|FILME| O grande Hotel Budapeste (Resenha / Review) #Oscar2015

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     Um jovem escritor, sofrendo de um mal não explicado, viaja para um outrora glamouroso hotel com o objetivo de se recuperar. Ele vive durante algum tempo no Hotel Budapeste e, um pelo dia, enquanto conversa com um funcionário, percebe um homem de aparência triste sentado ali, olhando para o nada. Após ser perguntado o funcionário explica que se trata do sr. Moustafa, que já havia sido o homem mais rico do país mas que agora possuía apenas o hotel. Uma vez por ano ele ia até lá e ficava hospedado no menor quarto.
     O escritor fica intrigado sobre a história desse senhor e, por coincidência, no dia seguinte consegue conversar com ele, que parece disposto a contar sua história, como conseguiu adquirir tal hotel. 
     A história contata pelo o senhor Moustafa ao escritor é também a história do Hotel Budapeste. Somos levados a cerca de 30 anos atrás quando o sr. Moustafa era apenas um carregador no Hotel que agora é dono. Como jovem imigrante com visto trabalho, Zero não tinha experiência, família ou estudo (daí o nome Zero) mas, mesmo asism, é contratado pelo M. Gustave, gerente do hotel, que lhe ensina tudo sobre a função.
       M. Gustave parece estar nos seus 40 anos mas se relaciona com as senhoras (60, 70, 80 anos) que se hospedam no hotel.  Uma delas, Madame D., parece muito ansiosa antes de dar o check out mas Gustave a tranquiliza e a manda para casa. Alguns dias depois vem a surpresa: Madame M. foi encontrada morta em sua casa. Gustave então pede que Zero o acompanhe até a mansão da falecida para "dar seu último adeus" - na verdade o interesse parece ser a leitura do testamento. A partir daí a dupla se envolve em várias situações e mal entendidos que envolvem um quadro, uma fuga e até mesmo uma herança. 

   Provavelmente esse será o ultimo filme que assisto antes do Oscar (vou tentar ver Sniper Americano mas o áudio e imagens não estão tão bons) e parece que deixei os dois melhores para o final. Depois de me arrepiar com Whiplash me vi encantada com O Grande Hotel Budapeste. Contada de maneira charmosa, e ironicamente divertida, uma trama aparentemente simples como a apresentada acima, se mostra um filme acima da média. Junte isso a fotografia, figurino, trilha sonora e (principalmente) elenco impecável e temos um filme inesquecível.  
       Ralph Fiennes faz um M. Gustave cheio de contrastes, um pilantra de bom coração, um homem acima de tudo muito bem educado e culto, que gosta de poesia mas que se relaciona com senhoras endinheiradas. Ele não estar entre os indicados ao Oscar com esse personagem, um mau caráter divertido do qual a gente se acaba afeiçoando, é uma vergonha. Prova que essa premiação é muito política as vezes. No elenco ainda chama a atenção Tony Revolori como Zero, Tilda Swinton como madame D., Bill Murray como M. Ivan, Adrian Brody como Dmitry, Jude Law como o jovem escritor e, principalmente Edward Norton como o atrapalhado inspetor Henckels. Ver um elenco desses, com uma atuação bem diferente dos seus papéis de hábito e não ver nenhum desses nomes na lista de indicados é decepcionante. Pelo menos Edward Norton foi lembrado por Birdman.

        Eu ri e me diverti com o filme, que tem um charme das histórias antigas (me lembrou um pouco Hugo Cabret nesse sentido). Embora seja inspirada na obra de um escritor real, a história toda de Grande Hotel Budapeste se passa em um universo fictício mas ao mesmo tempo bem real - a guerra que se aproxima, lembra muito a segunda guerra mundial, principalmente pelas insignias do exercito invasor.  
      O final é doce e feliz mas com um toque melancólico como sabemos na narração do sr. Moustafa. No entanto, as lágrimas que derramei (as primeiras numa lista de filmes que só tem dramas como a do Oscar) foram tristes mas não desesperadoras, pois, mais do que o final não muito alegre, foi muito bom ver uma história tão singela, de forma tão única na tela. 
       Nota 9 - muito bom.  


O Grande Hotel Budapeste concorre ao Oscar nas categorias: melhor filme, melhor fotografia, melhor direção, melhor edição, melhor trilha sonora, melhor produção de arte, melhor figurino, melhor maquiagem e melhor roteiro original.

|FILME| Whiplash - Em busca da perfeição (Resenha / Review) #Oscar2015

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               Andrew é um jovem de música em seu primeiro semestre em Shaffer, uma das mais conceituadas escolas de música dos Estados Unidos, sonhando em ser um baterista de Jazz. Quando é convidado pelo maestro Terence Fletcher para participar da orquestra de Jazz do conservatório, Andrew sente que está mais perto de seu sonho. Ao mesmo tempo, cria coragem para convidar a garota que ele gosta para sair e ela aceita.
                    Whiplash - Em busca da perfeição (chamarei somente de Whiplash até o final da review) é o quarto filme indicado que assisto e resenho aqui no blog e é, sem dúvida, o melhor que vi até agora. Depois de Birdman eu já estava me perguntando se nenhum dos indicados iria me empolgar de verdade. Eu gostei de alguns deles e outros me fizeram pensar mas faltava aquele filme que me fizesse vibrar de verdade, um filme não só bom no final ou no começo mas que me empolgasse do começo ao fim. Quando eu estava quase me conformando em assistir só bombas até domingo, eis que o filme tão esperado apareceu.
              O filme consegue flertar com alguns clichês do gênero “jovem busca o sucesso” e, ao mesmo tempo, foge de todos eles, com uma versão mais intensa e visceral do que todos os filmes que vi do gênero (não foram muitos, admito). Vamos aqui considerar que, embora Whiplash seja inspirado em uma experiência do diretor na banda do colégio, não se trata de uma história real, o que faz com que tudo seja ainda mais impressionante.

                Andrew, que a primeira vista, parecia apenas o garoto normal e meio inseguro com um sonho, logo se mostra um personagem mais complexo. O mais novo de três irmãos, Andrew luta para ter destaque entre seus familiares, batalhando pela atenção dos pais com o irmão jogador de futebol americano e o outro que ‘trabalha’ na ONU. Essa competição acaba sendo levada também para a banda, onde Andrew precisa concorrer com outros dois bateristas, a níveis extremos.
           J.K.Simmons, que interpreta o Fletcher no filme, está absurdamente incrível e assustador no papel. O regente da orquestra é um homem abusivo com seus pupilos, partindo de uma atitude paternalista para a agressão física e intimidação em um piscar de olhos (ou em uma mudança de andamento). Já adianto aqui que minha torcida para o Oscar de melhor ator coadjuvante está com ele, mesmo eu ainda não tendo conferido todos os outros indicados. Ele e Miles Teller tem uma química explosiva em cena (no bom sentido) e suas trocas e diálogos, entre um solo de jazz e outro é que fazem desse filme algo incrível de ser assistido.

                     A relação de admiração e ódio entre Andrew e Fletcher segue um crescendo ao longo da trama, ambos se tornando cada vez mais intensos, chegando até mesmo a se agredir (verbal e fisicamente). Fletcher tem padrões elevados e Andrew se esforça ao limite para conseguir alcançar esses padrões, se tornando mais e mais obcecado em ser o melhor baterista possível.
                     Ao contrário de filmes similares e do gênero, não vemos aqui um jovem apaixonado pelo o que faz que vai conseguindo o sucesso fazendo o que ama. Esqueça amor, a palavra aqui é obsessão. E, de fato, ao contrário da crença que teimam e espalhar popularmente, o sucesso não cai do céu ou vem sem esforço. Quando o assunto é música, antes do sucesso há horas de estudos e treinos intensos e às vezes até mesmo dolorosos.
                 Ainda mais se tratando do jazz, um gênero tão complexo e fascinante. Um dos pontos altos do filme é essa musicalidade: o jazz está presente em (quase) todos os momentos e cenas da vida de Andrew e se completa perfeitamente com o enredo. O título, Whiplash, além de ser o nome de uma das músicas tocadas pela banda, também pode ser traduzido como o ato de empurrar alguém, repentinamente, para que essa se machuque. E é isso o que Fletcher faz com Andrew, empurra-o cada vez mais e, como todo impulso para a frente, esse também pode resultar numa queda feia ou num avanço rumo a glória (Nesse aspecto, o final pode ser um pouco incomodo já que não fica claro, depois de tudo, qual o resultado).
                É interessante ver que Andrew, ao mesmo tempo em que parece inseguro e tímido em algumas cenas, também é um dos mais arrogantes quando o assunto é sua habilidade na bateria. Acho que as práticas intensas lhe dão confiança, mas, ao mesmo tempo, ele só pratica tanto assim por sua baixa confiança. Andrew se pressiona tanta quanto Fletcher e, com o passar do filme, vemos que esses dois são muito parecidos, ambos obcecados pela música e pelo virtuosismo que só horas de muito estudo e sacrifício podem trazer.

                   O fato de eu tocar um instrumento musical (violoncelo) e já ter participado de uma orquestra antes, fez com que eu ficasse ainda mais empolgada com a história. Não, nenhum maestro meu jamais me arremessou uma cadeira, mas posso dizer que conheci pessoas que eram tão obcecadas pela música como os dois personagens principais. Perto deles eu me sentia mais como Nicole, a namorada de Andrew no filme, insegura sobre o que queria da minha vida, ao lado de pessoas tão cheias de certeza.
"Não há outra combinação de palavras mais nociva do que 'bom trabalho' " - Terence Fletcher
                 Eu indico esse filme para que os gostam de música, claro, e para os que gostam de dramas em que o personagem principal parece estar por um fio em sua sanidade mental, tão focado está em seus objetivos. O final é um pouco aberto mas também é um dos melhores momentos de todo o filme, a batalha final entre Andrew e Fletcher. Um na bateria, o outro na regência, a cena é o ápice da história e também de arrepiar.

                  Se você gosta de uma boa história e de uma boa música, assista Whiplash. Nota 9muito bom!

|TRAILER|


Whiplash concorre ao Oscar na(s) categoria(s): melhor filme, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor mixagem de som. 

|FILME| Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) Resenha / Review #Oscar2015

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         O filme Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) conta a história de Riggan Thomson, um ator que fez muito sucesso nos anos 90 interpretando o super herói Birdman mas que agora tenta relançar sua carreira fazendo uma peça na Broadway. Thomson espera que com esse novo trabalho ele finalmente possa se desvincular do Birdman e do cinema entretenimento que fez durante toda a sua vida.

         Para ajudá-lo, Riggan tem o seu amigo/advogado/produtor Brandom (Zach Galifianakis) e sua filha Sam (Emma Stone) como sua assistente, além de todo o elenco e equipe. Porém Brandom ainda precisa de um ator para co-estrelar a peça que irá mudar a sua vida e é nesse momento que surge Mike Shiner (Edward Norton), um ator experiente e que está disposto a interpretar a trabalhar na peça, embora tenha sido chamado de ultima hora. Tudo pronto, a equipe começa a ensaiar para a grande estréia, enquanto tenta se acertar nos bastidores. Egos, sonhos e altas confusões os aguardam até o ‘grande dia’ e é nesse drama/ação que a história se concentra.
         Eu confesso que esperava muito desse filme. Birdman (para efeitos de sanidade mental vamos chamá-lo apenas de Birdman até o final da review) é um dos filmes indicados ao Oscar 2015 desse ano e chega apontado por muitos como o favoritos. Além disso a trama foi uma das que mais me interessou, razão pela qual eu procurei esse filme para baixar (er, digam não a pirataria) assim que li a lista do Oscar. E também é um dos motivos pela qual, antes mesmo de ver o filme, eu já sabia um baita spoiler sobre ele (nota mental: nunca procure por um filme antes de ser lançado. Nunca!)
           Mas, mesmo com o spoiler, não estava muito bem preparada para Birdman. O diretor parecia estar querendo transmitir alguma mensagem com seu modo peculiar de  narrar a história e posicionar a câmera: sempre perto do rosto dos atores ou seguindo-os, nunca parecendo haver cortes (embora certamente há) e com quase nenhuma trilha sonora - acho que o mais perto que chegamos de música, tirando um delírio do protagonista, foi um solo de bateria. Esse modo peculiar da obra, me deixou intrigada mas, com o tempo foi ficando cansativo todas aquelas voltas e movimentação. 
         Quanto o local em que se passa a história, as ações do filme parecem estar sempre confinadas ao teatro, seus bastidores e as ruas e lugares próximos. Riggan parece viver no teatro, sua casa nunca foi mostrada, e acho que isso foi proposital, para mostrar o quanto ele estava preocupado e vivendo aquele momento. Riggan não se importa muito com o que acontece a sua volta, preocupado como está com a retomada de sua carreira. A cena em que a ex-esposa lhe conta que vai voltar a lecionar e tem como resposta o anúncio de que ele está hipotecando a casa novamente (para pagar as contas do espetáculo) ilustra bem esse espirito egoísta e auto-centrado do personagem principal.

          Falar de personagens me lembra atores e não posso continuar a falar sobre Birdman sem falar das atuações desse filme. Não só Michael Keaton está muito bem como Riggan, Emma Stone conseguiu convencer como a filha drogada do personagem principal (embora a menção ao Oscar tenha sido um tanto precipitada). Zach Galifianakis foi simplesmente surpreendente, ao mostrar que consegue fazer algo além de comédia besteirol e é uma pena o Oscar tenha ignorado sua atuação - mesmo reconhecendo que Edward Norton (o indicado a melhor ator coadjuvante desse filme) também tenha feito um excelente trabalho. Todo o elenco do filme, de modo geral, está de parabéns e é um dos pontos altos do filme, ao menos para mim. 
           Por outro lado, existiram muitos pontos que me incomodaram em Birdman, ao maioria dele com relação a história. Eu nem tenho forças para desgostar desse roteiro mas, conforme foi chegando ao final e as críticas e metáforas foram crescendo eu fiquei um pouco incomodada. Parecia que eu estava vendo na tela um manifesto de algum autor independente sobre o que é arte para entretenimento e o que é arte de verdade e como uma pessoa pode (ou não) fazer uma transição a outra já que há celebridades e atores e aquilo é teatro e atores são mais importantes que simples celebridades... Ok, eu entendi. Junto esses diálogos cheio de conteúdo e alguns momentos engraçadinhos (normalmente passados durante o espetáculo teatral) e você pode ter uma boa ideia de Birdman. Ah, adicione alguns super heróis e super-poderes também por via das dúvidas. 
            Acho que o grande problema para mim não foi nem a história mas o valor todo que deram a ela. Birdman ganhou diversos prêmios no cinema e tudo o que fez foi falar da própria indústria do entretenimento de uma maneira irônica e metalinguística e, bem, chata. Sim, eu saquei a ironia em colocar Michael Keaton como ex-interprete de um super herói nos anos 90, principalmente quando Keaton fez Batman também nos anos 90. Percebi que aquela banda e aquele homem aranha do final, além daquelas explosões e vôos medonhos eram apenas uma crítica velada a esse teatro/cinema de entretenimento e que o final foi apenas uma reflexão sobre como, até mesmo na arte, uma boa quantidade de sangue e explosões ainda consegue algum resultado nas críticas. 
             Parabéns aos roteiristas, vocês fizeram um filme todo engraçadinho e intelectual. Tenho certeza de que o pessoal que vive nesse meio deve ter adorado todas essas suas sacadinhas e seu retrado fiel (?) dos bastidores de uma peça teatral. Isso certamente te deu vários prêmios e elogios mas não faz seu filme algo que as pessoas normais (não a galerinha pretensiosa) queiram assistir. 
             Na verdade, o filme é na maior parte do tempo bem maçante e WTF - só assisti para saber onde ia, mas parei diversas vezes. No final, o sentimento de WTF foi crescendo e, sim, eu saquei que a fantasia e a 'realidade' estão todas embaralhadas. O fato é que um dos meus filmes favoritos de todos os tempos utiliza a mesma tática e conseguiu resultados muito melhores, e isso só me deixou mais incomodada com Birdman. A intenção pode ter sido de criar uma comédia mas eu tampouco ri.
             Logo, para quem posso indicar Birdman? Certamente para você que se acha um pouco mais entendido de cinema e está disposto a tagarelar por horas sobre tudo isso. Para as pessoas normais: é melhor ir ver outro filme de herói. Nota 6, 5 - eu não gostei mas dei meio ponto pelas atuações. 

P.S.: Em tempos, começo a perceber que o Oscar é uma cerimônia muitas vezes injusta e auto-centrada.
P.S.2: Porque o trailer tem essa música toda descolada e o filme não?


Birdman ou (A inesperada Virtude da Ignorância) concorre ao Oscar nas categorias: melhor filme, direção (Alejandro G. Iñárritu), ator (Michael Keaton), ator coadjuvante (Edward Norton), atriz coadjuvante (Emma Stone), fotografia, edição de som, mixagem de som e roteiro original.