Filme: Would You Rather (Resenha / Review)

1
COMMENT

    Até onde você iria para salvar a vida de quem ama?
    Iris, é uma jovem que deixou a vida em compasso de espera para cuidar do irmão, que está com câncer. Dia após dia ela é obrigada a ver o seu, outrora feliz irmão mais novo, definhar devido a doença que parece apenas piorar, e passa a conviver com a ideia de uma morte iminente. 
     Nesse momento desesperador, o médico de seu irmão a apresenta a um magnata poderoso que afirma ter o poder de salvar a vida de seu irmão. Mas nem tudo é tão simples: Para conseguir os recursos que esse ricaço está disposto a oferecer, Iris deve participar de um jogo que ocorre durante um jantar oferecido por esse magnata. Se ela ganhar o jogo, ganha o dinheiro (e recursos) para salvar o irmão. E se perder?
      É ai que começa o filme, nesse jantar. Se, no inicio, os jogos são razoavelmente simples (Iris é vegetariana e lhe oferecem dinheiro para comer carne), com o decorrer da noite ela percebe que o "jogo" é muito mais complicado (e sádico) do que parece. Através de muito sangue, suspense e cenas 'fortes'* podemos perceber que, mesmo a motivação mais nobre, também pode levar a atitudes horríveis e reprováveis. 
        Would You Rather é um filme de 2012 não foi lançado no Brasil, portanto, não possui título em português. Em uma tradução livre seria algo como "Você preferiria", uma referência ao tipo de jogo que é feito durante o filme - o milionário dá duas opções (Você prefere fazer x ou y?) e a pessoa tem que escolher uma delas e fazer para passar a próxima fase. Claro, todas as opções são horríveis e é interessante que, em determinado ponto do filme a gente começa a se colocar no lugar dos personagens - me vi pensando coisas do tipo "nossa, eu teria escolhido isso" ou "eu nunca conseguiria fazer nenhuma dessas coisas". 
       Embora não chegue aos pés (no quesito sangue e produção) de um 'Jogos Mortais' é um filme bem feito e divertido de assistir. A trama é boa e, mesmo sem querer, acaba gerando uma reflexão sobre a ética das pessoas e sobre a natureza humana em geral. É muito fácil dizermos que somos boas pessoas mas e quando forçadas a sermos maus, será que manteríamos esse comportamento? 
       O final é um tapa na cara daqueles que acreditam que "os fins justificam os meios", daqueles que te deixam, mesmo após poucos minutos, pensando no que aconteceu. Porém não assista esperando nada cabeça ou personagens interessantes - todos, até mesmo a mocinha não passam de um amontoado de esteriótipos. É um filme de terror/horror que busca despertar esse tipo de sentimento nos seus telespectadores e, dentro das possibilidades de um filme de baixo orçamento, se sai muito bem
Sim, é a Sasha Grey. Não, eu não percebi isso durante o filme.
        Recomendo Would you rather para quem gosta desse tipo de filme e tema (sangue, angústia, sadismo). Não chega a ser uma obra prima do gênero mas consegue se sair melhor do que muitos de seus "primos" de alto orçamento, tanto na trama quanto na execução. Nota 7- um filme razoável. 
     
* Coloquei um aspas em 'fortes' por que, na verdade, não há nada muito explicito como num 'Jogos Mortais' da vida por exemplo (até por que não há verba pra isso). Porém a sugestão da maldade é angustiante sim, e pode chocar os mais despreparados.  

||TRAILER||

|FILME| Como treinar seu dragão 2 (Resenha / Review)

1
COMMENT

     Cinco anos se passaram desde que os habitantes do vilarejo viking Berk passaram de caçadores de Dragão para treinadores (e amigos) desses animais. Soluço, o grande catalizador dessa mudança, agora tem 20 anos, já um adulto. Seu pai, o Líder da aldeia, quer que Soluço tome seu lugar mas o jovem ainda dúvida de sua capacidade de assumir o lugar do pai. Soluço prefere voar por ai com Banguela, seu dragão, e mapear todas as ilhas e lugares ao redor da aldeia. 
         Numa dessas andanças o jovem encontra sua mãe, que acreditava ter morrido quando era um bebê. Valka, a mãe de Soluço, na verdade passou a morar junto aos dragões em uma gruta secreta e, durante todos esses anos, não retornou para casa por acreditar que Berk nunca mudaria sua posição de "caçar" os dragões, os quais ela defende como uma mãe. 
           Comparado a Como treinar seu dragão o segundo filme da animação tem muito mais cenas de ação e aventura. O enredo, embora no início pareça um tanto incerto, do meio para o final toma contornos dramáticos, quase dramáticos demais para uma animação que, ao menos em teoria, é voltada para crianças. 
      Soluço se vê, da pior forma possível, confrontado a reafirmar tudo o que sempre defendeu, o fato dos dragões serem bons animais, apenas incompreendidos. As cenas em que o personagem encara esse dilema são emocionantes e de partir o coração. A única coisa que me impediu de chorar copiosamente no cinema foi o fato de uma parte de mim não acreditar que aquilo estava mesmo ocorrendo e ficar esperando que algo mudasse no ultimo minuto (spoiler: não muda). 
            No entanto, embora tenha esses momentos de emoção, o filme é em sua maioria muito divertido, parte dessa graça advinda dos personagens secundários. Os amigos de Soluço continuam divertidíssimos e prontos para ajudar nas aventuras no personagem. Já Valka, a mãe, acaba se tornando uma espécie de conselheira de soluço, embora no inicio eu (confesso) tenha achado que ela fosse um pouco maluca. 
          O vilão da vez é Drago (imagem acima), que quer formar um exercito de dragões para dominar todo mundo viking. Será que Soluço, Banguela e seus amigos conseguirão deter o vilão dessa vez?
       Falando em Banguela, o dragão de soluço, como não amá-lo? Sério, quero um Banguela pra mim. O dragão continua com seu ar de animal de estimação porém dessa vez mais "adulto", assim como Soluço. Aliás, informação inútil porém interessante: No filme descobre-se que Soluço e Banguela tem a mesma idade. Isso, aliado ao fato de que ambos tem um tipo de deficiência (Soluço não tem um pé e Banguela não tem parte da 'asa') faz com que esses amigos sejam extremamente parecidos um com o outro e muito unidos.
      Talvez a principal mensagem do filme seja que, assim como todos os animais de estimação, os dragões também são influenciados por seus donos. E que não se nasce líder mas sim, torna-se um. 

             Nota 8 - um bom filme

p.s.: Animação da DreamWorks, portanto, não espere nenhum "padrão Disney" aqui. 

|TRAILER| 

               

FILME: Malévola (Resenha / Review)

3
COMMENTS

          Quando saíram as primeiras imagens de Malévola, logo imaginei que seria algo como “Mirror, Mirror” de Julia Roberts, com a Bruxa como a personagem principal e de maior força. Imaginei algo tão infantil quanto, só que agora voltado para o conto da ‘Bela Adormecida’.
          Foi quando vi o trailer de Malévola no cinema (no dia em que fui assistir X-Men) é que passei a ter certo interesse no filme. Seria uma versão mais adulta e cheia de ação do clássico, tal como ‘João e Maria – Caçadores de Bruxas’? Eu não tinha muita certeza mas decidi pagar para ver.
          O resultado é que Malévola está entre um extremo e outro, entre o adulto e o infantil. Porém, ao contrário dos filmes citados acima, consegue atingir uma profundidade que seus antecessores não puderam alcançar.
          Tudo começa com Malévola ainda pequena, uma fada protegendo um reino encantado. A aparência da menina – chifres e asas – mais a faz parecer um demônio mas Malévola é amiga de todos e uma criança feliz e bondosa. Quando descobre que um humano, chamado Stefan, está tentando roubar o reino encantado, parte em sua captura mas o deixa livre quando descobre que era apenas um menino.
          Daí surge uma amizade que perdura por vários anos e que está diretamente relacionada aos eventos do conto A Bela Adormecida. Para quem não se lembra na história a “Bruxa” amaldiçoa a princesa Aurora no dia do seu batizado: Quando completasse 16 anos, espetaria o dedo numa roca e morreria. Porém, com o rei do mundo dos humanos implorando de joelhos, Malévola fez uma pequena alteração em sua maldição: Somente um beijo de amor verdadeiro poderia acordar a princesa Aurora de seu sono eterno.
          Não se enganem, embora seja a protagonista da história, Malévola faz tudo isso no também no filme – mas, embora o seu ódio seja original, há uma série de outras circunstâncias que o filme explora de forma que, ao longo da história, vemos essa personagem passar de heroína a vilã devido unicamente as essas circunstâncias.
          No inicio, é muito fácil se simpatizar com Malévola. A personagem simples e sem malícia que ela foi na infância, poderia passar por qualquer outra antiga princesa da Disney e, conforme a história se desenvolve, nos apiedamos de seus destino e compartilhamos seus sentimentos de vingança. Grande parte dessa facilidade se deve não ao roteiro, mas a brilhante atuação de Angelina Jolie que faz uma Malévola impecável e mostra que, embora não seja algo visto em seus filmes recentes, ainda é a mesma atriz que ganhou um Oscar muito tempo atrás.
          Conforme o filme avança vemos uma personagem disposta a aproveitar e desfrutar as consequências de suas ações, mas não totalmente imune a bondade como ela gosta de pensar sobre si. Não darei spoilers mas direi apenas que o ponto alto do filme é ver Malévola finalmente percebendo a consequência dos seus atos e tentando remediá-los – embora seja tarde demais.
          Não se enganem, há muitos alívios cômicos e momentos infantis nesse filme, a maioria deles vindos de personagens encantados que contracenam diretamente com Malévola, o tempo inteiro. Mas, mesmo que uma criança assista e ache fofinhas as fadas, os corvos falantes e as criaturas mágicas, é impossível para os adultos assistir e não perceber a verdadeira historia por trás por todos os efeitos especiais.
          Talvez você possa me dizer que o roteiro e direção não são grande coisa, que o elenco (com exceção de Angelina) é todo limitado e que a dublagem (embora não terrível) diminui a qualidade do trabalho de atuação da atriz. Eu concordo em todos esses pontos, principalmente no ultimo, mas, como vocês já devem ter percebido em posts anteriores meus, eu dou imenso valor a construção de personagens complexos e interessantes ao avaliar uma história. É por isso que histórias excelentes com personagens fracos podem ser avaliadas de pior forma que histórias medianas com personagens excelentes, pelo menos no Blog Miss Carbono.
          E é por isso que Malévola se tornou para mim um filme tão querido e interessante e por isso que estou gostei tanto dos últimos filmes da Disney que vi, Frozen e Malévola. Nesses filmes, os personagens principais não são perfeitos e cometem atos que, anteriormente, poderiam tê-los categorizado como vilões. E o final que, em ambos os filmes, foge do clichê “príncipe-encontra-princesa” passando valores muito mais profundos e verdadeiros faz com que eu queira assistir a muitos outros filmes dessa produtora.
          Confesso que derramei algumas lágrimas assistindo Malévola e que sai do cinema novamente encantada e fascinada por esse conto infantil, que li tantas vezes em minha infância. Isso pode desqualificar a minha review de alguma forma? Vocês é que decidem.
          Nota 8,5 – um filme muito bom, mas tiro meio ponto pela dublagem – se tivesse assistido legendado teria sido ainda melhor.