|FILME| Como eu era antes de você (Resenha/Review)

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   Louise Clark ama seu emprego: trabalha na mesma cafeteria há seis anos, em sua cidade natal. Um dia tudo mundo, Louise é mandada embora e entregue a um mercado de trabalho hostil, onde sua falta de qualificação e experiência são obstáculos que a impedem de se reempregar.
   A primeira surpresa da adaptação do livro "Como eu era antes de você" para as telonas foi descobrir que a autora, Jojo Moyes, também assina o roteiro. Não conheço nada sobre a biografia da autora ou sobre suas qualificações mas me surpreendeu essa confiança em adaptar sua própria história para uma mídia diferente, e seu sucesso.  No roteiro Jojo priorizou o principal, abandonando uma série de subplots que o livro possui e que não caberia ou não funcionaria no filme.
   Porém, ao mesmo tempo que retirou várias coisas da história, a autora/roteirista manteve o principal: a história de Lou e Will é retratada aqui da mesma forma sutil e gradual que nos livros. Uma das cenas que mais gostei do filme é aquela em que Lou barbeia Will pois ela mostra o momento exato em que a personagem feminina deixou de enxergar em Will um paciente para enxergar o homem.
   Além de toda trama básico da garota que se apaixona pelo paciente tetraplegico e das discussões sobre a liberdade do indivíduo em escolher seu destino, o filme (assim como o livro) fala sobre aproveitar a vida ao máximo enquanto podemos.
   Lou, aos 26, parece ter a vida toda pela frente mas vive de maneira enfadonha. Will, aos 31, acha que não tem mais pra onde ir, que sua condição é um ponto final para sua vida. Os dois acabam acrescentando algo para a vida do outro e se apaixonando no meio do caminho.
Gostei muito da condução do filme mas achei que, para quem leu o livro, os acontecimentos acabam ficando um pouco repetitivos já que essa adaptação não tem nada de diferente do original.  Mesmo assim, a trilha sonora e paisagens belíssimas, assim como a atuação de Sam Caflin como Will, são pontos positivos da trama.
   O maior ponto negativo, além da minha pequena reclamação sobre a falta de surpresas do roteiro, foi a atuação de Emília Clarke que não só é ruim, é péssima. Por mais que se esforce a atriz não consegue demonstrar em seu rosto a gama de emoções que lhe são exigidas nesse filme. É nítido que o problema foi visto pela equipe do filme; são poucos os closes no rosto de Emília, alterados rapidamente pelo rosto de Sam Caflin, por uma imagem mais distanciada, para algum outro personagem. A atriz de Game Of Thrones ainda tem muito o que evoluir em matéria de atuação, sem dúvidas.
   Mas, no geral, o filme é bem ok. Não ficou melhor que o livro mas foi bem adaptado e, principalmente, proporcionou aquilo que esperamos de filmes como esse: suspiro e lágrimas.
   Nota 7 - um filme razoável.

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|FILME| Invocação do Mal 2 (Resenha / Review)

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   Nesse sequência de Invocação do Mal, o casal Ed e Lorraine Warren agora famosos em todo os Estados Unidos, tem que ajudar uma família londrina a lidar com uma assombração em sua casa.
   Apesar do número 2 sugerir uma continuação de algum tipo, nesse filme apenas os dois personagens principais se mantém, sendo toda a situação que os cerca, personagens e locais, distintos. O caso investigado aqui é o Poltergeist de Enfield ou, como os tablóides chamavam, "Amityville londrina". O nome foi devido ao caso ter surgido em Londres na mesma época que Amityville nos Estados Unidos (Se você não sabe do que eu estou falando clique aqui). A esse respeito, gostei muito dos primeiros enquadramentos da casa em que a família Hodgson vive, eles remetem as adaptações cinematográficas inspiradas na história americana e soam tanto como uma referência ao ocorrido como a esses filmes que surgiram depois. 
   Ed e Lorraine vão, a pedido da Igreja Católica, conhecer uma família que tem uma das filhas aparentemente atormentada por um fantasma. No começo esse fantasma, de um senhor de setenta e poucos anos que morou na casa, faz coisas inofensivas como mudar o canal da televisão. Porém a coisa vai aumentando e crescendo de tamanho e é aí que nosso casal chega em cena. 
   Um filme de terror dirigido por James Wan: como isso poderia dar errado? O começo pareceu bem promissor: a ambientação maravilhosa da década de 60/70, a trilha sonora sutil e arrepiante, o suspense dos primeiros momentos quando o expectador tenta entender tudo o que está acontecendo em tela - e falha... Nesses primeiros minutos cheguei a gritar em voz alta no cinema e já me preparava para um dos filmes mais assustadores da vida. 
   Mas o restante do filme não foi bem o que eu esperava. Ainda estou tentando entender o que deu errado em Invocação do Mal 2 porque, se formos analisar só a trama principal (com plot twist e tudo) este deveria ser um filme no mínimo nota 9. Sério, a reviravolta e os acontecidos, de um modo geral, são impressionantes e há uma série de cenas que tem tudo para se tornarem icônicas para o gênero, tamanho o impacto visual - a cena das cruzes no quarto é uma delas. 
   Tudo parece muito bom quando colocado no papel mas o todo, apesar de pontos memoráveis, foi bem decepcionante. Acho que, por ser o terceiro filme de uma franquia de sucesso (estou contando o spin-off Annabelle),  Invocação do Mal 2 veio com muitas pressões internas para ser um sucesso tão estrondoso quanto seus antecessores. Consigo imaginar facilmente os produtores liberando uma quantia a mais de dinheiro e dizendo que querem mais sustos, mais grito, mais impacto. "Queremos que você mostre mais, toma aqui o dinheiro",  ou algo assim. 
   O resultado é esse monstrengo de quase 2h13 de duração. Sério, será que estão achando que filmes de terror é Senhor dos Anéis ou alguma outra epopeia de sucesso? Se em filmes como Guerra Civil ou X-Men uma duração maior de tela significa mais cenas de ação e fanservice, em filmes de terror isso significa mais sustos e exposição da figura central, aquela que "assombra" a casa, a família etc. Pode parecer uma boa ideia na teoria, mas não é: se as pessoas não têm problemas em ficar mais de  duas horas vendo o Capitão América fazer piadinhas e tentar salvar seu amigo Buck, o mesmo não acontece em terror do naipe de Invocação do Mal 2. Não dá para manter o expectador com medo por tanto tempo e fica ainda pior quando o diretor/roteirista tenta conseguir isso com mais sustos e exposição do mal (no caso, do velho que assombra a casa). 
   As cenas foram se tornando repetitivas e enfadonhas, até o ponto que eu me perguntei se estava assistindo a um filme de terror ou um documentário sobre a "Amityville de Londres". O twist do final deu um novo gás para a história (eu realmente amei essa cena) mas o ritmo voltou a cair depois. Quando os roteiristas tem que apelar para um flashback no meio da cena final afim de lembrar um momento chave para o expectador é quando você começa a ter dúvidas da eficácia de uma história de terror tão grande
   O final, apesar de conseguir causar todas as emoções certas, não conseguiu salvar todo um filme meio irregular. James Wan continua sendo um dos meus diretores do gênero favoritos mas não posso deixar de pensar o quão bem faria uma edição mais afiada e um pouquinho de bom senso
   Com 30 minutos a menos e menos aparições de velhos, freiras e monstros de caixa de música (este último, aliás, uma das coisas mais ridículas que já vi num filme de terror de médio e grande porte) Invocação do Mal 2 teria sido um filme inesquecível. Do jeito que está, a única coisa que não consigo esquecer é que passei mais de duas horas no cinema assistindo a um filme que tinha tudo para ser incrível mas não foi
   Nota 8 - o filme é bom mas tem tantos problemas que não sei se conseguiria assistir de novo. 

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|FILME| Alice através do Espelho (Resenha / Review)

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                Três anos se passaram desde que Alice esteve na Inglaterra e no País das Maravilhas. Agora capita de navio, Alice desembarca em Londres pela primeira vez depois de tanto tempo para convencer seu sócio de negócios a expandir a participação da empresa na China. No entanto, tudo está diferente de quando Alice se foi - o tempo não foi bom para os negócios. Durante uma festa, Alice acaba sendo atraída pela (agora) borboleta Absalen para um espelho e atravessando-o retorna ao País das Maravilhas, onde o tempo também deixou algumas mudanças importantes em seu amigo Chapeleiro.
                Vi o trailer desse filme inúmeras vezes e, apesar de não esperar muito da trama, estava interessada em assistir por aparentemente ser um filme em que Alice viaja no tempo. Gosto do tema e, apesar de ser constantemente decepcionada por produções do tipo (é muito difícil fazer uma história coerente sobre viagem no tempo) nunca deixo de ter aquela antecipação em assistir algo do tipo.
                Temos aqui uma Alice mais velha e com mais responsabilidades, confrontada com um mundo real onde o impossível é realmente impossível. Não tenho os livro como base, nunca os li, mas gosto desses paralelos entre o mundo real e o mundo fantástico que ela embarca durante a trama e, principalmente, do questionamento sobre a realidade de tudo o que está acontecendo. Alice realmente viajou através do espelho? Ou está apenas tendo uma crise epiléptica e encontrando, em meio as suas alucinações, a solução para seus problemas "da vida real"? No País das Maravilhas, Alice tem que salvar o chapeleiro de sua própria loucura, no mundo real tem de salvar seu navio... Em ambos os mundos Alice vê o tempo como seu principal inimigo, pois foi o tempo que, de forma inclemente, fez com que essas situações viessem a ocorrer.

                Alice resolve então se encontrar pessoalmente com esse seu rival, o Tempo em pessoa. Ela quer convencê-lo a lhe dar um objeto mágico que a possibilitaria viajar a alguns anos no passado e salvar a família do chapeleiro. Mas será possível? Gostei da maioria das coisas que vi nessa abordagem fantástica da viagem no tempo. No entanto, do meio para o final as coisas se tornaram um pouco confusas, talvez por serem as cenas em que a "Rainha Vermelha" tem mais destaque.
                Como eu disse, eu não li os livros, mas, assistindo ao filme, tive minhas dúvidas a respeito da necessidade de trazes a personagem de Helena Bonham Carter novamente para a trama. A Rainha Vermelha fez muito sucesso no primeiro filme, ok, mas, com algumas adaptações, o papel desempenhado pela personagem poderia ter sido desempenhado facilmente pelo chapeleiro, cada vez mais maluco.
Cortem essa personagem!

                Dessa forma  teríamos uma história muito mais impactante e coerente. Faz muito sentido um arco de redenção para um personagem essencialmente bom como o Chapeleiro do que para um personagem maléfica e assassina até o último momento como a Rainha Vermelha. Vi um desfecho caricato e difícil de acreditar para uma vilã que mostrava a todo momento sua crueldade e falta de compaixão.
                Mas - fazer o que? - temos que ter em mente de que se trata de um filme, essencialmente infantil. E produzido pela Disney, ainda por cima. Não dá para cobrar muito dos personagens numa trama assim, mas posso garantir que "Alice através do Espelho" compensa isso com boas risadas, cenas emocionantes e um final daqueles que te fazem debulhar em lágrimas e pensar na vida. Nós culpamos o tempo por nos tirar minutos preciosos e implacavelmente mas o que fazemos com os minutos que nos são dados? O Tempo, na verdade, não é bom ou mal, nós e o que utilizamos de forma boa ou má (falando em tempo, Sasha Baron Cohen está arrasando no papel).
                Será esse o fim das aventuras de Alice no cinema? O filme e a lógica (só existem dois livros) nos dão a entender que sim mas quem sabe o que se passa na cabeça dos produtores? Indico esse filme para os que querem fantasia e entretenimento e diversão para todas as idades.
Nota 8 -- bom.

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