DIRETO AO PONTO #007: A garota Dinamarquesa, A Bruxa e Invasão a Londres

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Direto ao ponto é uma coluna do blog em que falo rapidamente sobre 3 livros ou filmes que assisti/li recentemente. Para ler outras postagens iguais a essa, CLIQUE AQUI

Nome do filme: A Garota Dinamarquesa (#Oscar2016)
Ano: 2016
Atores / Atrizes:  Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Ben Whishaw etc.
Diretor: Tom Hooper
Opinião: O filme conta a biografia da primeira pessoa a se sujeitar a cirurgia de mudança de sexo, o pintor dinamarquês Elinar Wegener, que passou a se chamar Lili Elbe. Confesso que não estava muito animada para assistir mas os elogios as atuações de Eddie Redmayne e o fato de Alicia Vikander ter ganhado o Oscar de melhor atriz coadjuvate por esse papel acabaram me convencendo, além de certa pressão externa (assisti com amigos). 
O início do filme é muito dinâmico e interessante, a transformação de Elinar em Lili e a reação de sua esposa Gerda ao fato, a principio levando a mudança como um jogo e depois a descoberta de que era mais do que isso são os momentos que mais me agradaram no filme. Vikander e Redmayne tem uma química muito boa, primeiro como um casal e depois como amigos e companheiros e esse é o grande motivo pela qual o filme funciona, os dois atores principais em ótima fase.
Infelizmente do meio pro final a coisa dá uma desandada, há uma "enrolação" ali que considerei desnecessária - é um filme de 2 horas que poderia ter pelo menos meia hora a menos. Além disso, me interessei mais por Gerda, esposa de Wegener, do que por ele próprio e queria que o filme tivesse dado mais destaque a ela (embora admita que já há bastante, queria mais).
Cena: Gosto muito da cena em que Gerda descobre que Elinar está usando sua camisola porque mostra uma faceta da personagem que é muito mal explorada no filme (uma parte dela sentia atração por Elinar como mulher). Gosto também da sequencia da primeira aparição de Lili na sociedade. 
Uma cena que não gostei foi o final, achei aquele momento da echarpe meio brega e clichezento.
Nota: 7 - o filme tem momentos bons mas o todo é bem mais ou menos (razoável).
|TRAILER| 


Nome do filme: A Bruxa
Ano: 2015 (lançamento no Brasil em 2016)
Atores / Atrizes:  Anya Taylor Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie etc.
Diretor: Robert Eggers
Opinião: Está ai um filme que eu esperava ansiosamente para ver, por todas as críticas e elogios, dizendo que não apenas era um filme de terror "perturbador" como também muito bem feito. Gostei muito desse filme, talvez seja um dos melhores nessa pegada "terror psicológico" que eu tenha visto nos últimos anos... E ainda assim é muito difícil falar sobre ele, razão pela qual se passaram mais de um mês antes que eu tivesse escrito essas poucas linhas e, tenho certeza, está longe de ser a resenha que esse filme merece. 
Produção excelente, roteiro excelente, direção excelentes, atores excelentes... O filme retrata uma realista Nova Inglaterra no ano de 1630, com todas as suas superstições e misticismos, de maneira impecável - boa parte das falas do roteiro são retiradas de depoimentos e documentos da época e os atores tem uma qualidade teatral que deixa tudo mais interessante. 
Muita gente disse não ter curtido porque fala muito de crenças (nesse aspecto me lembrou bastante "O anticristo" de Lars Von Trier e é tão perturbador quanto, mas sem ser tão apelativo). Outros porque o filme não dá susto. Mas só é terror aquele que dá sustos? "A Bruxa" tem o mérito de ir te envolvendo naquele universo até que você sinta todo o medo que os personagens estão sentindo. Se estiver disposto, você irá sentir muito medo assistindo a esse filme; mas se terror não for sua praia, você ainda pode assistir a um ótimo filme.
Cena: A cena em que os gêmeos cantam a música para "Black Phillip", a cena do inicio quando o bebê desaparece... Do final em si não gostei muito, achei que é o oposto de tudo o que o filme prega, mas nem isso tirou o mérito da história. 
Nota: 9 - muito bom - espero reassistir a esse filme um dia e fazer a resenha que esse filme merece.  (um dos melhores do ano)
                                                           |TRAILER|  

Nome do filme: Invasão a Londres
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman etc.
Diretor: Babak Najafi
Opinião: Quando o primeiro-ministro britânico morre repentinamente, os principais líderes mundiais vão ao seu velório, sem saber que há uma conspiração terrorista para que sejam todos assassinados. Um a um os líderes vão morrendo, até que sobra com vida apenas... sim, o presidente dos Estados Unidos, com o seu fiel guarda-costa, que vão fazer de tudo para escapar dos terroristas. 
Não quero falar mal do gênero ação, mas infelizmente não é algo que curto. Tirando algumas raríssimas exceções, cenas de ação quase sempre me fazem cochilar e  a história toda se resume as cenas de ação, de forma que é tudo muito entediante para mim. Para piorar, "Invasão a Londres" é um filme de ação do começo ao fim, com nenhuma novidade ou cena que o torne mais do que isso. Sim, o filme tem bom elenco mas estão todos em papéis medíocres (no sentido de médio mesmo, não de ruim). 
Cena: Gostei da cena em que mataram os líderes mundiais (isso soou mórbido?)
Nota: 6 - não gostei. Mas se você curte o gênero vá em frente - quanto a mim, não sei porque ainda assisto a esse tipo de filme. 
                                                           |TRAILER|  

|RESENHA| A viajante do tempo - Diana Gabaldon (Outlander #001) #DesafioLivrada

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ESSE LIVRO FAZ PARTE DO DESAFIO LIVRADA 2016. Para conhecer outros livros do Desafio, CLIQUE AQUI .

   O ano é 1945. A enfermeira Claire Randall e seu marido Frank saem em uma segunda lua de mel, após ficarem anos separados por estarem ambos servindo na Segunda Guerra Mundial. O local escolhido é o mesmo em que se casaram, uma cidade chamada Inverness, nas Highlands Escocesas. Enquanto o marido se perde em suas pesquisas a respeito de um ancestral que vivia nas Highlands há cerca de 200 anos, Claire explora o local, em busca de ervas e plantas de diversos tipos e com várias funções medicinais (seu maior passatempo é colecioná-las). 
   É em um desses passeios que Claire acaba se deparando com um misterioso círculo de pedras, do tipo que não se sabe exatamente como foi construído ou com que propósitos mas que desperta a curiosidade de gerações a anos. Aguça ainda mais a curiosidade de Claire presenciar, na companhia do marido, um estranho ritual, realizados por "bruxas" que vivem na região. 
   Claire fica tão curiosa com o círculo que resolve retornar até lá, desta vez sozinha. Depois de colher uma flor de aparência exótica e de uma série de acontecimentos difíceis de explicar, ela se vê no ano de 1743: inexplicavelmente, havia retornado quase 200 anos no tempo. Nessa sua ida ao passado Claire acaba se envolvendo em diversos acontecimentos e encontrando um amor que parece superar o tempo, Jaime Fraser.
   Encaixei esse livro no meu Desafio Livrada na categoria Ficção Histórica, porque já tinha me proposto a lê-lo devido a uma indicação de uma amiga. Já que iria enfrentar esse calhamaço de 800 páginas, achei por bem encaixar essa leitura no Desafio - Foi uma decisão muito sábia já que levei 2 meses para finalizar sua leitura (comecei na metade de Janeiro e finalizei na metade de Março).
   Não que o livro seja ruim, a história de Claire é tanto extensa quanto cativante, repleta de ação e momentos emocionantes (em todos os sentidos). Os personagens em Outlander parecem saltar das páginas, tamanha a verossimilhança com pessoas reais, desde os protagonistas Claire e Jaime até personagens que aparecem em momentos chave como Geillis Duncan, ou os irmãos Mackenzie, até a irmã de Jamie, Jenny. Todos tem seus altos e baixos, seus vícios, suas virtudes - assim como pessoas de verdade, o que faz com que os personagens sejam uma das melhores coisas desse livro
   Não que a trama também não seja excelente. Não sei como a autora consegue colocar tanto acontecimento em uma história, independentemente de quantas páginas ela tenha, e fazê-lo sem que isso seja maçante ou cansativo mas Gabaldon consegue e com inegável talento. É sequestro, é ataque, é casamento, é morte, é traição... tudo acontece nesse primeiro romance e, mesmo depois que terminamos, temos a impressão de há muito ainda por ocorrer. 
   É por isso que costumo me referir a esse livro como um "novelão" (no sentido de novela de tv mesmo), porque é tanta coisa, tanta reviravolta, tanto acontecimento... Mas não digo isso em um sentido pejorativo, é só que Jaime e Claire passam por muita coisa antes e depois de se apaixonarem e o livro nos leva por todos esses altos e baixos de momentos fofos até outros polêmicos ou mais dramáticos. Tudo isso é feito de uma forma muito natural, sem que soe corrido e forçado - isso e a ambientação que a autora faz das Highlands durante esse período são outros dos pontos fortes desse livro. 
   Mesmo tendo muita coisa para falar de Outlander, dei uma desanimada em alguns momentos. Um deles foi certa cena polêmica que envolveu Claire e Jaime; no princípio tentei contextualizar essa atitude do protagonista (que até aquele momento se comportara como um fofo) como algo de sua época mas, com o decorrer dos capítulos, mesmo que esse assunto se tivesse encerrado, senti Jaime passando por uma mudança, se tornando mais possessivo e machista. Isso me desanimou um pouco, porque até então eu estava tão apaixonada pelo personagem quanto a mocinha, mas foi bom prosseguir porque ao final Jaime consegue alcançar um equilíbrio entre guerreiro machista e príncipe encantado, e eu gostei muito do resultado final. 
   Outra coisa que não ajudou muito foi o fato de eu já ter alguns spoilers desse livro, que eu fui lembrando conforme acompanhava a história. Até a metade do livro mais ou menos eu já sabia algumas boas revelações dos personagens (essa cena polêmica que falei é uma delas). Tudo porque já tinha ouvido falar dessa saga desde meados de 2007, quando ainda existia a excelente comunidade Adoro Romances no Orkut (uma das poucas coisas que sinto falta nessa rede social). Foi lá que conheci Claire e Jamie pela primeira vez; me lembro que só não comprei o livro na época pelo preço e pela narração em primeira pessoa (algo que nunca gostei) mas que li vários trechos do livro naquela época. Felizmente, conforme a história avançou, eu fui vendo cada vez mais situações inéditas e consegui ter emoções apropriadas nos momentos certos - os momentos no mosteiro acabaram se tornando um dos meus favoritos por esse motivo. 
    Achei que não ia consegui falar muito desse livro mas agora, mesmo tendo escrito bastante, sinto que não disse nada sobre esse livro. Mas espero que tenha te deixado uma boa visão do que Outlander é: um 'romanção' de época, açucarado e dramatico em alguns momentos mas divertido e fofo em outros, que recomendo para todos aqueles que curtem o gênero. Me lembra muito os famosos romances de banca, embora com mais páginas e (por esse motivo) com uma trama mais elaborada. Mais prepare-se: os personagens são tão cativantes que, ao final de tudo, é normal se sentir um pouco orfão. 
   Minha nota é 8 - um livro bom, com momentos muito bons. Continuarei com essa série, com certeza. 

|Leia a sinopse do livro no Skoob|

P.S.: Sobre a série de TV - Não vi nem verei, achei a escolha do casting péssima.  

|FILME| Convergente parte 1 (Resenha / Review) Trilogia Divergente #003

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   Quando a mãe de Four (em português é Quatro mas vou chama-lo de Four na review) se torna uma líder tão cruel quando Jeanine, ele e Tris decidem explorar o que há além dos muros de Chigago, esperando encontrar pessoas que os possam ajudar com a situação atual da cidade. O que eles encontram, no entanto, é uma tão destruída quanto a sua própria.

    Insurgente, o segundo dessa trilogia (que, seguindo a moda, terá 4 filmes) foi um filme bem fraquinho mas o final pareceu promissor. Mesmo assim, fui ao cinema com expectativas bem sob controle de forma que, de todos os meus amigos, fui a única que não saiu do cinema tão revoltada com o que acontece com a trilogia em Convergente.
   Quando Tris, Four e seus amigos saem de Chicago, o que era uma distopia vira uma ficção científica e é aí que muitas pessoas ficaram decepcionadas. O objetivo era mostrar as diferenças entre esse novo mundo que os heróis estavam conhecendo e o mundo anterior, que era o que eles conheciam mas a forma como isso foi feito não foi legal, pois focou mais na tecnologia toda diferenciada desse mundo "Pós-muro" e nas diferenças climáticas do que nos aspectos que realmente importam a uma Distopia, as pessoas e suas atitudes. 
   Ao invés de mostrar quem são essas pessoas que vivem nesse mundo, o que querem e como pensam, sentem e agem, o filme se atem a "chuvas de sangue", armas descoladas e aparelhos de vigilância que fazem a Chicago dos personagens parecer um grande Big Brother (o reality, não o personagem do Orwell, infelizmente). Esse último aspecto, o tratamento dos mocinhos como estrelas de um show é uma das coisas que eu achei que tinham potencial mas que foram mal aproveitadas - não há tempo para reflexões profundas, o filme está preocupado demais tentando transformar Tris em uma sonsa e Four no grande personagem f0d@0 que Tris tinha sido até aquele momento. 
De boas tomando uma água, enquanto Four vira o protagonista dessa joça
    Não sei se vocês sabem o que acontece nesse último livro e eu não vou dizer porque odiei receber esse spoiler. Mas tenho que comentar que me decepcionei muito com a maneira como retrataram Tris nesse filme; justo aquela que tinha sido a chave, a divergente, a que pensa fora da caixa, de repente passa a querer jogar de acordo com as regras. Já Four, que era sempre o contido, o receoso, aquele secundário que está ali para apoiar a mocinha mesmo duvidando de suas escolhas, de repente é tudo aquilo que Tris tinha sido até então. Será uma tentativa de justificar de alguma forma o desfecho da trilogia? Não sei mas, de qualquer forma, gostei menos disso do que da cena em que os personagens saem voando numa bolha de plasma (juro, isso aconteceu). 
   Mesmo com tão pouco a oferecer em matéria de reflexão e profundidade, eu não detestei Convergente, até achei o desfecho interessante e gostei das cenas em que Four sai dando tiro, porrada e bomba pra todo lado. Mas, quando penso no elenco incrível que esse filme tem e no quanto o primeiro filme parece que iria virar alguma coisa, não posso deixar de me perguntar onde todo esse potencial foi parar. 
Four e sua turma
   Se antes via nessa série um novo Jogos Vorazes (esse também terminou de forma bleh, mas isso é outra história) agora vejo uma ótima opção de filme para assistir quando você não tiver mais nada para ver na TV ou na Netflix. Esse último filme particularmente é daqueles que você coloca para assistir em algum canal avulso em certo dia tedioso e que assiste inteiro mas se questiona porque perdeu seu tempo com aquilo no final. Não é detestável mas sim nulo, sem graça. 
   Recomendo se você já acompanha a série. Se ainda não assistiu a nenhum desses filmes minha recomendação é que diga 'não, obrigada', quando te indicarem e siga a sua vida como se jamais tivesse ouvido falar numa trilogia chamada Divergente - acredite, você não terá perdido nada. 
   Nota 6,0 - até daria meio ponto por uma cena ou outra mas tenho que ser honesta. Embora não tenha propriamente detestado, não gostei desse filme. 

|TRAILER|