|FILME| Anabelle (Resenha / Review)

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        John e Mia são um tipico casal dos anos 60/70: apaixonados e felizes, estão esperando seu primeiro filho, imersos na correria e nas dúvidas dessa nova fase. John é um estudante de medicina que receia que esse filho atrapalhe seus estudos, ao mesmo tempo que anseia pelo nascimento do mesmo. Já Mia é uma recém casada feliz, embora pareça se ressentir um pouco do seu papel de dona de casa. Durante a gravidez Mia sente-se um estorvo para o marido e, embora esse diga que não é o caso, a sensação permanece.
        Uma noite, eles ouvem um barulho na casa vizinha e John, muito ingenuamente mas perfeitamente compreensível quando pensamos o período em que se passa a história, vai até a casa ao lado para saber o que aconteceu. Ele deixa a esposa com orientações para que ela não saia de casa mas, como esse é um filme de terror e em filmes do gênero as pessoas nunca obedecem, ela vai atrás... E da de cara com um John lívido e coberto de sangue que lhe pede para ligar para a policia e se trancar na casa. 
       Mia corre para fazer o ordenado ao marido mas já é tarde demais, os assassinos já estão na casa, dispostos a fazer de tudo para que seu ritual satânico seja concretizado. Infelizmente esse ritual implica muito sangue e a utilização de uma das bonecas que John havia dado de presente à Mia, no mesmo dia dos acontecimentos. Eles não sabem mas, depois daquele dia, a boneca passa a ser possuída pelo espirito de Anabelle, a moça que havia cortado o próprio pescoço antes da polícia chegar ao local. 
         Anabelle é um spin-off de Invocação do Mal, filme lançado filme de 2013 que conquistou grande sucesso de bilheteria tornou James Wan um dos queridinhos do gênero de terror, por conseguir (com baixo orçamento) sucessos estrondosos de bilheteria. Em Anabelle, Wan atua como produtor, cabendo a direção à John R. Leonetti, que já havia trabalhado com Wan como diretor de fotografia em outros longas. 
         O clima retrô, as imagens assustadoras que passam muitas vezes despercebidas, o suspense crescente, a presença de uma criatura muito mais maligna e demoníaca que fica como que observando toda a ação... Tudo isso (e eu poderia citar mais) são características encontradas em outros filmes da dobradinha Wan/Leonetti mas, nem por isso menos assustadores, já que em todas as histórias também há suas próprias particularidades. As referências não são uma tentativa de replicar o sucesso obtido, são só isso, referências do estilo dos envolvidos na direção/produção da trama. 
         Quando o terror começa a se tornar insuportável para a grávida Mia, ela propõe que eles se mudam de casa. Já num apartamento, a vida parece ter voltado ao normal. Até que Mia abre uma das caixas da mudança e encontra a boneca, a que vou me referir como Anabelle para facilitar minha vida (e a compreensão de vocês). Mas o marido não tinha jogado a boneca fora antes da mudança? Tinha, ele jurou, mas lá estava a dita cuja para contrariar essas palavras. "Quer que eu jogue a boneca fora?", John pergunta, desesperado para satisfazer a esposa. "Não precisa", ela diz, colocando a boneca na cadeira de balanço. 
          Só ai já comecei a achar que essa mãe já não estava muito bem da cabeça, mas segui assistindo ao filme. Depois que a boneca é desempacotada é que o filme começa de verdade, por que é quando Mia se vê perseguida por essa entidade misteriosa. O que esse ser demoníaco quer, descobre-se, é uma alma para chamar de sua, como parte do ritual do inicio do filme. Falando em seres demoníacos, Anabelle tem uma sequencia extremamente assustadora que mostra esse ser pela primeira (e unica) vez durante o filme, e que quase me fez chorar encolhida no cinema. Sim, sou uma covarde de mão cheia e também consegui me assustar na cena do desenho, do padre, etc. etc. mas essa cena entrou para o hall das minhas favoritas, mesmo não envolvendo a personagem principal, no caso, a boneca.
         Sobre a Anabelle, fui ao cinema mentalmente preparada para vê-la em ação então consegui aguentar firmemente o medo, embora nem sempre pude evitar assistir com as duas mãos cobrindo o rosto (olhando sempre por uma fresta, apenas). O fato é que eu realmente bonecos são um temor muito sério para mim, um dos temas clássicos de filmes de terror que sempre (sempre) conseguem me assustar (vide Gritos Mortais e A mulher de preto, só para citar alguns exemplos). Então imagine minha cara ao longo do filme. 
         No entanto, talvez pelo Hype gerado pelo filme ao longo das ultimas semanas, não consegui achar Anabelle essa coca-cola toda que estão falando. Sim, o filme dá medo, tem ótimas cenas, ótimos personagens e cumpre todos os requisitos de um bom filme de terror, inclusive dando um ar de continuação que (na minha opinião) todos os filmes do gênero deveriam possuir, para que o filme fique na cabeça do telespectador mesmo após o término. Mas Anabelle tem um final meio morno e, bem, não tem nada de tão espetacular assim. 
           Deixe-me explicar. Achei o filme muito bom? Sim. A história da medo? Muito. Indicaria ele para todos os meus amigos que curtem (ou não) filme de terror? Sim. Mas, da mesma forma, também indicaria Insidius, Gritos Mortais, Invocação do Mal, só para citar filmes do próprio Wan. Anabelle é, para mim, outro filme bom de Wan/Leonetti  mas não chega nem a ser o melhor filme dele
           Então porque esse hype todo? Minha aposta é que os filmes de terror mais clássicos estão (finalmente) sendo redescobertos pelo 'grande público' e isso é ótimo. Não quero bancar a hipster dos filmes de terror, quanto mais gente curtir o gênero, mais opções teremos nos cinemas. Que Anabelle seja o primeiro de uma longa safra de filmes muito bons de suspense/terror.

            Minha nota é 8,5 - um filme bom com cenas muito boas (por isso o meio ponto). E fica a dica para assistirem no "Dia das Bruxas". :) 

P.S.: Apenas uma correção - antes de 'Invocação do mal', James Wan já tinha sido responsável pela criação de outra franquia de sucesso: Jogos Mortais. O cara é phoda ou não é?


|Filme| O PROTETOR (The equalizer) Resenha/ Review

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          O tipo de filme em que Denzel Washington costuma atuar não está entre os meus gêneros favoritos. O ator se divide entre dramas e ação, sendo que ultimamente tem optado mais pela segunda opção, algo pela qual não posso julgá-lo: o cara já tem um Oscar, ou seja, permissão concedida para fazer filmes que ele considere interessantes sem ligar para o que a crítica irá dizer. 
        Porém, mesmo que essa escolha por certo tipo de filme possa ser questionável ou até mesmo afastar o ator de determinado publico (o que não gosta de ação ou drama, por exemplo) é inegável o bom gosto do ator para escolher seus papéis. Pensando assim de cabeça em 5 filmes que Denzel Washington participa, não há nenhum que eu não tenha gostado ou não indicaria para as pessoas. Nessa lista de filmes se encontra também O protetor
          No filme, Washington é Robert McCall, um homem de passado misterioso que atualmente trabalha em uma imensa loja de ferragens. No inicio podemos perceber que ele é um homem muito na dele, porém sempre disposto a ajudar os outros funcionários, como o colega de trabalho que quer ser vigilante, por exemplo. Percebemos também que Robert gosta muito de ler e que tem dificuldades para dormir, razão pela qual, durante a madrugada ele costuma ir a um café perto de sua casa e se dedicar a seu livro do momento. 
        É em uma dessas visitas que Robert conhece Teri (Chloë Moretz, de 'Deixe-me entrar', Hugo Cabret e, claro, Kick Ass) uma prostituta que não parece gostar nada de sua forma de vida. Eles mal trocam duas palavras mas, na noite seguinte lá está Teri de novo, e na outra, e na outra... 


        Quando Teri não aparece uma noite, Robert fica preocupado, só para encontrá-la depois com um hematoma terrível no rosto. Depois disso, embora se sinta obviamente relutante, Robert se vê cada vez mais motivado a tentar ajudar essa jovem que, descobre-se, é escrava sexual para a máfia russa
          O filme é inspirado numa série "The Equalizer", que foi lançada nos anos 1980. Daí, e do pouco que contei até agora, dá para perceber que a história não é das mais originais ou revolucionárias. Porém não é qualquer ator no papel principal e sim Denzel Washington que consegue fazer de um personagem razoavelmente simples, um grande herói, digno da admiração e torcida (mesmo!) dos expectadores. 
          Claro, um personagem tão bem interpretado tinha que ter um equivalente antagonista e essa figura é representada pelo mafioso Teddy, vivido por Marton Csokas, um baita ator que eu ainda não conhecia: joguei no google e descobri que ele fez "Abraham Licoln - caçado de vampiros", mas não julguem o coitado por essa bomba de filme. Csokas faz um Teddy de dar medo,um legítimo sociopata


           Junte isso com cenas de ações phodásticas e uma trama muito bem conduzida no maior estilo gato e rato e temos um filme digno de ser visto. O diretor e o responsável pela fotografia estão de parabéns, as cenas são todas excelentes e visualmente interessantes, além de conseguir prender o expectador à trama de forma que poucos filmes do gênero conseguem. 
         Como personagem, percebe-se em Robert certo complexo de herói, aliado a grande capacidade letal e um pouquinho de transtorno obsessivo compulsivo, manifestado por sua obsessão de 'cronometrar seu próprio tempo', por assim dizer. Uma coisa a ser destacada sobre esse mocinho é que, em nenhum momento das 2h12 de duração desse filme, ele dispara uma arma de fogo, somente utilizando as que estão nas mãos de seus inimigos ou 'armas alternativas'. Não sei se foi algum tipo de mensagem pelo desarmamento ou se foi só para mostrar o quanto o personagem é engenhoso/inteligente e realmente bom no que faz, só sei que está de parabéns quem conseguiu fazer isso possível, ainda mais num filme de ação. 
             Embora, pensando bem, ação seja um termo muito genérico para o filme, acho que Suspense/Policial seria mais aplicável, uma vez que não é apenas uma série de explosões sem enredo mas sim uma trama que ocorre em O protetor. Na verdade, parando para pensar agora, acho que só ocorre uma explosão durante todo o filme. 
A única cena de explosão do filme. BOOM!
          Por essas e por outras é que digo que 'O protetor' foi uma baita surpresa. Quem gosta do gênero Ação/Policial/Suspense certamente vai ter todos os seus requisitos agradados com esse filme e quem não é lá muito fã (eu, por exemplo) também vai se deixar pela trama simples mas bem contada. Recomendo se estiver afim de uma história que agrade e que te prenda atenção do inicio ao fim. É o tipo de filme para quem gosta de cinema entretenimento, independente do gênero* - se você é assim, assista 'O protetor'.  
                   Nota 9 - muito bom. 


* vamos manter a mente aberta, okay? É claro que a pessoa  que tiver algum tipo de preconceito com tramas de ação/policial não vai curtir o filme. Nesse caso é melhor assistir outra coisa. Que tal uma animação? Ou uma aventura? O importante é assistir e se divertir! 

|TRAILER|

|FILME| Livrai-nos do mal (Resenha / Review)

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      O policial Ralph Sarchie parece estar sempre atraindo algum tipo de problema. Como seu colega de trabalho costuma dizer, ele tem uma espécie de "radar" que sempre o leva para casos especialmente complicados. Naquela semana não foi diferente: Sarchie se depara com o caso de um bebê jogado no lixo, um caso de agressão doméstica em que o sujeito está visivelmente alterado e ataca os policiais e, por ultimo, uma mãe que joga seu próprio filho na fossa do zoológico.

      Tudo poderia ser apenas uma semana difícil porém, ao investigar os casos, Sarchie descobre estarem todos interligados. A sequencia inicial do filme nos mostra o que o detetive só descobre depois: Todos essas pessoas que estão agindo tão estranhamente estão relacionados a um grupo de amigos que serviu no exército e que, na ocasião, de deparou com um santuário onde algum tipo de sacrifício era feito.
       É nesse momento que Sarchie conhece o padre Mendoza, um especialista em demonologia. Como todo bom cético, no inicio o detetive repudia completamente a ideia de que essas pessoas cometendo atos tão horríveis possam estar possuídas. Mas depois essa parece ser a unica explicação possível, uma vez que, em todos os seus anos como policial, ele jamais se viu em tal situação. Mas para combater esse inimigo "sobrenatural" Sarchie ainda terá que perdoar a si mesmo pelos seus próprios erros do passado.
         Livrai-nos do mal é inspirado em eventos reais, como a maioria das histórias desse gênero lançadas nos ultimos tempos. Talvez por isso não tenhamos muitas cenas 'sobrenaturais' em si, o filme é mais um suspense do que propriamente um terror - o que eu até prefiro quando se trata de filmes de possessão: Normalmente as cenas de 'terror' são as que me dão mais vergonha alheia. Então o suspense é bom.
         O problema é que o filme é vendido no trailer como um terror e essa falsa imagem faz com que muitos tenham criticado. Livrai-nos do mal é um suspense com algumas cenas mais 'agitadas' mas é só. É importante dizer que, como uma história de suspense, também foi muito bem construída e que os diálogos entre o cético Sarchie e o padre Mendoza são realmente interessantes, não aquele blablablá céticos vs religiosos que vemos nos outros filmes. Como católica, é a primeira vez que não sinto vergonha alheia pelas coisas que um padre dos filmes diz (já as coisas que ele faz... bem, ninguém é perfeito).

          Não há muito mais o que dizer. Se você curte o gênero e está plenamente ciente de que não vai se assustar ou ter medo de nada desse filme, mas está disposto a acompanhar uma boa trama sobrenatural, vale a pena dar uma chance a 'Livrai-nos do mal'.
            Nota 7 - um filme razoável


P.S.: Momento girlie - Eric Bana  e esse padre (descobri o nome: Edgar Ramirez) são uma excelente visão! Dificil dizer quem é mais bonito mas eu fico com o Bana ^^