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|FILME| Jogos Vorazes: A Esperança - O final (Resenha / Review)

|ATENÇÃO| Contém spoilers de "A Esperança parte 1"


   O último filme da franquia Jogos Vorazes começa logo após a parte 1, com Katniss tendo que lidar com a súbita mudança de Peeta e ainda com uma guerra em andamento. Katniss nesse filme está mais apática que nos anteriores, o que ocorreu com Peeta parece ter mexido muito com ela, a ponto de estar começando a questionar coisas que antes não importavam muito (a cena em que ela e Gale discutem sobre bombas e armadilhas é um bom exemplo). 
   Estava esperando esse filme com uma mistura de ansiedade e pé atrás. As críticas a essa parte final não foram tão positivas quanto a dos outros filmes, é certo, mas mesmo assim esperava muito, o que essa franquia de filmes sempre teve o dom de me surpreender, com uma abordagem melhor e mais veloz que a do livro, o que faz toda a diferença. Depois que assisti, diria que gostei da parte final dessa Saga, mas tenho várias ressalvas a fazer. 
   Em  "A Esperança - O Final" temos um roteiro irregular, com todos os altos e baixos do livro; uma ou duas cenas empolgantes, várias cenas dramáticas e muita (muita!) conversa. Concordo com essa crítica do G1, dividir o filme em duas partes talvez não tenha sido uma boa ideia, não havia tanta coisa a ser dita que justificasse um filme inteiro e, apenas algumas reviravoltas no desfecho. Isso fez com que os roteiristas tivessem que sugar tudo o que havia no livro, inclusive a bullshit desnecessária.  
   Outra coisa que me incomodou nesse filme foi a ausência de outros pontos de vista que não sejam os da Katniss. Tirando um jantar do presidente Snow e uma conversa entre Plutarch e a presidente Coin, vemos tudo apenas pelo ponto de vista da protagonista e isso, assim como no livro, nos coloca de fora de boa parte da ação. Senti falta das cenas fora da visão da personagem, que mostram a rebelião acontecendo de verdade. 
   J-Law, como sempre, brilha nessa Katniss mais apática, cansada de toda a Guerra e em dúvida entre dois amores. Josh Hutcherson também faz um excelente papel como Peeta e gostei muito da atuação de Liam Hemsworth no desfecho de Gale,  foi uma das cenas que mais me tocou em todo o filme. Óbvio, a conclusão é a mesma do livro, mas no filme colocaram de uma forma a deixar a decisão mais nas mãos de Katniss e menos no destino. Infelizmente não é minha parte favorita da história, o que torna aquele epílogo do final algo meio brega e ridículo mas ei, é uma série teen: tem que haver um triângulo amoroso e um desfecho bem romântico. 
    Falando do desfecho, no filme também temos total falta de referências a mãe de Katniss. Só se diz que ela está treinando médicos em uma parte X da Panem e não se toca mais no nome dela. É visível um estrecimento entre a Katniss e a mãe devido a certos acontecimentos do desfecho mas senti falta de uma conversa, não necessariamente uma resolução do conflito, mas algo que pudesse nos mostrar em que pé as coisas estão entre as duas. 
Effie Trinket age mais como mãe da Katniss que a própria mãe da personagem. 
   Apesar do resultado de tudo ser o pior filmes da franquia e das minhas milhares de críticas acima, eu gostei de "A Esperança - O final". Minha empatia pelos personagens sempre funcionou mais na telona que nos livros, por isso, sofri com a Katniss em todos os momentos dramáticos, falei "own" nas cenas de romance, vi meu coração disparar nas cenas dos bestantes e vibrei com a morte de um certo personagem. Eu gosto da franquia e gostei da conclusão, mas sempre vai haver aquele "mas", aquela ressalva. 
   Recomendo para os fãs da franquia - nota 7,5 - tirei meio ponto pelo "mas". 


|RESENHA| A Esperança (Jogos Vorazes #003)






Atenção: Esse post NÃO contem spoilers de "A esperança". Porém, por se tratar de uma sequência, pode haver spoilers dos livros anteriores (Jogos Vorazes e Em Chamas)






   O terceiro volume da trilogia Jogos Vorazes começa com Katniss visitando o distrito 12 (ou o que sobrou dele) e vendo toda a destruição que o presidente Snow causou naquele lugar. Agora totalmente destruido, o 12 serve apenas como um cemitério a céu aberto de milhares de corpos. Katniss ainda está se recuperando dos ferimentos físicos e emocionais que sofreu no Massacre Quaternário mas naquele momento, depois de passado um certo tempo vivendo praticamente como um zumbi pelos corredores dos distrito 13, é que ela começa a entender a necessidade da guerra e de derrubar o governo déspota da Capital. Mas ela ainda reluta em assumir o papel de "Tordo" da revolução, em ser o rosto dos rebeldes. Isso até ver a entrevista de Peeta (que fora capturado pela Capital) em que esse manifesta-se contra a revolução e a favor da Capital. Ela não sabe por que Peeta está fazendo isso mas entende que precisa assumir logo o seu papel antagonista ao dele, do contrário a rebelião perderia a força. 
   Eu tive muitos, mas muitos problemas lendo esse livro. Para vocês terem uma ideia, ganhei ele em Janeiro de 2014, comecei a ler em outubro daquele mesmo ano e só fui ter forças para terminar agora, em 2015. Acho que a base desse problema foi o fato de que, enquanto eu lia o livro, não consguia deixar de pensar "Qual a necessidade disso?" várias vezes em um loop eterno. A autora usou a mesma fórmula nos 3 livros e, no terceiro, isso começou a me irritar.

 A fórmula? Segue abaixo: 

Começo do livro: Nada acontece a não ser as reflexões da personagem a respeito da vida, do universo e tudo mais. São paginas e paginas de Katniss descrevendo coisas e conversas absolutamente desimportantes para a história. 
Meio do livro: Uma ou outra cena de ação ou de algum interesse mas recheadas de mais páginas de reflexões. Normalmente aqui vemos Katniss numa situação em que a deixa desconfortável: no primeiro, foram as entrevistas e eventos antes do jogos, no segundo as entrevistas e eventos pré Massacre Quaternário e, no último, todas as suas atribuições como "O tordo" (que é quase como se ela fosse uma super star ou coisa assim.
Final do livro: quando a treta realmente começa e quando muitas pessoas morrem. 

   Quando vi todo o mimimi do começo logo percebi que ainda levariam muitas e muitas páginas até a ação começar de verdade. E eu sabia que pouca coisa ali seria realmente importante para a história então tive que me conter para não revirar os olhos, principalmente nas partes em que Katniss fica pensando em Peeta ou em Gale ou quando ela repetia pela décima quinta vez o quanto se sentia mal em representar o Tordo e que a presidente Coin estava usando ela tanto quanto Snow a usou nos dois primeiros livros. Sério, a quantidade de mimimi nesse livro é absurda - ou talvez fosse apenas eu, que nunca tive muita paciência com o gênero YA e estava me obrigando a ler esse terceiro livro antes do filme ser lançado.
   Depois da metade, mais precisamente depois da cena que acontece no final de "A esperança parte 1" a coisa dá uma melhorada, as batalhas realmente começam a acontecer. Mas o livro já tinha me irritado tanto que acabei abandonando e só retomando agora no meio desse ano, e terminei em mais duas semanas.
  Vale dizer que, nesse momento, eu já tinha spoilers dos dois principais eventos do livro (me contaram dois personagens importantes que morriam. Obrigada pessoas.) então não esperava muita coisa. Com essa expectativa mais baixa, minha leitura melhorou bastante. Por que não demorou muito para a "treta" realmente começar e coisas interessantes começarem a acontecer.
   Mas vamos aos personagens. Katniss é uma personagem que sempre gostei e desgostei ao mesmo tempo. Nos livros ela me irritava profundamente, nos filmes ela era phodástica. Nesse terceiro livro não há diferenças, continuei tendo momentos em que eu gostava dela e outros nem tanto (tenho certeza que vou amá-la no filme). Mas deu pra perceber uma mudança da personagem aqui: não mais a luta pela sobrevivência, na verdade, em muitos momentos Katniss pouco se importa se vai morrer ou não - ela só quer vingança e proteger seus entes queridos.
   Gale e Peeta, no entanto, mudaram mais. Gale está obcecado com a guerra, com vingar seus distrito e as pessoas que ele viu serem mortas. Ele ainda quer Katniss mas não vejo ele disposto a conquistá-la (alguma vez ele já tentou?) estando, na maioria das vezes, mais como amigo do que como interesse amoroso - isso quando ele não parece estar é bem chateado com ela. Já Peeta está bem mudado, a guerra não foi boa com ele (isso é tudo o que vou dizer) - e não é que Katniss resolveu sentir falta do antigo Peeta justamente quando ele não existe mais?
   Ao mesmo tempo em que tenta desembrulhar o "triângulo amoroso" - entre aspas por que a gente sabe como vai terminar - a heroína ainda tem que agir como o Tordo e encontrar uma forma de conseguir matar o presidente Snow, para concluir a sua vingança pela destruição do 12. É interessante observar que, embora tenha sido irritante vê-la repetir várias e várias vezes ao longo da história, Katniss está certa: qual é realmente a diferença entre a presidente Coin e Snow?
   Apesar de ser um YA e de seguir algumas fórmulas que não me agradaram por enrolar demais a história, tenho que admitir que Suzanne Collins tem algumas ideias muito boas. Esse terceiro livro, por exemplo, está repleto delas, como a "mudança" do Peeta, e algumas decisões sobre o destino dos personagens. A resolução do triângulo amoroso foi algo que fugiu do tradicional clichê "transformar o outro num vilão" ou "arrumar uma quarta pessoa" e eu achei muito interessante do ponto de vista intelectual, embora tenha me deixado meio dúbia (Katniss NÃO escolheu, vocês perceberam?).
   Quanto ao fim da Guerra, aquelas ultimas páginas me deixaram com o coração na mão. Não posso dar spoiler (droga!) mas é de partir o coração, mesmo que já soubesse. No entanto, esse evento X foi o catalisador para uma outra coisa que muda totalmente os rumos da revolução: Então até mesmo na hora de f... com um personagem, Suzanne fez com propósito, para que o outro pudesse tomar uma decisão que, de outra forma, não tomaria.
   No entanto, o ultimo capitulo e o epílogo foram um anti-clímax para mim. Se na construção do desfecho da Guerra, Collins foi realista e coerente, esses dois capítulos pareceram algo feito meio "nas coxas". Algumas partes fizeram muito sentido para mim, como o sentimento de Katniss no ultimo capítulo, mas a autora foi um pouca ingênua nesse Happy Ending agridoce que criou. Depois desse ato X, tudo se resolve rápido demais e é narrado de forma meio dispersa e corrida, que podemos atribuir ao fato da protagonista-narradora não estar presente durante esses fatos.
   O Epílogo, que deveria responder algumas perguntas importantes, foi um clichezaço à lá Harry Potter que, embora fofo, não serviu para apaziguar todos os meus sentimentos e questões. E quanto a mãe da Katniss? E Gale? O que aconteceu com eles são apenas algumas das perguntas que me fiz.
   Posso dizer, de modo geral, que não me arrependo de ter lido essa trilogia, mesmo com esse final que me deixou meio pirada e que me fez pensar horas e horas depois do fim. Penso no primeiro livro e no terceiro: Será que tudo valeu a pena? 
   Suzanne Collins pode não ter me agradado em seu desenvolvimento, acho que ela tem uma certa dificuldade com cenas de ação e se atém a futilidades (uma descrição do traje da heroína ganha a mesma quantidade de linhas que uma morte, por exemplo). Mas ela toma decisões corajosas e tem boas "sacadas", o que faz da trilogia "Jogos Vorazes" algo acima da média dentro do gênero a que pertence (romance jovem adulto). Não é atoa a quantidade de livros que surgiram na onda desse, a temática é bem diferente dos romances YA que tinham sido lançados até 2010.
   Talvez o que tenha estragado essa história foi terem feito uma trilogia de uma trama que seria muito melhor contada em um só livro (no máximo dois). Ou talvez Jogos Vorazes simplesmente não tenha funcionado para mim como para os fãs dessa saga: eu vejo seus pontos positivos mas não foi uma leitura que gostei realmente de fazer. Tirando alguns momentos realmente bons, não via a hora do livro acabar.
   Enfim, se você gosta de YAs, de distopias e de finais agridoces, Jogos Vorazes é a sua saga. Se fosse pelo final ou pelos três livros, daria um 8 (bom) mas, analisando somente esse terceiro livro, minha nota é 7 - apesar do começo bem ruim, é um livro razoável e tem momentos realmente bons.


Confira a sinopse do livro no Skoob. 

Filme Jogos Vorazes: Em chamas (Resenha / Review)

            sem spoiler

             No segundo filme da trilogia “Jogos Vorazes” Katniss tenta se adaptar a sua vida pós-jogos, tendo mais dinheiro do que consegue gastar mas incapaz de caçar ou dormir sem que pesadelos ou flashbacks a acometam.
            Pouco antes de sua turnê ao longo dos 12 distritos, Katniss recebe uma visita do presidente Snow em que ele informa, basicamente, que ou ela finge mais do que nunca ser imensamente apaixonada por Peeta ou todos aqueles a quem ela ama serão mortos –incluindo seu amigo Gale. É fundamental então que a mocinha finja, já que a atitude dela na arena foi interpretada por muitos distritos como um desafio ao poder da Capital e isso deu origem a vários levantes.
            Mais uma vez no cinema pouco depois de ler o livro, minhas expectativas  sobre o filme ‘Em chamas’ eram boas. Afinal, o primeiro filme foi tão bom quanto o livro e o segundo tinha tudo para seguir pelo mesmo caminho.
            Ao longo das 2h26 minutos de filme percebi que não estava errada em minha suposição inicial. O filme consegue, assim como o primeiro, ser bastante fiel ao livro e, ao mesmo tempo, nos apresentar um ‘algo a mais’ que faz com que a história seja mais entendida.
            Se no livro vemos tudo sob o ponto de vista de Katniss, no filme ‘Em chamas’ somos brindados com conversas entre o presidente Snow e sua neta, ou o presidente e seus subordinados, quando Katniss não está presente. Isso é importante para que possamos entender como as atitudes da mocinha refletem nos ‘homens do poder’ e como cada atitude dela leva a uma reação da Capital,  que não hesita em mudar as regras a muito tempo estabelecidas, desde que o objetivo de manter a ordem seja cumprido.

            Sobre as atuações, achei tanto Liam Hemsworth (Gale)  quanto Josh Hutcherson (Peeta) igualmente bons, dentro de todas as suas possibilidades como atores e suas limitações enquanto personagens. É interessante notar que, se no livro temos certeza de que Katniss irá escolher Peeta, no filme essa preferência não é tão clara. Isso se deve tanto a beleza de Liam – que nesse filme foi mascarada pela sujeira do carvão ou por machucados na maioria das cenas em que ele aparece – como também pela decisões tomadas no roteiro. Katniss faz declarações apaixonadas para os dois e beija-os em vários momentos distintos ao longo da história. Espero que, ‘Em esperança’ esse dilema seja resolvido sem a necessidade de transformar Gale em um vilão, mas não tenho tanta certeza de como isso será possível já que, nesse filme, Katniss parece igualmente apaixonada pelos dois.
            Jennifer Lawrence é uma história a parte. É impressionante como essa atriz consegue mostrar tanto através de postura física e expressão facial sem dizer uma só palavra. A cena final, um close de vários segundos no rosto da atriz, demonstra esse talento claramente: Mesmo sem dizer uma só palavra, conseguimos perceber exatamente o que se passa na metne de Katniss naquela conversa.
            Os outros atores foram igualmente bons, alguns deles um tanto caricatos demais mas nada que atrapalhasse o ritmo da narrativa. O único cuja atuação não gostei foi Lenny Kravitz – achei o seu Cinna muito artificial e afetado, o que atrapalha pois é um personagem muito importante para Katniss e para a série em si. Graças a essa atuação sofrível de Kravitz, não consegui me importar com Cinna.


            Apesar disso o filme valeu muito a pena. Eu sempre fico impressionada com as descrições dos lugares e dos figurinos quando leio o livro e ver todo aquele luxo na tela é visualmente incrível.  A cena do desfile, com todas aquelas pessoas e bandeiras tal como uma Alemanha nazista, é uma das minhas preferidas junto com a cena da névoa, que ficou tão letal no livro quanto no filme. Achei a arena e alguns dos vencedores de outros distritos um tanto diferentes do que imaginei quando li o livro mas nada muito sério.
            Sobre as modificações realizadas, até mesmo as cenas que não estavam no livro ou foram modificadas, serviram para facilitar a história para o expectador de modo que não posso criticá-las. Para falar a verdade, preferi algumas alterações feitas pelo filme, como por exemplo aquela sequencia final na arena, em que Katniss tem de se lembrar quem é seu realmente seu inimigo. No livro essa cena ficou confusa, por que Katniss estava ferida, com medo e desesperada mas, no filme, ficou perfeito. Aqueles segundos finais que já citei mais acima, que mostram a expressão de Katniss, é algo que não tem no livro e foi espetacular para mostrar o que a personagem estava sentindo/pensando – infinitamente superior ao livro que termina de maneira mais seca.

            O livro só ‘ganha’ do filme pelo nível de tensão gerada – no livro não conseguiu parar de roer as unhas para saber  o que aconteceria, no filme nem tanto. Ah, mas no filme você já sabia o que ia acontecer. Sim, mas no primeiro filme também já conhecia a história e mal conseguia ficar na cadeira tamanho era o suspense e a tensão que havia na tela. A única cena que se aproxima desse sentimento em ‘Em chamas’ foi a cena da névoa venenosa.
            Indico para os que gostaram do primeiro filme e para todos que gostam de histórias de aventura com um enredo interessante. ‘Em chamas’ atendeu todas as minhas expectativas e creio que a dos fãs das séries também, se julgar pelos comentários que andei por ai. Até mesmo quem não curtiu muito o primeiro filme pode gostar desse, pois tem muito mais ação e conteúdo do que o primeiro, com certeza.

            Minha nota é 9 – o filme é muito bom e me deixou ansiosa para o que virá a seguir.
           
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Resenha: Em chamas – Suzanne Collins (Jogos Vorazes #002)




ATENÇÃO: Essa é a resenha do 2º livro da trilogia “Jogos Vorazes” e pode conter spoilers do livro anterior a esse. Para ler a resenha do primeiro livro da trilogia, clique aqui.

            No segundo volume da trilogia Jogos Vorazes nos deparamos com uma Katniss tentando seguir com sua vida depois dos Jogos. Quase um ano se passou e, embora ela ainda seja uma figura publica, algo que sempre a incomoda, ela já não é tão assediada quanto no inicio: Katniss até mesmo consegue voltar a ir a floresta para caçar com seu amigo Gale (apenas nos domingos, mas tudo bem).
            No distrito 12, agora que eles tem um campeão – ou melhor, dois deles – as coisas também melhoraram. Eles agoram recebem suprimentos mensais da Capital e, de maneira geral, todos sobrevivem melhor com mais alimentos, sem que seja necessário colocar mais cesteiras para o sorteio nos próximos Jogos.
            É então que uma visita do Presidente Snow estraga qualquer ilusão de normalidade ou final feliz. Snow ainda está insatisfeito com a conclusão dos últimos Jogos, pois a atitude de Katniss (simular um pacto de suicídio com Peeta) foi enxergado como muitos como um desafio a autoridade da Capital. Ele a instrui a utilizar a turnê da vitória que ela e Peeta farão dentro de poucos dias, para tentar convencer as pessoas de que tudo não passou de um ato sem sentido de dois jovens apaixonados, e não de um desafio.
            Katniss faz esse acordo, mesmo imaginando que será praticamente impossível convencer as pessoas de seu amor por Peeta. Principalmente quando os dois não se falam desde o final dos Jogos, a não ser por palavras frias um para o outro. Mas Peeta concorda em voltar a fingir ser amante apaixonado e a farsa de ambos se reinicia – mas será que isso será o suficiente?

            Se em Jogos Vorazes nos deparamos com uma Panem dominada por uma ditadura quase inabalável, no livro ‘Em chamas’ podemos ver uma pequena fagulha de revolução. Esse livro, embora ainda utilize como um pano de fundo os ‘Jogos’ e tudo o que aconteceu (ou acontecerá) na disputa, acaba tratando de aspectos bem mais amplos. Se antes o importante era derrubar o adversário e sair vivo, no segundo livro algumas pessoas começam a clamar pela sua liberdade e os adversários passam a ser os carrascos: O próprio governo de Panem.
            Katniss é uma heroína extremamente relutante em fazer qualquer ato de rebeldia contra a capital, chegando a beirar a covardia em alguns momentos. Mas quem poderia culpa-la? Com responsável pela sua família, para ela não é tão simples começar um levante contra a Capital em seu distrito – é mais fácil fingir estar apaixonada por Peeta e torcer para que todos acreditem.
            Falando de Peeta, nesse livro gostei um pouco mais dele, não está tão inocente quanto no primeiro. Porém é um pouco irritante a maneira como a autora coloca esse personagem, como um herói sem macula e perfeito, diante das imperfeições que a própria Katniss carrega. Como o livro é narrado sob o olhar de Katniss, imagino que essa visão de Peeta seja um reflexo da paixão da mocinha por ele mas isso não deixa menos irritante o fato dele ser tão desapegado de si mesmo, a ponto de praticamente jogar Katniss para Gale em algumas conversas.

"Gale é meu. Eu sou dele. Qualquer outra coisa é impensável" - pág. 129

            Sobre Gale... Ainda estou esperando ele fazer algo realmente odioso que me faça perder completamente a simpatia por ele. Tenho certeza de que isso vai acontecer em algum momento do ultimo livro por que não é possível que as pessoas não se sintam, ao menos , um pouco inclinada a torcer por ele na disputa pelo amor de Katniss. Todo mundo que já leu a trilogia inteira fala que odeia esse personagem, o que, nesse momento da história, não faz qualquer sentido. Gale é imperfeito, mas é um cara mais real do que Peeta e sua armadura reluzente. Pena que não temos mais dele no livro.
            O fato de que o casal principal é realmente Peeta e Katniss deve pesar um pouco nessa escolha da autora de manter as aparições de Gale ao mínimo, claro. Tenho a impressão de que somente nesse livro é que Katniss se apaixona por Peeta, ou melhor, é nesse livro que ela permite se apaixonar por ele. É como se, com a situação dramática que ela passa a viver, suas barreiras fossem cedendo... Portanto, se tudo acabar bem no final da trilogia (espero que sim), Katniss deveria agradecer ao Presidente Snow por tê-la unida a Peeta – afinal foi ele quem fez com que a ‘Katniss durona’ desabasse para se transformar nessa mártir apaixonada.

" - Não é estranho o fato de eu saber que você arriscaria a sua vida para salvar a minha... E não saber qual é a sua cor favorita?" - Peeta, pág. 61
            
             Ainda falando sobre personagens, em “Em chamas” somos apresentados campeões de outras edições dos Jogos como Finnick (o bonitão) e Johanna (a metida a besta). Não posso citar muito sobre esses personagens sem soltar spoilers apenas digo que gostei de ambos, embora no começo tenha me irritado com toda essa pose de “garoto dourado” de Finnick e toda a soberba de Johanna. Ambos são o tipo de personagem que se desenvolve ao longo da trama, algo que enriquece qualquer obra.
            De maneira geral, gostei do livro, embora as primeira 170 páginas (mais ou menos) tenham sido um sofrimento para mim. A narrativa em primeira pessoa, cheia de especulações e mimimis que a autora emprega não me agrada nem um pouco. Some isso e o fato de que eu não sou muito fã de YABooks, nem de distopias ou drama... Bem, já dá para perceber que toda a história de Jogos Vorazes é o oposto do que eu realmente aprecio em um livro.

 "Este não é um lugar para uma garota em chamas" - pág, 279

            Mas, conforme as páginas foram passando, me peguei ansiosa (mais e mais) pelo desfecho. Nas ultimas páginas eu precisei parar, dar uma arejada, por que não me aguentava mais de ansiedade/tensão com os acontecimentos. Collins me lembra um pouco J.K. Rowling nesse sentido – ambas vão envolvendo os leitores com ganchos em praticamente todos os finais de capitulo até que... BUUM! Lá estamos de nós completamente fisgados e caídos na história. A diferença é que J.K. é mais detalhista e menos politica em seu texto mas ambas são excelentes autoras (mesmo que não sejam minhas preferidas).
            Sobre o final da história... Achei previsível, mas fiquei realmente frustrada com o que ocorreu. Sinceramente, não me sinto nem um pouco motivada para ler ‘A esperança’, prevejo mais sofrimento por ai. Mas acho que a curiosidade acabará falando mais forte.
            Bem, minha nota é 8  - um bom livro, que recomendo aos fãs de aventuras/romances/YA Books.


CINEMA

            Li o livro um pouco antes do dia 15 de novembro, para não ficar naquela expectativa que muitos fãs tiveram e, mesmo assim, confesso que estou contando os dias para a estréia. Me pergunto qual será a classificação indicativa de ‘Em chamas’ pois, há uma meia dúzia de cenas sangrentas/assustadoras que, embora não sejam tão gráficas, não poderão ser assistidas por um publico LIVRE, por exemplo.
            De qualquer modo, essa é uma das poucas sagas teen adaptadas para o cinema no qual confio totalmente. Não só por que Suzanne Collins (a autora) encabeça a produção do projeto mas também por que nada menos que a ganhadora do Oscar, Jennifer Lawrence, interpreta Katniss Everdeen. Apenas uma atriz realmente boa seria capaz de interpretar fisicamente todas as nuances da personagem – e é isso o que Jennifer mostrou ser capaz no primeiro filme.



Filme: Jogos Vorazes (Resenha/Review)

 

         No inicio do filme, um diálogo entre dois jovens. Eles estão sentados em uma campina, há uma paisagem idílica... Mas não estou falando de Lua Nova e sim de Jogos Vorazes. Mas, fora isso, não há qualquer semelhança entre os filmes, por mais que os publicitários responsáveis pela divulgação insistam em dizer o contrário.

Katniss Everdeen é uma heroína dedicada a família, que caça ilegalmente na companhia de seu amigo Gale para sobreviver. Eles estão conversando nessa campina sobre o sorteio que ocorrerá naquele dia: Como ocorre todo ano, 2 jovens (chamados tributos) serão escolhidos para os Jogos Vorazes.
Antes que me perguntem o que são os Jogos Vorazes, me permitam explicar: Todos ano, nesse país do futuro chamado Panem, cada distrito cede 2 jovens – um garoto e uma garota – para participar de uma competição em que eles, os tributos, tem que lutar até a morte. Enquanto isso ocorre, milhares de câmeras transmitem tudo para todos os habitantes da Panem.  Ã‰ um reality show sangrento mas não é criado apenas para a diversão: Na verdade, os membros importantes que controlam Panem realizam-no para lembrar ao povo de sua mortalidade. O objetivo também é desunir os distritos, para que eles não se rebelem contra os governantes da Capital. Parece complicado, mas o filme explica tudo de maneira bem clara.
Para salvar a irmã, Katniss acaba indo para os Jogos, juntamente com o filho do padeiro, Peeta Mellark . Ela não conhece Peeta muito bem mas tem uma espécie de divida de gratidão com ele. O que só piora tudo, pois, se Katniss quiser sobreviver aos Jogos, deve matar Peeta.


O filme tem uma atmosfera de tensão, obtida tanto pelo roteiro, quanto pela direção da história (câmeras tremidas, trilha sonora discreta...).  Também há uma clima de melancolia no ar, de forma que, se você for daqueles que choram no cinema, vai derramar algumas lágrimas nas primeiras cenas.
Havia acabado de ler o livro quando fui ao cinema, por isso deu para perceber todas as sutis diferenças entre um e outro. No geral, foram poucas as mudanças entre o enredo do livro e do filme – Apenas alguns diálogos e situações a mais foram criadas para substituir a narração da heroína, tudo para que o publico entenda a trama.

Na verdade, esse é um dos pontos positivos do filme: Não se limitou a fazer um resumo do livro, fez uma adaptação, o que acrescentou vários pontos de vista interessantes a história mas sem perder o contexto original. Essa é a vantagem de Suzanne Collins, a autora da série, produzir e co-roteirizar o filme: Ela conseguiu manter a essência da história sem perder a vantagem dada pelo cinema.
Sobre a história, a impressão é a de que tudo acontece muito rápido, mas é só quando comparado ao livro. Na realidade o timing entre os acontecimentos foi um pouco mais curto, mas não prejudicou, pelo contrário, só valorizou ainda mais a adaptação. E, analisando a duração, o filme tem mais de 2 horas! Mas são imperceptíveis, passam voando.
Outra coisa que me chamou a atenção é que o filme tem pouquíssimos diálogos. Como se passa quase todo durante os Jogos Vorazes, a heroína fica uma boa parte do tempo sem dizer muito. Mas a atriz, Jennifer Lawrence, que já concorreu ao Oscar por Inverno na Alma não deixa a peteca cair e faz uma Katniss impecável, mesmo com poucas falas.

                                

O final também é um pouco diferente e me deixou ainda mais curiosa sobre a continuação. Confesso que ainda prefiro o livro, mas achei o filme muito bom e indico para quem gosta de uma história bem feita, com um contexto de aventura e ação tão importantes quanto o romance entre os personagens principais.  Por mais que possa irritar alguns haters de Crepúsculo essa comparação entre as sagas, recomendo que dêem uma olhadinha em Jogos Vorazes antes de torcer o nariz. As séries são bem diferentes entre si, incluindo na forma de lidar com o triângulo amoroso, passando pelo roteiro e atuação dos protagonistas. 
Com certeza, vale a pena assistir. Nota 8 – um bom filme.

p.s.: Não ouvi essa música no filme mas achei linda. *-*


E você? Já foi assistir "Jogos Vorazes"? Aproveite o final de semana para assistir! Mas antes, deixe seu comentário =) 

Resenha: Jogos Vorazes - Suzanne Collins

 
     


“ - Senhoras e Senhores, está aberta a septuagésima quarta edição dos Jogos Vorazes!” (pág. 162)

Katniss Everdeen é uma jovem do 12º Distrito, o mais pobre de toda a Panem. Para garantir o sustento de sua irmã e mãe ela caça na floresta, tendo como companhia seu amigo Gale. Porém, no sorteio dos tributos escolhidos para os 74ª Jogos Vorazes sua vida sofre uma mudança brusca. Katniss tem que, então, lutar pela sua sobrevivência de maneira mais literal ainda.
O livro se passa em um futuro (não tão) distante, em que os Estados Unidos se tornaram um ‘país’ com 12 distritos chamado ‘Panem’. Cada um dos distritos é responsável por uma atividade, por exemplo, Distrito 11 é o responsável pela agricultura que irá manter toda a Panem. Já o Distrito 12 é responsável pelo carvão. Todos os distritos são comandados pela “Capital” que faz o possível para evitar a comunicação entre os distritos, de maneira a evitar que mais rebeliões aconteçam.
Na verdade, a única ocasião em que há certa comunhão entre uns e outros são nos Jogos Vorazes, um evento anual em que 2 jovens tributos de cada distrito são sorteados e levados para uma arena, onde tem que disputar até a morte. O vencedor fica rico e deixa todos em seu distrito em ótima situação por 1 ano. Mas, no 12º Distrito, há anos um ‘tributo’ não vence os Jogos, o que faz com que todos tenham certa antipatia pelo mesmo, apesar de serem obrigados pela Capital a assistir tudo.

                Então é isso, um Big Brother sangrento protagonizado por adolescentes o que chamam de Jogos Vorazes. Confesso que não me animei muito em ler: O primeiro livro foi lançado no Brasil em 2010 e só fui comprá-lo no final de 2011. Ouvia todo mundo falando desse universo futurista e já me desanimava, não sou a muito fã de histórias que se passam no futuro, seja ele distópico ou utópico. Mesmo assim comprei, por que queria ver qual era a mágica que fazia com que a série tivesse tantos entusiastas e também por que algumas resenhas me animaram de fato, comprei. Mas da compra para a leitura foram vários meses...
                Comecei a ler e, no inicio, achei a história interessante, porém lenta (já comentei sobre isso aqui). Achei que Katniss é uma personagem diferente, mais dura e realista que a maioria das protagonistas dos YA Books e, ao mesmo tempo, disposta a se sacrificar por aqueles que ama.  A cena em que ela se despede da família ilustra bem isso: Ela diz à mãe que a ama, mas antes lhe dá uma ‘bronca’ para que cuide da irmã mais nova. Dá um abraço na irmã mas, antes, a instrui sobe como proceder enquanto ela (Katniss) não estiver por lá. Essa atitude madura da personagem é um dos grandes trunfos de Jogos Vorazes, e faz com que o livro, logo de cara, seja diferente do que se via por ai.

                É a personalidade de Katniss e a curiosidade sobre o enredo que me seguraram e me fizeram prosseguir a leitura. Por que, como eu disse, o começo é bem parado - só se salvam a cena das notas dos tributos e a da “revelação” que Peeta faz durante sua entrevista. Mas depois que os Jogos começam, tudo muda, parece até outro livro. A sequência de acontecimentos é rápida e emocionante, a cada página você se sente mais ansioso com o desfecho da história.

                Mas não é só o contexto da violência que dá essa dinâmica a história, há também um contexto político nas entrelinhas. Nas páginas finais do livro esse aspecto dos Jogos tomam vulto mas, durante todo o livro, percebe-se que a Capital é o verdadeira inimigo, não os outros tributos. A Capital criou os Jogos para desunir o povo e é muito interessante como Katniss, apenas uma jovem, consegue desafiar a Capital e conquistar a simpatia de um distrito que não o seu.
                Mudando um pouco de assunto, eu já falei que também há romance nesse livro? Na verdade é um ‘triângulo amoroso’ entre Peeta, Katniss e Gale. Confesso que torço mais pelo o que ficou, embora tenha quase certeza de que Katniss vai terminar a história com o irritante Peeta - Alguns triângulos amorosos são fáceis de prever e esse parece ser o caso. Mas, como sou do contra, torcerei por Gale até o final da trilogia (ou até que ele faça algo que o desvirtue).  
                Falando sobre o romance entre os personagens, até mesmo nisso há uma diferença. Peeta está longe de ser o cara perfeito, é salvo por Katniss diversas vezes, sendo que esta ainda questiona o tempo inteiro o que sente por ele.  Além disso, apesar de ser um importante alicerce da trama, o livro tem tantos outros aspectos – aventura, ação, futurista – que o romance deixa de ter aquela importância crucial que vemos em obras como Crepúsculo, por exemplo.

                O resultado dessa combinação entre esses aspectos é um livro memorável. Surtei com o final e já estou me contendo para ler não comprar ‘Em Chamas’ imediatamente. Não sei o que restante da série me reserva, mas posso dizer sem dúvidas: Se os próximos livros forem tão bons quanto esse, Jogos Vorazes entrará para minha lista de séries favoritas, com certeza. 
                 Minha nota para esse livro é 9,0 – achei o livro fantástico, mas vou me conter com a nota, por que quero ter uma margem para os próximos livros.  


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