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Com armas Sonolentas - Carola Saavedra



    Lembro que quando li Torto Arado comentei no Clube do Livro da qual participo que, embora tal vertente não fosse muito explorada pelo autor, as personagens principais pareciam terem sido arrastadas pelo destino em direção ao papel que viriam a desempenhar no final da história. "É um mito grego", joguei eu citando algumas passagens que careciam um pouco de verosimilhança, a maioria delas envolvendo uma faca. 
    Eis que chega a próxima leitura do clube, Com Armas Sonolentas, e a sensação é de que o mito grego encontrou-se com Alice no País das Maravilhas, Dark e Rio de Janeiro, não necessariamente nessa ordem. A narrativa polifónica, como é descrita na sinopse, quase me derrubou - é difícil manter a tal suspensão da descrença a não ser que pensemos nessa história como um mito grego, ou melhor, um sonho/pesadelo com traços de mito, uma fita de mobius em que se misturam a vida dessas três protagonistas. 
       Nas notas da autora, vemos que houve referências a peça Medeia de Euripides. Medeia, a personagem grega que mata os próprios filhos para se vingar de Jasão, que a abandonou para se casar com uma princesa, sob o argumento de que ela seria "selvagem demais". Medeia que mata o irmão e abandona o próprio lar para seguir Jasão, que comete as maiores crueldades por esse homem a quem ama com loucura, só para ser então descartada.  "Aprende o que custa renegar o sítio natal" diz Anna em sua peça, em referência a peça de Eurípedes. Tal qual Medeia, as mulheres desse livro também são estrangeiras - "exóticas demais", "selvagem demais", "estranhas demais" - para o lugar em que vivem. 
    Na primeira parte temos a brasileira Anna, aspirante a atriz, que viaja a Alemanha para casar-se com um diretor famoso. Na segunda parte há Maike, alemã, que apesar de ingressar na faculdade pronta para cursar direito, acaba "caindo" nas disciplinas de português, lingua pela qual sente estranho fascínio. Por ultimo temos uma personagem feminina sem nome, que sai do interior onde vive com a mãe para trabalhar no Rio de Janeiro a troco do próprio sustento. Cada narradora tem voz, vivência e angústias características mas o livro dá a entender que existe algo entre elas, algo inquebrável.

"Gostamos de imaginar que somos livres, completamente livres, mas isso não passa de ilusão, somos nossa herança, uma herança gravada nas palavras de nossos ancestrais"
    Carola Saavedra não dá respostas claras aqui por isso é bem aos poucos que vamos entendendo o que está se passando entre essas três narrativas, como uma se relaciona a outra. Quando se pensa que está entendendo o cerne da história, porém, algo acontece e você começa a se perguntar até que ponto aquilo que está lendo é mesmo real. "O que te dá tanta certeza de que você existe?", Max pergunta a Maike em determinado momento da história. O que nos dá a certeza de que essa história existiu, ou seja, que esses acontecimentos narrados realmente aconteceram na realidade dos personagens e não no delírio de um deles? Não há certezas aqui. 
    O final dá a sensação de que é necessário voltar ao começo, de que certamente algo foi perdido no meio, de que esse não pode ser o final. Mais perguntas que respostas se somam, algo obviamente proposital mas que deixa um leve sentimento de frustração. Particularmente, mesmo reconhecendo a riqueza de repertório, técnica e estilo da autora não posso dizer que gostei de ler Com armas sonolentas. Claro, isso fala muito mais sobre mim que sobre o livro, talvez não li no momento correto ou me falte algum tipo de preparo, talvez com o tempo o livro "cresça" para mim.
    Por hora recomendo àqueles que querem conhecer uma escritora talentosa, personagens e enredos que a principio aparecem ser simples mas que contem algumas várias camadas. Nota 3/5

***

      



Antes do Amanhecer (1995)




   Esses dias descobri uma palavra nova. Tupananchiskama do idioma indígena Quechua. A explicação que eu vi dizia que essa palavra, mais que sinônimo de tchau ou um adeus, tinha um significado mais profundo: "até que a vida volte a nos encontrar". Se houvesse um filme que pudesse ilustrar essa expressão esse filme seria Antes do Amanhecer. 
   Começando num trem rumo a Paris, conhecemos a história da francesa Celine e do americano Jesse. Ele descerá em Viena e de lá pegará o avião para seu país Natal. Ela retorna a Paris para concluir os estudos depois de passar um tempo com a vó em Budapeste. Pouco antes de descer Jesse faz a proposta: que Celine passe o dia com ele em Viena e retorne a Paris no dia seguinte. 
   Assisti Antes do Amanhecer com altas expectativas, é um filme bem elogiado, com duas continuações e incontáveis fãs. Esperava chorar litros mas, para a minha surpresa derramei poucas lágrimas com esse filme. Acho que é porque eu meio que esperava o desfecho ou pelo filme não ser necessariamente triste. 


   Antes do amanhecer é uma história sobre duas pessoas que se apaixonam e conhecem uma a outra no período de um dia, em uma cidade estranha. Mesmo parecendo um tanto  idílica, dois jovens em Viena se apaixonando, o filme consegue passar uma naturalidade entre os personagens, o que torna a história mais verossímil e realista. Mérito dos dois atores que, além de ter uma química incrível, ainda conseguem fazer parecer que realmente estão começando a nutrir sentimentos um pelo outro. 
   Todos os diálogos do filme são muito bons e vitais, do tipo que te fazem pensar sobre várias coisas diferentes. Um dos meus favoritos ocorre quando Jesse diz a Celine que o amor é algo que nunca esperou, que gostaria mais de ser alguém que cumpriu uma tarefa ou fez algo grandioso que amar ou ser amado. Celine então conta sobre um rico senhor que aos 52 anos lhe disse, aos prantos, que seu único arrependimento na vida era nunca ter amado. "Eu tenho 52 anos e nunca me entreguei de verdade pra ninguém". 
   Após ter assistido a esse filme pensei em muitas coisas, entre elas esse diálogo, em como deve ser triste, passar pela vida sem ter se entregado, sem ter amado ninguém. Esse diálogo entre os personagens me lembrou o monólogo do pai no final de Me Chame Pelo Seu Nome, em que ele lamenta pelas pessoas cujo sofrimento faz com que tenham cada vez menos para dar. O amor não deveria ser limitado ou negado, mesmo com a possibilidade da dor no final - e os personagens de Antes do Amanhecer parecem entender isso. Mesmo com a separação se aproximando, eles decidem sequer trocar telefones e manter aquele dia intocado e especial em suas mentes - vivendo o amor que cresce e a dor que se aproxima quando o outro for embora. 


   Eu poderia muito bem questionar alguns aspectos do filme, como certo diálogo sobre as diferenças entre homens e mulheres ou o comportamento um tanto machista de Jesse em alguns momentos mas tudo isso me parece insignificante perante esse filme. Prefiro atribuir esses diálogos a construção do caráter dos personagens, mostrando que eles também tem suas falhas, ou até mesmo ao fato do filme ter sido lançado em 1995.
   Quando penso no desfecho de Antes do Amanhecer novamente me vem a palavra em quechua que descobri essa semana. Ao final, Celine e Jesse não dizem adeus mas sim tupananchiskama - que a vida nos encontre de novo. 

Nota 9 - muito bom. 

P. S.: assista quando estiver afim de um filme romântico sim porem com algo de reflexivo




Todos nós Adorávamos Caubóis - Carol Bensimon


   Cora e Júlia saem em uma road trip pelo Sul do país, sem roteiro específico, sem data para voltar, sem qualquer expectativa a não ser andar por aí. Ambas também parecem estar um pouco perdidas na vida: Cora faz faculdade de moda em Paris, mora com um amigo francês, tem subempregos. Vem ao Brasil para encontrar Júlia, mas diz ao pai que é para acompanhar o nascimento do novo irmão - filho do pai com outra mulher - para que esse concorde em pagar a passagem. Júlia estuda no Canadá, largou o noivo para ir viajar com Cora pelo Brasil, tem um relacionamento cheio de tensão com os pais e irmão baseado em um fato que ocorreu antes do seu nascimento. 
   É como se as duas mulheres, no alto de seus vinte e tantos anos, resolvessem dar um pause em suas vidas e seus problemas do cotidiano para realizar essa fantasia do final da adolescência. Quando cursaram faculdade juntas, Júlia e Cora eram muito amigas (mais do que isso até) e sonhavam com essa viagem. Agora, tantos anos depois, após vários anos sem saber um da vida da outra, estão novamente juntas. E os sentimentos que existiram naquela idade aos poucos também vão retornando. 
    Esse é um dos livros que li para o desafio livrada 2019, na categoria "Uma escritora brasileira viva" (mas estou pensando em jogar para a categoria "escritor xará", veremos). A autora, Carol Bensimon, escolheu narrar a história em primeira pessoa e isso faz muito sentido pois muito da história é visto através das lembranças de Cora, ou melhor, de como ela enxergava seu relacionamento com Júlia no passado e no presente e como ela interpreta tudo isso. Cora considera Júlia certinha mas logo percebemos que essa vontade de agradar tem uma origem mais profunda e que a própria Cora age no sentido oposto, com um desejo quase adolescente de desafiar as pessoas. 
   Outro ponto positivo nessa narrativa são os diálogos e na própria narrativa de Cora, que estão cheios de "tu" e "ti" e expressões sulistas. Isso dá um realismo maior para a história, parece que são pessoas de verdade ali e o modo delas conversarem contribui muito para isso. Gosto de dizer que esse é um livro com sotaque, porque até na narração eu consegui imaginar um sotaque gaúcho - eu, particularmente, gosto muito de livros assim, me sinto mais próxima dos personagens.
    A cena do final é a que dá o título do livro, Cora lembra de um momento entre ela e Júlia antes mesmo que saíssem para viajar. Dá para dizer que o final é feliz? Acho que sim. Se o livro tivesse terminado no capítulo anterior talvez não tivesse curtido tanto mas esse desfecho meio aberto foi, na minha opinião, o ideal. Júlia e Cora são muito diferentes e dá para ver que estão em um momento da vida mais propício para o auto conhecimento do que para um happy ending - mas, deixando tudo em aberto, fica a cabo do leitor imaginar o que teria acontecido.
   Nota 8 - livro bom livro. 

|LEIA A SINOPSE DO LIVRO|


O Estrangeiro - Albert Camus



Nenhum sofrimento me comove
Nenhum programa me distrai
Eu ouvi promessas e isso não me atrai
E não há razão que me governe
Nenhuma lei prá me guiar
Eu 'to exatamente aonde eu queria estar
(...)
A minha alma nem me lembro mais
Em que esquina se perdeu
Ou em que mundo se enfiou

Mersault é o jovem narrador do estranho livro chamado “O Estrangeiro”, do autor Albert Camus. Porque uso o termo estranho ao tratar desse livro? Porque, embora tudo pareça tudo muito normal e corriqueiro algo também parece muito esquisito durante toda a trama.
Não é como se houvesse algum fato futurista ou fantástico. O estranho mesmo é o comportamento do narrador/protagonista Mersault. Um homem aparentemente comum, com um trabalho comum, pessoas que conversam com ele e o chamam de amigo, uma mulher que o chama de namorado. Tudo corriqueiro – a não ser pelo fato do narrador ser apático a tudo.
A canção Deja vú da cantora Pitty, cujo trecho foi colocado no inicio dá uma ideia de como reage esse personagem a tudo o que está a sua volta. O primeiro parágrafo é icônico e dá bem o tom de toda a trama:
“Hoje mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem.”
Percebe-se desde o primeiro momento a indiferença de Mersault com a noticia e o mesmo se repete ao longo de toda a narrativa. A morte de sua mãe, o encontro com uma namorada, seu vizinho espancando o cachorro, nada o abala. Nem mesmo a ideia de uma promoção, de ir morar em Paris a trabalho parece capaz de esboçar qualquer reação de Mersault. Nem mesmo rir esse personagem consegue, é como se estivesse algo nele fechado para o mundo, um abismo que a realidade não consegue transpor.
Como uma espécie de Bartleby emocional (ao invés de “prefiro não faze-lo”, temos o “prefiro não senti-lo”), vemos esse personagem se metendo em uma série de situações moralmente duvidosas na parte 1 até que, ao final desta, ele comete o ato mais impensável possível: mata um homem, sem motivo algum.
Peço perdão caso considerem isso um spoiler, mas está na orelha do livro. De toda forma, nem mesmo matar um homem a sangue frio e sem razão provoca uma reação de Mersault. Na verdade, só há um momento da trama em que vemos algum tipo de emoção e essa emoção é a fúria do personagem quando alguém lhe diz que vai rezar por ele.
O que é Mersault? Qual o significado dessa história e dessa vida aparentemente carente de propósito? Camus parece estar querendo fazer uma metáfora aqui e, me arrisco a dizer, a mensagem talvez seja a de que – no nosso mundo sem raízes e sem pensamento crítico que vivemos hoje – temos todos um pouco de Mersault. É muito fácil levar a vida no automático, não refletindo ou pensando sobre nada, apenas comendo, dormindo e aproveitando tudo o que podemos. Sem moralidade, sem imoralidade, apenas aquela indiferença eterna, no trabalho, na vida, nos relacionamentos. Talvez seja por isso que o livro seja tão perturbador, afinal: é muito fácil se tornar um Mersault.
Ou talvez não seja nada disso e a mensagem de Albert Camus seja outra completamente diferente. Mas deixo aqui minhas reflexões e recomendo o livro para que você também tire as suas. Não sei exatamente se gostei dO Estrangeiro, mas quero ler outras coisas do autor.
Se for preciso dar uma nota: 8. Até a próxima.

|SINOPSE NO SKOOB|




|RESENHA| O jovem Törless - Robert Musil #DesafioLivrada

   ATENÇÃO: ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS.
   Vivendo em colégio em um local distante de casa, de disciplina rígida e só com meninos, Törless é um adolescente cheio de angústias. Embora tenha vários amigos, como Reitin e Beineberg, o jovem se sente diferente de todos, buscando algo que parece não existir. 
   O livro começa de forma um tanto típica, mostrando Törless, o adolescente cheio de angústia (o que é quase um pleonasmo), despedindo-se dos pais na estação de trem e voltando a pé para o internato onde vive mas que odeia. Mesmo assim, até nessas primeiras páginas é possível ver a qualidade do autor, Robert Musil, que parece abordar um mar de sentimentos interiores numa simples caminhada até o colégio. 
   Logo, porém, a trama se complica e ganha contornos ousados para a época em que o livro foi publicado. É que Reitin, o sádico amigo de Törless, descobre que o colega de classe deles, Basini, está roubando dinheiro dos outros alunos. Reitin sugere então a Beineberg e Törless que eles mesmo punam Basini e só depois o entreguem a direção da escola. Começa então uma série de abusos ao personagem de Basini que se prolonga por quase todo o livro, com a participação de Reitin e Beineberg e a complacência de Törless. 
   Li esse livro para o desafio livrada, pois ele é o típico romance de formação e essa é uma das categorias que consistem esse desafio. Iria ler "O jogo das contas de vidro" mas optei por "O jovem Törless" porque tenho esse livro fisicamente e porque, segundo li, "O jogo das contas de vidro" é um livro muito complicado. Achei melhor lê-lo fora do desafio, para poder dar mais atenção e tempo a trama. 
   "O jovem Törless" é um romance curto (talvez até possa ser categorizado como novela, de tão curto que é) mas cheio de temas fortes e passíveis de discussão. Törless é um adolescente cheio de desejos que não compreende e com uma moral ainda pouco desenvolvida e por isso comete alguns erros por omissão nesse livro. Törless não faz nada ao ver Reitin e Beineberg espancando Basini e, quando descobre que as surras se tornaram estupros, fica mais intrigado do que revoltado com a história toda. 
   Ã‰ que Törless já tinha alguns pensamentos homossexuais dentro de si, alguns dirigidos ao seu amigo Beineberg. Quando descobre essa situação com Basini, um aluno mais frágil, possivelmente homossexual e numa posição vulnerável (precisa que os outros não contem sobre seu roubo) transfere seus "sentimentos" para Basini. Em certo momento do texto ambos acabam se relacionando sexualmente, mas Törless pouco a pouco começa a desprezá-lo pela sua falha moral e complacência. 
   A temática homossexual está bastante presente nesse livro mas, dos três amigos, só Törless romantiza esse relacionamento com Basini. Reitin, que foi o primeiro a ter relações sexuais com o colega, é o verdadeiro sádico - quer a humilhação total (moral, psicológica e física) do outro e sente prazer nisso. Já Beineberg usa a desculpa de conseguir "o crescimento espiritual" para repetidamente estuprar e espancar o colega ladrão. 
   Assim como "O senhor das Moscas" nesse livro também vemos a que ponto a crueldade das pessoa pode chegar quando detém o poder mas nenhuma força que para inibir o exercício deste. Os professores e diretores da escola parecem ausentes, distantes, incapazes de ver o que acontece diante de seus olhos. E, com isso, a situação de Basini vai se complicando de tal forma que, não fosse uma interferência de Törless no final do livro, não tenho dúvidas de que o jovem acabaria morto. 
   Não dá pra dizer que gostei desse livro, mas, analisando a obra seu contexto e a época em que foi escrito, reconheço os méritos e a ousadia da história. Mesmo assim vejo esse livro divido em duas metades. 
   A primeira antes de Törless se relacionar sexualmente com Basini. Nesse ponto o livro é muito bonito porque vemos o personagem principal se apaixonando e sua confusão e angústia ao perceber que seu afeto é dirigido a alguém do mesmo sexo. Nesse momento já acontecem os abusos da parte dos outros colegas para com Basini, mas Törless somente intui que esses abusos ocorrem e se sente incapaz de impedir. 
   Já na segunda parte, depois que o relacionamento se consuma, vemos os sentimentos românticos de Törless se desintegrarem. Utilizei a expressão relacionamento para falar de Törless e Basini pois, ao contrário do que acontece com os outros, o sexo entre ambos é consensual. Ou ao menos é o que mais se aproxima desse conceito. 
   Nesse segundo momento, ao invés de ficar em êxtase por estar consumando aquilo que com frequência fantasiou, Törless se vê ainda mais angustiado. Li que o livro é baseado nas experiências do autor, Robert Musil, em um colégio militar e, embora o autor o tenha negado, estou inclinada a acreditar nisso. Para mim fica muito visível no texto momentos em que o autor se vê na necessidade de justificar o comportamento de Törless e tudo o que ele passou, chegando até mesmo a abandonar o momento presente da trama para dizer como Törless enxergaria tal relacionamento no futuro. 
   Acho que essa ânsia de Musil por analisar e justificar o que ocorre entre Basini e Törless diminuiu um pouco a obra. Mesmo que o final permanecesse o mesmo, seria mais interessante se o autor deixasse em aberto se essa homossexualidade de Törless foi coisa de um episódio ou se foi algo que levou para sua vida adulta. Musil, no entanto, talvez por ver muito de si no personagem, resolveu usar parágrafos do romance para justificar que aquela foi apenas uma experiência para que "Törless" adquirisse a moral que tem hoje. 
   Mesmo um pouco decepcionada pelas escolhas do autor da segunda parte do livro, tanto na narrativa quanto na trama, ainda recomendo para os que querem saber o que raios é um romance de formação mas não tem paciência ou tempo para ler um Dickens da vida. Se você tem interesse pela trama, saiba que, embora haja uma linguagem pela e poética, não se trata de um livro romântico. Muito pelo contrário, aliás. 
  
 Minha nota é 7,5 - o livro é bom mas tiro meio ponto pelas questões que citei. 
   
|LEIA A SINOPSE DO LIVRO NO SKOOB|

|FILME| Esquadrão Suicida (Resenha/ Review)


ATENÇÃO: Se você não assistiu "Batman vs Superman" esse filme pode ter alguns spoilers. Você foi avisado.

   Com a morte do Superman, o governo americano tem um novo desafio. Como lidar com os "novos super-homem", os meta-humanos que vem surgindo dia após dia em Gotham, Metropólis e em todos os Estados Unidos. Quem irá combater essas potenciais ameaças?
   Amanda Waller propõe então a criação de um "Esquadrão Suicida", um grupo de detentos que seria obrigado a participar de missões em que o governo não quisesse envolvimento direto e, em troca, teriam alguns anos da sua pena reduzidos. 
   São vários os nomes que compõe esse Esquadrão e cada um deles possui uma habilidade especial (ou não): O Pistoleiro não erra um tiro, o Killer Croc é uma mistura de crocodilo com ser humano, Capitão Bumerangue que é bom com bumerangues (pois é), Magia é uma bruxa milenar que está possuindo uma jovem arqueóloga, El Diablo tem habilidade de lidar com o fogo e Arlequina... bom, a Arlequina só é louca para caramba. O Esquadrão ainda conta com a misteriosa Katana e é liderado por Rick Flag, que só obedece ordens da própria Amanda Waller. 
   Eu (ainda) não confio na capacidade da Warner de fazer filmes dignos de uma empresa como a DC Comics, por isso previ que esse filme seria um grande desapontamento. Como demorei certo tempo para assistir (estava viajando e essa também a razão do sumiço aqui no blog), os comentários dos críticos mostravam que eu estava certa em minha suposição inicial. Mas ouvi de fontes (mais ou menos) confiáveis que o filme não era tão ruim e que a trilha sonora era sensacional e isso me animou bastante para assistir: afinal eu também não tinha muitas expectativas com "Guardiões da Galáxia" e ele acabou sendo um dos meus filmes favoritos da Marvel. 
   Os primeiros momentos do filme me deixaram bastante empolgada: a apresentação de cada membro do Esquadrão aliou momentos dramáticos a cenas divertidas e cheias de ação. A trilha sonora também fez jus a todos os elogios e se confirmou como um dos pontos altos do filme -  se gosta de músicas retrô, ouça o soundtrack desse filme. 
   Essa primeira parte de apresentações toma certo tempo mas antes tivesse durado mais ainda. Porque é logo após isso que começam os principais problemas do filme, a começar pelo vilão. Eu não vou dar spoilers sobre sua identidade mas confesso que esperava que o Coringa desempenhasse esse papel. Infelizmente escolheram um vilão mais poderoso e que, ao meu ver, combina menos com a pegada do filme. O fato de que esse vilão é meio que um ET também não ajudou a gostar mais da trama. 
    Vejo o Esquadrão Suicida como um grupo de heróis mais urbanos na vibe do Demolidor da Marvel ou do próprio Batman na trilogia do Nolan. Nela, o Batman não queria salvar o mundo inteiro, "apenas" Gotham. Eu queria que o Esquadrão tivesse essa pegada também, ajudando a salvar Gotham ou Metropólis mas, infelizmente, os estúdios andam um pouco obcecados com essa história de vilão poderosíssimo e destruição mundial. Posso citar várias vezes em que esse mote deu certo, mas acho que não foi o caso do Esquadrão Suicida. 
   Se a trama principal não empolgou ou atraiu o mesmo não se dá para as atuações. Gostei da maioria das interpretações desse filme, especialmente de Viola Davis como Amanda Waller e Margo Robbie como Arlequina. Ambas as atrizes parecem ter sido feitas para esses papéis: Davis empresta um pouco de sua Annelise Keating para deixar Waller tão durona quanto é preciso mas sem fazer uma cópia total de sua atuação em HTGAWM. Já Robbie é Arlequina do início ao fim e, com suas piadas e delírios tornou-se uma das minhas personagens favoritas do filme - é muito difícil não simpatizar com o mau caratismo bem humorado dessa personagem. 
   Do lado masculino destaco Will Smith, do qual não esperava nada como Pistoleiro e que acabou entregando um personagem humano e interessante, e Joel Kinnaman que, na pele do soldado Rick Flag, conseguiu fazer um mocinho que (quase) não me irritou. Não conheço muito de Kinnaman mas achei essa atuação bem diferente da que fez em House Of Cards, quando interpretou um charmoso candidato a presidência do partido Republicano. 
   Mas Karol, e o Jared Leto? Bem, esse é outro ponto negativo do filme. Não é que Jared Leto faça um mal coringa - a risada dele no filme é algo de arrepiar - o problema é que não temos a oportunidade de verificar completamente essa atuação. O Coringa aparece muitas poucas vezes ao longo da história e sempre em momentos completamente descartáveis e insignificantes. Me decepcionou a atitude da DC, de transformar um personagem tão marcante dos quadrinhos, em um "namorado da Arlequina", alguém sem importância na história. Por que não colocaram o Coringa como vilão? É algo pela qual nunca vou perdoar a DC. Isso é aquelas tatuagens babacas que deram ao Coringa e que, aliados aos dentes de metal, deixaram o personagem parecendo um gangster. 
   Analisando o filme como um todo fica aquela sensação estranha de rascunho, de filme que tinha potencial para ser mais e não foi. Essa noticia reflete bem a sensação que eu tive ao assistir o filme: de que muitas cenas foram regravadas (havia cortes meio esquisitos) e de que o tom do filme mudou na sala de edição. Alguns personagens tem um background sinistro mas pouco explorado (vide El Diablo e a cena em que insinuam um abuso contra Arlequina) e outros tem motivações meio duvidosas ao longo da trama (até agora tentando entender porque o Capitão Bumerangue voltou ou porque o Crocodilo foi). Noticias como a que eu linkei acima me deixam curiosa para qual seria a versão mais séria do filme, mas acho que isso é algo que nunca veremos. 
   Eu só recomendo "Esquadrão Suicida" se você quiser um filme bem simples, sem grandes complicações de enredo e que garante uma ida divertida ao cinema. Sabe aqueles filmes de aventura genéricos que a gente assiste na tv? Espere algo do tipo e, aconteça o que acontecer, não crie expectativas. No caso de Esquadrão Suicida você se saíra melhor criando unicórnios porque é mais fácil sair algo daí do que desse filme. 
   Apesar de tudo e porque eu realmente gostei de alguns detalhes, dou nota 7,5 - um filme razoável que ganhou meio ponto pela trilha sonora. 

|TRAILER|

|RESENHA| O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas #DesafioLivrada

ESSE LIVRO FAZ PARTE DO DESAFIO LIVRADA 2016. Para conhecer outros livros do Desafio, CLIQUE AQUI 

   Edmond Dantes é um jovem marujo, com o futuro pela frente. Filho devotado, a primeira coisa que faz depois que chega de viagem é ir ver seu pai, único parente visto que tem. A segunda coisa é ver Mercedes, sua amada. Edmond pretende se casar com Mercedes o mais rápido possível, antes de voltar novamente para o mar... Porém um colega de navio invejoso e um ex-pretendente enfurecido tramam um plano para impedir a felicidade deste casal. 
   Até mesmo quem não conhece ou leu O Conde de Monte Cristo já deve ter visto sua história por aí, disfarçada em algum filme, série ou HQ. Quem não reconhece a história do jovem com futuro promissor que, após ser traído e perder tudo, retorna mais poderoso e buscando vingança? Teria esse livro se tornado tão popular a ponto de ter transcendido suas páginas ou essa temática sempre fez parte do imaginário coletivo? Não sei e não importa muito: por um motivo ou por outro o tema central deste livro já era reconhecido por mim bem antes de lê-lo. 
   A primeira parte, que conta todos os infortúnios de Dantés, é certamente a melhor de todo o livro. Desde a sua felicidade e súbita infelicidade até seu escape da prisão e encontro dos tesouros prometidos pelo seu colega de cela, o Cardeal Spada, tudo é contado com tal energia que tira o fôlego do leitor. Eu fiquei revoltada, eu quis xingar, eu me empolguei. Desde a primeira parte senti que estava lendo algo especial mas, naquela primeira parte, achei que finalmente havia encontrado meu livro favorito da vida. 
   O que se seguiu não diminuiu a qualidade da história, a segunda parte começa tão emocionante quanto a primeira. Foi o único momento do livro que me fez chorar e, talvez pela primeira vez em um livro, chorar de pura felicidade. O 'arco' em que Dantés ajuda o senhor Morrel continua sendo um dos meus favoritos do livro e é um dos poucos em que vemos o protagonista fazer algo bom sem esperar nada em troca. Logo depois disso Dantés parte para se tornar O Conde de Monte Cristo e a coisa fica mais séria e pesada. 
   Justamente nesse momento passamos a ver a história sob a perspectiva de certo Franz, que conhece O Conde de Monte Cristo em condições muito misteriosas. Da-se início então a uma parte bem maçante, é como se estivéssemos sendo novamente apresentados ao personagem principal, mas sob uma nova perspectiva. É uma parte um tanto prolixa e cheia de referências as Mil e Uma Noites e a autores gregos, além do ar meio gótico que o autor dá a trama, tentando transformar Monte Cristo em uma espécie de vampiro. 
   Certamente não é meu momento favorito, mas até mesmo aqui é possível ver o talento do autor. Dumas é o tipo de escritor com o qual eu gostaria de tomar um café e perguntar de onde vem tantas histórias, qual o seu processo criativo... É tanta coisa que acontece nesse livro, tantos personagens indo e vindo a todo momento, cada um com sua história de vida e sua sub-trama, que cheguei a imaginar O Conde de Monte Cristo com muito mais que suas mais de 1600 páginas. Eu certamente gostaria de ler mais, tamanho meu apego pelos personagens. 
   Falando em personagens, é na parte 3 que são inseridas as principais "peças do tabuleiro", por assim dizer. Temos Dantés/Conde, que agora é um homem amargurado e frio, que usa uma mascara de riqueza e futilidade para mascarar suas cruéis intenções. Temos Danglas, Fernand e Villefort, os principais autores da injustiça contra Dantés e as principais vítimas de suas maquinações; são homens mais ou menos odiosos da qual é impossível ter qualquer compaixão (com exceção de Villefort, em momento bem especifico). 
   Temos também os parentes desses três antagonistas do Conde. A filha de Danglars, Eugenie, está prometida para se casar com o filho de Fernand e Mercedes, Albert. A filha de Villefort, Valentine, está apaixonada pelo filho do sr. Morrel, a única pessoa que tentou ajudar Edmond em seus anos de infortúnio. Todos esses personagens se relacionam entre si e ainda nem citei outros tantos personagens que aparecem nessa história, inclusive um tal Benetto, fruto de uma indiscrição de um dos antagonistas de Monte Cristo. 
   Ã‰ incrível que, com tanta coisa acontecendo, Dumas ainda consegue criar emoções e interesse no leitor. A cada página eu ficava mais empolgada com a história e com os personagens e acontecimentos. É porque estava lendo a edição física e não sou do tipo que marca mais livros físicos, do contrário teria marcado esse livro quase no todo, tamanha a quantidade de cenas e trechos que considerei espetaculares, emocionantes ou memoráveis.
   Depois dessa primeira parte nós só ficamos sabendo dos sentimentos do personagem principal em momentos-chave e no final mas nem por isso deixei de gostar e torcer por ele. A terceira parte é um deleite, com Monte Cristo voltando a sociedade e sendo reconhecido apenas por Mercedes, agora esposa de Fernand. Mas a quarta parte é aquela em que a vingança finalmente começa a ser posta em pratica e eu não consegui ler rápido o bastante. Tirando a primeira parte, creio que a terceira e quarta partes tenham sido o ápice do livro para mim. 
     A quinta parte tinha tudo para ser a melhor de todas, a começar por uma conversa emocionante entre Mercedes e Monte Cristo, outra das minhas cenas xodó nesta história. Meu coração disparou como se fosse eu naquele momento e atribuo isso não só a minha torcida por esse casal mas também a escrita espetacular de Dumas. Este autor costuma ser muito subestimado pelos críticos mas, como sou apenas uma leitora, pude me deleitar com sua escrita com ares de "novelão" sem me sentir culpada ou pouco intelectualizada. 
     Infelizmente, depois dessa cena incrível que citei acima, acontece algo que me deixou bem, mas bem chateada. Lembram que eu disse que passei o livro todo shippando Edmond e Mercedes? Pois é, não posso entrar em detalhes, mas algo aconteceu nessa parte do livro que fez meu shipp afundar (sem trocadilhos). Depois disso o livro perdeu parte do sabor: antes achava que o ódio e fúria de Edmond se devia a ter perdido tudo, sim, mas principalmente a perda da mulher amada. Depois que do que li, cheguei a conclusão de que Edmond era um personagem rancoroso e fim. Nada poderia dissuadi-lo de sua vingança, não haveria nada do final feliz que vemos no filme, por exemplo. 
   Depois disso dei uma parada com o livro, só retomando porque eu queria muito saber o final da trama e porque eu estava pirando com o livro até aquele momento, não poderia deixar um mero detalhe (um detalhe chamado Haydeé) estragar minha leitura. 
   Minha retomada da história foi uma ótima decisão pois fui brindada com um dos momentos mais progressistas da história; vocês podem dizer que não mas para mim Eugénie não só é uma personagem homossexual em um clássico, como também é uma das poucas a ter um final (mais ou menos) agradável. Queria que o autor tivesse parado no final da parte cinco a falar sobre tal personagem mas a parte 6 nos mostra que, sim, Dumas é um fruto de sua época (e, portanto, machista). 
   A conclusão da história, parte 6, é feliz e triste ao mesmo tempo. Foi interessante chegar até aqui e me ver, assim como Dantés, questionando todos esses propósitos de vingança. Teria sido demais? Teria sido justo? Edmond tem dois momentos de incerteza nessa parte, devido a um acontecimento especialmente dramático e muito pesado que ocorre perto do desfecho. Foi interessante ver ele tentando justificar suas atitudes retornando ao Castelo de If e também doloroso assisti-lo "virando o rosto" para uma parte do seu passado. 
   Nesse momento é que digo que Dumas foi machista, porque, apesar de não saber ou participar de nada, Mercedes tem um desfecho que soa tão melancólico quanto os dos rivais de Monte Cristo. Mercedes foi punida porque tentou ser feliz e continuar com a vida, após achar que seu amado estava morto. Irônico é que ela sequer foi feliz desta forma,  pois a lembrança de Edmond foi sombra constante em seu casamento. O autor, no entanto, não parece muito generoso com tal sofrimento e é muito triste ver que Edmond tão pouco.
   O último capítulo nos traz uma das frases mais bonitas do livro "Esperar e ter esperança". Isto é, sempre ter fé de que dias melhores virão. Porém, não sei se esse é o caso do Conde de Monte Cristo; concluindo a história tive a sensação de que a personagem nunca poderá ser feliz de novo depois do que fizeram para ele. Nem a vingança pareceu trazer satisfação suficiente, suscitando dúvidas e arrependimentos ao invés da satisfação almejada. 
   Mas o Dumas foi mais bondoso com Monte Cristo que com Mercedes e o leitor pode pensar que há um happy ending ali. De minha parte, concorda com uma resenha que li no Skoob, da usuária Raquel Andrade, que diz que, embora tenha escapado da prisão de If, Dantés continuou preso pelos grilhões da vingança. 
   Enfim, é um baita livro, não só pela quantidade de páginas mas pela história e reflexão que nos traz. Gostei muito da escrita do autor; apesar de algumas vezes me decepcionar ele conseguiu emocionar e trazer esperança para o seu final, algo que admiro muito nos livros que leio. Certamente quero ler mais coisas de Dumas e recomendo se quiser um clássico que não parece um clássico, tamanha a diversão que se tem lendo. 
    Minha nota é 9,5 - tirei meio ponto por causa dessa minha frustração com o destino de uma das personagens mas acho esse livro tão fantástico que pretendo rele-lo em algum momento da minha vida. 

    
P.S.: Fiz diário de leitura desse livro no Tumblr.

|FILME| X-Men: Apocalipse (Resenha / Review)


   Há mais de 3.000 anos atrás En Sabah Nur (Apocalipse) dominava o mundo, sendo rei e deus de toda uma civilização. No entanto, Apocalipse acaba sendo traído e passa os próximos milhares de anos em uma espécie de repouso profundo até despertar no anos 80, período em que se passa essa nova história dos X-Men.
   Primeiramente: a franquia 'X-Men' é a minha favorita de todas que já foram lançadas no cinema. Eu amo os X-Men mais do que qualquer Vingador (a não ser a Wanda que, por um acaso, também é parte do universo X-Men nos quadrinhos). Dessa afirmação você já deve tirar que não sou muito ligada nas HQs e, embora tenha interesse em saber as diferenças entre o universo cinematográfico e dos quadrinhos, não sou aquela louca que fica xingando porque algo saiu do que é considerado cânone (a não ser que seja algo muito importante). 
   Eu também não sei muito sobre a história do 'Apocalipse' nas HQs ou na animação (que passava no SBT, lembram?). Para o bem ou para o mal, meu primeiro contato com esse famoso arco dos X-Men foi através do filme "X-Men: Apocalipse". É bom acrescentar também que estava bem preocupada com a qualidade desse filme, uma vez que boa parte da critica especializada foi taxativa ao dizer que esse é o pior filme da franquia. 
   Sendo assim, qual não foi a minha surpresa ao me ver amando esse filme? A primeira cena com o 'flash-back' da origem do Apocalipse foi um pouco boring mas, depois disso, o filme só me trouxe alegrias. Tirando algumas coisas que me incomodaram durante a sessão, e que citarei mais a frente, considero esse um dos melhores filmes da franquia e não um dos piores como estão dizendo. 
   A começar pela ambientação nos anos 80, que dá todo um ar retrô ao visual dos X-Men e encanto para a história - para mim os X-Men tem tudo a ver com essa época, tanto visualmente quanto pelo subtexto dessas histórias. Infelizmente o pouco de música que ouvimos dessa época é graças ao personagem Mercúrio mas achei divertidíssima a conversa entre Jean, Scott, Noturno e Jubileu sobre qual dos filmes de Star Wars seria melhor: a discussão termina com Jean dizendo que o importante é que todos concordam que "o terceiro filme é sempre o pior", algo que dialoga com a própria franquia dos X-Men (todos crucificam X-Men III).
Jean, Ciclope, Noturno e Jubileu (FONTE)
   Isso sem contar os novos personagens ou os personagens que foram rejuvenescidos. Achei que iria sentir saudade da formação antiga (e mais velha) mas os novos atores estão de parabéns, especialmente Sophie Turner, que está perfeita como Jean Grey - até passei a gostar mais da personagem depois do filme, já que os conflitos que ela vive parecem muito mais coerentes para uma adolescente do que para uma mulher adulta, como foi retratado nos filmes anteriores - e o mesmo ocorreu com Scott. 
   Falando nos personagens, embora eu tenha meus favoritos, não há um único deles que não seja incrível. Na cena em que Apocalipse recruta seus 4 cavaleiros, mutantes que vão segui-lo e ajudá-lo em seu plano de destruir o mundo para retomar o controle sobre ele, é impossível não se empolgar com as habilidades dos mutantes recrutados sendo subitamente melhoradas. Dos 4, Psylock era a única que eu não conhecia mas achei seu poder incrível, assim como esse anjo 2.0 que criaram para esse filme. Magneto e Tempestade nem se fala, são dois personagens que sempre achei phoda e que permanecem incríveis nesse filme (embora a Tempestade ainda falte a confiança que a mesma ostenta no futuro, amei essa versão teenager dela, moicano e tudo). 
   Mas, assim como os 4 cavaleiros que acompanham o vilão durante todo o filme, esse novo filme também tem 4 GRANDES PROBLEMAS, a seguir (se não quiser pegar spoiler é só pular os trechos:  mais claros)

1. A cena em que Scott descobre seus poderes, ele perfura o teto com o raio que sai de seus olhos... Mas não perfura a porta do banheiro em que ele estava? O garoto que tentava arrombar a porta para bater em Scott é simplesmente jogado longe junto com a porta e ainda aparece se mexendo depois dessa cena. 
2. Todos os personagens são phodas... Menos a Mística, que só aparece como si mesma meia dúzia de vezes durante todo o filme. Por melhor e mais legal que esteja o visual anos 80 da J-Law, toda a vez que a via sem maquiagem (e foram várias) ficava me perguntando quando ia ver a Mística, isto é, quando a Mistica ia ficar azul. Já que toda a personalidade da personagem parece ter sido modificada, o mínimo que eles podem fazer e manter a aparência desta, não é?  Está na hora dos produtores contratarem alguém que REALMENTE queira fazer o papel, sem mimimi por conta das horas na maquiagem (#VoltaRebecca)
3. SPOILER ALERT: como é que o Magneto, tendo seus poderes ampliados pelo Apocalipse, consegue entortar uma ponte nos Estados Unidos... Mas não causa nem um arranhão ou altera o voo do avião que os X-Men usam para chegar até o local da briga? FIM DO SPOILER
4. SPOILER ALERT: a "conversão" de Eric foi muito rápida... Esperava mais dificuldade para convencer um cara tão p da vida com o mundo como ele está. E a cena em que Eric finalmente tem seu insight para o lado do bem teve direito a flash-back de 'First Class' e lágrima correndo em um olho só, algo que achei cafona. FIM DOS SPOILER


   Embora sejam pontos negativos que considero sérios para o roteiro e andamento da história, isso não prejudicou minha opinião sobre o filme. Afinal, para cada um desses FAIL que encontrei e citei acima, tem dezenas de WINS que o filme dá: a cena em que Mercúrio (mais uma vez) vê o mundo em slow motion, as lutas da batalha final em que cada personagem mostra porque é um adversário poderoso, Jean Grey mostrando porque é o personagem mais poderoso dos X-Men... São vários momentos incríveis e Brian Singer consegue, mais uma vez, criar a emoção exata para cada um deles, levando o expectador das risadas a apreensão com o passar de uma cena. 
   Eu realmente temi que algo pudesse dar muito errado e realmente torci pelos personagens na luta final contra o Apocalipse, me contorcendo da cadeira a cada reviravolta. Quando comparado a algum outro filme de herói, a sensação foi a mesma que senti na luta entre Bucky, Capitão América e Homem de Ferro no final de Guerra Civil, com a diferença é que dessa vez em realmente queria que algum lado vencesse. 

   Recomendo "X-Men: Apocalypse" para você que já curte a franquia e está afim de um bom filme. Se você é daqueles que surta quando descobre, por exemplo, que a Mística não é mãe do Noturno nos filmes, é melhor ir assistir Guerra Civil de novo. Nota 9,5 - pra mim seria 10 mas tirei meio ponto pelos probleminhas que citei. 

|TRAILER|
P.S.: Wolverine apareceu só para nos lembrar de esquecer que "Wolverine - Origem" existiu haha. 
P.S.2: Oscar Isaac está irreconhecível como Apocalipse, fiquei chocada quando descobri que era ele. 

|ESPECIAL| Star Wars - Episódios IV, V e VI (LIVRO + FILME)

INTRODUÇÃO

            Como já citei aqui, Star Wars faz parte da minha adolescência; é um universo que sempre me fascinou, embora essa série parecesse ter esse efeito somente em mim: para se ter uma ideia, a parte 3 de Star Wars assisti sozinha no cinema (e provavelmente farei o mesmo com a parte VII).
            Porém, tendo nascido nos anos 90, não comecei a gostar de Star Wars por causa dos episódios originais, IV, V e VI. Comecei a assistir do I, II e III e, quando terminei essa trilogia, não senti vontade de assistir a original - afinal, quem iria gostar de ver seu personagem favorito como um vilão? (Anakin s2)
            Mas, com o lançamento da parte VII para dezembro de 2016, resolvi que precisava conhecer os episódios restantes, se quisesse compreender algo do que iria se passar no cinema. Por isso, em Outubro comecei a ler o livro, lançado pela DarkSide, que romantiza os 3 primeiros filmes da saga. Desde então li um por mês até o último em Dezembro e fiz comentários independentes sobre cada um.
            Esse post deveria ser só sobre o livro mas, no meio do caminho fiquei com vontade de assistir aos filmes também. Por isso dividi esse especial da seguinte forma: citarei o filme/livro pelo nome e depois comentarei, em separado, o que achei do livro e do filme (nessa ordem). Não quero dar muitos detalhes sobre o enredo porque acho que todos conhecem basicamente do que se trata, mas darei pinceladas sobre a trama em cada episódio, até para explicar melhor a minha opinião. 
Vamos lá?

Episódio IV: Uma nova Esperança



LIVRO

   Esse primeiro livro é atribuído a George Lucas mas, na verdade, trata-se de uma romantização do roteiro feita por um ghost writer. Isso se reflete na narrativa, em que as frases são meio secas, e o texto pouco centrado em pensamentos e motivações de personagens e mais na ação pura e simples.

   Conhecemos aqui a história do jovem Luke Skywalker, história essa que tem muito da Jornada do Herói: um jovem simples e um tanto ingênuo que tem sua vida mudar da noite para o dia, com o aparecimento de um ser misterioso que o convida para uma aventura, no caso, destruir o Império e restabelecer a República nas Galáxias. Como todo herói numa jornada, Luke no inicio hesita, mas logo segue seu destino, longe de tudo aquilo que conhecia.

   Temos aqui, desde o inicio, personagens muito diferentes, saídos da mente do próprio Lucas. Seja pela descrição bem mais ou menos ou por suas particularidades bem específicas, tive que procurar vários nomes de seres no Google: só fui a assistir aos filmes depois que finalizei os três livros, logo, não sabia qual deveria ser a aparência de um jawa, por exemplo.  

   Mesmo não tendo assistido aos filmes, conheço um pouco da trama; lendo esse primeiro livro tive minhas dúvidas de que George Lucas conhecesse também. Dá a impressão de que ele não tem muita noção de onde essa história vai levar e isso é muito claro na forma como ele descreve o relacionamento de Luke e Leia - para quem já sabe que os dois não são um casal (e nem podem ser, de jeito nenhum) fica esquisito as sensações que o autor narra nesse livro, coisas que Luke sente quando olha para a "princesa". Além disso, mesmo deixando uma brecha para uma seqüência, o filme não tem sequer uma referência a eventos que possam acontecer futuramente e a participação de Darth Vader nessa história é a mínima possível.

   Falar em Darth Vader, me lembrou de citar meus personagens favoritos nesse primeiro livro. Além do próprio Lorde Negro (que, infelizmente, aparece muito pouco), gostei muito das duplas Han Solo e Chewbacca e de C3PO e R2-D2. Enquanto os robôs me conquistaram por seu papel como alívio cômico, gostei da personalidade de Han Solo, seu jeitão de anti-herói e sua aparente despreocupação são inesquecíveis e ele e Chewbacca tem um entrosamento de velhos amigos. A química de Solo com a princesa Leia e visível e patente até no livro e é impossível não me perguntar (mais uma vez) como diabos alguém pensou que Luke e Leia poderiam ser um casal.

   Ainda sobre personagens, achei Obi-wan muito esquisito nesse livro. Quando penso em Obi-wan penso no jovem professor de Anakin Skywalker, alguém mais humano do que o senhor  sábio que é o velho Ben. Gostava muito desse personagem na primeira trilogia, nessa nem tanto (e fica aqui o questionamento: o que foi o final dado para esse personagem?! Não entendi).

   Lendo o primeiro "Uma nova esperança" pude travar várias semelhanças entre essa primeira trama e os filmes que assisti anos depois. Como não conhecia a história anterior achei tudo maravilho na parte I, II e III mas, agora que li o livro, acho que George Lucas acabou forçando a barra ao tentar forçar semelhanças entre a história original e a prequela.  

   Apesar do livro ser bem mais ou menos, a história é interessante e apaixonante e o final me fez ter vontade de começar a ler o próximo livro imediatamente - mas esperei pelo próximo mês.

FILME

   Não há muito a dizer sobre o filme que não tenha já sido dito do livro. Fui assistir tendo em mente de que "Uma nova Esperança" foi lançado no final da década de 70 e, portanto, não me chocou os efeitos meio precários ou a maquiagem e figurino de alguns personagens; achei esse estilo futurista meio retrô bem divertido e charmoso.
   Dos livros esse é o que menos gostei e o filme não foi diferente. O que mais gosto de Star Wars são as discussões sobre bem e mal e o dilema dos personagens da trama, por isso, nesse primeiro filme cheio de cenas de ação e batalhas espaciais, o tédio foi meu companheiro constante.
   Mesmo assim fiquei com vontade de ver o restante, porque sei que a trama tende a se aprofundar ao longo da trilogia.




Episódio V: O império Contra-Ataca

LIVRO

   O segundo livro da trilogia "Star Wars" se passa 3 anos após os eventos do primeiro livro/filme. Aqui temos Luke um pouco mais velho, treinando para se tornar um Jedi. Enquanto isso, Han e Leia vivem uma aventura em separado, relacionada a aliança rebelde, mas logo o caminho dos tres se encontram. Essa é uma fórmula parecida com a da primeira história quando Han e Luke estavam juntos e Leia presa, mas funciona porque há duas narrativas diferentes, cada uma com seu grau de aventura e em todas há personagens cativantes e protagonistas da história.

   Li esse segundo volume depois de terminar "Grandes Esperanças" e, talvez por isso, tive muita dificuldade com a forma seca como a história é narrada. Nesse livro se tornou mais óbvio ainda que se trata de uma adaptação de roteiro porque a ausência de algum estilo literário é visível e incômoda. O livro só passou a funcionar para mim da página 100 em diante; antes disso apenas a história (os acontecimentos) me fizeram continuar porque a narrativa em si não é aquelas coisas.
  Sobre a trama, nesse livro a filosofia dos jedis e dos siths se torna mais inteligível, conseguimos entender o que é "o lado negro da força" é porque é tão importante que os jedis se mantenham calmos e focados. Aqui também há um pouco mais sobre Darth Vader (o que é sempre uma coisa boa) e também o acréscimo de outros personagens, como Yoda, Lando Calrisisan e o mercenário Boba Fett.
   Novamente, notei as semelhanças bizarras entre a trajetória de Luke e Anakin e cada vez mais entendo porque os fãs da primeira trilogia detestam a segunda (dos episódios I, II e III). Aliás, falando em fã, enquanto lia esse livro saiu o primeiro trailer do episódio VII - fiquei ainda mais ansiosa por essa estréia e para ler o próximo livro, O retorno de Jedi, mas me mantive firme na decisão de ler apenas um por mês.
  Apesar de todos os meus problemas na leitura, acho que esse segundo livro tem uma trama muito melhor que o primeiro, gostei muito


FILME
      Como eu esperava, esse segundo filme é bem melhor que o primeiro: não apenas pela história mas os efeitos especiais deram uma melhoradinha, assim como as interpretações - Enquanto "Uma nova esperança" parecia que tudo estava meio artificial e ensaiado, em "O império contra-ataca" todos sabem exatamente quem são e quem são seus personagens.
   Uma das coisas que menos gostei foi de como fizeram o personagem Yoda nesse filme. Entendo que é a única alternativa para época mas achei que uma marionete não foi o suficiente para retratar esse personagem tão cativante para mim (lembre-se, assisti aos episódios 1, 2 e 3 primeiro).
   Sobre a cena mais importante desse filme, a revelação, já a tinha assistido várias vezes mas, dessa vez, ela finalmente teve um significado para mim. É diferente ver algo solto e largado e depois ver em todo um contexto - Darth Vader continua sendo um dos meus personagens favoritos da série mas, pela primeira vez, senti um pouco de pena de Luke também. 
   Sobre o VII episódio, assisti a "O império contra-ataca" na quarta feira de madrugada, quando muitas pessoas assistiam a esse novo filme na pré-estréia, Nessa onda do lançamento, passei o dia olhando as fotos da premie e, quando vi o personagem Han Solo, que é o Harrison Ford mais novo, acabei criando um bom palpite sobre a identidade do misterioso Kylo Ren - nada que você já não tenha visto na internet mas espero que eu esteja errada. 
   Enfim, o filme é muito bom e mal vejo a hora de assistir ao último. 




Episódio VI: O retorno de Jedi


LIVRO

  Passado poucos meses depois de "O império contra ataca", "O retorno de jedi" é um livro que apresenta ação do inicio ao fim. Começa com a tentativa de resgate de Solo e, a partir daí, segue de uma cena de aventura a outra, tudo intercalado por momentos relevantes. Já havia notado isso nas histórias anteriores mas nesse, talvez porque tivessem ainda muitos assuntos a serem tratados, tive a sensação de que cada momento era de suma importância.
   Sei que parece repetitivo falar da escrita novamente mas, lembre-se, cada livro é escrito por um autor diferente e, por isso, podem trazer características diferentes. Me incomodou muito a falta de "ação mental" dos personagens nas outras histórias mas, felizmente, isso não se repete em "O retorno de Jedi". James Khan, que assina a autoria desse último livro da trilogia, tem uma escrita muito melhor que seus antecessores; sua capacidade de descrever os sentimentos e questões internas dos personagens me impressionou muito - é como se os conhecesse de fato (e não só estivesse sendo pago para novelizar um roteiro). Não é que haja nada muito elaborado ou extenso mas mesmo assim faz diferença e torna a leitura muito mais envolvente e fluída; não por acaso, esse é meu livro favorito dessa trilogia. 
   Falando em profundidade, nesses livros todos os personagens conseguem evoluir de seus esteriótipos iniciais. Luke agora é mais que um garoto ingênuo da fazenda, e seu retorno ao lar nesse último livro (mesmo que rapidamente), tem tudo a ver com a "Jornada do Herói" com que comparei essas histórias no meu primeiro comentário lá em cima. Solo também parece finalmente adquirir alguma índole mas o mais importante de tudo e ver Darth Vader deixando de ser aquele vilão implacável e quase inumano - ver o homem por trás da máscara (não só literalmente) é mais uma das razões pela qual gostei muito desse livro.  
  Ainda sobre personagens, é estranho perceber nesse último livro que, por mais que eu ainda tenha meus personagens favoritos (Vader, Solo e Yoda, por ex), acabei me afeiçoando a todos nessa série, toda a "equipe" dos mocinhos que vai de C3PO a Lando Calrisisan. Luke, que a principio me pareceu chato e infantil, foi se tornando cada vez um personagem mais interessante e gostável, de forma que, no final, é impossível não gostar e simpatizar-se com ele. 
   Isso porque ainda não falei dos Ewoks! Esses personagens, mais parecidos com ursinhos de pelúcia, são familiares para mim mesmo antes que eu soubesse sequer o que era "Star Wars": ver os Ewoks em ação no livro me remeteu a memórias de tenra infância, quando minha mãe e meu pai assistiam filmes na sala e eu assistia com eles. Mesmo não sabendo nada sobre filmes ou sobre a trama, gostava de ver aqueles "ursinhos" na TV.
   Enfim, esse livro fechou a trilogia com chave de Ouro. Seria incrível se James Khan pudesse ter escrito todos os 3 livros mas "O retorno de Jedi" já foi mais o suficiente para me empolgar, divertir e emocionar - sim, por que a cena final entre Luke e Anakin me levrou lágrimas aos olhos (imagine quando vê-la no filme). 
   Se antes não via a hora de assistir ao sétimo filme, agora é que estou mais ansiosa que nunca. Mas, antes, vamos ao sexto e último filme desse especial. 
   

 FILME

  Ãšltimo filme antes de conferir a estréia do episódio VII no cinema! \o/ Bom, a primeira coisa que me chamou a atenção em "O retorno de jedi" é a evolução da computação gráfica desse filme, quando comparado aos outros: A cena no covil do "Jabba, o Hutt" em que uma cantora marciana canta enquanto uma outra dança próximo ao ser asqueroso que é Jabba, foi uma das que mais me impressionou nesse sentido: a cantora foi feita toda em computador (ao menos é o que parece), coisa que eu acho que deveriam ter feito com Yoda no segundo filme (no terceiro deu uma melhorada. Talvez na época do segundo filme eles não tivessem tantas possibilidades assim, não sei.
   Como o livro, o filme é repleto de ação mas, diferente do livro esse é o tipo de coisa que não me impressiona muito na tela, principalmente as grandes batalhas que acontecem no espaço. Mas, como o filme também está cheio de personagens encantadores e cenas e diálogos memoráveis, quase não vi a hora passar assistindo. 
   De todos as histórias que vi nessa maratona, essa foi a única que apresentou diferenças entre livro e filme - e isso foi interessante, ver que o autor do livro se permitiu fazer modificações e que o filme ainda tinha como se surpreender. 
   Falando em surpresas, confirmei o que já tinha percebido no filme anterior: nessa trilogia antiga meu personagem favorito é Han Solo, seguido de Vader, Leia, Luke... Como eu disse, todos se tornaram especiais para mim ao longo da história, mas Solo mais do que todos. 
   Uma coisa que me deixou muito muito surpresa foi o aparecimento de Anakin ao final do filme: o ator que aparece é a cara do Anakin da parte 1, 2, e 3! Como isso é possível, terem encontrado um ator tão parecido, quase 20 anos depois? Coisas do cinema, acho.


***

Finalizada a maratona! 

  Hoje, sexta feira, vou assistir o episódio VII. Estou muito ansiosa, mas imagino que deve haver fãs mais do que eu: afinal, a maioria das pessoas esperou anos e anos por essa continuação - eu só vou ter que esperar algumas horas.