|FILME| Drácula (2014): a história nunca contada (Resenha / Review)

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     Quando criança, o príncipe Vlad foi levado pelos russos e treinado para ser um guerreiro impiedoso e sem misericórdia. Anos depois a criança se torna exatamente isso, a ponto de ser conhecido pelos seus inimigos (e amigos) como Vlad, o empalador. Mas, depois de muitas batalhas e de ter ajudado os turcos a ampliarem seu império, o príncipe voltou para casa, para reinar sob o seu povo.

       Agora mais velho e um homem atormentado pelos seus pecados passados, tudo o que ele quer é viver em paz com sua mulher e filhos. Mas a descoberta de uma estranha criatura no pico mais alto de seu reino, junto a nova ameaça dos turcos faz com que a guerra se torne inevitável.
        Vampiros. Já disse que, quando mais nova, esses eram meus seres sobrenaturais favoritos? Perdi a conta de quantos, livros e filmes assisti sobre o tema, quantos artigos, quantos documentários, quantas séries. Porém, depois de Crepúsculo o tema se tornou um pouco decepcionante para mim: o fato é que não se fazem mais vampiros como antigamente. Talvez um dia escreva mais sobre isso mas é importante explicar toda essa minha relação com "vampiros" para que vocês possam entender minha opinião sobre o filme.
         Acontece que todo o princípio não me convenceu. Transformar Vlad Tepes e transformar essa figura história em vampiro é meio bizarro para mim, ainda mais quando penso que ele é considerado um herói na Romenia. Alguns podem dizer que quiseram falar do "Drácula real", uma vez que a figura história foi inspiração para Bram Stoker fazer o seu Drácula mas tudo me pareceu uma grande fanfic de um personagem famoso.
O imperador Mehmed aka vilão do filme
         Voltando a fanfic ao filme, para salvar o povo da Transilvânia dos turcos e impedir que seu filho seja levado assim como ele foi quando era pequeno, Vlad faz um pacto com um vampiro preso em uma caverna. O vampiro o transforma e diz que se em 3 dias ele provasse sangue humano, tal condição serie eterna, e o vampiro que o transformou estaria livre. Como Vlad considera esse "pacto" uma maldição, promete fazer de tudo para evitar consumir sangue humano.
        E é por isso que não vemos muito "vampirismo", de fato, nesse filme. Considerando que Drácula, como um vampiro, consegue destruir exércitos inteiros, seria muito mais interessante e impactante se muito sangue rolasse nessa cena, de preferência com Drácula mordendo pescoços a torto e a direito. Mas, tirando o finalzinho em que vemos alguma ação desse tipo, todas as cenas de batalha só mostram o qual forte e ágil Vlad se tornou, tornando o fato dele ser um vampiro apenas uma explicação para a aquisição desses novos "super poderes".
        Sim, o filme é legalzinho e tem uma ou outra cena um pouco melhores. Mas achei muito sessão da tarde, sabe? Até mesmo a batalha final entre ele e o imperador turco me lembrou aqueles filmes antigos do Van Damme, com direito a frase de efeito e tudo. Até mesmo o romance entre e ele a esposa não me animou, e olha que gosto de romances.
Desculpe, amor, não posso morder seu pescoço.
        Assisti a esse filme duas vezes, por motivos que não vale a pena explicar e nas duas vezes tive a mesma sensação: o filme faz tudo certo mas não tem aquele algo a mais. É o tipo de filme que você assiste hoje, até indica para um amigo que gosta de aventura/ação mas esquece logo em seguida.
        Por isso minha nota é 6,5 - não gostei mas por uma ou outro momento em que senti que o filme poderia ser bom (e não foi) dei esse meio ponto de bandeja.
       
      |TRAILER|

|FILME| Jogos Vorazes: A esperança parte 1 (Resenha / Review)

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|ATENÇÃO| Contem spoilers de "Em chamas".

     Katniss está de volta! Dessa vez no mais voraz de todos os jogos: uma guerra contra a Capital. Depois de ser resgatada da arena com vida Katniss agora vive no Distrito 13, já que o 12 foi completamente destruído. Apesar de odiar o presidente Snow e a Capital, ela ainda reluta em ser "O tordo", o símbolo da revolução que se inicia. Como saber se Alma Coin, a líder do 13, não é igual a Snow? Afinal, eles deixaram Peeta na arena e isso Katniss não consegue esquecer.
      No entanto, ver o Distrito 12 totalmente destruído e recebendo o apoio de pessoas que lhe são caras (Gale, Prim, Haymitch) acabam fazendo com que Katniss concorde em ser o rosto da revolução. Isso e a promessa de que Peeta não será punido pelo 13, mas sim resgatado na primeira oportunidade.
      Eu ganhei o livro 'A esperança' no mês de janeiro, como presente de aniversário. Não tenho orgulho de dizer isso mas já estamos em novembro e ainda não tive forças para terminar de ler, por motivos que explicarei melhor na resenha do livro (quando terminá-lo). O importante é dizer que, ao menos, já tinha lido até a parte retratada nesse primeiro filme e isso me permitiu observar e comparar o que li com o que estava vendo em tela.
       Primeiramente, é inegável que o filme se preocupa muito mais com a guerra do que o livro. Como este ultimo é escrito em primeira pessoa, por muitas vezes somos limitados por sua visão igualmente limitada dos fatos. Já no filme podemos observar como, efetivamente, Katniss inspira a rebelião nos distritos e é dessas batalhas (que Katniss não vê ou participa) que saem grande parte das cenas de ação do filme: minha preferida é a hidrelétrica, mas não vou dar detalhes.
         Enquanto o mundo vai abaixo nos outros distritos, Katniss tem que lidar com seu medo e seu crescente desequilíbrio com a ausência de Peeta. Ausência que serve para a heroína perceba que (afinal) seus sentimentos por ele eram (são) mesmo verdadeiros.
A propósito: Josh Hutcherson mostrou nesse filme que é um ótimo ator. 
          Quanto a Gale? Apenas um 'papagaio de pirata', seguindo Katniss por toda a parte. Sei que ele terá destaque no próximo filme mas nesse ele é pouco mais que um coadjuvante (até Finnick tem mais falas).
         Achei esse ultimo filme mais parado que os anteriores mas também mais sombrio. Há pouco espaço para carruagens e vestidos em chamas numa guerra, por isso é frequente a sensação de que Jennifer Lawrence não está maquiada (na verdade ela está maquiada para parecer que não está mas vocês entenderam).
           Falando na atriz, novamente podemos perceber a importância da escolha dessa atriz como protagonista da franquia. Lawrence consegue transmitir milhares de emoções apenas com expressões faciais e um par de frases, o que é fundamental nesse filme - imagine se todos os monólogos internos do livro fossem para a telona, Desde a primeira cena, conseguimos capturar exatamente o estado mental e emocional da personagem e isso é mérito de Jennifer Lawrence.
            Apesar de compreender que a primeira parte seja uma introdução do que ainda está por vir, não pude deixar de sentir o mesmo de quando assisti Amanhecer parte 1: que esse filme poderia ter sido resumido em meia hora.
            O final é a parte mais emocionante (chocante, arrepiante) de todo o filme e, até agora, também é a cena que mais me chamou a atenção no livro. Mesmo com os meus receios quanto a saga, é a coragem de Suzanne Collins em tomar decisões difíceis e dolorosas sobre o destino dos seus protagonistas que me faz continuar a acompanhar os livros e filmes.
              Isso e a curiosidade em saber como diabos tudo isso pode acabar (bem). Nota 7,5 - um filme razoável mas dei meio ponto por uma cena ou outra (e pelo final).




P.S.: Depois da morte de Joffrey, Margaery Tyrell  entrou  para um grupo  de rebeldes... NÃO PERA.





|FILME| Anabelle (Resenha / Review)

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        John e Mia são um tipico casal dos anos 60/70: apaixonados e felizes, estão esperando seu primeiro filho, imersos na correria e nas dúvidas dessa nova fase. John é um estudante de medicina que receia que esse filho atrapalhe seus estudos, ao mesmo tempo que anseia pelo nascimento do mesmo. Já Mia é uma recém casada feliz, embora pareça se ressentir um pouco do seu papel de dona de casa. Durante a gravidez Mia sente-se um estorvo para o marido e, embora esse diga que não é o caso, a sensação permanece.
        Uma noite, eles ouvem um barulho na casa vizinha e John, muito ingenuamente mas perfeitamente compreensível quando pensamos o período em que se passa a história, vai até a casa ao lado para saber o que aconteceu. Ele deixa a esposa com orientações para que ela não saia de casa mas, como esse é um filme de terror e em filmes do gênero as pessoas nunca obedecem, ela vai atrás... E da de cara com um John lívido e coberto de sangue que lhe pede para ligar para a policia e se trancar na casa. 
       Mia corre para fazer o ordenado ao marido mas já é tarde demais, os assassinos já estão na casa, dispostos a fazer de tudo para que seu ritual satânico seja concretizado. Infelizmente esse ritual implica muito sangue e a utilização de uma das bonecas que John havia dado de presente à Mia, no mesmo dia dos acontecimentos. Eles não sabem mas, depois daquele dia, a boneca passa a ser possuída pelo espirito de Anabelle, a moça que havia cortado o próprio pescoço antes da polícia chegar ao local. 
         Anabelle é um spin-off de Invocação do Mal, filme lançado filme de 2013 que conquistou grande sucesso de bilheteria tornou James Wan um dos queridinhos do gênero de terror, por conseguir (com baixo orçamento) sucessos estrondosos de bilheteria. Em Anabelle, Wan atua como produtor, cabendo a direção à John R. Leonetti, que já havia trabalhado com Wan como diretor de fotografia em outros longas. 
         O clima retrô, as imagens assustadoras que passam muitas vezes despercebidas, o suspense crescente, a presença de uma criatura muito mais maligna e demoníaca que fica como que observando toda a ação... Tudo isso (e eu poderia citar mais) são características encontradas em outros filmes da dobradinha Wan/Leonetti mas, nem por isso menos assustadores, já que em todas as histórias também há suas próprias particularidades. As referências não são uma tentativa de replicar o sucesso obtido, são só isso, referências do estilo dos envolvidos na direção/produção da trama. 
         Quando o terror começa a se tornar insuportável para a grávida Mia, ela propõe que eles se mudam de casa. Já num apartamento, a vida parece ter voltado ao normal. Até que Mia abre uma das caixas da mudança e encontra a boneca, a que vou me referir como Anabelle para facilitar minha vida (e a compreensão de vocês). Mas o marido não tinha jogado a boneca fora antes da mudança? Tinha, ele jurou, mas lá estava a dita cuja para contrariar essas palavras. "Quer que eu jogue a boneca fora?", John pergunta, desesperado para satisfazer a esposa. "Não precisa", ela diz, colocando a boneca na cadeira de balanço. 
          Só ai já comecei a achar que essa mãe já não estava muito bem da cabeça, mas segui assistindo ao filme. Depois que a boneca é desempacotada é que o filme começa de verdade, por que é quando Mia se vê perseguida por essa entidade misteriosa. O que esse ser demoníaco quer, descobre-se, é uma alma para chamar de sua, como parte do ritual do inicio do filme. Falando em seres demoníacos, Anabelle tem uma sequencia extremamente assustadora que mostra esse ser pela primeira (e unica) vez durante o filme, e que quase me fez chorar encolhida no cinema. Sim, sou uma covarde de mão cheia e também consegui me assustar na cena do desenho, do padre, etc. etc. mas essa cena entrou para o hall das minhas favoritas, mesmo não envolvendo a personagem principal, no caso, a boneca.
         Sobre a Anabelle, fui ao cinema mentalmente preparada para vê-la em ação então consegui aguentar firmemente o medo, embora nem sempre pude evitar assistir com as duas mãos cobrindo o rosto (olhando sempre por uma fresta, apenas). O fato é que eu realmente bonecos são um temor muito sério para mim, um dos temas clássicos de filmes de terror que sempre (sempre) conseguem me assustar (vide Gritos Mortais e A mulher de preto, só para citar alguns exemplos). Então imagine minha cara ao longo do filme. 
         No entanto, talvez pelo Hype gerado pelo filme ao longo das ultimas semanas, não consegui achar Anabelle essa coca-cola toda que estão falando. Sim, o filme dá medo, tem ótimas cenas, ótimos personagens e cumpre todos os requisitos de um bom filme de terror, inclusive dando um ar de continuação que (na minha opinião) todos os filmes do gênero deveriam possuir, para que o filme fique na cabeça do telespectador mesmo após o término. Mas Anabelle tem um final meio morno e, bem, não tem nada de tão espetacular assim. 
           Deixe-me explicar. Achei o filme muito bom? Sim. A história da medo? Muito. Indicaria ele para todos os meus amigos que curtem (ou não) filme de terror? Sim. Mas, da mesma forma, também indicaria Insidius, Gritos Mortais, Invocação do Mal, só para citar filmes do próprio Wan. Anabelle é, para mim, outro filme bom de Wan/Leonetti  mas não chega nem a ser o melhor filme dele
           Então porque esse hype todo? Minha aposta é que os filmes de terror mais clássicos estão (finalmente) sendo redescobertos pelo 'grande público' e isso é ótimo. Não quero bancar a hipster dos filmes de terror, quanto mais gente curtir o gênero, mais opções teremos nos cinemas. Que Anabelle seja o primeiro de uma longa safra de filmes muito bons de suspense/terror.

            Minha nota é 8,5 - um filme bom com cenas muito boas (por isso o meio ponto). E fica a dica para assistirem no "Dia das Bruxas". :) 

P.S.: Apenas uma correção - antes de 'Invocação do mal', James Wan já tinha sido responsável pela criação de outra franquia de sucesso: Jogos Mortais. O cara é phoda ou não é?