|FILME| Sniper Americano (Resenha / Review) #Oscar2015

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    Chris Kyle é apenas um cowboy texano tipico, vivendo de rodeio em rodeio. É quando ocorre um atentado a uma embaixada americana e Chris e seu irmão veem isso na tv que sua vida muda: Chris se alista ao exercito e entra para os SEALs uma divisão da elite norte-americana.
     Ao mesmo tempo em que faz seu treinamento para se tornar um sniper (aqueles atiradores que ficam em um canto escondidos, fazendo a proteção dos soldados) Chris também conhece e se relaciona com Taya, que no começo parece não confiar muito em militares (pela fama de galinhas etc.) mas que pouco a pouco acaba se apaixonando pelo soldado. Juntos eles vêem quando as torres gêmeas são atingidas pelos aviões e, no dia em que se casam, Kyle descobre que vai servir no Afeganistão (ou Iraque?)
      O filme é baseado em uma história real. Chris Kyle é o soldado que mais matou na história do exército americano - mais de 150 pessoas - e é considerado um herói americano. Seu nome esteve recentemente associado a um julgamento, por isso, se você vê as noticias policiais você provavelmente acabou pegando um "spoiler" do filme. Eu particularmente peguei esse 'spoiler' na entrada do cinema e nem me importei muito, mas não vou citar aqui, fiquem tranquilos. 
      Assisti esse filme depois da premiação do Oscar, quando já sabia que, das 6 indicações ao Oscar, Sniper só levou 'melhor edição de som'. Esperava uma história polêmica por já conhecer o 'feito' do personagem e ter lido uma crítica que chamava Chris de 'assassino' impiedoso e o filme de uma propaganda pró-guerra. Logo, esperava ter alguns desses sentimentos durante o filme mas, embora as atitudes de Kyle sejam bem polêmicas, não tive esse sentimento.
     Desde a primeira cena, em que Chris tem que decidir se atira ou não em mãe e filho iraquianos, que estão segurando uma bomba em direção a seus colegas - e acaba atirando - somos levados ao passado e a história desse atirador, como e o que fez com que ele chegasse até aquele momento. A missa com os pais, o discurso do pai (super conservador) de que existem ovelhas, lobos e cães de caça no mundo - ovelhas são caçadas, lobos caçam e cães de caça protegem as ovelhas - e que de que não ia aceitar ovelhas ou lobos em sua casa, percebemos de onde Kyle tirou seu impulso de proteger e ajudar os outros. 
       Grande parte do filme se passa nesses anos em que o personagem do titulo lutou na guerra então é bom se preparar para cenas tensas e fortes, capaz de incomodar os mais sensíveis. Mas, ao mesmo tempo em que mostra Chris Kyle fazendo coisas altamente reprováveis - como matar aquela mãe e o filho - também mostra seus motivos e esses motivos, proteger os seus companheiros, me parece altamente justificável num contexto de guerra. Claro que na guerra não seria tão fácil ter certeza de que o inimigo porta mesmo uma granada ou se é só um exemplar do Corão, mas o filme não trabalha muito com essa dúvida - Kyle até chega a pedir a confirmação pelo rádio mas depois de ouvir a recusa em confirmar (ou não) o que estava vendo, percebe que tem de agir sozinho
       Sniper Americano é um filme altamente patriótico, mesmo para quem não é americano. Fala sobre o dever, sobre lutar pelo seu país e pelos seus amigos e sobre fazer a coisa certa - mesmo que isso acabe te destruindo por dentro. O Kyle que volta do Iraque não é o mesmo mas nem por isso deixa de pensar em voltar, mesmo que isso signifique não acompanhar o crescimento dos filhos. Esse conflito entre família x dever atinge o auge na quarta rotação de Kyle e tem seu ápice numa das melhores cenas do filme - tanto pela carga dramática quanto pelo nível de tensão e ação. A 'cena da tempestade de areia' é incrível e deixa o expectador angustiado e apreensivo, torcendo para que tudo dê certo e, ao mesmo tempo, temendo que Kyle não vai conseguir daquela vez. 
         O final, pelo contrário, é uma nota simples e melancólica. Com cenas reais e aquela música de partir o coração, confesso que lágrimas caíram quase sem que eu percebesse. Acho que foi o filme que mais me emocionou, de todos os do Oscar que assisti, uma história real de um patriota que foi reconhecido pelos seus da mesma forma. A parte mais irônica do filme é que Kyle foi para o Iraque lutar contra um inimigo externo mas não se atentou que existem inimigos em toda parte.
           Ok, estou quase soltando um spoiler, vou parar por aqui. Recomendo para os que gostam de filmes sobre heróis e sobre guerras - para aqueles que não se importam de ver sangue e violência, desde que dentro de um contexto mais importante. 
             Nota 9 - um filme muito bom



P.S.: Se você for um policial, ou conhecer algum militar, por favor indique esse filme. 
P.S.2: Ainda querendo entender por que Clint Eastwood preferiu usar uma boneca para representar a filha de Kyle quado bebê. 



|FILME| O grande Hotel Budapeste (Resenha / Review) #Oscar2015

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     Um jovem escritor, sofrendo de um mal não explicado, viaja para um outrora glamouroso hotel com o objetivo de se recuperar. Ele vive durante algum tempo no Hotel Budapeste e, um pelo dia, enquanto conversa com um funcionário, percebe um homem de aparência triste sentado ali, olhando para o nada. Após ser perguntado o funcionário explica que se trata do sr. Moustafa, que já havia sido o homem mais rico do país mas que agora possuía apenas o hotel. Uma vez por ano ele ia até lá e ficava hospedado no menor quarto.
     O escritor fica intrigado sobre a história desse senhor e, por coincidência, no dia seguinte consegue conversar com ele, que parece disposto a contar sua história, como conseguiu adquirir tal hotel. 
     A história contata pelo o senhor Moustafa ao escritor é também a história do Hotel Budapeste. Somos levados a cerca de 30 anos atrás quando o sr. Moustafa era apenas um carregador no Hotel que agora é dono. Como jovem imigrante com visto trabalho, Zero não tinha experiência, família ou estudo (daí o nome Zero) mas, mesmo asism, é contratado pelo M. Gustave, gerente do hotel, que lhe ensina tudo sobre a função.
       M. Gustave parece estar nos seus 40 anos mas se relaciona com as senhoras (60, 70, 80 anos) que se hospedam no hotel.  Uma delas, Madame D., parece muito ansiosa antes de dar o check out mas Gustave a tranquiliza e a manda para casa. Alguns dias depois vem a surpresa: Madame M. foi encontrada morta em sua casa. Gustave então pede que Zero o acompanhe até a mansão da falecida para "dar seu último adeus" - na verdade o interesse parece ser a leitura do testamento. A partir daí a dupla se envolve em várias situações e mal entendidos que envolvem um quadro, uma fuga e até mesmo uma herança. 

   Provavelmente esse será o ultimo filme que assisto antes do Oscar (vou tentar ver Sniper Americano mas o áudio e imagens não estão tão bons) e parece que deixei os dois melhores para o final. Depois de me arrepiar com Whiplash me vi encantada com O Grande Hotel Budapeste. Contada de maneira charmosa, e ironicamente divertida, uma trama aparentemente simples como a apresentada acima, se mostra um filme acima da média. Junte isso a fotografia, figurino, trilha sonora e (principalmente) elenco impecável e temos um filme inesquecível.  
       Ralph Fiennes faz um M. Gustave cheio de contrastes, um pilantra de bom coração, um homem acima de tudo muito bem educado e culto, que gosta de poesia mas que se relaciona com senhoras endinheiradas. Ele não estar entre os indicados ao Oscar com esse personagem, um mau caráter divertido do qual a gente se acaba afeiçoando, é uma vergonha. Prova que essa premiação é muito política as vezes. No elenco ainda chama a atenção Tony Revolori como Zero, Tilda Swinton como madame D., Bill Murray como M. Ivan, Adrian Brody como Dmitry, Jude Law como o jovem escritor e, principalmente Edward Norton como o atrapalhado inspetor Henckels. Ver um elenco desses, com uma atuação bem diferente dos seus papéis de hábito e não ver nenhum desses nomes na lista de indicados é decepcionante. Pelo menos Edward Norton foi lembrado por Birdman.

        Eu ri e me diverti com o filme, que tem um charme das histórias antigas (me lembrou um pouco Hugo Cabret nesse sentido). Embora seja inspirada na obra de um escritor real, a história toda de Grande Hotel Budapeste se passa em um universo fictício mas ao mesmo tempo bem real - a guerra que se aproxima, lembra muito a segunda guerra mundial, principalmente pelas insignias do exercito invasor.  
      O final é doce e feliz mas com um toque melancólico como sabemos na narração do sr. Moustafa. No entanto, as lágrimas que derramei (as primeiras numa lista de filmes que só tem dramas como a do Oscar) foram tristes mas não desesperadoras, pois, mais do que o final não muito alegre, foi muito bom ver uma história tão singela, de forma tão única na tela. 
       Nota 9 - muito bom.  


O Grande Hotel Budapeste concorre ao Oscar nas categorias: melhor filme, melhor fotografia, melhor direção, melhor edição, melhor trilha sonora, melhor produção de arte, melhor figurino, melhor maquiagem e melhor roteiro original.

|FILME| Whiplash - Em busca da perfeição (Resenha / Review) #Oscar2015

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               Andrew é um jovem de música em seu primeiro semestre em Shaffer, uma das mais conceituadas escolas de música dos Estados Unidos, sonhando em ser um baterista de Jazz. Quando é convidado pelo maestro Terence Fletcher para participar da orquestra de Jazz do conservatório, Andrew sente que está mais perto de seu sonho. Ao mesmo tempo, cria coragem para convidar a garota que ele gosta para sair e ela aceita.
                    Whiplash - Em busca da perfeição (chamarei somente de Whiplash até o final da review) é o quarto filme indicado que assisto e resenho aqui no blog e é, sem dúvida, o melhor que vi até agora. Depois de Birdman eu já estava me perguntando se nenhum dos indicados iria me empolgar de verdade. Eu gostei de alguns deles e outros me fizeram pensar mas faltava aquele filme que me fizesse vibrar de verdade, um filme não só bom no final ou no começo mas que me empolgasse do começo ao fim. Quando eu estava quase me conformando em assistir só bombas até domingo, eis que o filme tão esperado apareceu.
              O filme consegue flertar com alguns clichês do gênero “jovem busca o sucesso” e, ao mesmo tempo, foge de todos eles, com uma versão mais intensa e visceral do que todos os filmes que vi do gênero (não foram muitos, admito). Vamos aqui considerar que, embora Whiplash seja inspirado em uma experiência do diretor na banda do colégio, não se trata de uma história real, o que faz com que tudo seja ainda mais impressionante.

                Andrew, que a primeira vista, parecia apenas o garoto normal e meio inseguro com um sonho, logo se mostra um personagem mais complexo. O mais novo de três irmãos, Andrew luta para ter destaque entre seus familiares, batalhando pela atenção dos pais com o irmão jogador de futebol americano e o outro que ‘trabalha’ na ONU. Essa competição acaba sendo levada também para a banda, onde Andrew precisa concorrer com outros dois bateristas, a níveis extremos.
           J.K.Simmons, que interpreta o Fletcher no filme, está absurdamente incrível e assustador no papel. O regente da orquestra é um homem abusivo com seus pupilos, partindo de uma atitude paternalista para a agressão física e intimidação em um piscar de olhos (ou em uma mudança de andamento). Já adianto aqui que minha torcida para o Oscar de melhor ator coadjuvante está com ele, mesmo eu ainda não tendo conferido todos os outros indicados. Ele e Miles Teller tem uma química explosiva em cena (no bom sentido) e suas trocas e diálogos, entre um solo de jazz e outro é que fazem desse filme algo incrível de ser assistido.

                     A relação de admiração e ódio entre Andrew e Fletcher segue um crescendo ao longo da trama, ambos se tornando cada vez mais intensos, chegando até mesmo a se agredir (verbal e fisicamente). Fletcher tem padrões elevados e Andrew se esforça ao limite para conseguir alcançar esses padrões, se tornando mais e mais obcecado em ser o melhor baterista possível.
                     Ao contrário de filmes similares e do gênero, não vemos aqui um jovem apaixonado pelo o que faz que vai conseguindo o sucesso fazendo o que ama. Esqueça amor, a palavra aqui é obsessão. E, de fato, ao contrário da crença que teimam e espalhar popularmente, o sucesso não cai do céu ou vem sem esforço. Quando o assunto é música, antes do sucesso há horas de estudos e treinos intensos e às vezes até mesmo dolorosos.
                 Ainda mais se tratando do jazz, um gênero tão complexo e fascinante. Um dos pontos altos do filme é essa musicalidade: o jazz está presente em (quase) todos os momentos e cenas da vida de Andrew e se completa perfeitamente com o enredo. O título, Whiplash, além de ser o nome de uma das músicas tocadas pela banda, também pode ser traduzido como o ato de empurrar alguém, repentinamente, para que essa se machuque. E é isso o que Fletcher faz com Andrew, empurra-o cada vez mais e, como todo impulso para a frente, esse também pode resultar numa queda feia ou num avanço rumo a glória (Nesse aspecto, o final pode ser um pouco incomodo já que não fica claro, depois de tudo, qual o resultado).
                É interessante ver que Andrew, ao mesmo tempo em que parece inseguro e tímido em algumas cenas, também é um dos mais arrogantes quando o assunto é sua habilidade na bateria. Acho que as práticas intensas lhe dão confiança, mas, ao mesmo tempo, ele só pratica tanto assim por sua baixa confiança. Andrew se pressiona tanta quanto Fletcher e, com o passar do filme, vemos que esses dois são muito parecidos, ambos obcecados pela música e pelo virtuosismo que só horas de muito estudo e sacrifício podem trazer.

                   O fato de eu tocar um instrumento musical (violoncelo) e já ter participado de uma orquestra antes, fez com que eu ficasse ainda mais empolgada com a história. Não, nenhum maestro meu jamais me arremessou uma cadeira, mas posso dizer que conheci pessoas que eram tão obcecadas pela música como os dois personagens principais. Perto deles eu me sentia mais como Nicole, a namorada de Andrew no filme, insegura sobre o que queria da minha vida, ao lado de pessoas tão cheias de certeza.
"Não há outra combinação de palavras mais nociva do que 'bom trabalho' " - Terence Fletcher
                 Eu indico esse filme para que os gostam de música, claro, e para os que gostam de dramas em que o personagem principal parece estar por um fio em sua sanidade mental, tão focado está em seus objetivos. O final é um pouco aberto mas também é um dos melhores momentos de todo o filme, a batalha final entre Andrew e Fletcher. Um na bateria, o outro na regência, a cena é o ápice da história e também de arrepiar.

                  Se você gosta de uma boa história e de uma boa música, assista Whiplash. Nota 9muito bom!

|TRAILER|


Whiplash concorre ao Oscar na(s) categoria(s): melhor filme, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor mixagem de som.