Filmes Sing, Minha mãe é uma peça 2 e Animais Noturnos (DIRETO AO PONTO #015)

Nome do filmeSing
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Mariana Ximenes, Wanessa Camargo, Fiuk
Diretor: Garth Jennings
Opinião: Um Koala chamado Buster Moon resolve fazer um concurso de canto com um prêmio de 1.000 dólares, porém um acidente acaba fazendo com que os folhetos impressos anunciem um prêmio de 100.000. Logo aparecem os candidatos, cada um com sua história de vida, seu estilo e seus motivos para ganhar o prêmio. O filme tira sarro de alguns clichês de reality shows musicais, como American Idol e tem uma pegada mais adulta, apesar de algumas cenas bem patetas, obviamente colocadas ali para alivio cômico. Mesmo assim, foi-se o tempo em que animações eram filmes só para crianças e 'Sing' é um filme que promete agradar ao público de todas as idades. 
Cena: Eu gosto muito da cena em que Buster está lavando os carros. Eu sei que o objetivo dessa cena é trazer o humor mas eu fiquei emocionada ao ouvir 'Nessum Dorma' na trilha sonora desse momento.
Nota: 8 - boa animação
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Nome do filmeMinha mãe é uma peça 2
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Paulo Gustavo, Rodrigo Pandolfo, Mariana Xavier
Diretor: César Rodrigues
Opinião: Dona Hermínia está de volta! Nessa continuação temos novas histórias dessa mãe que se parece muito com a mãe da gente, dessa vez tendo que lidar com os filhos saindo de casa. Eu gostei muito do primeiro filme e a continuação, apesar de garantir boas risadas, não tem uma história tão interessante quanto o primeiro filme. Quando você acha que a história vai começar, o filme acaba.
Cena: Acho que a cena em que Dona Hermínia vai com os filhos na boate é uma das mais divertidas.
Nota: 6,5 - o filme é ok, mas não vale o ingresso. Melhor assistir quando sair no DVD.
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Nome do filmeAnimais Noturnos
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon
Diretor: Tom Ford
Opinião: Uma negociante de artes entediada e com o casamento em crise recebe um manuscrito de seu primeiro marido, Edward. Segundo ele, aquele livro havia sido escrito inspirado em Susan e esta era a razão para que ele gostaria que ela lesse primeiro. Ao mesmo tempo em que lê o manuscrito de "Animais Noturnos",  o nome do livro de Edward, Susan também recorda seu passado e sua história com o ex marido. 
Quis assistir 'Animais Noturnos' porque, na minha pesquisa quando fui escrever sobre "A Chegada" vi críticas que garantiam Amy Adams no Oscar, seja devido a sua interpretação naquele filme quanto nesse. Esperava um thriller mais pegado, porém, para minha surpresa, o filme tem mais elementos de drama. A trama se divide em 3, com a trama atual de Susan, seu passado com Edward e a história do livro, que parece uma metáfora desse passado. Pode parecer confuso e é mesmo, ainda mais porque temos Jake Gylenhaal está presente em 2 dessas 3 linhas temporais fazendo dois personagens diferentes. Porém não é nada que certa dose de atenção não resolva. 
Tom Ford nos guia para essa trama pesada de tal forma que te faz imaginar alguma espécie de ápice mas o final é bem anti-climático e, talvez, um pouco decepcionante. Eu, que gostava do filme até aquele momento, me decepcionei um pouco com o desfecho, embora não possa deixar de valorizar a justiça poética nele contida. 
Cena:  As primeiras "cenas" do livro de Edward e a cena em que o personagem de Jake Gylenhaal descobre a traição de Susan.
Nota: 6,5 - não gostei mas, se for assistir esse filme por algum motivo, o faça pela atuação sensacional de Amy Adam e Jake Gylenhaal, um dos maiores injustiçados pelo Oscar.

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|LISTA| 5 LIVROS PARA 2017

Em meu último post do ano passado, onde avalio minhas leituras e o cumprimento das metas, prometi que iria publicar aqui uma lista bem mais modesta, com uma meta de 5 livros para ler em 2017. Como eu disse neste post, se eu cumprir esse desafio até a metade do ano, estabeleço mais 5 livros. Se não, vão ser só esses meses.
                Só escolhi livros que eu realmente quero ler, então acho que não será nenhum desafio. Vamos a eles então?

 5. As  Aventuras  do Bom Soldado Sveijk - Jaroslav Hašek

Ok, trapaceei um pouco aqui. Já passei da metade deste livro, que iniciei no ano passado.  Mas, quando pensamos que se trata de um calhamaço de mais de 600 páginas, me comprometer a terminá-lo até que vale um lugar nesta lista. 



   4. Drácula - Bram Stoker

Como pode uma pessoa que gosta tanto de histórias com vampiros nunca ter lido Drácula? Para completar ainda tenho duas edições desse clássico, logo, não tenho desculpas para não ler. 



   3. Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens


Ano passado senti falta de ler algo de Charles Dickens. Escolhi "Um conto de duas cidades" porque é um livro que eu tenho muita vontade de ler e tem um dos primeiros parágrafos mais bonitos que eu já vi. 



   2. Uma criatura Dócil - Dostoievski


Há muito tempo tenho tentado entrar na literatura russa, inclusive já comprei vários livros de autores russos, mas sei que aqui não dá para começar lendo calhamaços. Ano passado li "Noites Brancas" e esse ano lerei esse, que também tem poucas páginas. Devagar e sempre, quem sabe não engato um "Crime e Castigo" em 2018?



   1. O Corcunda de Notre Dame - Victor Hugo

Esse estava na minha lista desde o ano passado, mas acabei protelando e não consegui ler. Quero começar com este livro do Victor Hugo ao invés de "Os miseráveis" ou outra de suas obras porque é o único que tenho. 


*

   Esses são os escolhidos, pessoal, me desejem sorte. Se tudo correr bem, vou postando os links da resenha por aqui, conforme for lendo os livros. Até a próxima! 


|DIRETO AO PONTO #014| Agatha Christie, Ed/Lorraine Warren e Lewis Carroll

Direto ao ponto é uma coluna do blog em que falo rapidamente sobre 3 livros ou filmes que assisti/li recentemente. Para ler outras postagens iguais a essa, CLIQUE AQUI



Nome do livro: O Assasinato no Expresso do Oriente
Autor: Agatha Christie
Ano: 1998   /   Formato: e-book
Editora: Nova Fronteira
Opinião: Um assassinato no Expresso Oriente tem tudo para parecer um roubo comum. Porém Hercule Poirot, o principal detetive da Agatha Christie, está em um dos vagões e não compra essa ideia de forma alguma. 
   Não é a toa que essa é uma das tramas mais famosa da escritora inglesa: trama bem elaborada, com um plot-twist de tirar o folêgo e desenvolvimento rápido, esta história mostra um Hercule Poirot (e uma Agatha Christie) em sua melhor forma, com direito aquele senso de humor peculiar a qual estamos acostumados é uma tendência para as revelações dramáticas.
   Nunca havia pensado nisso, mas quando li esse livro percebi que Poirot não é um herói típico. Claro, ele nunca se assemelhou em nada que fosse um herói, mas é que eu andava tão acostumada com romances policiais em que o detetive busca a "Justiça" que até estranhei quando li o final desse livro. A "justiça", ou melhor, a lei, pouco importa a Poirot. O importante é a verdade e a conclusão do caso. 
Cena: A cena final tem o que esses romances policiais tem de melhor, plot-twist e muita emoção. Mesmo eu, que já sabia o final, fiquei de boca aberta com as revelações de Poirot e, principalmente, com a forma na qual ele chegou a essas conclusões. Recomendo muito essa história do detetive de massa cinzenta privilegiada rs. 
Nota:  Nota 9 - muito bom



Nome do livro: Invocadores do Mal
Autor: Ed e Lorraine Warren
Ano: 2016    /   Formato: E-BOOK
Editora: Pensamento
Opinião: Quem lê o blog, sabe que gosto bastante de filmes de terror. Livros eu não costumo ler tanto mas, quando vi essa não-ficção escrita pelo verdadeiro casal Warren (que estão nos cinemas como os investigadores paranormais da franquia Invocação do Mal), adicionei a minha lista de leitura imediatamente.
O livro é uma espécie de compilado de algumas palestras dadas pelos Warren em que eles dividem suas experiências a respeito de fantasmas, demônios e outras coisas bem estranhas. Antes do início das "palestras" e dos casos há uma breve biografia de cada um deles, focando-se especialmente na habilidade de Lorraine como sensitiva e em como ela foi testada pela UCLA etc. 
Tive sentimentos ambivalentes com esse livro. Fiquei muito cética a respeito da veracidade de algumas situações narradas no livro quando descobri que os Warren aceitavam dinheiro como "demonstração de gratidão" e que, para "ajudar" uma família, faziam questão de que esta pagasse todas as despesas. Isso não é muito diferente de falsos médiuns que vemos por aí. 
As histórias de fantasmas também não me chamaram atenção mas minha percepção do livro mudou quando cheguei a parte dos casos protagonizados por entidades demoníacas. Tudo o que posso dizer sobre o assunto é que todo o meu lado covarde veio a tona, a ponto de eu ter certas dificuldades para dormir a noite. Não que seja algo inovador ou absolutamente aterrorizante é mais como encontrar no livro (depois de tantas páginas de blábláblá) o tipo de material que estava procurando. 
Quando eu pensei que estava engrenando na leitura veio a parte das 'criaturas'. O caso envolvendo o pé grande (ou abominável homem das neves, sei lá) é tão ridículo que anula todo o restante da história.
Cena: As cenas do meio do livro, que falam sobre demônios etc. Mas nem elas compensão essa leitura fraquíssima. 
Nota:  6,5 - não gostei, mas dei meio porque fiquei com medo ao ler algumas histórias "reais". 

|LEIA A SINOPSE DO LIVRO|

Nome do livro: Alice no País das Maravilhas 
Autor: Lewis Carrow
Ano:  2013   /   Formato: E-BOOK
Editora: Zahar
Opinião: 
ESSE LIVRO FAZ PARTE DO DESAFIO LIVRADA. PARA VER OUTROS LIVROS DO DESAFIO CLIQUE AQUI 
Alice está com sua irmã em um local perto de casa quando vê um Coelho de casaca e relógio de bolso passando por ela. Ela resolve imediatamente seguir o bichinho e acaba caindo em um buraco - e em um mundo de maravilhas. 
Minha primeira leitura desse clássico infantil, achei bem inventivo e interessante. Também gostei da forma como, apesar se ser claramente infantil, o livro contém alguns momentos de sabedoria bem adultos. 
Cena: Eu gosto da conversa de Alice com a lagarta e com o gato Cheshire. 
Nota: 8 - um bom livro. 
|LEIA A SINOPSE DO LIVRO NO SKOOB|







Metas e Desafios de 2016 (Resultados)

O inicio

   Em 2016, pela primeira vez na minha vida de leitora, eu resolvi fazer metas de leituras. Primeiro utilizei o skoob, marcando certos livros que eu achava fundamental que fossem lidos nesse ano. Alguns deles: Drácula, O Conde de Monte Cristo, Ficção Completa do Bruno Schulz, O Corcunda de Notre Dame. Como eu iria viajar no meio do ano, queria livros que fossem dos países que eu iria visitar, logo, minha lista contava com autores franceses, poloneses, italianos. Eu também tinha colocado alguns de séries, como "A fúria de Reis", segundo volume das Crônicas de Gelo e Fogo.
    A lista só tinha 15 livros mas, ao meu ver, era bastante ousada pois havia muitos clássicos e calhamaços. Já ia ser uma baita desafio ler tudo aquilo, mas por que não complicar ainda mais, não é?

No meio do caminho tinha um Desafio Livrada 

   Criado pelo Yuri do blog/vlog Livrada! esse desafio literário consiste em ler 15 livros dentre os temas propostos pelo seu criador. Por exemplo, o primeiro tema era "Um prêmio Nobel", ou seja, teríamos que escolher o livro de um ganhador de Nobel para ler, o segundo tema era "Um livro Russo", então teríamos que escolher um livro de autor russo, e assim por diante. Só a décima quinta categoria é que era uma "leitura obrigatória", o livro 'As Aventuras do Bom Soldado Sveijk'. 
   Eu não sou muito de participar de Desafios mas esse do Livrada é um dos mais interessantes que já conheci, é um desafio no real sentido da palavra pois te obriga a sair da sua zona de conforto e conhecer outras obras. Logo, no dia 02 de janeiro, lá estava eu modificando as minhas metas de leitura, encaixando os livros que se enquadravam no Desafio ou, caso contrário, escolhendo outros livros para as categorias. Nisso, minhas metas literárias do Skoob aumentaram um pouco mais, creio que 20 livros. 

O Clube do Livro

   Eu também comecei a participar de um Clube do Livro no ano de 2015. Uma vez por mês as pessoas do Clube se reúnem para falar de um livro escolhido por um dos membros do grupo, a cada mês uma pessoa diferente escolhe. Isso é interessante porque obriga as pessoas a saírem de sua zona de conforto, ao ler livros escolhidos por outros, livros que - em sua vida 'normal' - jamais teriam escolhido por si próprios. 
   No início eu também incluí os livros do Clube nas minhas metas de leitura do Skoob. Afinal, se eu era obrigada a ler esses livros então não deixaria de ser uma meta, certo? Errado. O problema desse raciocínio é que pressupõe que eu já saiba quais livros devo ler o ano todo - na prática, porém, os livros são escolhidos mês a mês e eu acaba só cadastrando o livro no Skoob depois que terminava de ler. Ou seja, eu marcava o livro como lido e depois adicionava à meta, algo um pouco desonesto na minha opinião. Dessa forma, acabei adicionando uns livros nada a ver nessa meta, que agora contava com um pouco mais de 25 livros. 
Minhas metas de Leitura 2016


Resultados

   O tempo foi passando e eu acabei retirando alguns livros da meta do Skoob. Mesmo assim, minha meta agora contava com impressionantes 25 livros. Para uma pessoa que leu 38 livros em 2015, isso era muita coisa. Ainda mais porque eu teria que me manter grudada à minha meta para alcançar esses resultados, isso sem contar os livros "obrigatórios" do Clube... Cadê a espontaneidade, gente? 
   Bom, analisando agora e considerando tudo o que aconteceu, acho que fui muito bem, concluí 80% da minha meta. Isso quer dizer que, de 25 livros marcados como "meta de leitura do Skoob" eu li 20. Vale acrescentar também que, dos cinco que eu não li, quatro estão em diferentes estágios de leitura e serão concluídos em 2017 sem falta. O livro que eu sequer comecei, O Corcunda de Notre Dame, também estará na minha meta de 2017. 
    Mas, antes de falar sobre 2017, vamos falar sobre o Desafio Livrada. 

   Bom, eu concluí o Desafio. Quer dizer, mais ou menos. Para começar, boa parte dos livros selecionados no longínquo 03 de janeiro de 2016 foram sendo substituídos ao longo do ano, por motivos que vão desde o tamanho e complexidade da leitura (no caso dO Jogo das Contas de Vidro) até a quantidade de páginas ou a chatice daquela leitura. Essas alterações no meio do caminho são autorizadas nesse Desafio (pelo menos eu acho que sim rs) e me permitiram cumprir 14 das 15 categorias do Livrada deste ano. 
   O que ficou para trás foi justamente a leitura obrigatória, As Aventuras do Bom Soldado Sveijk. Eu estou em 50% do livro mas tenho plena consciência de que não vai dar pra concluir e resenhar antes de 2017. Tudo bem, eu vou terminar esse livro ano que vem e concluir tudo certinho. Ou então, posso ler um dos livros do Alejandro Zambra, que o Yuri colocou como alternativa ao Sveijk e concluir ainda esse ano. Ainda não sei o que vou fazer, mas o desafio será completado, seja no finalzinho de 2016 ou no começo de 2017.
Minhas Estatísticas no Skoob
   

Metas de 2017 (?)

   O Skoob acabou de me informar que li 35 livros esse ano, três a menos do que no ano passado. Claro, li O Conde de Monte Cristo em 2016 - um calhamaço de mais de 1600 páginas -, talvez isso conte como o equivalente a 3 livros, não sei. O que eu sinto, porém, é que essas metas me atrapalharam um pouco na leitura. 
   Ok, eu admito que se organizar para ler esse ou aquele livro é muito bom, principalmente porque resolvi ler alguns livros clássicos e são livros que eu não tinha o hábito de ler e preciso de incentivo para fazer. Mesmo assim, acho que essa quantidade de leituras que eu "tinha" que fazer, acabou me desestimulando. Ninguém quer fazer nada porque obrigado, ainda mais em seu tempo livre. Dessa forma, senti que perdi um pouco de espontaneidade para escolher minhas leituras e isso talvez tenha contribuído para diminuir a quantidade de livros lidos nesse ano. 
   Nesse momento nós poderíamos falar que a quantidade não é tão importante, que importa também a qualidade das leituras quando comparadas a 2015 etc. Em 2015 eu li Homero, Dostoiévski, Dickens... Em 2016 li grandes autores também mas não consegui ler Victor Hugo, por exemplo, que era um autor que queria muito conhecer. Enfim, vamos considerar que houve empate entre a qualidade das leituras e voltar a falar de números.
   Cheguei a conclusão de que, embora eu possa me beneficiar em planejar minhas leituras, não funciono muito bem sob muita pressão. Por isso, em 2017, resolvi que vou selecionar apenas 5 livros para a minha meta de leitura. Se ler esses livros antes do final do ano, posso me organizar e escolher mais cinco, se não, tudo bem. Em outras palavras "Vamos deixar a meta em aberto e, depois, vamos dobrar a meta". 
   Quanto ao Desafio Livrada, minha ideia é não participar esse ano. Não posso garantir que não vou sentir vontade e mudar de ideia quando ver a lista das categorias mas, a ideia nesse momento é deixar o ano de 2017 mais leve e, dessa forma, voltar a ler o que eu estiver afim e não o que eu "tenho que". No final do ano que vem eu volto para dizer se isso foi uma boa ideia ou não.

***

É isso gente, obrigada por acompanharem o blog durante esse ano. No começo de 2017 irei divulgar os 5 livros que estabeleci como prioridade para esse ano. Se você quiser saber o que mais eu ando lendo, é só me adicionar lá no Skoob
 
Feliz Ano Novo a todos! 

Filme A Chegada - Resenha

            
A Doutora Louise é especialista em línguas e em comunicação. É por isso que, quando várias naves alienígenas pousam na Terra, é ela quem o exército escolhe para conseguir se comunicar com esses seres de outro planeta.  Embora Louise tenha real interesse em conhecer mais sobre a forma de se comunicar dos heptapodes (é assim que Ian, um dos cientistas trabalhando no caso, os chama) ao exército humano só uma pergunta importa: Quais são as intenções deles nesse planeta?
            Quem me conhece sabe que eu não soulá muito fã desses filmes que falam de extraterrestres, principalmente quando são seres bizarros que chegam ao planeta terra com um objetivo desconhecido. Normalmente eu fujo de filmes com essa temática mas, quando vi que "A Chegada" estava sendo considerado como um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos, resolvi dar uma chance para a história.
            Dirigido por Denis Villeneuve (do excelente Os Suspeitos) tem aquele andamento mais devagar que já é característica do diretor. A trama vai sendo construída pouco a pouco, a partir dos encontros de Louise com os heptapodes, juntamente com algumas outras cenas no acampamento militar onde estão os envolvidos na trama. Gosto muito da forma como Villeneuve alinha esse andamento mais cadenciado com suspense, dando as informações em quantidade suficiente apenas para manter o interesse na história.
            Não entendo muito de ficção científica mas uma das coisas que me chamou a atenção nesta é a importância da linguagem e da comunicação na trama. Mais do que saber como são ou do que é feita a nave especial dos ET's, os personagens estão interessados nas palavras e na comunicação. Para uma pessoa de humanas como eu, o processo de "tradução" que a doutora Louise faz para entender o alfabeto dos heptapodes é um dos pontos altos do filme.
            Para coroar todos esses pontos positivos citados acima temos ainda a atuação excelente de Amy Adams como a doutora Louise. Embora não tenham muitas cenas de alta carga dramática, Adams soube dar vida a essa personagem cuja única paixão é a tradução e a comunicação. Não é a toa que os rumores já citam seu nome como indicada ao Oscar de melhor atriz.
            Se você gosta de um bom suspense ou de uma boa ficção científica, assista "A Chegada". É um filme que promete agradar os fãs de ambos os gêneros e que tem, na sua história sombria e (as vezes) até um pouco assustadora, uma trama interessante, bem dirigida e surpreendente. O final tem uma  daquelas reviravoltas de cair o queixo, o que é mais um dos motivos pela qual você deve assistir a esse filme.

            Nota 9 - muito bom

|TRAILER|

|RESENHA| O frágil toque dos mutilados - Alex Sens

 
   Tolstoi já disse uma vez que "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”. Talvez seja por isso, porque cada infelicidade familiar é singular, que tantas histórias da literatura são sobre famílias disfuncionais e "O frágil toque dos mutilados" é uma dessas histórias. 
   O livro é se passa ao longo de 28 dias de convívio familiar, quando Magnólia e seu marido Hebert voltam à casa onde a esposa passou a infância, afim de visitar Orlando (seu irmão mais velho) e os sobrinhos, Muriel e Thomas. 
    Se a expectativa era a de um reencontro feliz (Orlando e Magnólia não se viam a há 5 anos), a realidade se mostra diferente. Logo as tensões familiares começam a (re) surgir e o passado se mostra impossível de esquecer. 
   Fiquei impressionada com a escrita de Alex Sens, cheia de metáforas, analogias e outras imagens descritivas. É um livro para se ler lentamente, degustando e imaginando os cenários que o autor propõe para descrever o estado emocional deste ou daquele personagem. Por mais que tenha achado a qualidade dos diálogos um tanto artificiais atribuo isso mais a minha anterior ("Malagueta, Perus e Bacanaço", livro que tenha retratar certa oralidade) do que por algum demérito do autor.
   Uma coisa digna de nota na trama é o diálogo que o livro tem com a obra de Virginia Woolf. Apesar de não ter lido nenhum livro desta autora, as referências são óbvias: Temos um personagem chamado Orlando, o marido de Magnólia a chama de Mrs. Dalloway e passa boa tarde do livro escrevendo um ensaio sobre "As Ondas". Fora isso há também algumas referências a biografia da autora que se parecem se encaixar com alguns fatos do livro (e isso é tudo o que direi). 
    O livro tem alguns acontecimentos chave mas, em sua maioria, é mais uma descrição do conflito interno dos personagens. A narrativa em terceira pessoa ora se volta para a instável Magnólia, ora para alcoólatra Orlando e desta forma vamos conhecendo um pouco mais sobre eles. Outros personagens também são foco desse narrador onisciente, entre eles o adolescente Thomas, o marido Hebert e a irmã de Magnólia e Orlando, Lisa. 
   Outro elemento importante da história é o mar. A casa de Orlando fica na beira de uma praia e, embora ninguém mergulhe em suas águas, os personagens estão sempre observando o mar - um deles chega até mesmo a pintá-lo - e tentando dar significado ou simbolismo ao seu movimento. A própria narrativa do autor parece seguir o fluxo de ondas, por vezes aparentando lentidão e tranquilidade para, logo em seguida, mostrar em um ou outro acontecimento que a calma da trama é ilusória. 
   "O frágil toque dos mutilados" é interessante e instiga o leitor  ao mesmo tempo em que pode afastá-lo, se o mesmo não estiver disposto a ler essa história como se deve, sem afobação e seguindo seu ritmo. A pressa é a inimiga na leitura desse livro, pois pode tornar algumas coisas repetitivas ou maçantes. Se o leitor seguir o ritmo ditado pelo autor nessa história será recompensado com uma conclusão em que tudo faz sentido, até mesmo o nome da história. 
   Sobre o final, achei muito corrido, como se o autor estivesse ansioso para terminar a obra. Se tivesse terminado no dia 28 eu talvez não gostasse tanto do livro mas o último capítulo é tão incrível que salvou até mesmo a conclusão meio abrupta. É um dos momentos mais bonitos da trama e certamente demonstra todo o talento do autor. 
   Não acho que seja esse um livro sobre o qual eu possa comentar muito, por isso peço perdão se essa resenha ficou redundante ou vazia. "O frágil toque dos mutilados" é uma história para ser sentida por si só, sem nada que atrapalhe ou influencie as opiniões do leitor. Por isso, se estiver saber sobre o que se trata exatamente o livro, só posso pedir que leiam. Alex Sens tem apenas 28 anos mas já demonstra, em seu livro de estreia, talento e potencial; quero ler mais coisas dele assim que possível. 
   Nota 8 - um bom livro.

|LEIA A SINOPSE DO LIVRO NO SKOOB|

|RESENHA| Malagueta, Perus e Bacanaço - João Antônio #DesafioLivrada

ESSE LIVRO FAZ PARTE DO DESAFIO LIVRADA 2016, PARA CONHECER OUTROS LIVROS DESSE DESAFIO CLIQUE AQUI
   João Antônio foi um escritor e jornalista brasileiro. Seu primeiro livro, "Malagueta, Perus e Bacanaço" foi lançado em 1963 e lhe rendeu fama e dois prêmios Jabuti. A partir desse reconhecimento, seu nome passou a ser conhecido entre os literatos brasileiros como um autor capaz de dar voz a marginalidade Paulista, tanto com o uso de gíria e coloquialidade quanto por seu estilo único de prosa. 

   Comprei esse livro há quase 1 ano, minha última compra no site da Cosac Naify. Tudo o que sabia sobre esse autor era o que estava escrito na "descrição" dele no site mas resolvi comprar porque me interessei por sua obra (e porque queria aproveitar o desconto de 50% que tinha no site). 
   Assim que eu li a sinopse de "Malagueta, Perus e Bacanaço" e as declarações sobre a escrita de João Antônio, soube que ia gostar desse livro. Mas foi necessário quase um ano e a inclusão da obra no meu Desafio Livrada (na categoria "um autor do seu estado") para que eu finalmente desse início a essa leitura. Por que a gente adia tanto a leitura de livros que sabemos que vamos gostar? Boa pergunta. 
   Os contos aqui são divididos em três partes. Na primeira, "Contos gerais", estão os contos mais curtos e mais fracos desse livro. São apenas três contos aqui e o meu preferido dessa parte é "Fujie", o mais perto de uma história de amor a que o autor chega neste livro. 
   Na segunda parte, "Carserna", temos mais dois contos, dessa vez passado em quartéis. Nesse momento do livro nota-se que o autor organizou o livro de forma brilhante, já que a qualidade e  complexidade das histórias só vai aumentando com o passar dos contos. Depois que li "Fujie" me senti fisgada pelo estilo de narrativa do autor e por suas histórias com personagens humanos e não consegui mais parar de ler esse livro até terminá-lo. 
    Os contos de "caserna" são muito bons mas o melhor está na terceira e última parte do livro, "Sinuca". É aqui que vemos o "submundo" da São Paulo da época e é também nesse momento em que vemos João Antônio em seu auge como escritor. São contos passados em sua maioria a noite e ora em primeira, ora em terceira pessoa, mas nunca falhando em nos dar retratos pungentes de pessoas e lugares. Não me surpreenderia saber que algumas dessas tramas tem caráter auto biográfico porque algumas histórias e personagens parecem tão reais que é fácil imaginar que eles existiram mesmo. 
   "Malagueta, Perus e Bacanaço", conto que dá título ao livro e que o finaliza é um conto excelente e destaca-se como o ápice de todas essas narrativas, momento em que somos levados pela noite de São Paulo e vivemos aventuras ao lado dos 3 malandros que dão título a obra. 
   É um conto mais longo, repleto de personagens interessantes e ambientes quase nunca agradáveis. O autor, utilizando da terceira pessoa, vai alternando pelo ponto de vista de Malagueta (velho e abatido) Bacanaço (no auge de seu jogo e "cabeça do bando") e Perus, o mais novo de todos. Os três, Malagueta, Perus e Bacanaço são "tacos", isto é, exímios jogadores de sinuca, e ganham dinheiro dessa forma. 
   Mas, embora só tenha elogios para esse último conto, a história do livro de que mais gostei e a que vem antes desta. "Meninão do Caixote" deixou meus olhos mareados. Talvez nem tenha sido essa a intenção do autor mas sua escrita simples dessa história corriqueira sobre um menino que se torna um às na sinuca me emocionou e fez desse o meu conto favorito; esse conto é escrito em primeira pessoa que, na minha opinião, é a voz com a qual o autor trabalha e se expressa melhor.  Todos os contos em primeira pessoa que li nesse livro são interessantes, porque revelam um pouco mais dos sentimentos e angústias dos personagens. 
   Recomendo muito esse livro para todos os que gostam de contos e de personagens meio sem rumo na vida. Algumas histórias são melhores que as outras mas o subtexto dos contos e os personagens que se sentem deslocados no mundo em que vivem valem a pena até mesmo em histórias não tão legais quanto as que citei. 
  João Antônio dificilmente pode ser considerado um escritor datado pois através de sua escrita simples e sem firulas somos apresentados a um universo único e palpável. É como se, conforme lemos, a São Paulo do início da  década de 60 - da Lapa com ruas de terra, dos corregos na Vila Mariana e do período pré ditadura militar - estivesse viva e se descortinasse perante nossos olhos. 
   E, se muito mudou desde então, se o malandro Paulista já não é o mesmo dos contos deste livro, ainda ficam as boas histórias e a visão e voz que o autor deu aos marginalizados deste período, que pela primeira vez puderam vez a si mesmos em um livro - não é à toa que o livro foi sucesso de público quando vai lançado em 63. 
   Nota 9 - muito bom.