Ouvidores de Vozes (documentário)
Ouvidores de Vozes é um documentário que conta um pouco da vida de pessoas que sofrem com essa situação e passam por tratamento no CAPS. Isabel, Reginaldo e Marlene são os protagonistas, pessoas de idades e histórias diferentes mas que tem em comum o fato de ouvirem vozes que as outras pessoas não ouvem.
O que mais gostei nesse documentário é que ele não tenta estabelecer um porquê dessas pessoas estarem ouvindo vozes. Embora todos os participantes do documentário tenham um diagnóstico psiquiátrico, este pouco é mencionado. O que interessa é ouvir aqueles que ouvem vozes. Para isso os produtores deram um microfone para cada um desses três e pediram para que falassem tudo o que quisessem, sobre as vozes, sobre a vida, sobre tudo.
Este é um documentário bem triste porque você vê o sofrimento e a espécie de fundo do poço que essas pessoas chegaram. Reginaldo, por exemplo, é um daqueles cuja história mais me impressionou: ele trabalhava e levava uma vida sem muitos incidentes até que perdeu, em pouco de espaço de tempo, a mãe e a tia. Desde então ele parou de trabalhar, toma remédios e tenta lidar com as vozes que ficam insistindo para que ele se mate. Me impressionou o fato dele ter quebrado os próprios dentes como forma de criar dor ("a dor alivia as vozes", ele diz em determinado ponto). Mas o que me deixou mais triste com a história de Reginaldo foram os comentários da família dele, dizendo que ele se entrega, que ele só quer ficar deitado, que ele tem que ir à igreja ou fazer uma atividade física. Como se doença mental fosse apenas um estado de espirito.
Falei um pouco mais do Reginaldo mas Isabel e Marlene também tem histórias de vida interessantes. O curioso é que, de todos, apenas Isabel (uma adolescente) é que tem uma divisão: uma voz diz algo bom e a outra algo ruim. O restante só ouvem conselhos ruins das vozes, conselhos que, muitas vezes colocam em prática.
Chorei ao ouvir um texto de Marlene, uma carta para a felicidade. É muito triste porque ela (a carta) simboliza toda a tristeza que essas pessoas carregam consigo, não só por ouvir vozes, mas por todo o estigma e incapacitação que esse fato gera na vida dessas pessoas. O CAPS tem um grupo de apoio só para essas pessoas, para que elas possam narrar sua experiência lidando com o problema. Gostei muito de saber disso, ainda mais quando ouvi os entrevistados falando que aquele era o único lugar onde se sentiam acolhidos. Uma forma de aliviar a tristeza e solidão dessas pessoas.
Não só vou recomendar como também colocarei o link desse documentário no final do post. Foi produzido pelo Canal Futura e eles o disponibilizam no site deles. Se te interessa esse tipo de discussão sobre saúde mental, vale muito a pena.
Nota 8 - bom









