Filme "Tudo e todas as coisas" (Review)

   
    Imagine viver numa casa toda de vidro, sem poder sair por nenhum motivo, durante 17 anos. Essa é a vida de Maddy, uma adolescente com imunodeficiência grave combinada, o que a torna extremamente vulnerável a qualquer tipo de vírus ou bactéria. Se Maddy sair, ela corre risco de vida. Então a jovem fica em casa.   
   Mas, algo acontece que muda a rotina da jovem. No seu aniversário de 18 anos, ela conhece Olly, seu novo vizinho. Isto é, se é que possível dizer que ver um garoto andando de skate em frente a sua janela é conhecer. Logo, Maddy e Olly começam a conversar (online) e um sentimento surge entre os dois.
   Baseado em um best seller teen, "Tudo e todas as coisas" é o tipo de filme do qual eu normalmente não espero muita coisa mas que eu sinto vontade de assistir mesmo assim. Achei que seria mais um "A culpa das estrelas" mas a história acabou me surpreendendo, tanto pela delicadeza, quanto pelo desfecho. 
   Não é fácil contar uma história de amor que se passa a maior parte do tempo online ou com os personagens distantes um do outro mas "Tudo e todas as coisas" conseguiu tal proeza ao narrar tudo do ponto de vista de Maddy. A jovem tem uma imaginação maravilhosa e somos levados, através dessa, a ver o casal nos mais diversos cenários enquanto estão teclando um com o outro. Gostei do artifício porque deixou a história mais dinâmica.    
   Apesar disso, alguns podem achar a primeira hora meio arrastada. Afinal, não há muito acontecendo, apenas conversas entre os personagens, enfim, eles se apaixonando em um espaço limitado ainda por cima. Porém, do meio pro final, a história anda um pouco mais, com direito a um desfecho que foge um pouco do que a gente espera de um filme desses.   
  "Tudo e todas as coisas" é um filme bem fofo, do tipo sessão da tarde. A trama só funciona porque a personagem principal é interessante e consegue despertar a empatia com o público. Se no começo eu tinha ímpetos de gritar "O que você está fazendo, garota!?" a cada cena do filme, do meio pro final eu consegui entender suas motivações e até torci por ela.     
   Quer alguma coisa bem romântica, água com açúcar mesmo, para assistir em um final de semana ou em um dia mais tranquilo? Então, "Tudo e todas as coisas" tem essas qualidades e, embora não se destaque excepcionalmente, é um filme simples e gostoso de assistir, que ainda consegue ter alguma personalidade e surpresas
  Se ainda está em dúvida, saiba que ele também tem referências (pequenas é verdade) à "Pequeno Príncipe".

Nota 8 - bom filme


Filme "Na cama com Victoria" (Review) #FestivalVarilux2017

    
    O Festival de Cinema Varilux é um evento anual que, em 2017, acontece do dia 07 a 21 de junho. O catálogo do festival é composto de filmes franceses da atualidade, que são exibidos nos cinemas brasileiros em mais de 55 cidades. 
    2017 é o primeiro ano em que o festival chega a cidade onde moro e, logo no primeiro dia, resolvi conferir. 
   "Na cama com Victoria" conta a história de uma advogada mãe de duas meninas chamada Victoria Spick. No maior estilo "chick lit" o filme narra a vida dessa personagem, seus amores, seus dramas e os problemas nas quais se envolve. 
   Entre os problemas está o ex-marido, David, que escreveu um conto narrando a intimidade dos dois e detalhes profissionais de Victoria. Há também seu amigo Vincent, acusado de tentar matar a namorada, que lhe pede para ser sua advogada. O caso porém tem um fato inusitado; a única testemunha desse suposto crime é o cachorro da vítima
   Eu não sou muito fã de filmes franceses mas achei "Na cama com Victoria" uma boa diversão. Temos uma personagem completamente amalucada e sem critérios que toma as piores decisões possíveis. O filme tem um humor muito sutil e um andamento meio estranho para quem está acostumado a produções hollywoodianas mas a curiosidade de saber o que vai acontecer mantém o interesse na história. 
   O interesse romântico de Victoria no filme é um ex-cliente e ex-traficante chamado Sam, que a personagem acolhe em sua casa com velocidade improvável. Victoria e Sam fazem um casal bem estranho e disfuncional mas a loucura dos dois combina - não surpreende que algo surja a partir da amizade em que ambos começam. 
   Esse não é um filme que eu indico particularmente por este ou aquele motivo mas, se você gosta dessas histórias mais do cotidiano, com trechos bem humorados (mesmo que seja um humor mais sutil e muitas vezes negro) talvez goste de assistir "Na cama com Victoria". Não é incrível, não vai mudar sua vida, mas foi um entretenimento simples e descompromissado para uma quinta feira

   Nota 7, 5 - um filme ok, mas dei meio ponto pelas risadas que eu dei em algumas cenas.


Filme Mulher Maravilha (Review)

  
   Diana, princesa das Amazonas, levava uma vida protegida por sua mãe, Hipólita. Além de ser a única criança da ilha, Diana também era filha da rainha das Amazonas, o que fazia com que todos as vissem com ar protetor. Todos menos sua tia Antiope, que insiste em fazer de Diana a melhor guerreira de todas.
   Diana cresce e fica melhor que a própria Antiope. Mesmo assim ainda possui algo de inocente dentro de si, pois nunca participou de uma guerra de verdade. Porém isso está prestes a mudar e o avião que Diana vê caindo no mar é o começo da aventura da heroína. 
   Não tenho nada de ruim para dizer sobre esse filme. Como todo filme de apresentação de personagem, essa é mais uma história que se foca na jornada do herói, afim de mostrar evolução e crescimento pessoal do personagem. Se, por um lado, a jornada do herói é algo já batido, por outro, quando utilizado corretamente, gera resultados que agradam muito, como é o caso de "Mulher Maravilha". 
   Gal Gadot fez o que era esperado dela desde que a vimos em Batman vs Superman: rouba a cena para si e assume o protagonismo da história como  ninguém. Os tempos em que achei Gadot magra demais para fazer Diana Prince ficaram para trás: a atriz É a encarnação perfeita da heroína nos cinemas, não consigo imaginar outra opção que fosse melhor. 

   A direção de Patty Jenkins também tem parte nesse sucesso. Por mais que o roteiro tenha sido co-escrito por Zack Sinider, é Jenkins quem dá vida a obra e coloca o foco cinematográfico onde ele realmente importa, Diana Prince. Como foi bem dito por uma amiga minha, em nenhum momento a figura da heroína é sexualizada ou colocada em uma posição inferior a de seu par romântico, vivido por Chris Pine. Se o objetivo é mostrar a evolução dessa personagem, não há nada mais justo que seja desta forma. 
   Como dito, depois de um tempo filmes de herói começam a ficar todos iguais. O terceiro ato de Wonder Woman é uma sequência que pode (provavelmente) ser comparada com outras dezenas de filme em que a herói se encontra com seu nêmesis - e está tudo bem. O cliché nesses filmes é algo até um pouco esperado - o que conta aqui é a forma como eles vão ser utilizados e o que isso vai fazer com a protagonista. 
Alguns dos vilões do filme
   O resultado é um filme que se preocupa em ser honesto sobre seu personagem, e com suas intenções, que é levar divertimento ao público. O filme não é "palhaçito" feito um Marvel mas, pela primeira vez, a DC conseguiu mesclar algumas cenas divertidas ao longo da história. E, mesmo com isso, não deixou se ser emocionante ver a Mulher Maravilha dizer que acredita no amor: por mais cafona que seja, para a personagem aquilo é a mais pura verdade. 
   Enfim, recomendo muito aos fãs de filmes de herói. Sem decepções dessa vez amigo, a Warner entrega aqui o melhor filme dessa nova fase da DC (pós cavaleiro das trevas). Não espere algo revolucionário, afinal é um filme com um objetivo bem específico, contar como a princesa Diana se tornou a Mulher Maravilha que nós conhecemos (jornada do herói, lembra?). 

   Mas, que a Warner tenha conseguido entregar o básico assim de uma forma tão interessante e que um único filme tenha reacendido a chama de toda a franquia da DC no cinema, é algo digno dos mais variados elogios. Que continuem melhorando assim, mal posso esperar para os próximos. 
   Nota 9 - muito bom.


P. S.: eu nem gostava da Mulher Maravilha antes do filme e agora ela é a maior expectativa da Liga da Justiça junto do Aquaman. 
  

Filme Corra! (Get Out)

  
   Em uma das primeiras cenas de "Corra!", Chris está arrumando suas malas, sob olhar de seu cachorro e de sua namorada, Rose. Percebendo sua seriedade, Rose pergunta a ele o que está deixando-o com aquela cara, no que Chris pergunta "Seus pais sabem que eu sou negro?". 
   Esse primeiro momento do filme é também uma síntese da trama desenvolvida em "Corra!": homem negro vai conhecer a família da garota branca com quem está namorando - a partir daí acontecem altas confusões.
   O que torna Get Out tão incrível é o roteiro e direção de Jordan Peele, capazes de pegar esse tema meio cliché e transformar num suspense/terror psicológico estarrecedor. Por mais que os relacionamentos interraciais já tenham sido abordados no cinema, creio que essa é a primeira vez que eu vejo dessa forma, utilizando o racismo como mote de um filme de terror.
   Muito pouco dá pra dizer dessa história após isso além do que é visto no (excelente) trailer. Chris vai até a casa dos pais de Rose e lá descobre algum tipo de conspiração: todos os negros da casa (empregados) agem de maneira muito estranha e isso começa a despertar as suspeitas de Chris sobre algo muito errado que está acontecendo. 
 O final é controverso . Alguns dizem que a cena não faz sentido ou que estraga a trama. Já eu penso que estragar a trama seria manter o final originalmente pensado pelo autor, algo mais realista, sim, mas igualmente anti-climático. Jordan Peele resolveu alterar o desfecho em algum momento da produção e eu sou do grupo que acredita que "Get Out" ficou ainda melhor por isso. 
   Mesmo com orçamento limitado, esse filme conseguiu agradar bilheteria e crítica. Se isso não é motivo para você assistir ao filme saiba que existe também uma dose de humor nesse filme, o que traz leveza por alguns momentos. Se você não gosta de comédia, saiba que esses breves momentos não estragam o "Corra!", que consegue criar um protagonista pelo qual as pessoas torcem até o final

   E se, após tudo isso, você ainda não quiser assistir "Corra!" acho que vamos ter que tomar uma xícara de chá e conversar sobre isso até que você mude de ideia. Pronto, agora você vai ter que assistir ao filme para saber o que eu quis dizer com isso. 

   Nota 9 - muito bom. Assistam!


O círculo - Dave Eggers (RESENHA)



   Mae Holland é a protagonista desta distopia moderna, uma jovem que, após meses trabalhando em uma repartição pública, se torna funcionária da maior empresa de tecnologia do mundo, O Círculo. 
   Uma espécie de Google, "O Círculo" é a empresa que possui o controle de todas as pesquisas do mundo e está envolvida em todos em vários aspectos da vida moderna, desde redes sociais, até câmeras de segurança e sistemas para automatização das casas. 
   Qualquer um que já tenha se perguntado até onde vai a nossa imersão da vida digital vai se impressionar com a leitura desse livro. Partindo de um princípio aparentemente normal, em que é exigido de Mae certa participação em redes sociais, a trama toma proporções cada vez maiores, chegando ao seu ápice mo final da primeira parte, quando a protagonista toma uma atitude aparentemente absurda.

SEGREDOS SÃO MENTIRAS COMPARTILHAR É CUIDARPROVACIDADE É ROUBO
 (fonte)

   Comparando com as distopias clássicas, dá pra dizer que o Círculo é um 1984 com toques do modernismo de Admirável Mundo Novo. Mas, embora a temática tenha elementos dessas duas obras, a escrita de Eggers jamais poderia ser comparada a de Huxley ou Orwell - na verdade, nesse aspecto, seu estilo de escrita está mais para os YA distópicos ou New Adults. 
   Como que para confirmar essa tendência teen do livro, em determinado ponto Mae se vê em um triângulo amoroso. Dividida entre um nerd chamado Francis e o misterioso Kalden, com o qual compartilha algumas cenas eróticas durante o livro, Mae se vê cada vez mais envolvida nesse universo do Círculo, o que afeta seus relacionamentos românticos, familiares e suas amizades. 
   Há algo de machista na forma como Mae parece estar sempre sendo conduzida por homens? Sim, mas creio que isso é mais um reflexo da personagens ser jovem e inexperiente do que pelo seu sexo. Aos 24 anos, Mae sente necessidade de agradar seus novos patrões e acaba se oferecendo prontamente para uma série de situações que antes teria recusado, devido a essa necessidade. Os poucos momentos de lucidez da personagem são evasivamente descritos como "um rasgo negro" se abrindo dentro dela, não há maiores reflexões internas. Mae é uma observadora de uma série de opiniões masculinas conflitantes: a de seu ex namorado, a de Kalden, a dos fundadores do Círculo. 
Ao se concentrar nessa figura com tão pouca vontade pessoal, o livro perde grandes oportunidades de reflexão. As "cartas" escritas pelo ex de Mae são um exemplo do que poderia ter sido o restante do livro, se a escolha do autor pudesse ter sido um pouco diferente. 
Lombada da versão em inglês (FONTE)
   Embora eu tenha gostado muito da primeira parte, achei a segunda e a terceira um tanto decepcionantes. Estava esperando que Mae percebesse o tipo de situação em que estava metida mas isso não ocorreu, o que tornou tudo um pouco frustrante. Por outro lado, o desfecho do livro é anti climático; o autor blinda os leitores dos momentos mais dramáticos e o resultado e que nos sentimos tão apáticos como a personagem principal ao saber o que acontece
   Li "O círculo" por indicação do App Book4you, que indica livros pela sinopse. Quando soube que iria virar filme me interessei ainda mais pela história, li as cerca de 550 páginas bem rápido para os meus padrões. Mas ainda assim, me sinto um pouco decepcionada com o quadro geral.
   Claro, ainda recomendo o livro. Há boas reflexões sobre nosso futuro cada vez mais tecnológico, monopólio de grandes corporações e do quanto estamos dispostos a abrir mão da nossa privacidade para nos sentirmos mais seguros. 
   Mas "O círculo" também tem sérios problemas e o principal é a protagonista. Mae é usada por absolutamente todos os personagens do livro, manipulada por todos os lados. Acompanhar o livro sob seu ponto de vista é frustrante, ainda mais quando não há nenhum insight, nem um momento de clareza na trajetória da personagem
   Além disso a trama poderia ser menos repetitiva e alguns momentos simplesmente não deveriam existir. Tudo isso forma um quadro meio desconexo: "O círculo" é bom, mas não o suficiente para ser inesquecível. 

Nota 8

Livro Eu estou pensando em acabar com tudo - Iain Reid

   

   Um casal viaja por uma estrada praticamente deserta. A moça pensa em terminar com tudo, com o relacionamento e começa a pensar sobre a vida, sobre os relacionamentos. Apesar de gostar de Jake e sentir com ele uma ligação única, ao mesmo tempo ela pensa em terminar pois não está completamente apaixonada. Ela aceitou fazer essa viagem para conhecer os pais de Jake mas está ciente de que será a última viagem que farão juntos. Depois ela irá terminar com tudo. 
   Comecei a assistir uma resenha desse livro mas logo parei pois um dos primeiros comentários do vídeo é o de que "quanto menos você souber sobre esse livro, melhor". Encontrei uma versão do livro em inglês, por meios não muito ortodoxos e comecei a ler imediatamente. 
   O livro é bem curto, os capítulos são bem rápidos de ler, apesar de serem cheio de ideias. As reflexões da personagem principal são interessantes mas, mais do que isso, há o interesse em saber o que raios está acontecendo e o que vai acontecer no final de tudo. 
   Apenas no final do livro é que ocorre algo que poderia ser chamado de "ação". O restante são diálogos, momentos e a sensação de que há alguma coisa muito, muito errada. Talvez seja esse o chamado suspense ou terror psicológico, gênero marcado pela subjetividade e pelos jogos mentais. Enquanto leitora, esse gênero sempre me atraiu.

   Entre a narração em primeira pessoa dessa protagonista sem nome, temos trechos em terceira pessoa, de pessoas comentando um crime horroroso que havia acontecido há pouco tempo. Está implícito que a narrativa da moça irá chegar até aquele momento sangrento mas não temos certeza de como isso irá ocorrer - sequer sabemos o que aconteceu de verdade, apenas que houve morte e não foi uma morte muito agradável. 
   Li a última metade do livro toda de uma única vez. Quando terminei, em inglês, tive que procurar uma versão em português do livro para ler o final todo novamente. Depois que fiz isso, vi que o problema não era meu inglês (realmente) débil mas sim a escrita propositalmente misteriosa do autor nesses últimos capítulos. A intenção era deixar um subtexto ali, uma dúvida sobre o que realmente aconteceu. A ideia geral dessa conclusão eu só entendi quando reli o final e li o primeiro capítulo de novo, em sequência. Agora (acho que) sei o que aconteceu de verdade, o que estava acontecendo desde a primeira vez em que a personagem principal pensou em acabar com tudo. 
    Sem mais detalhes para não estragar o livro para o que ficaram curiosos. Gostei muito da narrativa, na escrita do autor e da experiência de terminar um livro sem ter certeza se realmente o entendi. Mas acho que não é um livro para todos: se você não tem paciência para metáforas e alegorias nem comece esse livro. E se não gosta de tramas que se passam mais no interior dos personagens também é melhor ler outra coisa

   É muito difícil avaliar esse livro com alguma nota mais eu daria 8,5 - gostei daquilo que consegui entender. Esse é o primeiro livro de Iain Reid e pretendo ler mais do que ele publicar pois também gostei da forma com que ele narra a história, por isso o meio ponto. 


   

Lendo Tolstoi, Eurípides e Nelson Rodrigues (DIRETO AO PONTO #021 )

Felicidade Conjugal

Autor: Leon Tolstoi
Ano: 2010    /   Formato: E-BOOK
Editora: Editora 34
Opinião: Essa é uma novelinha bem rápida do Tolstoi, que conta a história sobre uma moça, a forma como ela se apaixonou pelo marido e tudo o que aconteceu depois. Li mais para conhecer a escrita do autor e me surpreendi muito - Tolstoi tem uma escrita fluída e interessante. Além disso ganhou mais alguns pontos por narrar a trama sob o ponto de vista da mulher, algo que (creio) é muito difícil de ocorrer em clássicos, ainda mais escritos por homens. 
Cena: Acho que um dos momentos mais marcantes do livro é o final, quando a protagonista e narradora finalmente encontra a tal felicidade conjugal. Não que eu tenha gostado propriamente desse desfecho mas vejo como o final mais coerente para essa história. 
Nota: 8 - um bom livro para conhecer o autor. Recomendo!

As Bacantes 
Autor: Eurípedes
Ano: 2010 /   Formato: E-BOOK
Editora: Hedra
Opinião: Li A história secreta em 2015 mas esse livro parece que continua ainda um pouco dentro de mim. Em 2016, li O Grande Gatsby só porque todas as resenhas de A história Secreta comparava um livro a outro. As Bacantes eu já tinha no kindle desde aquela época, me foi indicado como um complemento para entender melhor um momento bem específico de A história secreta. Resolvi ler nesse comecinho de ano e achei a história muito interessante, apesar de ser uma peça teatral, gênero que eu não gosto muito de ler. 
Tinhas minhas ressalvas sobre a linguagem do texto mas tudo correu bem - As Bacantes, em termos de tamanho da obra e dificuldade, não é nenhuma Odisseia - podem ler sem medo. 
Cena: Gosto de quando Dionísio executa sua vingança. Eu sei que isso é um tanto mórbido mas o que sempre me fascinou na Mitologia Grega é ver os deuses em ação, para o bem ou para o mal.
Nota: 8 - uma boa leitura para conhecer melhor os gregos. 


O Beijo no Asfalto
Autor: Nelson Rodrigues
Ano:  2012   /   Formato: E-BOOK
Editora: Nova Fronteira
Opinião: Quando era mais nova vivi uma fase de breve interesse pelo Nelson Rodrigues. Lembro que cheguei a ler a peça Álbum de Família e também a biográfia dele, Anjo Pornográfico, que tenho até hoje. À epoca só não li mais coisas dele porque, como eu disse acima sobre As Bacantes, não gosto muito de ler peças teatrais e eu só tinha acesso a elas naquele momento. 
Quando terminei As Bacantes e fui procurar outra coisa no kindle para ler, encontrei esse livro, que comprei meio por impulso, em uma promoção da Amazon. O Beijo no Asfalto conta a história de um homem que, após beijar um desconhecido que havia sido atropelado, passa a ser perseguido pela imprensa, que logo inventa toda uma história em cima do ocorrido. Gostei dos diálogos rápidos e das cenas sem muitas delongas - apesar de composta por 3 curtos atos, essa é uma peça que fala muito mesmo no dias de hoje.
Cena: O final é uma das cenas mais poderosas do texto, quando uma revelação fundamental para o entendimento da trama é feita. 
Nota: 8 - uma boa peça, eu com certeza pagaria para vê-la encenada.