Simon vs the homo sapiens agenda - Becky Albertalli (Resenha)


   Após assistir a "Love, Simon" fiquei curiosa para saber com o seria o livro. Ainda mais porque já havia lido alguns comentários de que a adaptação para o cinema tinha um desfecho diferente do original. Como já tinha uma ideia da história, achei que seria legal ler o original, por isso peguei o ebook em inglês. 
    Simon vs the homo sapiens agenda é uma história bem fofa sobre um menino de 16 anos que se apaixona por um misterioso Blue que ele conhece através do Tumblr. Acontece que Blue é um garoto, e ninguém (além de Blue) sabe disso. Por isso, quando seu 'amigo' Martin ameaça a contar para todos sobre seus e-mails secretos, Simon se vê sem saber muito bem o que fazer. 
    Mais do que o final, a principal diferença entre filme é livro é a reação de Simon com a chantagem. Nas duas versões ele fica apavorado etc mas somente no cinema ele age ativamente para juntar Abby e Martin, chegando até a mentir para chegar nesse ponto. No livro Simon não chega a tanto, se limitando a realizar encontros em que Martin esteja presente e chamá-lo para a festas.
    A aparência fisica e um pouco da personalidade de Simon também foram suavizadas na adaptação.  No livro o protagonista tem cabelo loiro escuro e uso óculos, além de ter um humor bem mais palhaço do que o adolescente reprimido que se mostra no filme. Curiosamente, o restante dos personagens ficou bem fiel fisicamente, embora Leah tenha tido bastante de sua personalidade ácida suavizada.
    Faço essas comparações mais para efeito de registro, já que gosto das duas versões, livro e filme. Acho que cada uma das obras tem seus pontos positivos. Simon vs the homo sapiens agenda é tão fofo quanto "Love, Simon", com a vantagem de ter menos momentos traumáticos ou de tensão como nas inúmeras drs e rupturas que existem antes que o filme chegue ao final feliz. Gostei demais de ter lido e aproveitei que estava nessa vibe team para pegar a "sequência", Leah fora de sintonia

 Nota 8 - bom livro

Halloween (2018) é o melhor slasher dos ultimos anos | Review


   Quarenta anos se passaram desde que o ataque do psicopata Michael Myers mudou a vida de Laurie Strode para sempre. Desde então ela se prepara para o momento em que tornará a ver o seu assassino, contando com um forte esquema de segurança e preparação - seu nível de paranoia é tão grande que ela chegou a perder a guarda da filha quando esta tinha 12 anos. 
   Hoje avó, Laurie tenta se reconectar com filha e neta, enquanto luta contra esses fantasmas que assolam com ainda mais força na véspera do Halloween. Allyson, sua neta, é um pouco mais aberta e, ainda, um pouco curiosa sobre os eventos de 40 anos atrás.
   Por ser uma continuação direta do primeiro Halloween de 1978, fiquei um pouco receosa de ver Halloween nos cinemas. Não me lembro nada do primeiro filme e não consegui rever a tempo da sessão, então imaginei que iria ficar boiando mas, felizmente, não é o que ocorre. Todos as menções aos fatos do primeiro filme são feitos de forma bem superficial ou contextualizada então dá para assistir essa suposta continuação sem ter visto o original, o que é ótimo para atrair toda uma nova geração aos cinemas para conhecer um dos seriais killers mais famosos do cinema. 


    O subgênero slasher já fez muito sucesso algumas décadas atrás e Halloween é tanto uma homenagem a esses filmes em que um serial killer vai matando geral quanto uma reinvenção do gênero. A direção e trilha sonora do filme é muito competente em criar um clima de tensão o filme todo, realmente é possível temer e se angustiar com a aparição do assassino e torcer pelos personagens. As mortes são bem chocantes, a ponto da gente começar a se perguntar como Michael Myers pode ser forte o suficiente para, por exemplo, esmagar um crânio humano com apenas um pisão de suas botas pesadas.
   Ao mesmo tempo, o clichê da mocinha indefesa é um pouco pervertido aqui. Laurie não é mais mocinha e, muito menos, está indefesa. Tanto ela quanto Michael parecem aguardar esse reencontro, a expectativa de finalizar o que foi iniciado vários anos atrás. Há toda uma discussão no subtexto do filme sobre o fato de você lutar com um monstro e acabar se tornando um monstro também, uma afirmação que ressoa particularmente na ultima cena e um pouco na sequência final. Falando em sequência final, é a melhor coisa do filme, eu recomendaria que vocês assistissem o filme somente por ela. 

   Eu gosto muito de terror mais sobrenatural e, nessa categoria, o melhor filme do ano para mim foi Hereditário. Mas slasher é um gênero do terror que eu acho muito divertido também. Claro, dá para sentir medo, ansiedade e tudo mas o slasher tem algo que outros filmes de terror não tem, que é aquela catarse do final e uma diversão inerente em ver outras pessoas serem trucidadas por um serial killer. Como nos melhores filmes do (sub) gênero, a gente não liga muito para a maioria dos personagens, por isso não sentimos tanto quando eles morrem. Além disso, o final é sempre muito simbólico: derrotar o monstro pode ter saído de moda, mas é especialmente legal de assistir quando se trata de um filme slasher. E mais ainda quando é feito por personagens femininas, que tem uma imagem particularmente indefesa nesses filmes. 
   Nesse Halloween, não poderia haver indicação melhor para vocês que o filme homônimo. Assistam Michael Myers em um dos melhores filmes da franquia e estejam preparados para cenas realmente bem feitas e uma história clássica e que vale a pena. 
    Nota 9  - muito bom

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Onde a Luz Cai - Alisson e Owen Pataki


  Revolução francesa, uma época de mudanças sociais e filosóficas que mudariam não só a França mas também o mundo para todo sempre: depois que a plebe depôs seus Reis, nenhuma monarquia em todo mundo parecia segura. Como era época de conflito e profundas mudanças, nem tudo eram flores. Dickens, em Um conto de duas cidades já nos mostrava um pouco dessa nova sociedade: embora tivessem realmente alguma razão para se rebelar, a visão do autor era bem pessimista, alardeando principalmente as milhares de execuções que ocorreram naquele período em todo o país. A guilhotina parecia esfomeada por sangue - ou seria o povo?
   É nesse ambiente excitante e um pouco selvagem que Alisson e Owen Pataki se concentram para narrar a história de três personagens principais. O primeiro é Jean Luc, um advogado idealista que saiu do Sul da França junto com sua esposa Marie para trabalhar na "revolução" em Paris. Ele espera estar em contato com valores morais superiores (Liberdade, Igualdade, Fraternidade) mas, ao contrário, passa o dia fazendo o inventário do espólio que foi confiscado dos nobres.
   O segundo personagem principal é André, um oficial voluntário do exército francês. André se voluntariou a causa da revolução mais por não ter escolha do que por qualquer desejo de realmente ajudar: por ter sangue nobre, era isso ou ir para a guilhotina e encarar o mesmo destino que seu pai. A vida de André no exército parece estar começando a ficar menos tranquila, quando este se encontra e se apaixona por Sophie (a terceira protagonista) - a jovem viúva é sobrinha do general Murat e o homem não vai aceitar o enlace entre ela e Jean Luc de forma nenhuma.
   Ao longo de vários anos da revolução francesa, vamos acompanhando a trajetória desses personagens e suas reações perante os fatos históricos que se sucedem. A fidelidade histórica, porém, não é bem o fato aqui - o livro tem várias liberdades nesse sentido, deixando bem claro que o foco são os personagens, não a revolução francesa.
    A escrita, cheia de diálogos e ações, propícia uma leitura rápida e fluida. Não há muitos momentos de reflexão dos personagens e, mesmo quando há, eles não seriam tão difíceis de serem transportados para a tela caso esse livro fosse, por exemplo, adaptado para filme. A linguagem e algumas das cenas que ocorrem aqui me fizeram pensar nessa comparação entre o livro e uma obra cinematográfica. Um dos momentos que mais me chamou a atenção nesse sentido é justamente o final, quando os autores viram a necessidade de criar um embate direto (e físico) entre mocinhos e bandidos.
    Nada do que eu citei até aqui é necessariamente algo ruim, não fosse o fato de eu estar esperando outra coisa. Ano passado li A rainha branca da Phillipa Gregory e foi uma das melhores leituras daquele ano, um novelão da melhor qualidade, aliando história e a trama dos personagens de forma perfeita e emocionante. Ao contrário de Gregory, os irmãos Pataki preferem uma história mais seca, tanto em pesquisa história quando em motivações de personagens. Já estava tendo certa dificuldade com a história mas, do meio para final, ficou ainda mais complicado continuar. Há um momento chave no livro e, após ele, nada acontece. É como se a história tivesse chegado a um auge e os autores não soubessem o que fazer após isso.
   A solução encontrada para a ausência de propósito foi mandar um personagem para outro continente enquanto o restante continuava em Paris. O problema é que, após páginas e páginas de descrição de viagens e de protagonistas sofrendo na mão da "justiça", o livro termina sem muitos esclarecimentos, como se fosse só "derrotar o vilão" para tudo ser esquecido.      O livro não estava funcionando para mim desde o começo, quando pensei que as opiniões dos personagens sobre a revolução eram elitistas demais - parece que nenhum protagonista ver qualquer coisa de bom nos atos pós revolução, pelo contrário, um ou outro parece ter até mesmo saudade da Monarquia. Eu li Um conto de duas Cidades, que também não via a revolução com bons olhos, mas Dickens ainda conseguiu mostrar ao leitor que parte da revolta do povo tinha sim uma razão de ser. O mesmo não acontece nesse livro.    Me pareceu que os autores passaram muito tempo tentando encaixar pessoas ou lugares na história (hey, e se a gente citar a revolução americana aqui, quando na verdade seria impossível que os franceses sequer ligassem pra ela na época?) e pouco tempo pensando em como essa história desses personagens iria se desenrolar, na complexidade dos desafios que teriam diante de si etc.     
    Mesmo com todos esses poréns, indicaria para os que gostam de romances históricos com linguagem mais veloz, fáceis e rápidos de ler. É o tipo de livro que você pega para esquecer da vida - como eu queria que tivesse funcionado comigo mas não rolou. 
     Nota 7 - livro OK.    

  Livro cedido pela editora para resenha

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Ele está de volta (Review)


    Era um dia comum em Berlim, crianças brincavam no parque. De repente, um clarão: eis que Adolf Hitler aparece caído ali, diante dos olhos de todos. Mas o ano é 2014, não 1945. Algo aconteceu e, sem explicação, o antigo Führer está ali.
    "Ele está de volta" é um filme alemão que começa como uma comédia. Afinal, as ideias de dominação mundial de Hitler soam anacrônicas no mundo atual, certo? As pessoas tiram fotos e fazem piadas, porque não pode ser sério que esse homem realmente se ache Hitler.
    Um jovem cinegrafista, recém demitido, decide fazer uma espécie de documentário e sai com Hitler pela Alemanha, onde o líder nazista conversa com as pessoas e tenta entender seus medos e sentimentos. Após reunir material suficiente, o cinegrafista leva o material para o antigo canal em que trabalhava e Hitler vai para a TV, para participar de um humorístico.
    Eu até dei risada com esse filme mas nada que justifique o título de comédia. Algumas cenas não são muito engraçadas, talvez porque eu não ache esse lance de imitação algo engraçado (seja imitação de qualquer coisa, não necessariamente essa). A duração do filme também não ajuda, são mais ou menos 2h de filme e, sinceramente, chega um momento em que você já não está muito interessado em Hitler fazendo presepada.
    Apesar desses pontos negativos, a última meia hora ou assim é absolutamente interessante, diria até necessária. Você não acredita, mas as pessoas que antes riam de repente percebem que "ei, ele fala umas besteiras mas também fala muita coisa que acontece de verdade". Nisso, os seguidores de Hitler aumentam.
    Acho que não cabe aqui dar spoiler do final mas eu o senti como um soco na cara. Afinal, Hitler não deu exatamente um golpe. Hitler foi "eleito" pelo povo, que não tinha mais fé nos políticos e resolveu tentar algo de diferente. A gente pode até fingir que toda a maldade estava naquele único homem mas toda a população da época tinha aqueles mesmos sentimentos dentro de si.
    Se trouxermos Hitler para a época atual será que seria difícil para ele reconquistar seu império? As pessoas não mudaram tanto assim, na Europa os refugiados são os novos "indesejados" da vez. Não é difícil ouvir discursos absurdos sobre refugiados na Europa nem discursos absurdos sobre outras minorias no Brasil.
    As pessoas ouvem e pensam "ok, ele não está falando sério sobre isso". Ou até mesmo se sentem representadas por comentários xenófobos ou racistas. Quando a ficha cai já é tarde demais e é essa a grande mensagem do filme e o motivo pelo qual eu acho que todo mundo deveria assisti-lo. Ainda mais no momento em que vivemos.
    Nota 8,5 - muito bom, apesar dos poréns que citei na Review. Assistam esse filme - tem na Netflix.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (Review)


   1946, pós Segunda Guerra Mundial, a vida de Juliet não poderia estar em um caminho melhor: depois de ganhar um bom dinheiro publicando um livro através de pseudônimo, ela agora tem o direito de escrever praticamente sobre o que quiser, além de poder escolher um lugar melhor para morar do que a casa de pensão em que atualmente vive e mora. 
   Tudo está bem mas Juliet ainda vive as marcas da guerra e de tudo o que perdeu. Ela não se sente com o direito de ser feliz de novo, e parece que nada a empolga realmente. Um dia, ao receber uma carta da ilha de Guernsey, Juliet se vê interessadíssima numa tal "Sociedade Literária da Torta de Casca de Batata", tanto que vai até a ilha para participar de uma reunião do clube e conhecer o autor da carta, Dawsey.
   Com uma fotografia belíssima e personagens interessantes e uma história que une romance e mistério, "A sociedade literária e a casca de batata" foi uma grata surpresa. Encontrei esse filme por acaso na Netflix e me interessou principalmente pela atriz que faz a personagem principal, Lily James. Como estava ainda na ressaca emocional pós "Mamma Mia - Here We Go Again" coloquei logo na minha lista do Netflix mas foi só recentemente que eu consegui, de fato, assistir.
   Conforme Juliet vai investigando mais a respeito do clube de leitura e de seus fundadores, mais vai ficando interessada naquelas pessoas, principalmente Dawsey. Mas, embora a atração entre os dois seja aparentemente mutua, Juliet está noiva quando vai até Guernsey. E Dawsey tem uma menininha para cuidar, filha da misteriosa Elizabeth, a fundadora do clube, que desapareceu há alguns anos. Enquanto tenta encontrar Elizabeth e saber mais sobre o clube e os fatos dos anos em que a ilha estava invadida por oficiais alemães, Juliet ainda luta contra essa atração que parece não ter muito futuro. 
   O filme não é americano e isso é perceptível em vários aspectos. A quantidade de atores e atrizes ingleses (muitos de Downtown Abbey, inclusive) e o local onde se passam a história já deixam transparecer que se trata de uma produção desse país. Outra coisa que sempre me chama a atenção em produções não-americanas é a duração do filme: pouco mais de duas horas, sendo que a história poderia ser contada com pelo menos meia hora menos. 
   Não me incomodei com esse filme sendo um pouco mais longo, porque dá um cadenciamento para a história, convence mais quem está assistindo que aquele amor entre os personagens não é tão súbito assim. Acho que esse é o tipo de filme para quem está querendo uma história simples e bonita mas bem desenvolvida, que não se atropela nem tem muitas cenas explícitas. 
   Recomendo para os que gostam de romance, claro, mas também para os que tem interesse em histórias que se passam na segunda guerra mundial. Mesmo o período sendo posterior a guerra, há muitos flashbacks sobre esse período. 
   Nota 8 - bom filme. 

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Nova Jaguaruara (Mauro Lopes) é uma Derry da Caatinga |Resenha



Uma cidadezinha no interior do Ceará, Nova Jaguaruara parece ser a típica cidade do interior, daqueles que tem como principal ponto de referência a igreja e a praça principal. No entanto, algo se esconde nas sombras deste lugar, um mal que se revela todos os dias através de um estranho fenômeno: a meia noite, há mais de 100 anos, todas as luzes se apagam por cerca de um minuto, sem qualquer explicação racional para o fato.
Partindo dessa premissa a história de Nova Jaguaruara se desenvolve em três frentes. A primeira delas conta a história de Vicente, um geógrafo que vai até Nova Jaguaruara com sua equipe para avaliar a possibilidade de instalação de equipamentos que captam energia eólica na cidade. A esperança é que essa energia faça com que as constantes quedas terminem mas, assim que Vicente, Rose, Maria, Felipe e André chegam ao local, percebem que essa não é uma missão tão simples. As pessoas estão meio ressabiadas com a presença deles ali – duas delas chegam a aconselhar que eles não cheguem perto de uma igreja abandonada que fica a alguns quilômetros da cidade.
A segunda subtrama conta a história de Bonifácio, uma espécie de homem santo que nasceu nas redondezas de Jaguaruara há alguns anos (o livro não diz quantos, mas deduz-se que sejam mais de cem). Bonifácio tem uma história insólita desde seu nascimento, quando todos relatam terem sentido uma indescritível sensação de bem estar. Conforme cresce, todos vão percebendo que Bonifácio não é uma criança comum, ele tem um dom de lidar com pessoas e animais feridos que logo se mostra como uma verdadeira capacidade de cura, que ele reluta, mas acaba usando para curar as pessoas da região.
Curiosamente, a terceira história não se passa em Nova Jaguaruara mas sim em Fortaleza, onde a infeliz professora Raquel, tem que lidar com o possível caso de maus-tratos de um de seus alunos favoritos. O que essas três histórias tem em comum é algo que só vamos conforme o livro vai transcorrendo – felizmente todas as subtramas são igualmente interessantes, então não fica chato acompanhar.
Vejo Nova Jaguaruara como uma espécie de Derry da Caatinga, uma cidade onde o mal parece se refugiar. Ao contrário de Derry, porém, aqui o mal não cai do céu e nem parece estar em toda parte. Pelo contrário, prefere se isolar em um único ponto, a igrejinha que fica a 20 km de Nova Jaguaruara. É por aquelas bandas que são vistos pela ultima vez os diversos desaparecidos que a cidade possui, pessoas que sumiram sem deixar vestígio e cujos rostos decoram o quadro de aviso da nova capela no interior da cidade. Para saber o que aconteceu e o que significa aquele apagão de luzes todas as noites, deve-se acompanhar a história, que se revela aos pouco.

 “Esses lugares são cercados, isolados, esquecidos. São apagados dos mapas! Podem procurar, nem nos mapas ou em imagens de satélite eles são encontrados. Ninguém entende como ou por que, mas é como se essas entidades tomassem posse de um local, um terreno, uma propriedade (...) Por sorte, as pessoas acreditam menos nessas coisas a cada dia e essa é a única forma de estarem verdadeiramente a salvo”.
Talvez por ser uma história independente, o ebook tem alguns erros, tanto de gramática quanto de digitação. Algumas cenas também são escritas de uma forma meio truncada ou com pontos de vista que não fazem muito sentido (é como se o narrador em terceira pessoa pudesse, de relance, ler o pensamento de um ou outro personagem). Tudo isso desanima um pouco, principalmente no começo, mas a trama é interessante e, por isso, dá para relevar esses detalhes e prosseguir com a leitura.
Li essa história praticamente em um dia, principalmente porque não via a hora de saber o que iria acontecer com os personagens, qual a história da cidade e como tudo estava relacionado. Mauro Lopes criou em Nova Jaguaruara um terror de primeira qualidade, com pontos que pareciam retirados de filmes ou livros da cultura popular mas muitos outros que eram 100% criatividade do autor. Achei a caracterização do lugar tão boa que imaginei os personagens falando com sotaque do Ceará. É sensacional ver um autor de um gênero tão pouco explorado no Brasil quanto o terror, explorando os elementos brasileiros de sua história.
        Meus personagens favoritos são Bonifácio, o homem santo que quer ajudar até mesmo aqueles que não querem ser ajudados, e Raquel, a professora que tem a vida preenchida por junky food e televisão até sentir a necessidade de ajudar um aluno. Raquel tem uma relação distante da mãe e carrega um pouco de mágoa do pai – aos poucos vamos sabendo o porquê. Mas Raquel também tem algo em comum com Nova Jaguaruara, algo que a liga não só ao aluno que quer ajudar mas também a Bonifácio. Essa é, talvez, a personagem que mais de desenvolve na trama, passando de um papel passivo na vida para a ação.

“Você não sabe o quanto é forte, Bonifácio. Não deixe o medo te enfraquecer. É só o que ele faz”
        Por mais que tenha algumas ressalvas quanto a esse livro, fiquei surpreendida com essa história e com a forma como o livro conseguiu me prender. Penso que algumas situações poderiam ser melhor trabalhadas, principalmente a influência que as pessoas da cidade recebem do que quer que haja na igreja ‘assombrada’. Isso teria sido fundamental para entendermos alguns comportamentos durante a história, além de favorecer para que o final ficasse um pouco mais verossímil. Há outros pontos que acho que poderiam ter melhor atenção do autor, principalmente aqueles que estabelecem ligações entre personagens de diferentes núcleos.
        São detalhezinhos como esse que tornam um pouco difícil dar uma nota máxima para Nova Jaguaruara. Acredito que boa parte desses pontos que citei se devem ao fato desse ser o primeiro livro do autor, razão pela qual pretendo acompanhar seus próximos lançamentos – Mauro Lopes é um autor que tem muito a crescer ainda.
        No quesito criatividade e emoção esse livro é nota 10 mas, por detalhezinhos aqui e ali dei nota 8,5 – recomendo demais esse livro, mesmo com essas ressalvas.

P.S.: Nova Jaguaruara ficou em segundo lugar na segunda edição do Prêmio Kindle, descobri depois. Sério, leiam esse livro



5 comédias românticas teen disponíveis na Netflix

Gostou de Para todos os Garotos que já Amei e quer assistir algo parecido? Pensando nisso, reuni uma lista de filmes na mesma pegada teen disponíveis na Netflix. Vem comigo!

5. Gatinhas e Gatões

Sabe o filme que Lara Jean cita em Para todos os garotos que já amei? Então, ele está disponível na Netflix! Sam é uma menina bem tímida que tem um crush em Jake Ryan, o popular da escola que parece não saber que ela existe. Isso tudo muda quando Jake pega, sem querer, um bilhete que Sam enviou para uma amiga. Ao mesmo tempo, Sam também tem que lidar com o fato de que toda sua família simplesmente se esqueceu do seu aniversário. Esse filme é um daqueles cuja história se passa em um único dia, então não espere muito desenvolvimento de personagens. Mesmo assim é uma ótima pedida, um clássico de John Hughes (diretor desse filme e de vários outros como Clube dos Cinco, também disponível na Netflix).

4. Ela é demais

Zach é um daqueles garotos populares da escola que acha que consegue tudo o que quer. Quando sua namorada o troca por uma estrela de reality show, ele faz uma aposta inusitada com os amigos: nas seis semanas que restam até o baile ele será capaz de transformar qualquer garota em rainha do evento. A escolhida é a nerd e excluída Laney, que mal sabe o que a espera. Esse filme é um clássico para quem foi adolescente na década de 90 e vale muito a pena.

3.  The Duff

Bianca é uma estudante nerd do ensino médio que tem duas amigas lindas. Ela não vê nada demais nisso... Até Wesley (seu vizinho e ex melhor amigo) dizer que ela é a DUFF de suas amigas (designated ugly fat friend). Bianca simplesmente pira com essa informação e faz com que Wesley a ajude a não ser mais uma DUFF, em troca de ajudá-lo a passar em química. The DUFF não chega a ser inesquecível mas é divertido e tem um casal que é muito fofo junto.

2. Alex Strangelove

Alex tem a namorada perfeita mas, por algum motivo, não sente vontade de levar a relação para o próximo passo (sexo). Quando conhece Elliot, ele descobre o porquê. Okay, isso não é exatamente uma comédia romântica, é mais um daqueles filmes de descoberta. Mas não poderia deixar de colocar um filme LGBT nessa lista e, na falta de Love, Simon, será esse. Alex está passando por essa fase complicada de auto descoberta então nem sempre ele é muito legal com Elliot ou com as pessoas a sua volta - mas a gente torce por ele mesmo assim, o que é sempre um ponto importante nesse tipo de filme. Além disso ele e Elliot tem química e formam um casal bem legal. Então assistam o/

1. 10 coisas que eu odeio em você

Bianca só pode sair num encontro quando sua irmã, Kat, o fizer. O problema é que Kat odeia garotos e não quer saber de namorar. Joey está interessado em Bianca então o que ele faz? Exatamente, paga um bad boy da escola para sair com Kat e, com isso, ser autorizado a sair com Bianca. Além de ser uma releitura de "A megera domada", esse filme é também mostra Heath Ledger em seu melhor  papel (Dark night who?). Sério, você não sabe o que é romance até ver Patrick (Leadger) cantando Can't take my eyes off you para Kat no meio de toda a escola. Como deu para ver, é meu filme favorito do gênero e (sim!) está na Netflix. Então não percam essa oportunidade.

BÔNUS (não tem na Netflix, mas...) A MENTIRA

Eu não entendo até hoje como esse filme não virou um clássico da sua geração, tipo um "Meninas Malvadas" (que, aliás, também é ótimo e também saiu Netflix). Emma Stone é Olive, uma adolescente que resolve mentir sobre ter um namorado fora da escola mas que vê sua mentira saindo do controle. Além de cenas bem divertidas, o filme também dialoga com "A letra Escarlate" de Nathaniel Hawthorne, ao analisar a forma como (em nossa sociedade) reputação é tudo.