Filme: Feitiço do tempo (resenha / review)

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        E se todos os dias de sua vida se repetissem? Quando saiu para fazer a cobertura do "Dia da Marmota" numa cidadezinha do interior, o repórter Phil Connors não imaginava que um bug faria esse dia voltar ao inicio tão logo houvesse terminado: Ao invés de ir para o próximo dia, Phil está preso ao "Dia da Marmota". 
        Porque? Até quando? O filme não responde a essas questões de maneira direta. Meu palpite é que ao personagem principal foi dada uma chance de mudar sua vida e sua personalidade egoísta para alguém que realmente pudesse encontrar o amor. Bill Murray interpreta um Phil Connors de maneira muito natural, como se fosse parte de sua personalidade. Se nada vida real deve ser difícil aturar alguém tão arrogante, no filme é divertido ver o mau humor e miséria do personagem.
        O que mais gostei de "O feitiço do tempo" foi o fato desse "dia" durar, na verdade, vários meses e de mostrarem como esses meses mudaram realmente a vida do personagem: O homem que resulta dessa "aventura" meio inacreditável para ter mudado de um dia para o outro mas só os espectadores sabem o quanto esse dia, de fato, durou.
          Tirando o personagem de Murray, todos os outros personagens do filme tem que se manter lineares, afinal, tudo acontece em um dia só. Rita, o interesse amoroso de Phil, é uma mulher espontânea e não muito ambiciosa, um total oposto do Phil que ela conhece no inicio. Mesmo assim dá para perceber um certo interesse dela por ele, apesar desse logo ser apagado com a arrogância que o repórter demonstra, como se você a pessoa mais importante de todos os lugares por onde passa. Para que essa primeira impressão ruim passe "da noite para o dia" é preciso uma nova impressão igualmente forte e é isso que acontece.
            É um filme antiguinho, de 1993, que só tive a oportunidade de assistir devido a um dia de tédio surfando na Netflix*. Mas recomendo para os que gostam de uma boa comedia romântica, num ritmo mais lendo do que se vê nos filmes atuais mas também com aquele "quê" de inocência que não se encontra mais e do qual são feitos todos os clássicos do gênero. Nota 8 - um bom filme.

* Segunda vez que cito a Netflix em uma review. Juro que não estou sendo patrocinada (mas que poderia né? Cof cof) 

|FILME| Sniper Americano (Resenha / Review) #Oscar2015

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    Chris Kyle é apenas um cowboy texano tipico, vivendo de rodeio em rodeio. É quando ocorre um atentado a uma embaixada americana e Chris e seu irmão veem isso na tv que sua vida muda: Chris se alista ao exercito e entra para os SEALs uma divisão da elite norte-americana.
     Ao mesmo tempo em que faz seu treinamento para se tornar um sniper (aqueles atiradores que ficam em um canto escondidos, fazendo a proteção dos soldados) Chris também conhece e se relaciona com Taya, que no começo parece não confiar muito em militares (pela fama de galinhas etc.) mas que pouco a pouco acaba se apaixonando pelo soldado. Juntos eles vêem quando as torres gêmeas são atingidas pelos aviões e, no dia em que se casam, Kyle descobre que vai servir no Afeganistão (ou Iraque?)
      O filme é baseado em uma história real. Chris Kyle é o soldado que mais matou na história do exército americano - mais de 150 pessoas - e é considerado um herói americano. Seu nome esteve recentemente associado a um julgamento, por isso, se você vê as noticias policiais você provavelmente acabou pegando um "spoiler" do filme. Eu particularmente peguei esse 'spoiler' na entrada do cinema e nem me importei muito, mas não vou citar aqui, fiquem tranquilos. 
      Assisti esse filme depois da premiação do Oscar, quando já sabia que, das 6 indicações ao Oscar, Sniper só levou 'melhor edição de som'. Esperava uma história polêmica por já conhecer o 'feito' do personagem e ter lido uma crítica que chamava Chris de 'assassino' impiedoso e o filme de uma propaganda pró-guerra. Logo, esperava ter alguns desses sentimentos durante o filme mas, embora as atitudes de Kyle sejam bem polêmicas, não tive esse sentimento.
     Desde a primeira cena, em que Chris tem que decidir se atira ou não em mãe e filho iraquianos, que estão segurando uma bomba em direção a seus colegas - e acaba atirando - somos levados ao passado e a história desse atirador, como e o que fez com que ele chegasse até aquele momento. A missa com os pais, o discurso do pai (super conservador) de que existem ovelhas, lobos e cães de caça no mundo - ovelhas são caçadas, lobos caçam e cães de caça protegem as ovelhas - e que de que não ia aceitar ovelhas ou lobos em sua casa, percebemos de onde Kyle tirou seu impulso de proteger e ajudar os outros. 
       Grande parte do filme se passa nesses anos em que o personagem do titulo lutou na guerra então é bom se preparar para cenas tensas e fortes, capaz de incomodar os mais sensíveis. Mas, ao mesmo tempo em que mostra Chris Kyle fazendo coisas altamente reprováveis - como matar aquela mãe e o filho - também mostra seus motivos e esses motivos, proteger os seus companheiros, me parece altamente justificável num contexto de guerra. Claro que na guerra não seria tão fácil ter certeza de que o inimigo porta mesmo uma granada ou se é só um exemplar do Corão, mas o filme não trabalha muito com essa dúvida - Kyle até chega a pedir a confirmação pelo rádio mas depois de ouvir a recusa em confirmar (ou não) o que estava vendo, percebe que tem de agir sozinho
       Sniper Americano é um filme altamente patriótico, mesmo para quem não é americano. Fala sobre o dever, sobre lutar pelo seu país e pelos seus amigos e sobre fazer a coisa certa - mesmo que isso acabe te destruindo por dentro. O Kyle que volta do Iraque não é o mesmo mas nem por isso deixa de pensar em voltar, mesmo que isso signifique não acompanhar o crescimento dos filhos. Esse conflito entre família x dever atinge o auge na quarta rotação de Kyle e tem seu ápice numa das melhores cenas do filme - tanto pela carga dramática quanto pelo nível de tensão e ação. A 'cena da tempestade de areia' é incrível e deixa o expectador angustiado e apreensivo, torcendo para que tudo dê certo e, ao mesmo tempo, temendo que Kyle não vai conseguir daquela vez. 
         O final, pelo contrário, é uma nota simples e melancólica. Com cenas reais e aquela música de partir o coração, confesso que lágrimas caíram quase sem que eu percebesse. Acho que foi o filme que mais me emocionou, de todos os do Oscar que assisti, uma história real de um patriota que foi reconhecido pelos seus da mesma forma. A parte mais irônica do filme é que Kyle foi para o Iraque lutar contra um inimigo externo mas não se atentou que existem inimigos em toda parte.
           Ok, estou quase soltando um spoiler, vou parar por aqui. Recomendo para os que gostam de filmes sobre heróis e sobre guerras - para aqueles que não se importam de ver sangue e violência, desde que dentro de um contexto mais importante. 
             Nota 9 - um filme muito bom



P.S.: Se você for um policial, ou conhecer algum militar, por favor indique esse filme. 
P.S.2: Ainda querendo entender por que Clint Eastwood preferiu usar uma boneca para representar a filha de Kyle quado bebê. 



|FILME| O grande Hotel Budapeste (Resenha / Review) #Oscar2015

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     Um jovem escritor, sofrendo de um mal não explicado, viaja para um outrora glamouroso hotel com o objetivo de se recuperar. Ele vive durante algum tempo no Hotel Budapeste e, um pelo dia, enquanto conversa com um funcionário, percebe um homem de aparência triste sentado ali, olhando para o nada. Após ser perguntado o funcionário explica que se trata do sr. Moustafa, que já havia sido o homem mais rico do país mas que agora possuía apenas o hotel. Uma vez por ano ele ia até lá e ficava hospedado no menor quarto.
     O escritor fica intrigado sobre a história desse senhor e, por coincidência, no dia seguinte consegue conversar com ele, que parece disposto a contar sua história, como conseguiu adquirir tal hotel. 
     A história contata pelo o senhor Moustafa ao escritor é também a história do Hotel Budapeste. Somos levados a cerca de 30 anos atrás quando o sr. Moustafa era apenas um carregador no Hotel que agora é dono. Como jovem imigrante com visto trabalho, Zero não tinha experiência, família ou estudo (daí o nome Zero) mas, mesmo asism, é contratado pelo M. Gustave, gerente do hotel, que lhe ensina tudo sobre a função.
       M. Gustave parece estar nos seus 40 anos mas se relaciona com as senhoras (60, 70, 80 anos) que se hospedam no hotel.  Uma delas, Madame D., parece muito ansiosa antes de dar o check out mas Gustave a tranquiliza e a manda para casa. Alguns dias depois vem a surpresa: Madame M. foi encontrada morta em sua casa. Gustave então pede que Zero o acompanhe até a mansão da falecida para "dar seu último adeus" - na verdade o interesse parece ser a leitura do testamento. A partir daí a dupla se envolve em várias situações e mal entendidos que envolvem um quadro, uma fuga e até mesmo uma herança. 

   Provavelmente esse será o ultimo filme que assisto antes do Oscar (vou tentar ver Sniper Americano mas o áudio e imagens não estão tão bons) e parece que deixei os dois melhores para o final. Depois de me arrepiar com Whiplash me vi encantada com O Grande Hotel Budapeste. Contada de maneira charmosa, e ironicamente divertida, uma trama aparentemente simples como a apresentada acima, se mostra um filme acima da média. Junte isso a fotografia, figurino, trilha sonora e (principalmente) elenco impecável e temos um filme inesquecível.  
       Ralph Fiennes faz um M. Gustave cheio de contrastes, um pilantra de bom coração, um homem acima de tudo muito bem educado e culto, que gosta de poesia mas que se relaciona com senhoras endinheiradas. Ele não estar entre os indicados ao Oscar com esse personagem, um mau caráter divertido do qual a gente se acaba afeiçoando, é uma vergonha. Prova que essa premiação é muito política as vezes. No elenco ainda chama a atenção Tony Revolori como Zero, Tilda Swinton como madame D., Bill Murray como M. Ivan, Adrian Brody como Dmitry, Jude Law como o jovem escritor e, principalmente Edward Norton como o atrapalhado inspetor Henckels. Ver um elenco desses, com uma atuação bem diferente dos seus papéis de hábito e não ver nenhum desses nomes na lista de indicados é decepcionante. Pelo menos Edward Norton foi lembrado por Birdman.

        Eu ri e me diverti com o filme, que tem um charme das histórias antigas (me lembrou um pouco Hugo Cabret nesse sentido). Embora seja inspirada na obra de um escritor real, a história toda de Grande Hotel Budapeste se passa em um universo fictício mas ao mesmo tempo bem real - a guerra que se aproxima, lembra muito a segunda guerra mundial, principalmente pelas insignias do exercito invasor.  
      O final é doce e feliz mas com um toque melancólico como sabemos na narração do sr. Moustafa. No entanto, as lágrimas que derramei (as primeiras numa lista de filmes que só tem dramas como a do Oscar) foram tristes mas não desesperadoras, pois, mais do que o final não muito alegre, foi muito bom ver uma história tão singela, de forma tão única na tela. 
       Nota 9 - muito bom.  


O Grande Hotel Budapeste concorre ao Oscar nas categorias: melhor filme, melhor fotografia, melhor direção, melhor edição, melhor trilha sonora, melhor produção de arte, melhor figurino, melhor maquiagem e melhor roteiro original.