espero conseguir até o lançamento do ultimo filme em outubro/novembro. Vi que esse livro foi lançado no Brasil e aproveitei o Black Friday do ano passado para adquiri-lo, começando a lê-lo imediatamente.
                No livro conhecemos Shuya Nanahara um jovem do 9º ano da escola de ensino fundamental Shiroiwa, um jovem que quer ser astro de rock e que se sente vagamente incomodado pelo regime atual, mas não o suficiente para fazer qualquer coisa sobre isso. Todos na classe de Shuya estão viajando de ônibus, numa espécie de excursão, quando algo estranho acontece: O ônibus para e um gás e lançado dentro dele, e a última coisa que Shuya se lembra antes de dormir é de um homem mascarado entrando pela porta da frente.
Cena do Anime Battle Royale

                Quando acorda ele está numa sala de aula com um uniforme escolar, típico daquelas escolas japonesas (quem assiste animes deve saber) enquanto as meninas uma versão feminina dos mesmos uniformes colegiais. Um homem estranhamente animado os informa que eles foram os selecionados para participar do Jogos Vorazes Programa daquele ano, ou seja, todos teriam que lutar entre si até a morte. Shuya percebe que estão todos com um colar preso ao pescoço e o homem informa que todos estão sendo monitorados por aquela "coleira": dessa forma, ninguém pode escapar ou se fingir de morto, pois eles perceberiam.
                Uma coisa que sempre me incomodou em jogos vorazes é a possibilidade dos participantes poderem se esconder indefinidamente num local, fazendo a edição dos jogos se arrastar por vários dias. Em Battle Royale esse problema é resolvido, pois toda a 'Arena' é separada em quadrantes que, 4 vezes ao dia, seriam um a um proibidos, obrigando os participantes a estar em constante movimento. Além disso se, nas primeiras 24 horas ninguém houvesse matado ninguém, os explosivos conectados as coleiras explodiriam e todos iriam morrer, não restando nenhum 'vencedor' para o Programa.

                São detalhes, sim, mas que fazem de Battle Royale uma história muito mais pensada e plausível que Jogos Vorazes e uma leitura muito mais agradável também. Embora os principais sejam Shuya e Noriko (que a certa altura do 'Jogo' passam a nutrir sentimentos amoroso um pelo outro) cada capítulo é centrado em um dos 42 alunos da turma, através de um narrador onisciente. Na prática isso significa ver todas as mortes que ocorrem durante a disputa mas também conhecer as motivações e ações de outros personagens.
                Como já está se tornando um hábito, não me simpatizei muito com Shuya ou Noriko mas sim com personagens secundários, cujas histórias significaram bem mais para mim. Shogo, Hiroki,  Shinji e, principalmente Takako Chigusa. Essa ultima aliás, é a única personagem feminina que não se comporta nem como uma anta completa (como Noriko, a principal) nem como uma psicopata promíscua como Mitsuko Soma - todas as outras meninas do grupo, infelizmente, variam entre um extremo e outro.
                Essa maneira rasa com que se descrevem e retratam os personagens femininos é outra coisa em comum que Battle Royale tem com animes e mangás. Mas os diálogos, as mortes, as reviravoltas... tudo me lembrou um anime e, como gosto muito deles, isso me fez gostar ainda mais da história que li bem rapidamente, apesar da grande quantidade de páginas (663).
                Chorei um pouco com a história de Takako mas, no geral, permaneci bastante indiferente aos rumos do livro, já que, desde a primeira página, já estava meio claro quem iria sobreviver aquilo tudo. Somente no final é que lamentei de fato uma morte: essa morte, aliás, estragou um pouco o livro para mim, já que tudo acaba perdendo um pouco do sentido.
                Mesmo assim recomendo Battle Royale para você que gosta de thrillers sanguinolentos. Vejo o pessoal reclamando da violência da história mas, se considerarmos que se trata de um livro em que as pessoas tem de matar umas as outras, até que não é tão violento assim. Sim, as mortes ocorrem, mas não são descritas de uma forma que causa desconforto real para o leitor ou algum tipo de angústia. Na verdade, correndo o risco de ser chamada de sádica nos comentários, as mortes são até divertidas e interessantes.
                Quem se chocou com o conteúdo certamente se pautou em Jogos Vorazes para ao livro mas, apesar das minhas comparações do inicio, já estava preparada para uma história bem mais pesada. Falando em comparações, é impossível não fazê-las, ainda mais quando você considera que esse livro foi publicado 9 anos antes da série teen. Mas isso não é assunto novo, então não imagino alguém vindo me xingar aqui nos comentários por que digo que Jogos Vorazes kibou (um pouco) Battle Royale.
                Tirando o final, essa história cumpriu seu objetivo de entretenimento. Fico feliz de ter esse livro na minha estante, embora, depois dessa leitura tão cheia de ação e poucos mimimis, tenha se tornado muito mais difícil terminar de ler "A Esperança".

  Nota 8 - um bom livro


|COLUNA| Direto ao ponto #001 (Insurgente, Golpe Duplo e Velozes e Furiosos 7

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        Olá,
       
          Criei essa "coluna" aqui no blog, já torcendo para que post pouco através dela. A explicação: Pensei numa coluna em que eu pudesse falar sobre os filmes e livros que li ou assisti mas que não resenhei por preguiça falta de tempo. Ou seja, é um recurso (ou trapaça) para não ficar com muitos livros e filmes por resenhar. 

Hoje selecionei 3 filmes que assisti já algum tempo e que gostaria de comentar rapidamente com vocês. 

Nome do filme: Insurgente (Trilogia Divergente #002)
Ano: 2015
Atores / Atrizes: Shailene Woodley, Theo James, Octavia Spencer, Miles Teller, Ansel Elgort, Kate Winslet
Diretor: Robert Schwentke
Opinião: O segundo filme da trilogia Divergente conta o que acontece com Trish, Four e os outros enquanto fogem da facção da Erudição. É um filme que não me agradou tanto quanto o primeiro, tem uma história mais parada, dramática e, mesmo os momentos de ação parecem carecer um pouco de sentido. O final acontece quando o filme começa de fato a ficar bom, o que me fez ficar ansiosa para o terceiro e ultimo filme dessa trilogia. Vi muita gente reclamando que o filme não foi fiel ao livro mas, ao ler o começo do terceiro livro, percebi que essa mudança foi para melhor. 
Cena: Além do final, uma das minhas cenas favoritas do filme é quando Trish é obrigada pelo soro da verdade a fazer uma confissão em frente a seus amigos. Shailene Woodley está muito bem, não só nessa cena, mas em todo filme. 
Nota: 7, 5 (Razoável mas dei meio ponto pelo final)





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Nome do filme: Golpe Duplo
Ano: 2015
Atores / Atrizes: Will Smith, Margot Robbie, Rodrigo Santoro
Diretor: Glenn Ficarra, John Requa
Opinião: Will Smith interpretando um trambiqueiro que só dá golpe em ricaço e que acaba se apaixonando por uma trambiqueira iniciante (Margot Robbie). O titulo do filme em inglês é Focus, uma referência a um dos diálogos iniciais em que Smith explica que, para aplicar um golpe, o segredo é focar a atenção da pessoa em outro lugar. O que tem pra não gostar desse filme: Os diálogos são rápidos e divertidos, a história tem reviravoltas clichêzentas porém divertidas e todo o filme se passa em uma aura de riqueza e gente bonita. Junte isso a um Will Smith que volta a fazer o que sabe de melhor (interpretar a si mesmo e BOOM!) temos uma excelente sessão de cinema-entretenimento. 
Cena: A do SuperBowl em que percebemos que o que não vemos nos influência mais do que podemos imaginar. 
Nota: 8 (bom)




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Nome do filme: Velozes e Furiosos 7
Ano: 2015
Atores / Atrizes: Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham, The Rock, Michelle Rodriguuez e outros
Diretor: James Wan
Opinião: O ultimo filme da franquia em que poderemos contar com a presença do Paul Walker. Eu já tinha abandonado a série no quarto filme mas retornei para saber sobre o final que todos estavam falando (e por que me chamaram mesmo). O filme é cheio de cenas inacreditáveis de uma ação absurda que assisti com incredulidade e deleite. As cenas são todas muito bem dirigidas e mostram que James Wan não é só muito bom em filmes de terror (como Insidious, Invocação do Mal e Gritos Mortais) como também em ação. O final é tão emocionante quanto dizem e tem diálogos cheios de duplo sentido (na melhor maneira possível). Destaque para Jason Statham interpretando um dos vilões mais perigosos e interessantes que o grupo já teve de enfrentar. 
Cena: Abandonei a franquia no quarto filme simplesmente por que a personagem de Michelle Rodriguez, Letti, "morreu". No sexto filme descobri que ela estava viva e não perdi tempo em assistir o seguinte. Além de toda a homenagem a Paul Walker no final, minha cena preferida do filme envolve Letti e Toretto - sim, encontrei um casal que eu amo ver junto em um filme de ação hahaha. 
Nota: 9 (muito bom)



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