Filme Lady Bird (Review)

  
    Christine "Lady Bird" McPherson é uma adolescente de 17 anos, em seu último ano escolar. O filme acompanha sua vida em Sacramento e fala um pouco do relacionamento complicado que Lady Bird tem com a mãe, além de todas aquelas angústias adolescentes (crushes, onde fazer a faculdade etc).
   Eu queria assistir a esse filme já faz um tempo, por causa dos comentários que ouvi a respeito. Surpreendente, embora tenho lido bastante comentários positivos sobre o filme, eu não fazia ideia sobre o que era Lady Bird. Até me surpreendi quando vi que era uma história até bem prosaica.
   No começo não gostei muito da personagem principal mas, aos poucos, consegui resgatar o meu eu adolescente e entender um pouco mais seus dramas e atitudes (embora nem sempre tenha concordado). Mas, como um filme que mostra a passagem do personagem principal da adolescência para a vida adulta, nós vemos aqui muitos erros antes de acontecerem os acertos.

   Sei que esse é um filme que pode ser considerado leve, já que não carrega no drama mesmo quando conta histórias dramáticas. Mesmo assim me emocionei com essa história, embora contra a minha vontade. Eu tive vontade de chorar em vários momentos do filme (eu sei que é uma comédia-dramática mas eu sou assim, me deixem) e, no finalzinho, não consegui não me emocionar. 
    Um dos motivos que me fez chorar foi a amizade entre a protagonista e Julie, sua melhor amiga. A amizade delas é tão natural e sincera que foi impossível não me emocionar. Julie é um estudante gordinha e tão outsider e maluca quanto Bird, as duas sempre juntas e se apoiando foi um dos melhores momentos do filme pra mim. 
     O principal motivo para eu ter perdido a dignidade durante esse filme foi devido ao relacionamento entre mãe e filha que é nele retratado. Por mais que briguem, discutem e tudo mais, o amor está em cada cena entre essas duas. Mérito das atrizes, claro, mas também do roteiro que escreve uma história que parece real. Não me surpreenderia descobrir que foi inspirado nas experiências de adolescência de algum dos roteiristas.   
      Não há muito a ser falado sobre a trama, acho mais legal que a pessoa que for assistir ao filme acompanhe tudo meio sem saber. Não que haja algum plot twist ou coisa do gênero - o filme conta a passagem de Lady Bird da adolescência para a vida adulta. E fala um pouco sobre o quanto demoramos a reconhecer o que nossos pais fizeram por nós, ou como a maioria só reconhece depois de mais velhos. 
   Personagens reais e humanos, trama que consegue ser engraçada e dramática, profunda e superficial. Mais uma história sobre relações familiares que você tem que assistir, nem que seja para sentir aquele quentinho no coração depois.
    Acho que desde "Pequena Miss Sunshine" não tinha visto um filme tão delicado e que tivesse me emocionado tanto.
      Nota 9 - muito bom, assistam!

Filme O Rei do Show (The Greatest Showman) - Review

   
  Eu gosto de musicais. Não o musical do teatro, aquele musical dos filmes mesmo, que normalmente as pessoas acham chato ou tedioso. Já eu acho que a vida seria muito mais interessante se pudéssemos cantar todas as vezes que alguma coisa dá muito errado (ou muito certo).
   Felizmente, depois que La La Land (quase) ganhou o Oscar, as pessoas estão voltando a dar certa atenção para esse gênero. The Greatest Showman (ou O Rei do Show em PT) é um desses filmes que só saíram do papel por causa do filme de Damien Chazelle.
   Contando a história do criador do circo, P. T. Barnum, The Greatest Showman consegue ser, ao mesmo tempo, clássico e atual. O aspecto clássico está nas roupas e no período em que se passa a história. A trama também é clássica, quase banal: a trajetória de um homem que se deixa chegar pelos holofotes.
   A inovação aqui está nas músicas com apelo moderno e nas atuações que dão o carisma necessário para que a história nos prenda atenção. Outro aspecto que traz ares de novidade é o aspecto social e a mensagem de aceitação ao diferente que o filme passa.
   "Papai, você precisa de mais coisas vivas no seu show" diz a filha se Barnum em determinado ponto, vendo que o pai não lucrava um centavo com o museu de animais empalhados que havia comprado. Assim como o "museu" ganha ares de espetáculo quando a "trupe" de Barnum aparece, o filme também se beneficia dessas novas aparições. 
    Zendaya e Zack Efron fazem um casal incrível e convincente, além de serem responsáveis por uma das cenas mais interessantes desse filme/musical. Além de ver Zack Efron de volta em um musical, o que mais me deixou feliz nesse filme foi ver ele realmente atuando pela primeira vez em algum tempo. Foi bom ver Zack Efron de camisa e sendo um bom ator pra variar
   
   Quem roubou a cena porém foi Keala Settle, que no filme vive a mulher barbada. Assim que sai do cinema procurei seu nome na Internet, achando que a conhecia de algum lugar mas esse é o segundo filme de Settle nos cinemas e o primeiro eu sequer assisti. Mesmo assim foi bom descobrir que essa atriz já ganhou um Tony (equivalente ao Oscar no Teatro) por sua atuação em HairSpray; mostra que essa voz e talento que eu tanto admirei durante filme, já tiveram certa dose de reconhecimento.
   No protagonismo do filme está Hugh Jackman, carismático como sempre. O personagem de Jackman aqui é o típico sonhador, alguém por quem você torce mesmo quando acha que ele está fazendo a maior besteira da vida, e o ator empresta um pouco de sua luz para tornar esse homem polêmico em alguém mais humano. Mesmo assim, acho que prefiro-o como Jean Valjean do que como Barnum - posso estar errada mas acho Barnum mais dentro da zona de conforto de atuação do ator, sempre acostumado a esses musicais mais vistosos.


   Não há muito mais que dizer sobre The Greatest Showman. Se você gosta de musicais vai gostar desse, assim como eu. Se não gosta é melhor assistir outra coisa mas tenha certeza: The Greatest Showman vai estar entre os indicados de várias premiações no ano que vem, seja como melhor ator/atriz ou como melhor canção original.
   Nota 8,5 - o filme é bom mas tive que acrescentar meio ponto por causa do solo de Keala Settle. Que momento, não tive como não me emocionar.

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Melhores de 2017 - Filmes

   Aos 45 do segundo tempo, a lista dos melhores filmes do ano saiu! 
   
   Desde já peço desculpas porque sou uma total desorganização quando o assunto é filmes então é bem possível que muita coisa boa que eu assisti não esteja nessa lista. Mas baixei o letterboxd no final do ano, então ano que vem terei uma lista mais completa, prometo. 

      Eis então os 13 filmes que mais me marcaram nesse 2017.

   

      Um filmão policial, como há muito não via. Fiz post só para repassar a palavra adiante: Assistam Um Contratempo!


      Um homem vai jantar na casa da ex, coisas estranhas acontecem. O que mais gostei nesse filme é que, como vemos tudo sob o ponto de vista desse ex-marido, não sabemos até que ponto tem algo realmente estranho acontecendo ou se é apenas coisa da cabeça dele. Comentei brevemente sobre "The Invitation" aqui


      Se essa lista fosse por ordem de preferência, Corra! estaria nos primeiros lugares. Assisti no cinema e p-i-r-e-i com esse filme. Terror psicológico da melhor qualidade, aliado a uma crítica ao racismo americano como até hoje não tinha visto nos cinemas. Assistam Corra! Escrevi mais sobre ele aqui.


      Único arrependimento com relação a "Os últimos Jedi" é não ter assistido mais uma vez no cinema porque esse filme é maravilhoso. Montanha-russa de emoções, você nem vê as 2h30 passarem de tão incrível que é. Fiz um texto sem spoilers sobre Star Wars VIII aqui



      O filme de heroína que eu nem sabia que queria até que assisti Mulher Maravilha. Post sobre ele


      Já que estamos falando de filme de herói, vou colocar um dos meus favoritos aqui também. Eu li as críticas sobre Thor e entendo boa parte delas, que o personagem foi muito modificado etc etc. Mas o que fazer quando o filme ficou tão incrível? Texto sobre Thor, também ser spoilers.



      Wolverine não poderia ter melhor despedida dos cinemas. Esse filme é quase um faroeste, no melhor sentido possível, muito dramático e emocionante. No blog, fiz uma lista de 5 motivos para assistir Logan.


      Um filme contando a decadência de uma figura pública não é novidade. Mas Bingo vale a pena pela forma impecável como essa história foi contada e pelas atuações. Também tem post no blog


      Esse é o primeiro citado (mas não o último) da leva de filmes que concorreu ao Oscar esse ano. Estrelas Além do Tempo é um filme auto astral e emocionante, daqueles que você termina e até se emociona, mas de alegria, por ter conhecido histórias tão maravilhosas. Mais comentários no link.


      Eu acho Mel Gibson meio doido, mas esse filme é sensacional. Emocionante na medida certa e capaz de agradar até mesmo quem não gosta de filmes de Guerra. Saiba mais


      2017 será conhecido como "O ano em que tive dois filmes de palhaço na minha lista de melhores filmes". Mentira, não será, mas "A coisa" entra aqui para mostrar como é feita uma adaptação de qualidade de um livro. Mal vejo a hora de assistir a sequência! Saiba mais.


      "City of Stars" até hoje me emociona e é por isso que esse filme esta aqui. Também escrevi sobre ele no blog.


  • Her (Ela)

      Acho que é o único da lista sobre o qual não escrevi mas é que me senti meio tola por não ter assistido esse filme antes. A história de um homem que se apaixona por um sistema operacional (tipo a "Siri" da Apple) tem tudo para ser ridícula mas acaba sendo uma bela história de amor. Joaquim Phoenix não ganhou o Oscar por esse filme mas mereceu - e muito. 
      Caso você também não tenha visto esse filme ainda mas tem uma leve curiosidade sobre ele: tem na Netflix. 


***

 Provavelmente o último post de 2017. Obrigada a todos os meus 10 leitores, ano que vem (vulgo, próxima sexta) tem mais!


Melhores de 2017 - LIVROS

   Final do ano se aproximando e chega o momento de fazer aquela avaliação do que lemos e do que assistimos. O que foi bom, o que não foi. 
   Nem todo ano consigo fazer algo nesse sentido mas não é que esse ano saiu uma listinha? Considerei todos os livros que li esse ano, mesmo que não tenham sido lançados neste ano. Não considerei releituras porque, se estou lendo um livro pela segunda vez é certo que gostei dele né? O resultado foi uma lista de 11 livros de ficção e - surpreendente - 3 livro de não ficção. 
   Vou listá-los aqui em baixo e comentar um pouco sobre eles, sem ordem de preferência. Não custa lembrar que uma lista dessas é algo extremamente pessoal, que o que gostei você pode não ter gostado etc etc

Vamos lá? 

Não Ficção


  • Como funciona a ficção - James Wood
         Esse é um daqueles livros que podem ser guardados e relidos de tempos em tempos. James Wood dá uma verdadeira aula de análise critica dos livros, falando sobre enredo, personagens e escrita de uma maneira extremamente interessante. É o "critica literária for dummies" que eu sempre procurei, utilizando uma linguagem fácil mas abordando vários e diferentes temas com uma profundidade bem satisfatória. 



  • O ano em que eu disse sim - Shonda Rhimes
      Sabe a criadora de Grey's Anatomy, Scandal e How to get away with murder? Então, ela escreveu um livro de não-ficção falando sobre quando resolveu ficar um ano falando "SIM" para absolutamente todas as oportunidades que aparecessem e como isso mudou a sua vida. 
       Auto-ajuda? Com certeza. Mas é um livro que me ajudou a dar alguns passos importantes. 


  • Mini-Hábitos: Hábitos Menores, Maiores Resultados Stephen Guise
      Todo mundo que já quis começar um hábito novo - ler, escrever, estudar, se exercitar - sabe o quanto isso é difícil. Esse livro apresenta um metódo de criação de hábitos que, além de funcionar, não te faz se sentir um lixo enquanto você não chega ao ponto que queria. 

Ficção


  • A Redoma de vidro - Sylvia Plath
       Esther parece estar no auge da vida. Mas o que isso significa se ela está ficando a cada momento mais infeliz e desassociada de tudo o que está ao seu redor? 
      Tive muitos problemas com a protagonista desse livro, achei ela um tanto cansativa e preconceituosa. Mas quando pensei nos melhores do ano, esse foi um dos primeiros livros que me veio a cabeça, então aí está. Tem resenha dele no blog. 


  • It "A Coisa" - Stephen King
      Estava quase terminando a lista quando me lembrei. Como esquecer do meu grande calhamaço de 2017? História incrível, personagens maravilhosos e aquele talento que o Stephen King tem de nos fazer morrer de medo em uma página e chorar loucamente na seguinte. Recomendo muito, resenha aqui.


  •  O médico e o Monstro Robert Louis Stevenson 
      Um livro curtinho mas que discute tanta coisa sobre a alma e a dualidade humana? Esqueçam os filmes em que Mr. Hyde é um monstro sem personalidade (alô Hulk!) e leiam o livro. O mau aqui é um homem comum e não surgiu do nada, mas faz parte do mesmo cientista que criou a fórmula. Não tem resenha mas comentei sobre ele brevemente aqui


  • Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
      Terminei esse livro já querendo reler. É uma daquelas distopias que te faz questionar todo o seu mundo e as coisas que você acredita, sabe? Não que eu concordo com tudo o que o autor expõe mas é um livro que me fez pensar muito, em muitas coisas. Resenha.


  • Drácula - Bram Stoker
      Como uma fã de histórias com vampiros, assumo que demorei tempo de mais para ler esse livro. Mas foi só ler para ficar apaixonada por esse novelão com ares vitorianos, cheio de subtextos bastante eróticos (embora ache que a grande maioria não foram percebidos pelo próprio autor). Pretendo reler algum dia, só para ver se continuo com a mesma opinião, mas Drácula tem tudo para se tornar um dos meus livros favoritos. Resenha.


  • Antes do baile verde - Lygia Fagundes Telles
      Ok, acho que estou roubando aqui. Tenho quase certeza de que já tinha lido esse livro. Mas não tem como não citar 'Antes do Baile Verde' entre os melhores do ano. É um dos melhores livros de contos que eu já li e, sinceramente, cheguei a invejar a autora pela forma como ela consegue formular histórias aparentemente tão banais e tão cheias de significado. Quero ler mais coisas dessa autora mas não sei se um romance me traria tanto impacto quanto esses contos. Resenha aqui


  • Essencial - Kafka
      É uma coletânea de contos, aforismos e escritos de Franz Kafka, incluindo histórias como "Na colônia penal" e "Metamorfose" (que nunca tinha lido). Tinha lido "O processo" antes e achado muito estranho mas, como já tinha esse livro na prateleira mesmo, resolvi emendar e ler logo tudo o que tinha desse autor. 
      "Essencial" é digno do nome, o típico livro que indicaria para qualquer um que queira conhecer esse autor. Não vou dizer que Kafka é sempre tão divertido quanto nesse livro (vide o meu sofrimento para seguir com "O processo") mas o livro é tão bom que me fez querer dar outra chance e ler mais coisas desse autor. Não fiz resenha, mas fica a indicação. 


  • A rainha branca - Phillippa Gregory
      Quando encontrei esse livro em um bazar por 5 reais eu não esperava que iria me sentir tão envolvida com essa história. A Guerra dos Primos, narrada aqui pelo ponto de vista de Elizabeth Woodville, a Rainha Branca, tem muito das tramóias e reviravoltas que me fizeram amar séries como "Game Of Thrones" e "House Of Cards", aquelas artimanhas políticas, sabe? Além disso, tem uma parte meio fantástica também, que é a ligação da protagonista com uma deusa das águas... Sério, leiam esse livro. O segundo eu não achei lá essas coisas, mas esse primeiro volume da "Guerra dos Primos" é muito divertido. Resenha.


  • Cira e O Velho - Walter Tierno
      Acabei de perceber que não resenhei esse livro. Por que não resenhei esse livro? Deve ser o final, que me incomodou. De qualquer modo, entra para uma das melhores do ano, uma história sobre o folclore brasileiro que me prendeu e me encantou - sabe quando você tem a sensação de que está ouvindo alguém te contar um "causo"? Foi o que senti lendo esse livro. Leiam Cira e O Velho, gente, sério.


FONTE
  • O oceano no fim do caminho - Neil Gaiman
      Esse é um dos últimos que li no ano mas também entra nessa lista. Sabe quando você tem a sensação de que, se tivesse lido um livro em um determinado momento da sua vida, ele poderia ter se tornado um dos seus favoritos? Então, foi o que eu senti quando terminei "O oceano no fim do caminho". A história tinha tudo para ser extremamente significativa mas algo não se encaixou nessa primeira leitura.
      Por que coloquei na lista de melhores então? Ele está aqui mais por essa promessa que eu fiz para mim mesma, de reler daqui há alguns anos. Depois volto para dizer se isso fez alguma diferença.


  • Na escuridão da mente - Paul Tremblay
       Por último, o último livro de terror que li esse ano e um dos melhores também. Sabe quando um livro te engana do início até - quase- o final? Então, foi o que senti lendo esse livro. O final não esclareceu muita coisa, de forma que ainda fiquei vários dias pensando no que realmente tinha acontecido com a família. Foi uma das últimas resenhas do ano. 

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É isso! Ano que vem espero ler tantos livros quanto esse ano. Quais são seus livros favoritos de 2017? Comente! 

Star Wars: Os últimos jedi (Review) #EpisodioVIII



Post sem spoilers. 


      Antes de assistir Os últimos jedi elaborei muitas teorias a respeito, desde um "quem será que perde a mão" até "será que Rey vai pro lado negro" e "quem são os pais dela". Mas, por mais que eu pensasse em várias possibilidades, ainda consegui me surpreender bastante com algumas cenas e situações.
    Se, ao assistir o episódio VII, tive a sensação de que estava vendo uma releitura do episódio IV, esse episódio VIII não é nada parecido com os outros filmes. Há até algumas referências ao meu filme favorito da trilogia clássica, O retorno de jedi, mas, no geral, é algo nunca visto antes na franquia.

    Longe de se prender ao Canon da série, Os últimos jedi não tem medo de ousar e brincar com tudo o que conhecemos sobre a força. Até onde vai esse poder? Acho que nunca vi uma história de star wars que explore isso tão bem e que se utilize até de não-jedi para ilustrar esse fato.
    Indo para os personagens, desde o primeiro filme gosto muito da Rey mas, nesse filme, gostei ainda mais. Tanto ela quanto os outros novos personagens tem um amadurecimento perceptível nesse segundo filme. Poe, Finn e até mesmo Kylo Ren tem arcos de crescimento bem interessante e, se ainda tenho algumas dúvidas sobre a exata função de Finn nessa história, ao menos posso dizer que ele teve muito mais protagonismo nesse filme.


    Eu nunca escondi minha predileção pelo lado negro. Anakin Skywalker é um dos meus personagens favoritos, então daí você já vê. Mas, em O despertar da força , não consegui simpatizar com Kylo Ren. Não só pelo o que ele fez no final do primeiro filme mas por ser um personagem que não parecia ter tanta profundidade/complexidade de um Darth Vader.
    Felizmente isso foi corrigido em Os últimos jedi. A primeiro mudança foi parar de tentarem criar uma fachada new-Vader para o personagem, a segunda foi explicar como o filho de Han e Leia se tornou esse grande fdp. Eu consegui ter empatia pelo jovem Ben Solo e até mesmo compreender algumas de suas atitudes. Claro, ainda não perdoo aquela morte no final do episódio VII, mas acertaram aqui em considerar o papel do mestre dele em toda essa guinada para o lado negro.
    Falando em mestre vamos falar de Luke, que está muito diferente nesse filme. Adeus ao jovem cheio de sonhos e esperanças de Uma nova esperança, olá a um senhor questionando suas escolhas de vida e que desistiu da galáxia. Vejo muita gente reclamando que Luke estava chato aqui, mas chato mesmo é você manter um personagem sempre do mesmo jeito e ignorar todos os 30 anos que se passaram entre a última aparição dele e essa.

    Leia também esta diferente, como vimos no primeiro filme dessa nova trilogia. Mais velha, mais conectada com a força. Tanto ela quanto Luke estão nessa história não apenas para "passar o bastão" mas para mostrar valores como coragem, paciência e sacrifício. Eu me emocionei em vários momentos do filme e Luke e Leia estão em pelo menos um desses momentos.
    Por fim, quero dizer que entendo as críticas à trama. Realmente, o roteiro tem alguns momentos bem confusos e BB-8 elevou o uso de robôs para salvar o dia a um novo patamar. Chewbacca poderia ser melhor aproveitado, R2D2 perdeu espaço e o que o personagem do Benicio Del Toro fez realmente naquele final?

    Eu vejo esses problemas mas também vejo um filme emocionante da minha franquia favorita, cheio de personagens cativantes e apaixonantes e que me fez rir e chorar por 2h30 sem que, em nenhum momento, eu ficasse pensando na duração do filme, tamanha a imersão que tive na história. Vejo uma história que conseguiu homenagear o original através de cenas similares e diálogos, além de ter retomado a inserção de novas criaturas - algo que o George Lucas sempre fez mas que tinha ficado um pouco de lado - mas que também não tem receios de ousar, criar e explorar até onde pode ser levado o poder da força e os personagens. 

    Aqueles que estão pedindo algo mais de Star Wars estão precisando re-assistir os filmes anteriores: sempre foi aquele novelão cheio de emoção, aventura e drama. Dessa vez o diretor resolveu explorar outro tipo de situação, mas o Star Wars raiz ainda está lá.
    Assim como a esperança. Afinal é sobre isso que esses filmes falam.

 Nota 9 - muito bom.

 P. S.: quero uma camiseta da Rey
 P.S.2: uma cena de lutas de sabre tão phoda que o filme poderia ter acabado ali  mesmo.


|TRAILER|


Na escuridão da mente - Paul Tremblay (Resenha)

   

   Uma família resolve fazer um reality show sobre a suposta possessão demoníaca da filha mais velha, como forma de pagar as despesas do tratamento da menina. Anos depois, a filha mais nova relembra a história e conta a sua versão do que aconteceu naquela época.
     O plot de Na Escuridão da mente é interessante e instigate por si só. Mas a execução da história é igualmente boa e, com isso, temos aqui um dos melhores livros de terror que já li. A história é narrada por Merry, sobre coisas que aconteceram quando ela tinha seus 8 anos. Esse olhar de criança sobre os eventos foi uma escolha muito acertada do autor; uma criança não tem muitos argumentos racionais para lidar com o medo e o sobrenatural, ela só sente. E  o leitor, ao entrar em contato com essa história sob o ponto de vista de Merry, sente também.
    Já comentei algumas vezes e torno a repetir: histórias de terror tem um elemento de tristeza e perda muito grandes. A maioria dos filmes não conseguem captar isso, por isso é sempre uma experiência meio incompleta assistir a filmes de terror em que essa tristeza não está ali. No caso de livros, os melhores têm um lado dramático bem desenvolvido, de forma com que nos importemos com os personagens e possamos nos conectar com eles ao longo de suas (muitas ou poucas) páginas. Na escuridão da mente consegue combinar bem essa tristeza com o medo. Ao mesmo tempo em que morri de medo de Marjorie depois que ela foi supostamente possuída também senti muita pena dessa menina de 14 anos e de tudo o que ela estava passando. O mesmo ocorreu ao ver Merry, a irmã que narra a história, passar de adoração ao temor da própria irmã. Outra coisa legal no livro são as referências à filmes e histórias de terror. Alguns trechos são posts em um blog que só fala de coisas nesse gênero e foi legal ler e entender todas as referências feitas nesses momentos da história.
    Até a parte 1 a história estava bem interessante mas só um pouco assustadora. Mas na parte dois, alguém tem a ideia de fazer um exorcismo e é aí que o bicho pega (literalmente?). O relacionamento entre as irmãs, Marjorie e Merry, e o questionamento por parte da irmã mais nova sobre a possibilidade da outra estar fingindo, tudo isso me lembrou bastante de Invocação do Mal 2. O sentimento de desconfiança com relação ao que é contado traz um elemento a mais para a história, me deixando ainda mais curiosa pelo seu desfecho. 

 "Isso é um pesadelo e jamais acordaremos dele"
    Quando você pensa "ah, ok, é aqui o ápice do livro" acontece algo que muda completamente a visão que você tem da história. Eu já disse isso aqui antes mas vou deixar como um questionamento dessa vez: Será que um narrador em primeira pessoa é confiável?
    O final não traz respostas claras para essa dúvida mas também não chega a ser nenhum final aberto como o de "As Perguntas". É possível fazer várias interpretações da história e, no entanto, apenas uma frase me ocorre repetidamente, sempre que penso nesse livro que é "O ser humano é o pior demônio que existe".
    Nota 9 - muito bom

|SAIBA MAIS|


Filmes O Iluminado, À sombra do Medo e Jogo Perigoso (DIRETO AO PONTO #024)

O Iluminado

Ano: 1980
Atores / Atrizes: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd
Diretor: Stanley Kubrick
Opinião: Desde que li "O Iluminado" de Stephen King tenho vontade de conhecer essa adaptação cinematográfica. Apesar de Kubrick ter sido achincalhado pelo autor devido as alterações que fez com relação ao livro, o filme permanece até hoje como um dos clássicos do gênero terror.
A história do Hotel Overlock é um pouco deixada de lado aqui, o foco é mais para o conflito no núcleo familiar: O pai Jack, a mãe e o filho Danny. Uma das maiores mudanças no filme é a personalidade de Jack, aqui já exposto como um maníaco logo nas primeiras cenas. A mãe é transformada aqui numa criatura tão submissa é patética que até seu nome eu esqueci. 
Cena: Creio que a cena mais icônica do filme, em que Jack Nicholson quebra a porta com um machado, é a também a minha favorita. Há também a cena final, que gosto porque é o mais perto que Kubrick chegou de fazer algum tipo de paralelo entre a loucura de Jack e o Hotel. 
Nota: 7,5  - o filme é okay e tem algumas cenas realmente boas. Mas não consegui gostar tanto dele enquanto adaptação, por isso a nota um pouco baixa. 


À sombra do medo

Ano: 2016
Atores / Atrizes: Avin Manshadi, Narges Rashidi, Arash Marandi, Bobby Naderi etc.
Diretor: Babak Anvari
Opinião: na década de 80, mãe e filha ficam confinadas em um apartamento no Irã. O país está em guerra, todos estão deixando a cidade mas a mãe se recusa a deixar  o lugar e elas acabam. Ficando por lá mesmo, indo para o porão todas as vezes que ouvem o início das bombas. Quando a boneca da semana some coisas estranhas passam a ocorrer e uma presença sobrenatural é cogitada. 
Esse é um filme de terror iraniano, que fala sobre djin, ou gênios, ser que faz parte da mitologia árabe. Se eu entendi bem, os djin são meio como os demônios dos cristãos, mas estão atrelados aos elementos - no caso do djin do filme, o elemento é o ar. 
 Apesar do orçamento visivelmente limitado, À sombra do medo é muito bem dirigido e tem um clima bacana de suspense, com algumas cenas que assustam e dão muito medo. Além disso o pano de fundo histórico (a história de passa no pós revolução cultural do Irã) enriquece ainda mais a trama, abrindo questionamentos sobre o que significa todas essas visões com djin. 
Cena: todas as cenas que envolvem a personagem acordando de madrugada e nos mata do coração de susto. 
Nota: 9 - muito bom, recomendo. 




Jogo Perigoso

Ano: 2017
Atores / Atrizes: Bruce Greenwood, Carel Struycken, Carla Gugino etc.
Diretor: Mike Flanagan
Opinião: Mais um filme baseado na obra se Stephen King, Jogo Perigoso conta a história de um casal que vai passar um fim de semana romântico em uma casa de campo. Gerald, o marido, sugere algemar a esposa na cama com algemas e ela topa. Mas algo acontece e a mulher acaba tendo que lutar por sua vida. 
Achei esse filme um típico King, isto é, uma história que tem suas doses de terror mas que também possui algo aterrorizante. Esse filme não dá muito medo mas é uma angústia imensa acompanhar a história da personagem principal. 
Único porém é que, em determinado ponto, resolvem explicar demais o que aconteceu e isso fez com que a história ficasse menos interessante. Parece que alguém não soube a hora de parar de narrar os acontecimentos e isso prejudicou o filme. 
Cena: o filme tem algumas cenas bem incômodas, como a do eclipse e quando a personagem principal resolve por em prática um plano insano para escapar. Não posso dizer que gosto de nenhum desses momentos, mas são os mais marcantes. 
Menos impactante mas mais querido por mim é a última cena da história. Essa sim me passou um pouco de esperança. 
Nota: 7,5 - o filme é OK mas tirei meio ponto pelo final muito auto explicativo.