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Roma (Filme) #Oscars2019


   Roma é um filme que se passa na década de 70 e conta a história de uma empregada doméstica, que vive com os patrões e participa dos cuidados da casa e das crianças. Cleo é uma daquelas empregadas que os patrões dizem que é "quase da família", ou seja, trabalha ali há anos e ganha pouco mas tem onde viver então tudo bem. 
  Acompanhamos alguns meses na vida de Cleo, seu relacionamento com os patrões, os filhos desses, sua amiga que também é doméstica naquela mesma casa e até mesmo um namorado. Ao mesmo tempo, também vemos um pouco do período em que se passa a história - em 1970 o país vivia um verdadeiro estado de exceção, onde a polícia e os estudantes viviam em pé de guerra, uma "guerra suja" como ficou conhecida pela história. No inicio do filme não reparamos muito nos soldados e carros de polícia mas existe um momento bem específico que fez com que eu fosse correndo pro Google para entender o que exatamente eu estava vendo ali. 
  Ao dar o foco a essa personagem marginalizada, Cuarón mostra os conflitos sociais que existiam no México naquele período. Cleo tem uma relação quase que de servidão com a família, sendo alvo, animal de estimação, doméstica, filha, mãe, tudo ao mesmo tempo. É uma figura que está sempre lá, cuidando e velando por todos na família, mas que permanece ainda a distancia, ignorada. Em um dos momentos mais dramáticos do filme, a protagonista se vê sozinha numa sala de hospital enquanto a patroa tenta preencher a ficha dela de entrada naquele ambiente mas percebe que não sabe sequer a data de nascimento da funcionária. Cleo está lá por todos mas ninguém está lá por ela. 


   O filme corre sem pressa. Todo e preto e branco, com as cenas quase estáticas, é quase uma aula de fotografia que um filme propriamente falando. Mas a história segue sendo interessante, Cleo (interpretada magistralmente por Yalitza Aparicio) é um personagem "gente como a gente", daquelas que você se relaciona logo de cara. A personagem também me pareceu um pouco familia, creio que porque no Brasil tivemos (e temos) muitas Cleos, moças que viviam um estilo de vida praticamente idêntico ao dessa protagonista. 
    O final é bem anticlimático porque mostra que, embora Cleo doe praticamente a sua vida para aquela família, ela nunca fará parte daquele núcleo familiar, não de verdade. Ao mesmo tempo, Cleo não está interessada em ter sua própria família então essas crianças, filhos e filhas de outra mulher, são toda a família que tem, tudo o que lhe resta. É melancólico mas também realista que, logo após uma viagem traumática para todos, Cléo simplesmente vá lavar as roupas: no final do dia ela é apenas uma empregada doméstica. 
   Talvez esse meu texto esteja dando a impressão de que Cleo foi maltrada pelos patrões ou coisa que o valha mas não é nada disso. Na medida do possível ela é até tratada bem. Mas é uma relação intima demais para ser de patrão e empregado e afastada demais para ser de entes familiares - o que Cléo é então? O filme lida com essas questões numa abordagem do ponto de vista de Cleo mas, ao mesmo tempo, muito distante, como se estivéssemos observando tudo de longe. Não por acaso, são poucos os closes do filme, tendo o diretor preferido planos mais longos, algo que valorizou a fotografia mas me fez ter dificuldades em assimilar os sentimentos dos personagens em algumas cenas. 

   Gostei de Roma e amei a interpretação de Yalitza Aparicio. Acho que esse é um dos favoritos do Oscar desse ano, por unir beleza e um tema que gera bastante reflexão. Ao mesmo tempo prevejo algumas dificuldade para essa vitória, como o fato do filme ser produzido pela Netflix - o preconceito da indústria quanto a empresa de streaming ainda me parece muito grande.
   Nota 8 - bom filme.

p.s.: Por que o filme se chama Roma se ele se passa no México? Porque Roma é o bairro do México onde o filme se passa e não a capital romana. 

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Viva - A Vida é uma Festa | Review

  

    Miguel é um menino de 12 anos que vive no interior do México e sonha em ser músico. Infelizmente, sua família odeia tudo o que for relacionado a música, tudo porque um antigo antepassado abandonou a esposa e os filhos para viver da música. Após isso, a família conseguiu se sustentar fabricando sapatos e esse oficio foi passado em todas as gerações. 
    "Viva - A vida é uma Festa" é uma animação da Pixar que tem todos elementos dos filmes desse estúdio. Ao mesmo tempo que se trata de uma história de caráter infantil e imaginativo o filme também tem mensagens profundas sobre amor e família, capazes de fazer o mais frio dos corações se emocionar com essa história. 
    Uma série de situações ocorrem no 'Dia dos Mortos', um feriado mexicano que homenageia os antepassados e  acabam fazendo com que Miguel vá parar no mundos dos mortos. Lá, Miguel passa a procurar o seu antepassado músico, contando com a ajuda de Hector e de um cachorrinho de rua chamado Dante e que, curiosamente, conseguiu ir para esse mundo junto com Miguel. 

    A animação é muito bonita e colorida mas isso não seria nada não fosse a história tão fascinante. Cheio de números musicais, 'Viva' consegue fazer de uma canção o ponto ápice do filme. Não é à toa que "Remember Me" ganhou de "This Is Me" esse ano no Oscar na categoria de 'Melhor Canção Original' - embora o tema de "O Rei do Show" seja sensacional, "Remember Me" consegue aliar uma música bonita à própria mensagem do filme, o que a torna inesquecível para todos que assistirem. 
   Como um filme feito para a família, a mensagem não poderia ser outra que não a de valorizar aqueles que amamos e a nos lembramos sempre daqueles que partiram. Tenha você perdido ou não uma pessoa da minha família, vai se emocionar com a história desses personagens que são tão carismáticos que parecem reais. 

    Recomendo esse filme demais - para aqueles que amam animações é mais um acerto da Pixar, daqueles que prometem ficar na nossa memória por muito tempo ainda. Como sempre, assisti essa animação dublada e não me arrependi, já que a dublagem brasileira é excelente. 
      Nota 9,5 - o filme é muito, muito bom. 

Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississipi (Review) #Oscar2018


   O filme começa com dois irmãos cavando uma cova, tentando finalizar antes que caia uma tempestade. Logo depois, eles vão carregar o caixão para aquele buraco que abriram mas não conseguem baixá-lo em sincronia, o buraco é muito fundo. Nesse momento Henry, um dos homens que estão ali fazendo tentativas de colocar o caixão na cova, vê Hap e sua família passando e pede ajuda para conseguir colocar o corpo de seu pai no túmulo. Segue-se um clima pesado mas só vamos entender o porquê no final de Mudbound (ou Lágrimas sobre o Mississipi).
   Mudbound narra a história das famílias de Henry e Hap, que são vizinhos em uma fazenda. Tanto Hap quanto Henry tem parentes que foram enviados para a guerra ( o filme se passa na década de 40) mas somente Jamie, o irmão de Henry, volta como um herói: Ronsel, o filho de Hap e Florence não tem tal tratamento por ser um negro vivendo num estado racista como o Mississipi nesse período. 
   Sabe aquele filme que parece ter sido feito para concorrer a um Oscar? Mudbound tem todos os requisitos: Questão social, fundo histórico, atuações excelentes, cenas dramáticas. O filme não fica perdendo em nada à qualquer dos indicados desse ano, sendo até mesmo superior a alguns.


   Através da narrativa em primeira pessoa de cinco pessoas diferentes - 2 brancos e 3 negros - Mudbound constrói uma história tão realista que chega a ser difícil de assistir em alguns momentos. É algo parecido com o que aconteceu comigo quando eu assistia "12 anos de escravidão", uma sensação pesada enquanto assistia a um filme. Mudbound pelo menos termina num tom mais leve, mas nada é fácil para os personagens desse filme, principalmente aqueles que são negros.
    Comparei, em sentimentos que me causou, Mudbound a um vencedor do Oscar, 12 anos de Escravidão. No entanto, o filme não concorre nessa categoria, tendo sido indicado apenas por fotografia, roteiro e melhor atriz coadjuvante (Mary J. Blige, excelente como Florence). Como um filme concorre a melhor roteiro adaptado mas não a melhor filme? Coisas do Oscar, já aconteceu algumas vezes. O que me incomoda mesmo é a sensação de que essa história teria sido mais lembrada se não fosse uma produção da Netflix.


   Não é irônico que um filme sobre o racismo e preconceito sofra de preconceito? Não se trata aqui de questão racial mas sim preconceito por ter sido por um serviço de streaming. Mesmo tendo passado nos cinemas (é requisito para o Oscar) o filme ainda foi esnobado pelos sindicatos nessa premiação tão importante. O Oscar sempre foi muito injusto mas creio que já está na hora de Hollywood parar com essas picuinhas contra produtoras como a Amazon, Netflix e Hulu. Se o fizesse, essa lista de indicados desse ano talvez tivesse Mudbound concorrendo a melhor filme.
   O lado positivo é que você pode assistir ao filme e perceber toda a injustiça que foi cometida no conforto da sua casa: Mudbound já já estará disponível na Netflix. O filme é um pouco longo mas está longe de ser insosso - há personagens que nos dão tanta raiva que dá vontade de socar a tela e cenas que são tão pesadas e doloridas que sequer dá pra chorar. Para você ter uma ideia: A Ku Klux Khan aparece nesse filme. 
   Desculpe a piada ruim mas esse filme é "BBB": bom, bonito e bem escrito. 
    Nota 8

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The Post - A Guerra Secreta (Review) #Oscar2018


   Após a morte do marido Kat Graham se torna a dona do Washington Post, jornal que está em sua família há anos. Kat se prepara para abrir o capital do jornal no mercado de ações e, ao mesmo tempo, tem que lidar contra o descrédito por parte de seu próprio conselho, que não acredita que ela, uma mulher, tem força para liderar o negócio. Estamos na década de 70, afinal, e as mulheres ainda tinham um longa caminho a percorrer na busca por participação no mercado de trabalho. 
   The Post provavelmente será o último filme dos indicados ao Oscar que assistirei. Não só porque a premiação é hoje a noite mas porque não tenho muita vontade de assistir ao filme que falta, O Destino de Uma Nação. Talvez eu mude de ideia, talvez não mas, se esse for realmente o último filme, posso garantir que encerrei minha saga do Oscar com chave de Ouro.
   Steven Spielberg é um diretor premiado e aclamado tanto por crítica quanto pelo público e, nesse filme, coloca em ação mais uma vez a sua capacidade de contar histórias profundas e emocionantes. Meryl Streep e Tom Hanks tambéms dispensam comentários: É quase como se fosse um dream team realizando esse filme.


    The Post segue aquele roteiro Davi vs Golias ao contar a história desse - até então - pequeno jornal chamado Washington Post e sobre como eles acabaram sendo responsáveis por toda uma decisão da suprema corte envolvendo liberdade de imprensa. As informações que o jornal tem acesso provam que o governo americano não só interviu na política do Vietnã mas também continuou com a guerra mesmo sabendo que tinha poucas chances de ganhar. 
   Tom Hanks vive o editor-chefe do jornal e desempenha o papel de co-protagonista ao lado de Meryl Streep, que vive Kat Graham. A personagem vivida por Meryl tem um dos arcos mais interessantes da história, é nítida a mudança que vai se operando em sua pessoa ao longo do drama envolvendo a publicação (ou não) dos documentos secretos. Em um mundo rodeado por homens, Kat começa ansiosa e insegura mas vai, aos poucos, assumindo seu papel como dona de uma publicação. A mudança ocorre aos poucos mas um cena, perto do final, mostra que temos uma nova Kat, disposta a ignorar conselhos para fazer o que acredita ser o melhor para o seu jornal. Minha cena preferida dessa personagem ocorre no final, quando Kat está saindo do tribunal da Suprema Corte Americana.
   Obviamente The Post tem contornos políticos e sai em um momento em que se discute a liberdade de imprensa nos Estados Unidos, em meio a governo Trump. Aliás, Trump e Nixon tem algumas coisas em comum, como o fato de censurar a entrada de membros da imprensa à casa branca... Não é exclusividade desses dois presidentes, claro, mas é obvio que a discussão sobre imprensa da década de 70 que ocorre nesse filme tem muito haver com a discussão que ocorre hoje.


   Uma das coisas que mais gostei do filme foi como mostraram a relação entre políticos e jornalistas. O Whashington Post, sendo um jornal da capital dos Estados Unidos, tinha tudo para ser um dos mais argutos jornais do países, estando as notícias políticas praticamente no seu quintal. O que acontecia, no entanto, era uma relação de comadres entre a imprensa e o governo, que fez com que o Post permanecesse por anos como um jornal menor.
   O relacionamento vergonhoso entre imprensa e governo pode ser aplicado aos dias atuais, tanto nos Estados Unidos como no Brasil. Dá para acreditar que todo o escândalo da Lava Jato foi revelado pela polícia e não pela imprensa? Onde estão os jornalistas dos dias atuais que deveriam estar cobrando e espezinhando políticos?
   Claro, ainda existem bons jornalistas, que acreditam no trabalho e na liberdade. À eles, e a todos que querem um filme jornalístico inspirador, indico "The Post".
   Nota 9 - muito bom. 

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Trama Fantasma (Review) #Oscar2018


   Reynolds Woodcock é um renomado estilista na década de 50, mas, como os típicos gênios, Reynolds se interessa por poucas coisas além do seu trabalho, deixando todos os aspectos práticos da sua vida nas mãos de sua irmã (?) Cyril. É a Cyril que cabe, por exemplo, dispensar a amante de Reynolds enquanto este faz uma viagem ao interior.
    É nessa viagem ao interior que Reynolds e Alma se conhecem. A moça não é nenhuma beldade mas chama a atenção do estilista e ele a convida para sair logo na primeira vez em que os dois se veem.
  “Trama Fantasma” (Phantom Thread) é um filme escrito, produzido e dirigido por Paul Thomas Anderson. É também, provavelmente, o último filme da carreira de Daniel Day-Lewis, um dos maiores atores de sua geração (talvez o maior). É natural, portanto, que haja uma expectativa com relação ao filme, tendo Lewis e Anderson já mostrado a força dessa parceria em “Sangue Negro”.
   Sabe quando você começa um filme sem saber exatamente o que esperar? Foi o que aconteceu comigo. Afora essa sinopse bem básica e uma piadinha ou outra do twitter, pouco sabia sobre “Trama Fantasma”. Acho que um dos motivos para certa ausência de comentários a respeito dele se deve ao fato de que muito pouco se pode dizer sobre esse filme sem que se revele momentos chave da trama. Por esse motivo, vou tentar escrever essa resenha sem nenhum spoiler mas já prevejo dificuldades.


    O relacionamento de Alma e Reynolds evolui rápido e a moça passa a morar e trabalhar com ele, tanto como modelo quanto na costura. Reynolds nunca é fácil e muitas vezes é até mesmo rude, mas Alma tem bastante paciência. Sua atitude fácil e sorridente muitas vezes contrasta com o jeito carrancudo do estilista.
    A história desse casal é contada por Alma a um ouvinte invisível, como se ela estivesse relembrando do relacionamento. Por esse motivo há algumas cenas de alma no presente (contando a história) e outras no passado, vivendo seu relacionamento com Reynolds. Em determinado ponto a trama alcança e ultrapassa a narrativa de Alma – li em algum lugar a comparação dessas idas e vindas com uma costura e achei bem apropriado.
   Essas idas e vindas não tornam “Trama Fantasma” difícil, é tudo muito bem marcado pelo diretor, o que está ocorrendo como uma lembrança e o que são cenas do presente, narradas por Alma. Só no desfecho, quando se revela finalmente para quem Alma está contando a história e o que acontece depois, é que as coisas ficam um pouco mais complicadas. Me pergunto se entendi aquele final, talvez tenha que assistir de novo.
  Esse é um Oscar romântico, com dois filmes que contam histórias de relacionamentos amorosos concorrendo na categoria de melhor filme (‘A forma da água’ e ‘Me chame pelo seu nome’). Engana-se, porém, quem coloca “Trama Fantasma” na mesma categoria que esses dois filmes. Não se trata aqui de um relacionamento de amor mas sim de uma versão patológica desse. O relacionamento pode ser o centro dessa história mostra um estudo interessante da psicologia dos personagens, tanto como um casal como individualmente. Embora muita pouca seja dita (literalmente, é um filme de longos silêncios) muita coisa pode ser adivinhada ou subentendida.


   No final, quando a trama finalmente mostra a que veio, foi impossível não ficar impactada. Ao final do filme continuei pensando na história e no que significava tudo aquilo – continuo pensando até agora na verdade. Pensei que o título do filme pudesse trazer alguma resposta mas sigo sem saber o que seria uma “Trama Fantasma”. Se alguém puder me ajudar com essa, agradeço.
    Um dos méritos de Anderson, ao criar essa história com personagens dúbios e cheios de camadas é não criar qualquer juízo de valor sobre seu comportamento. As pessoas nesse filme são o que são e nem mesmo os personagens no próprio filme se questionam a respeito de seu modo de ser. Uma cena que ilustra bem isso ocorre no inicio, quando Alma conhece Reynolds: no meio do encontro dos dois, Reynolds sugere que Alma tire o vestido pois quer criar uma roupa para ela e precisa tirar medidas. Alma aparece seminua e, de repente, Cyril entra na sala, troca algumas palavras, senta-se e começa a anotar as medidas sem que Alma questione em nenhum momento, o que aquela mulher está fazendo ali. É óbvio que a situação é desconfortável para ela, mas não há confronto. O filme tem muitos momentos assim.


     O que mais posso dizer? Escrevi esse post para colocar alguns pensamentos no papel mas pretendo assistir novamente ao filme com mais calma, depois dessa loucura do Oscar. Há algumas coisas que quero observar nesse segundo momento, uma delas é se o filme é tão bom quanto me pareceu.
   Reconheço que pouquíssima coisa acontece nesse filme mas, ao menos para mim, ele nunca ficou entediante. Há sempre uma frase não concluída, uma pausa cheia de significados. A trilha sonora, desconfortável e estranha, reforça a sensação de que há mais ali do que de fato está sendo mostrado. Chega a ser desagradável em alguns momentos esse contraste entre a música e a cena, mas creio que foi proposital.
   Indico para os que gostam de histórias com boas interpretações e personagens complexos e para os que não se sentem intimidados com histórias mais lentas ou relacionamentos mutuamente abusivos em tela.
Por ora dei nota 8,5 – bom filme e o meio ponto é pelo desfecho.


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Três Anúncios Para um Crime (Review) #Oscar2018




   Mildred Hayes perdeu a filha de uma forma brutal e, sete meses após o crime, continua com muita raiva de toda a situação. A raiva faz com que Mildred pague três outdoors com ofensas à policia da cidade, que ainda não encontrou o (os) responsáveis pelo crime. Essa atitude é o início de uma série de disputas entre a personagem e os policiais. 
   Três Anúncios para um Crime é aquele tipo de filme que eu só me interessei em assistir por causa do Oscar. Mesmo assim, não posso dizer que me arrependi: o drama tem traços de história policial - que gosto muito - além de diálogos e cenas tão absurdas que chegam a ser engraçadas.
    Note que o humor nesse filme não é algo óbvio nem agradável. É quase um humor negro. Um exemplo é a cena de Mildred com seu dentista: Numa situação diferente aquilo seria bem pesado. Mas, na cena seguinte, o policial pergunta a ela se foi ao dentista e Mildred, ainda com os efeitos da anestesia, responde um "não" tão esquisito que a gente ri mesmo lembrando o que a personagem fez com o tal dentista.

   Falando em personagens, não espere se simpatizar com ninguém nesse filme. Talvez o mais humano seja o xerife Willoughby mas até mesmo ele não me desceu. Como é que um homem mantem um racista e agressor entre sua equipe de policiais, mesmo após denuncias? O argumento de Willoghby, "Dixon é um bom homem", não me convenceu nem um pouco, ainda mais depois de observarmos outras atitudes de Dixon ao longo do filme.
   Eu fiquei meio revoltada com algumas cenas de "Três anúncios", não vou negar. Mas resolvi esperar e ver onde os roteiristas queriam chegar com toda a violência (física e verbal), além de cenas simplesmente erradas, sob todos os pontos de vista.
    A mensagem que o filme me trouxe é de que boas pessoas podem sim virar pessoas horríveis quando estão sofrendo. Os personagens mais cruéis do filme - Mildred e Dixon - são justamente aqueles que passaram por perdas mas não conseguem se curar. Eles ficam presos entre os estágios do luto, particularmente presos na raiva, e essa raiva acaba espirrando em todos os relacionamentos que essas pessoas tem. O que seria necessário para essa raiva ir embora? Justiça? Mas a vida, com frequência, não traz justiça e nem respostas - e Três Anúncios para um crime também não. 

   Talvez o que falte seja mesmo compreensão e entendimento. Alguém que olhe e não apenas "sinta muito" pela sua dor, mas sinta a mesma revolta que você, ou mostre que se importe com o que você passou. Quando esse entendimento ocorre vem a tristeza mas também a aceitação - talvez até mesmo um pouco de paz.
  Claro, essa é a minha interpretação. Muitos dizem que o filme é um amontoado de esteriótipos, personagens ruins e preconceito, que os personagens são tão horríveis quanto parecem e que a história é tão sem despropositada quanto absurda. 
    Acho que isso depende de sua visão das ações dos personagens e das suas expectativas com relação ao filme. Assista e tire suas próprias conclusões.
     Eu gostei. Nota 8 - bom filme.



Me chame pelo Seu Nome (Review) #Oscar2018


   Elio é um jovem de 17 anos que vive com sua família em alguma parte ensolarada da Itália. Todo verão sua família acolhe algum estudante para trabalhar com o pai deste em troca de moradia e Elio tem que ceder seu quarto para esse estranho ou estranha.
   É dessa forma que Elio conhece Oliver, que tem 24 anos. Desde o primeiro encontro da pra perceber que tem algo diferente nesse estudante. Em meio a tantos outros e de alguma forma ele chama a atenção de Elio, que se vê cada vez mais encantado com o homem mais velho. 
   Como o filme é baseado em um livro em primeira pessoa, não conhecemos muito do ponto de vista de Oliver nessa história, só como Elio enxerga o relacionamento dos dois. Mesmo assim, dá para ver em pequenos detalhes que Oliver não é tão invulnerável e inatingível quanto Elio parece pensar no começo. 
   A fotografia do filme é excelente e mostra bem esse local paradisíaco onde se passa a história. No começo somos informados de que a trama se passa na década de 80 mas a história parece tão atemporal (com exceção da trilha sonora) que daria para colocar praticamente qualquer ano antes do surgimento do celular e Internet ali.

   Gosto muito das atuações de Armie Hammer e Timothée Chalamet em "Me chame pelo seu nome". A química entre os dois atores está perfeita, em cada olhar, toque e sorriso dá para sentir a atração entre Oliver e Elio. Quando essa atração se converte no primeiro beijo do casal, não dá para assistir sem se impressionar com a quantidade desejo é atração que eles conseguem emanar.  Não dá pra acreditar que tiraram Armie Hammer das indicações no Oscar desse ano mas torço por Timothée desde já.
     Mais que um filme de descoberta da sexualidade, "Me chame pelo seu nome" é um história de amor entre dois homens. É tão raro assistir a um filme com um casal homoafetivo que não tenha nenhuma cena de homofobia ou morte que quando ocorre, como é o caso desse, dá até um quentinho no coração.
    Não quero dizer com isso que tudo segue os moldes dos filmes românticos tradicionais. Até porque, na década de 80, seria muito difícil que esse relacionamento terminasse com os dois homens casados e com filhos, por exemplo. Mas é tão singular e bonita a história contada em "Me chame pelo seu nome" que não dá para ficar triste assistindo esse filme. Mesmo me emocionando em alguns momentos o sentimento maior foi de que estava vendo uma história de amor linda sendo contada.

   Ainda não vi todos os indicados ao Oscar de melhor filme mas, de todos que já assisti até agora, Call Me by your Name é um dos que mais gostei. Eu não poderia terminar sem comentar a cena mais bonita do filme que, curiosamente, não envolve o casal mas sim Elio e seu pai: foi tão bonito ver a conversa entre pai e filho, as palavras do mais velho e todas as revelações que se seguiram... Só por esse momento já teria gostado demais do filme, mas temos alguns outros bons momentos, como aquela ligação do final.

   Dei nota 9 - muito bom.




A forma da água (Review) #Oscar2018


   Elisa trabalha na limpeza de uma base americana, durante o período que aparenta ser da Guerra Fria. Ela leva uma vida pacata e rotineira, tendo como única companhia seu vizinho Giles e os gatos dele.
   É quando trazem para a base uma estranha criatura que Elisa parece encontrar um propósito para sua vida. Imediatamente ela se sente ligada a esse "monstro" do mar, que parece retribuir sua afeição.
   Guilherme Del Toro entrega mais um filme encantador e bizarro em iguais proporções. É desconcertante a forma como ele consegue nos convencer da história de amor entre uma moça muda e uma criatura do mar mas é exatamente isso o que acontece. Tudo é tão bem produzido e feito de uma forma tão cativante que você acaba envolvido na história, por mais bizarra que possa parecer.
   Como é Del Toro você acaba sendo redundante ao falar sobre produção, maquiagem e efeitos visuais mas é necessário dizer que aqui ele continua impecável como sempre. O visual da "criatura" é uma das atrações do filme, tão realista que impressiona. Me lembrou um pouco Abraham, o monstro aquático intelectualizado de HellBoy, que é do mesmo diretor.
   Quanto a história em si, achei algumas partes previsíveis mas, creio, isso é meio que o charme do filme. É como se estivéssemos assistindo uma história de amor clássica, saída de um filme de anos atrás... Mas como um toque fantástico.    

   Essa abordagem da ambientação no passado misturada com aspectos fantásticos é algo já utilizado em "Labirinto do Fauno" por exemplo. Seria possível, inclusive, dizer que as duas tramas se espelham em muitos aspectos - até mesmo em uma outra imagem. Um sinal de que o cineasta está perdendo sua criatividade ou apenas sua assinatura pessoal ecoando nos dois trabalhos? Decidam vocês.
   Falando da música, esta desempenha um papel importante para que essa história seja contada. Seja pelas canções escolhidas (You'll never know...) ou pela trilha sonora de Alexandre Desplat, é a música que nos liga a essa história e esses personagens.
   Outro ponto digno de nota são as atuações. Fiquei tão impressionada com Sally Hawkins que tive que procurar na Internet para saber se ela era muda na vida real. Michael Shannon está no-jen-to como o Coronel Strickland, um vilão dos piores que já vi, mas sem ficar (muito) caricato. E, para coroar, dois coadjuvantes de peso: Richard Jenkins (que faz o papel do vizinho e narrador da história) e Octavia Spencer, que deveria ganhar outro Oscar desde "Estrelas Além do Tempo" e segue muito bem em "Forma da Água".    

   O desfecho dessa história é minha parte favorita mas não vou revelar nada. Basta dizer que me fizeram chorar com uma história que eu passei o filme inteiro achando meio esquisita.
   No geral gostei muito da experiência de assistir "A forma da Água". Dá pra fazer várias leituras dessa história, sobre o amor de Elisa e da criatura ser uma metáfora para aquilo. Mas também dá para curtir o filme sem ficar pescando simbolismos, a mensagem do autor é bem clara: amor é amor.
   Nota 8,5 - o filme é bom mas também ganha meio ponto por ser tão bem feito.


P.S.: Para quem já assistiu, você imaginaria "The Shape Of Water" concorrendo a prêmios se o filme fosse lançado a uns 10 anos atrás? As coisas mudam. Ainda bem.




Filme Lady Bird (Review) #Oscar2018

  
    Christine "Lady Bird" McPherson é uma adolescente de 17 anos, em seu último ano escolar. O filme acompanha sua vida em Sacramento e fala um pouco do relacionamento complicado que Lady Bird tem com a mãe, além de todas aquelas angústias adolescentes (crushes, onde fazer a faculdade etc).
   Eu queria assistir a esse filme já faz um tempo, por causa dos comentários que ouvi a respeito. Surpreendente, embora tenho lido bastante comentários positivos sobre o filme, eu não fazia ideia sobre o que era Lady Bird. Até me surpreendi quando vi que era uma história até bem prosaica.
   No começo não gostei muito da personagem principal mas, aos poucos, consegui resgatar o meu eu adolescente e entender um pouco mais seus dramas e atitudes (embora nem sempre tenha concordado). Mas, como um filme que mostra a passagem do personagem principal da adolescência para a vida adulta, nós vemos aqui muitos erros antes de acontecerem os acertos.

   Sei que esse é um filme que pode ser considerado leve, já que não carrega no drama mesmo quando conta histórias dramáticas. Mesmo assim me emocionei com essa história, embora contra a minha vontade. Eu tive vontade de chorar em vários momentos do filme (eu sei que é uma comédia-dramática mas eu sou assim, me deixem) e, no finalzinho, não consegui não me emocionar. 
    Um dos motivos que me fez chorar foi a amizade entre a protagonista e Julie, sua melhor amiga. A amizade delas é tão natural e sincera que foi impossível não me emocionar. Julie é um estudante gordinha e tão outsider e maluca quanto Bird, as duas sempre juntas e se apoiando foi um dos melhores momentos do filme pra mim. 
     O principal motivo para eu ter perdido a dignidade durante esse filme foi devido ao relacionamento entre mãe e filha que é nele retratado. Por mais que briguem, discutem e tudo mais, o amor está em cada cena entre essas duas. Mérito das atrizes, claro, mas também do roteiro que escreve uma história que parece real. Não me surpreenderia descobrir que foi inspirado nas experiências de adolescência de algum dos roteiristas.   
      Não há muito a ser falado sobre a trama, acho mais legal que a pessoa que for assistir ao filme acompanhe tudo meio sem saber. Não que haja algum plot twist ou coisa do gênero - o filme conta a passagem de Lady Bird da adolescência para a vida adulta. E fala um pouco sobre o quanto demoramos a reconhecer o que nossos pais fizeram por nós, ou como a maioria só reconhece depois de mais velhos. 
   Personagens reais e humanos, trama que consegue ser engraçada e dramática, profunda e superficial. Mais uma história sobre relações familiares que você tem que assistir, nem que seja para sentir aquele quentinho no coração depois.
    Acho que desde "Pequena Miss Sunshine" não tinha visto um filme tão delicado e que tivesse me emocionado tanto.
      Nota 9 - muito bom, assistam!

Star Wars: Os últimos jedi (Review) #EpisodioVIII



Post sem spoilers. 


      Antes de assistir Os últimos jedi elaborei muitas teorias a respeito, desde um "quem será que perde a mão" até "será que Rey vai pro lado negro" e "quem são os pais dela". Mas, por mais que eu pensasse em várias possibilidades, ainda consegui me surpreender bastante com algumas cenas e situações.
    Se, ao assistir o episódio VII, tive a sensação de que estava vendo uma releitura do episódio IV, esse episódio VIII não é nada parecido com os outros filmes. Há até algumas referências ao meu filme favorito da trilogia clássica, O retorno de jedi, mas, no geral, é algo nunca visto antes na franquia.

    Longe de se prender ao Canon da série, Os últimos jedi não tem medo de ousar e brincar com tudo o que conhecemos sobre a força. Até onde vai esse poder? Acho que nunca vi uma história de star wars que explore isso tão bem e que se utilize até de não-jedi para ilustrar esse fato.
    Indo para os personagens, desde o primeiro filme gosto muito da Rey mas, nesse filme, gostei ainda mais. Tanto ela quanto os outros novos personagens tem um amadurecimento perceptível nesse segundo filme. Poe, Finn e até mesmo Kylo Ren tem arcos de crescimento bem interessante e, se ainda tenho algumas dúvidas sobre a exata função de Finn nessa história, ao menos posso dizer que ele teve muito mais protagonismo nesse filme.


    Eu nunca escondi minha predileção pelo lado negro. Anakin Skywalker é um dos meus personagens favoritos, então daí você já vê. Mas, em O despertar da força , não consegui simpatizar com Kylo Ren. Não só pelo o que ele fez no final do primeiro filme mas por ser um personagem que não parecia ter tanta profundidade/complexidade de um Darth Vader.
    Felizmente isso foi corrigido em Os últimos jedi. A primeiro mudança foi parar de tentarem criar uma fachada new-Vader para o personagem, a segunda foi explicar como o filho de Han e Leia se tornou esse grande fdp. Eu consegui ter empatia pelo jovem Ben Solo e até mesmo compreender algumas de suas atitudes. Claro, ainda não perdoo aquela morte no final do episódio VII, mas acertaram aqui em considerar o papel do mestre dele em toda essa guinada para o lado negro.
    Falando em mestre vamos falar de Luke, que está muito diferente nesse filme. Adeus ao jovem cheio de sonhos e esperanças de Uma nova esperança, olá a um senhor questionando suas escolhas de vida e que desistiu da galáxia. Vejo muita gente reclamando que Luke estava chato aqui, mas chato mesmo é você manter um personagem sempre do mesmo jeito e ignorar todos os 30 anos que se passaram entre a última aparição dele e essa.

    Leia também esta diferente, como vimos no primeiro filme dessa nova trilogia. Mais velha, mais conectada com a força. Tanto ela quanto Luke estão nessa história não apenas para "passar o bastão" mas para mostrar valores como coragem, paciência e sacrifício. Eu me emocionei em vários momentos do filme e Luke e Leia estão em pelo menos um desses momentos.
    Por fim, quero dizer que entendo as críticas à trama. Realmente, o roteiro tem alguns momentos bem confusos e BB-8 elevou o uso de robôs para salvar o dia a um novo patamar. Chewbacca poderia ser melhor aproveitado, R2D2 perdeu espaço e o que o personagem do Benicio Del Toro fez realmente naquele final?

    Eu vejo esses problemas mas também vejo um filme emocionante da minha franquia favorita, cheio de personagens cativantes e apaixonantes e que me fez rir e chorar por 2h30 sem que, em nenhum momento, eu ficasse pensando na duração do filme, tamanha a imersão que tive na história. Vejo uma história que conseguiu homenagear o original através de cenas similares e diálogos, além de ter retomado a inserção de novas criaturas - algo que o George Lucas sempre fez mas que tinha ficado um pouco de lado - mas que também não tem receios de ousar, criar e explorar até onde pode ser levado o poder da força e os personagens. 

    Aqueles que estão pedindo algo mais de Star Wars estão precisando re-assistir os filmes anteriores: sempre foi aquele novelão cheio de emoção, aventura e drama. Dessa vez o diretor resolveu explorar outro tipo de situação, mas o Star Wars raiz ainda está lá.
    Assim como a esperança. Afinal é sobre isso que esses filmes falam.

 Nota 9 - muito bom.

 P. S.: quero uma camiseta da Rey
 P.S.2: uma cena de lutas de sabre tão phoda que o filme poderia ter acabado ali  mesmo.


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Filme: Dunkirk (Review) #Oscar2018


   Christopher Nolan quer mesmo um Oscar. Essa foi a primeira coisa que pensei quando comecei a assistir Dunkirk, último filme da diretor, que também é roteirizado por ele. Afinal, porque fazer uma história sobre uma operação de resgate que ocorreu logo após uma das piores derrotas inglesas na Segunda Guerra Mundial? 
   O próprio tema da segunda guerra é sempre um dos favoritos a serem premiados mas, ao pegar uma história pouco explorada e com ares de tragédia, Nolan mostrou que não está pra brincadeira - Ele quer mesmo um Oscar.    Tecnicamente, Dunkirk é mesmo digno de reconhecimento: os efeitos sonoros despertam uma série de emoções e fazem com quem assiste ao filme se sinta no meio daquela situação desesperadora. A fotografia, também é impecável: há belíssimas cenas tanto em terra, quanto no mar e no ar - algumas delas tão lindas que seria possível fazer um quadro.
   Como eu disse, a história se passa em três cenários: mar, terra e ar. Em cada um desses "cenários" há um grupo de personagens com um propósito diferente. Os da terra querem sair de Dunkirk, os do mas chegar até lá. Já os aviões querem proteger os soldados que estão abaixo do ataque dos alemães, o que se mostra uma tarefa difícil devido a superioridade numérica desses.
   Alternando entre esses três ponto de vista, nem sempre de forma 100% linear e priorizando a narrativa do soldado inglês que quer sair de Dunkirk, Nolan vai construindo aquele que (para muitos) é o melhor filme de sua carreira. Se é mesmo? O tempo dirá. 
  Acho que o único aspecto que ficou um pouco aquém foi o desenvolvimento emocional/psicológico dos personagens. Talvez seja o roteiro, talvez certo distanciamento ao narrar a história mas, embora tenha me sentido angustiada em vários momentos (a ponto de, literalmente, roer as unhas) não me senti particularmente emocionada em nenhuma cena, nem mesmo com algumas mortes de alguns personagens ou o desfecho melancólico de um outro.    

    A impressão que eu tive, ao deixar o cinema, foi de ter assistido a um filme bem bonito e interessante mas em um nível puramente intelectual. Não sei se essa é a sua praia (sem trocadilhos) mas, se quiser assistir a um filme que tem tudo para receber alguns prêmios em 2018, recomendo Dunkirk.
   Nota 9 - um filme muito bom

Filme Corra! (Get Out) #Oscar2018

 
   Em uma das primeiras cenas de "Corra!", Chris está arrumando suas malas, sob olhar de seu cachorro e de sua namorada, Rose. Percebendo sua seriedade, Rose pergunta a ele o que está deixando-o com aquela cara, no que Chris pergunta "Seus pais sabem que eu sou negro?". 
   Esse primeiro momento do filme é também uma síntese da trama desenvolvida em "Corra!": homem negro vai conhecer a família da garota branca com quem está namorando - a partir daí acontecem altas confusões.
   O que torna Get Out tão incrível é o roteiro e direção de Jordan Peele, capazes de pegar esse tema meio cliché e transformar num suspense/terror psicológico estarrecedor. Por mais que os relacionamentos interraciais já tenham sido abordados no cinema, creio que essa é a primeira vez que eu vejo dessa forma, utilizando o racismo como mote de um filme de terror.
   Muito pouco dá pra dizer dessa história após isso além do que é visto no (excelente) trailer. Chris vai até a casa dos pais de Rose e lá descobre algum tipo de conspiração: todos os negros da casa (empregados) agem de maneira muito estranha e isso começa a despertar as suspeitas de Chris sobre algo muito errado que está acontecendo. 
 O final é controverso . Alguns dizem que a cena não faz sentido ou que estraga a trama. Já eu penso que estragar a trama seria manter o final originalmente pensado pelo autor, algo mais realista, sim, mas igualmente anti-climático. Jordan Peele resolveu alterar o desfecho em algum momento da produção e eu sou do grupo que acredita que "Get Out" ficou ainda melhor por isso. 
   Mesmo com orçamento limitado, esse filme conseguiu agradar bilheteria e crítica. Se isso não é motivo para você assistir ao filme saiba que existe também uma dose de humor nesse filme, o que traz leveza por alguns momentos. Se você não gosta de comédia, saiba que esses breves momentos não estragam o "Corra!", que consegue criar um protagonista pelo qual as pessoas torcem até o final. 

   E se, após tudo isso, você ainda não quiser assistir "Corra!" acho que vamos ter que tomar uma xícara de chá e conversar sobre isso até que você mude de ideia. Pronto, agora você vai ter que assistir ao filme para saber o que eu quis dizer com isso. 

   Nota 9 - muito bom. Assistam!


Filmes 'Um limite entre nós', 'A qualquer custo' e 'Lion: Uma jornada para casa' (DIRETO AO PONTO #017) #Oscar2017


Um limite entre nós
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson etc.
Diretor: Denzel Washington
Opinião: Baseado em uma peça teatral homônima, o filme conta a história de Troy, vivendo na década de 50. Troy é um homem muito amargurado, que carrega alguns erros em seu passado e que vive para a mulher, Rose, e os filhos, um deles de um relacionamento anterior ao seu casamento. Ao longo de 2h18 acompanhamos a vida desse homem, seus ressentimentos e seu modo de agir no maior estilo "tudo ou nada", com erros e acertos.
É um filme bem dramático, todo concentrado nos mesmos cenários e em diálogos poderosos. A adaptação para o cinema trouxe muito pouco a história, porque se vê claramente algo de teatral durante todo o filme. 
Denzel Washington, que assina a direção e vive o protagonista, está em uma das melhores atuações de sua carreira e, junto com Viola Davis, conseguiu fazer desse um filme interessante se não lá muito divertido.
Cena: Das mais de duas horas de duração vários minutos poderiam ser cortados, principalmente do começo. Eu sei que o objetivo é nos apresentar os personagens mas foram as partes mais cansativas do filme para mim, a primeira hora desse filme é praticamente só introdução. 
Mas depois as coisas melhoram e temos cenas com carga dramática e emoção. Gosto de dois momentos em que a personagem de Viola Davis abre o coração: O primeiro, após descobrir um segredo do marido e o segundo, quase no final do filme, quando conversa com o filho. Viola floresce nesses momentos dramáticos, não me importaria nem um pouco se ela levasse o Oscar hoje. 
Outro momento bonito é, também no final, quando os filhos de Troy cantam uma música. Confesso que me emocionei um pouco nessas cenas que eu citei.
Nota: 7 - me parece o tipo de filme (ou peça) que só é possível com atores muito bons. Gostei de ter visto, mas não veria de novo.


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A Qualquer Custo
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Chris Pine, Ben Foster, Jeff Bridges
Diretor: David Mackenzie
Opinião: Dois irmãos que começam a assaltar bancos para poder pagar a dívida da hipoteca do rancho da família. Tanner, o mais velho, é o que tem mais prática nos roubos, já passou dez ano da sua vida preso por esse motivo. Já Toby não quer causar nenhum mal as pessoas mas está desesperado. Ele fará qualquer coisa para dar um futuro aos filhos. 
Um filme que tem uma pegada meio de faroeste, com os irmãos assaltando os bancos das cidadezinhas que vão passando, sendo seguido de perto pelos Texas Rangers. Um dos Rangers é interpretado por Jeff Bridges, que rouba a cena como um policial perto da aposentadoria. 
Eu vi bastante filmes para o Oscar nos últimos dias e, em alguns momentos, algumas histórias acabam passando sem causar muito impacto. Mas eu gostei de 'A qualquer custo', acho que o filme se destaca entre os indicados desse ano, com uma trama interessante e bem elaborada, um bom andamento (com doses certas de drama e violência) e uma história que reflete bem o momento de recessão vivido pelos americanos. 
É certo que não ganhará muita coisa na premiação, mas ainda assim vale a pena conferir. 
Cena: Fiquei um pouco triste no final, acho que não dá para ter final feliz numa trama tão crua quanto essa, mas isso não me impede de lamentar pelo destino dos personagens. 
Nota: 8 - bom filme. Recomendo para você que gostou de "Onde os fracos não tem vez".


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 Lion: Uma jornada para casa
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Dev Patel, Nicole Kidman, Rooney Mara
Diretor: Garth Davis
Opinião: O filme conta a história de um garoto indiano de 5 anos que se perde de sua família e vai parar em Calcutá. De lá o garoto é enviado até a Austrália, onde é adotado por um casal australiano e vive lá pelos próximos 25 anos. 
Um belo dia, na casa de amigos, ele prova um doce tipicamente indiano e, a lá Proust, se lembra de toda a sua infância. A jornada do título consiste na busca que Saroo faz para encontrar a aldeia onde nasceu. 
Achei que esse filme tem um início e um final muito bom. A parte da busca, que acontece no meio do filme, deixa a trama um pouco entediante e fez até com que eu pegasse uma certa birra do protagonista. Mas gostei da ideia da trama e de ter assistido, principalmente quando paro e penso que tudo isso (ou algo similar) aconteceu mesmo. 
O desfecho é muito bonito e emocionante, principalmente quando lemos as informações no final do filme e descobrimos o que aconteceu. Só achei que houve uma falha em delegar o destino de um dos personagens mais importantes do filme com exceção do protagonista, a uma notinha no final da história. 
Cena: Como eu disse, gosto das cenas do começo, que mostram a amizade entre os irmãos e das cenas do final. As cenas mais chatas para mim eram as "visões" que Saroo tinha do irmão, quando ainda estava na Austrália.
Nota: 7 - um filme ok.
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