|FILME| Creed - Nascido Para Lutar (RESENHA / REVIEW) #Oscar2016

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   Continuação da franquia "Rocky", narra a história de Adonis Creed, filho do lutador Apollo, melhor amigo de Rocky, e que também quer perseguir a carreira de lutador.  No entanto, ao contrário de Rocky e Apollo, Donnie não teve que enfrentar muitos desafios na vida, tendo sido criado com regalias pela esposa de Apollo depois que ela o tirou de um reformatório. Como o próprio Rocky diz ao personagem no início, Donnie é um jovem que não tem porque lutar, mas que escolheu lutar mesmo assim por entender que é esse o seu sonho e destino. 
   Por acreditar nisso, Donnie se muda para Detroit e passa a treinar boxe por conta própria já que, a principio, Rocky não quer treiná-lo. Enquanto tenta realizar suas aspirações como lutador ele conhece a cantora Bianca, com quem acaba se envolvendo. Donnie também percebe que é difícil se livrar da influência e da pressão de ser filho de um astro no esporte em que quer atuar. 
   Não sou fã da franquia, acho que nunca assisti a um "Rocky" do início ao fim. Porém fui assistir Creed com altas expectativas, pois sei que as tramas da história tem sempre um que 'motivacional'. Não me decepcionei, Creed é um ótimo filme, com cenas de luta emocionantes e realistas e diálogos muito bons, embora não excelentes. Stallone tenta aqui ressucitar sua franquia de sucesso, contando a história desse novo boxeador, enquanto coloca Rocky, o personagem aparentemente invencível dos outros filmes, no maior desafio de sua vida. 
   Essa mistura de drama com ação/lutas que já é característica dos filmes dessa franquia mas conseguiu me emocionar mesmo assim. Quando disse que os diálogos não são excelentes o fiz por entender que esse filme não tem nenhum discurso motivacional do Stallone ou de qualquer outro personagem, daqueles que a gente costuma ver depois da internet como inspiração motivacional. Pelo contrário, o único monólogo de Rocky nesse filme é até anti-motivacional, em um dos momentos de maior carga dramática da história. Tenho que elogiar a atuação espetacular de Stallone nesse filme (não é atoa que está concorrendo a Melhor Ator Coadjuvante no Oscar desse ano) e sua coragem de colocar seu personagem, tão consagrado, em uma situação vulnerável. A cena em que Rocky vai visitar sua esposa no cemitério e a ultima cena, em uma famosa escadaria, são apenas alguns exemplos memoráveis do ator e do filme. 
   E, sobre a ação, está também está emocionante. Nunca pensei que ficaria tão angustiada e torcendo com uma luta de boxe mas foi isso o que aconteceu. O desfecho foi bem coerente e realista mas não deixou de empolgar, fiquei com vontade até de ver os outros filmes da franquia. E sobre a trilha sonora? Para os que acham que esse filme não terá Eye Of The Tiger, sugiro que continuem assistindo porque essa é uma das cenas mais arrepiantes de Creed. 
   Recomendo para os que já curtem a franquia ou gostam desse tipo de filme, ou mesmo se você está afim de um ótimo filme para assistir em casa num dia chuvoso. 
   Nota 8,5 - um bom filme; dei meio ponto pelas cenas memoráveis. 

|TRAILER|

|RESENHA| Eu, robô - Isaac Asimov

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   Um livro escrito na década de 50, sobre um tema que parecia, naquele momento, uma realidade no futuro: robôs. Iniciando com as 3 Leis da Robótica, e afirmando que nenhum robô pode descumpro-las, o início nos apresenta uma série de contos a segui que nos mostram que isso pode não ser bem verdade (ou ser verdadeiro até demais). 
   Relacionadas entre si, essas 9 histórias vão aumentando a complexidade, "jogando" com essas três leis, de forma a fazer o leitor se questionar cada vez mais sobre o tema. O final é um soco na cara, a chegada de um paradoxo assustador, que faz o leitor ficar pensando no livro horas (e dias) depois de tê-lo concluído. 

   
     A protagonista do livro é Susan Calvin, uma robô-psicóloga que, prestes a se aposentar, começa a contar suas histórias a um jovem repórter, que vai fazer uma matéria sobre sua aposentadoria iminente - são essas histórias que compõe o livro. Susan é o tipo de protagonista que vai crescendo aos olhos do leitor ao longo da história: no início eu não gostava muito dela mas, com o passar do livro fica claro que ela é a única a enxergar a realidade nas situações apresentadas.
   Sobre a comparação entre o livro "Eu, robô" e o filme, com Will Smith, bem, eu já sabia que o livro e o filme eram muito diferentes entre si. O meu choque foi perceber que não há nada além do título e das 3 leis da robótica que relacione um história a outra. O filme, que antes achava divertido, se mostra uma decepção diante da genialidade que é o livro, não há a mesma sutileza na história, nem o mesmo desfecho perturbador. É uma caricatura, não uma adaptação.
   Apesar da tecnologia dos robôs ser algo distante da nossa realidade, a reflexão que o autor traz em "Eu, robô" se aplica (e muito) aos nossos dias atuais: até que ponto nós seres humanos não somos controlados pelas máquinas que nós mesmos criamos? Isso é algo muito moderno e é por isso que o livro permanece novo, mesmo tendo sido escrito a muito tempo atrás. 
     Falando sobre a época que o livro foi escrito, durante a Guerra Fria, é interessante ver a solução que o autor (que é russo) dá para esse conflito que durou anos e anos: para ele, E.U.A. e U.R.S.S. iam acabar se unindo e, no futuro em que se passa o livro, eles formam uma das super potências mundiais. 
   Minha nota é 9,5 - o livro é excelente, mas o 10 é só para os favoritos (ou seja, se eu reler e continuar achando incrivel, volto aqui e dou um 10). 

|RESENHA| Um homem de sorte - Nicholas Sparks

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   Depois de 3 missões ao Iraque e uma série de situações em que colocou sua vida em risco, Thibault agora vaga pelo país em companhia de um pastor alemão. Barbudo, parecendo um andarilho, o jovem parece não ter destino em mente... mas acaba parando em Hampton onde, logo de cara, conhece o desagradável policial Clayton. Thibault logo ensina uma lição ao sujeito e segue seu caminho pois tem uma missão: encontrar a garota da foto que o protegeu enquanto estava lutando na guerra.
   Ok, eu gosto de romances e não me importo o quão realista (ou não) eles podem ser. Mas Nicholas Sparks não dialogou comigo da forma que os romances que eu tanto aprecio fazem, talvez por eu senti certa pretensão em sua escrita, como se o autor estivesse levando-se mais a sério do que deveria. Nesse ponto, sua escrita me lembrou um pouco a de Nora Roberts no último livro que li da minha outrora autora favorita. Tanto Nora quanto Nicholas escrevem como se cada bobagem escrita fosse crucial e importante e com uma artificialidade impossível de relevar (será que os dois usam o mesmo Ghost Writer?).
  Em "Um homem de sorte" temos uma heroína impossivelmente bonita e modesta, o arquétipo da princesa esperando por ser salva. E quem aparece para salvá-la? Isso mesmo, Zac Efron Logan Thibault. Logo no primeiro capítulo somos apresentados a esse personagem de maneira tendenciosa: Temos o policial Clayton fazendo algo reprovável e Thibault aparecendo do nada para "salvar o dia". Tudo isso para fazer com que, ao lado de um babaca, o mocinho estranho e maltrapilho pareça gente boa. 
   Também não é nada mal para a moral de Logan Thibault junto aos leitores que essa pessoa impossivelmente imbecil seja o ex-marido de Elizabeth, a mocinha, e pai do filho desta. O contraste entre ambos é que torna Thibault atraente: enquanto Clayton é o tipico garoto mimado, que não cresceu e acha que pode controlar tudo a sua volta, Thibault aparece como um homem despretensioso que "só quer ajudar". Clayton quer que o filho seja bom em esportes, Thibault não só aprova que o menino toque violino como ele próprio o faz, além de tocar piano perfeitamente. Clayton só sai com garotas mais novas, Thibault mal lhes dá atenção. Um homem normal já teria dificuldade de competir com tamanha perfeição mas, com alguém como Clayton 'no paréo', se torna ainda mais fácil para o mocinho se estabelecer como o protagonista da história.
   Não fosse por isso quanto tempo os leitores (ou leitoras) levariam para achar todo esse plot, no minimo, estranho? Afinal, estamos falando de um homem que foi a pé até uma cidade do interior dos Estados Unidos e que, chegando lá, usou artifícios enganosos até conseguir descobrir quem era essa mulher da foto e onde morava. Quando descobriu quem Elizabeth é, esse 'mocinho' se infiltra na vida dela, trabalhando junto com a sua avó, ficando até mais tarde no trabalho e entrando mais cedo, só para ver e ser visto pela mocinha.
   Afinal "a proximidade gera familiaridade que, por sua vez, gera confiança" (pág. 102). E Thibault, o nosso "mocinho", quer muito que Elizabeth confie nele. Tanto que, por ver um pastor alemão na foto com ela, vai até a Alemanha comprar um cachorro igual. Tanto que se torna um grande amigo do filho dela e o funcionário ideal para sua avó. Um homem perfeito, entende? Bem ali ao lado dela, atendendo a todos os seus desejos - como Beth não iria se apaixonar? 
   Tudo bem, temos no livro a visão do mocinho e vemos que suas intenções parecem ser as melhores possíveis, que nem tudo foi frio e calculado. Mas esse início do relacionamento dos dois é difícil de engolir e a escrita sem personalidade se sem grandes recursos de Nicholas não ajudou a deixar os personagens melhores para mim. A começar porque todos são absurdamente perfeitos, belos, religiosos e modestos mas também todo esse plot que não desceu de jeito nenhum. Na cena do conflito entre Beth e Logan, em que ela joga na cara dele que ele é um stalker maluco, eu me vi concordando com a mocinha em todos os momentos... Eu deveria estar torcendo por eles mas, quando nem Logan consegue justificar sua atitude, como fazê-lo?
   Infelizmente, de um capítulo para outro Beth parece esquecer que foi manipulada desde o inicio. É como se, após uma breve conversa com sua avó (criativamente chamada de Nana) Beth pensasse consigo mesma: "bem, que seja: ao menos a foto me rendeu esse bonitão" e pronto, parte para perdoar Thibault. Se o mocinho fosse feio ou não tivesse a cintura fina, peito e braços definidos, Elizabeth (e os leitores) aceitariam essa explicação tão rápido? Fica o questionamento. 
   Mas ok, passou a situação da foto e ainda temos páginas e páginas do livro. Pensei comigo que ai vinha alguma bomba e eis que eu tenho razão porque Nicholas, mostrando que não consegue criar conflito entre um casal sem colocar uma tragédia no meio, cria uma situação tão ridícula, mas tão ridícula que eu não podia acreditar na quantidade clichês jogadas na minha cara, seguidamente, nessas ultimas páginas. Policiais deveriam ser mais inteligentes, só isso que digo. 
   O epílogo, que é feito num tom misterioso de propósito, por esse mesmo motivo fica vago. É algo escrito para arrancar sorrisos e lágrimas dos leitores mas falta ali uma conclusão decente: quer dizer que o autor passa metade do livro falando na divida que Logan tinha para com Elizabeth, do quanto "não estava terminado" só para terminar com aquela cena mais ou menos e esse epilogo sofrido de uma visita ao cemitério? Sinto muito, Nicholas, mas [SPOILER ALERT - PULE ESSA LINHA!] quem pagou a divida foi o cachorro, Logan só afundou na água e deixou que o ex-marido de Elizabeth morresse. [FIM DO SPOILER - SIGA A RESENHA]
   Enfim, meus posts são muito pouco parecidos com resenhas e esse é mais um desabafo mesmo. Que fique claro e registrado que eu teria aceitado todos esses clichês e essa ridícula situação do plot se a história tivesse me convencido disso, se os personagens fossem melhores, se os diálogos fossem decentes... enfim, se houvesse qualquer coisa que dialogasse comigo, mas esse não foi o caso. 
   Eu indico esse livro se você gosta de romances; não é só porque o livro não funcionou para mim que não pode funcionar para outra pessoa. Afinal estamos falando de um autor que já vendeu milhares de cópias, amado por muitos leitores: a exceção de mim, pelo visto. 
   Nota 6 - não gostei