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|Filme| Clube de compras Dallas (Resenha / Review) #Oscar2014


         1986. O eletricista Ron Woodroof Ã© o típico caubói texano, com seu chapéu, botas e seu ar de machão. Ele também é um pegador convicto, usuário casual de drogas e apostador em rodeios o que, vez ou outra, faz com que ele tenha problemas com a polícia. 
           Um dia, após sofrer um acidente de trabalho, Ron é levado para o hospital. Os médicos fazem um exame de sangue e descobrem que ele tem AIDS. De um dia para o outro a vida de Ron muda, e para pior: O medico diz que ele tem apenas 30 dias de vida. 
           Clube de compras Dallas é meu ultimo filme antes do Oscar de hoje a noite. Confesso que não  estava muito entusiasmada para assistir mas, quando vi os comentários sobre esse filme, resolvi dar uma chance para a história. A história de Ron poderia ser a história de qualquer pessoa na década de 80, quando surgiram os primeiros casos de HIV: as pessoas não sabiam o que era essa doença e sequer havia tratamento adequado para ela, então era ser diagnosticado e esperar para morrer. 
        Mas Ron não estava afim de morrer e decide pesquisar sobre a doença. Para sua surpresa, ele descobre que a AIDS não é transmitida apenas entre homossexuais (ele acreditava nisso) mas em toda relação sexual feita sem camisinha, algo que Ron, com seu estilo de vida desregrado, faz muito. Depois de um período de negação o personagem finalmente aceita que tem AIDS mas não está disposto a morrer. O que fazer então?
             Na época ainda estava no inicio dos primeiros tratamentos com a droga AZT, que foi a primeira a ser utilizada afim de tratamento do vírus. Mas havia outras drogas alternativas que, embora não aceitas pela associação farmacêutica dos Estados Unidos, eram empregadas em outros países. Ron vai atrás de todas e resolve lucrar com isso também: Ele monta o Clube de compras Dallas, onde as pessoas, após uma taxa de adesão, terão direito a utilizar qualquer medicamente disponibilizado por Ron, a maioria ilegal. Nem é preciso dizer que logo começa uma batalha com a indústria farmacêutica, que não aceita a utilização dos remédios disponibilizados em território americano. 
          Matthew McConaughey faz o papel de sua vida como Ron Woodroof. Ele emagreceu muito para fazer esse papel e, apenas isso, já daria um brilho a mais para sua atuação. Porém o ator vai além e se mescla tão bem com seu personagem que sequer consegui ter nenhuma pista do charmoso ator. Era apenas Ron Woodroof na tela, numa atuação digna de todas as premiações possíveis - incluindo o Oscar de melhor ator. Jared Leto também está incrível como o transexual Rayon, magérrimo e com trejeitos femininos, até mesmo quando usa um terno. Seu personagem pode ser coadjuvante mas desempenha um papel importantíssimo para a trama e fiquei fascinada com a naturalidade de sua interpretação. A química com McConaughey durante o filme é um dos grandes motivos do sucesso dessa obra, pois ambos conseguiram passar a profundidade da amizade dos personagens mesmo com diálogos nem sempre carinhosos. 
             A caracterização dos personagens também está incrível: os atores emagreceram mas também tiveram um excelente trabalho de maquiagem para ficar com uma aparência doentia. Dava para ver pelo rosto de Ron se as drogas estavam ou não funcionando, antes mesmo que ele dissesse uma palavra. Quando a trilha sonora, se em Trapaça ela é como um personagem, em Clube de compras Dallas ela praticamente não existe, talvez um artifício da direção para dar um ar mais pesado para a história,  o fato é que quase não há música nesse filme. 
           Como disse acima, é meu ultimo filme antes do Oscar e tenho a impressão que guardei o melhor para o final. 'Clube de compras...' não é divertido como Trapaça, mas fala de superação assim como Gravidade e de uma minoria tão importante quanto os negros de 12 anos de Escravidão. É um filme que facilmente poderia ganhar o Oscar, pela força de sua mensagem, pela forma como essa mensagem é contada e pela atuação de seu protagonista e co-protagonista. 
              Considero o final positivo porém realista. Um portador de AIDS durante a década de 80 tem que se lutar pela vida assim como um caubói luta para permanecer em um touro durante 8 segundos: Ele sabe que não é muito tempo mas vai aguentar enquanto puder. 
                Nota 9 - um filme muito bom. 

|TRAILER|

Clube de compras Dallas concorre ao Oscar 2014 nas categorias: Melhor filme, melhor direção, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor maquiagem, melhor roteiro original e melhor direção. 


|FILME| Trapaça (Resenha / Review) #Oscar2014



           Irving Rosenfeld é um trapaceiro de marca maior, que trabalha aplicando golpes de empréstimos em pessoas desesperadas, entre outras atividades igualmente ilícitas. Em uma festa de amigos ele conhece Sidney Prosser, uma ex-stripper, por quem se apaixona perdidamente. Ele conta para ele sobre seu esquema e ambos passam a trabalhar juntos em seu negócio, triplicando a quantidade de dinheiro que Irving havia conseguido até então. 

           Tudo ia bem até que o FBI aparece na porta deles (literalmente). O oficial Richie DiMaso, agente do FBI em ascensão, obriga os dois a trabalhar para conseguir de volta sua liberdade, ajudando-o em um esquema para prender políticos corruptos. Um filme de David O. Russel (O lado bom da vida), Trapaça tem algum fatos que realmente aconteceram, já que a história é inspirada numa operação similar realizada pelo FBI na década de 70.
             Christian Bale dá mais um show de atuação nesse papel. Ele está sensacional como o obeso Irving Rosenfeld, tendo até mesmo engordado para fazer esse papel - mal parece o Batman de outrora. Além disso Bale consegue fazer um personagem que gordo, estranho e de peruca sem ficar muito patético. Ele faz um picareta de marca maior mas, mesmo assim, consegue fazer com que o público torça para que suas armações deem certo. Não é á toa sua indicação ao Oscar, ele rouba a cena e é o principal condutor desse filme. 
"As pessoas acreditam no que querem acreditar".  Irving Rosenfeld 
              Amy Adams também está ótima como a parceira (na vida e no crime) de Irving. Ela e Bradley Cooper - que vive o italiano detetive DiMaso - tiveram atuações muito boas, merecedoras de suas indicações ao Oscar. Porém, não o suficiente para ganhar os prêmios a qual foram indicados, esses dois atores tem feito ótimos filmes nos últimos anos e tem conquistado o meu respeito por sua atuação. 
               No elenco também temos Jennifer Lawrence. Okay, sou fã dela, então tudo o que disser poderá ser considerado puxa-saquismo mas prometo que tentarei ser bem objetiva. No começo achei a personagem dela, Rosalyn, uma versão mais extrovertida da Tiffany de O lado bom da vida. Okay, é surpreendente ver uma menininha tão comportada como Jennifer Lawrence fazendo alguém surtado mas, olha, já premiaram isso no ano passado - pra quê premiar esse ano de novo? 
                Com o passar do filme fui percebendo que Rosalyn tem contornos e características que a fazem algo completamente diferente de Tifanny e requerem uma atuação diferente também. Rosalyn é mais velha, é uma mãe solteira desequilibrada, que bebe muito e está presa em um casamento fracassado. Ela é extrovertida, sedutora e muito confortável em ser quem é (ao contrário de Tifanny). Então, do meio para o final, duas cenas me fizeram perceber que - sim! - Jennifer Lawrence mereceu essa nova indicação ao Oscar! (Uma delas foi essa aqui). 
               Sobre o filme, eu sabia, desde que vi os indicados, que Trapaça seria o filme que eu mais gostaria de assistir. David O. Russel tem se tornado um dos meus diretores favoritos por fazer filmes que conseguem ser complexos e engraçados ao mesmo tempo. Muito embora esse humor seja sutil na maioria das vezes, é um alívio assistir Trapaça depois do pesado e sério 12 anos de escravidão. 
           Gostei da trama, que vai se complicando com o passar da história mas não deixa de ficar interessante, gostei das atuações, gostei do clima retrô do filme... É um filme que eu indicaria, não só por ser muito bem produzido, dirigido e bem feito, mas também por que é uma boa história para entretenimento. Muito se diz por ai sobre Trapaça não merecer estar concorrendo a melhor filme e, em partes concordo - ele não tem aquele 'algo mais' que faz um filme ser indicado ao Oscar. Mas é um filme único e, a sua maneira, marcante, por isso também acho uma boa indicação - mesmo sendo claro que não se trata de um vencedor.  
                 Sobre esse clima retrô que citei acima, 2 fatores foram fundamentais para que eu me sentisse imersa nos anos 70, um deles o figurino. Todos os personagens tem um estilo pessoal de se vestir, um guarda-roupa que esbanja personalidade, desde os ternos marrons de Irving até os decotões de Sidney (que só Amy Adams consegue usar sem parecer muito vulgar). Mesmo os atores figurantes tiveram um figurino que retratava a época, como podemos ver naquela cena da boate, por exemplo: além da atuação, a combinação de música, figurino e a direção de David O. Russel fizeram desse um ponto marcante de todo o filme, pela fidelidade ao período. 
                 O segundo fator foi a música. MEU DEUS, o que é essa trilha sonora?! Elton John e BeeGees são apenas algumas pérolas dessa coleção de clássicos dos anos 70. A música é como um catalisador dos momentos chaves do filme e os personagens interagem com ela, cantando ou dançando, em várias cenas. Confesso que, para entrar no clima, estou ouvindo essa trilha enquanto escrevo a review  do filme (e me divertindo muito no processo). 
                  É um filme que recomendo para quem gosta de boas histórias e tramas envolventes e interessantes. Se você gosta de enredos com algumas reviravoltas interessantes assista Trapaça. Não é particularmente dramático ou surpreendente mas é um filme muito bom - nota 9.

|TRAILER|

Trapaça concorre ao Oscar nas categorias: melhor filme, melhor direção, melhor ator (Christian Bale), melhor atriz (Amy Adams), melhor ator e atriz coadjuvante (Bradley Cooper e Jennifer Lawrence), melhor roteiro original, melhor figurino, melhor edição e melhor desenho de produção.

P.S.: Falei de Louis CK na review de 12 anos de escravidão e adivinhem quem faz uma pontinha em Trapaça? 

        

|FILME| 12 anos de Escravidão (Resenha / Review) #Oscar2014


      Solomon Northup é um cidadão proeminente do estado de Nova York. Um escravo liberto, ele e sua família tem uma vida, se não luxuosa, ao menos feliz e confortável. Solomon também é um excelente músico, o que traz renda extra para a família. Um belo dia dois homens o abordam com uma proposta praticamente irrecusável: Fazer algumas apresentações com o "circo" deles, tocando o seu violino, e com a garantia de um salário bem acima da média. Ele aceita e viaja com esses homens durante algumas semanas. 
      Após o que seria sua ultima noite, Solomon acorda semi-nu e algemado, sendo abordado por homens que não conhecem e que dizem que ele é um escravo fugitivo. Esse é o inicio de (literalmente) 12 anos de escravidão um dos principais favoritos ao Oscar desse ano.
       Logo no inicio desse filme lembrei de uma piada no Stand-up do comediante americano "Louis CK" em que ele diz que ser branco é muito melhor. Ele ressalta não querer dizer que os brancos são superiores apenas que "Ser branco" é algo que lhe dá vantagem. E cita um exemplo: Ele poderia viajar no tempo, para qualquer período do passado, e ainda sim seria bem recebido. 
        Me lembrei disso por que o personagem principal, Solomon, faz uma simples viagem, de um lugar para o outro, e, por conta do período em que ele vive (o ano é 1841) é obrigado a passar por essa situação. Apenas por ter dado o "azar" de ser negro, e estar sem os seus papéis que provavam sua liberdade. 
       No inicio, Solomon ainda tenta convencer as pessoas de que é um homem livre mas logo fica claro que permanecer em silêncio é a melhor opção. Em um mundo em que os negros são pouco mais que um animal (muitas vezes até menos) ninguém vai se interessar na história de um negro que sabe ler, tem conhecimentos que os outros não tem e jura ser livre. Então, embora não esquecido de quem é e nem de sua família (mulher e dois filhos) ele tem que fingir ser um escravo, tentando aproveitar as mínimas oportunidades de fuga. 
        Mas os anos os anos vão passando e nada de Salomon conseguir fugir. Pelo contrário, a situação dele só piora, quando Salomon é vendido para Edwin Epps, um cruel proprietário (interpretado por Michael Fassbender). Com Epps, Salomon passa a sofrer torturas físicas e psicológicas, ao longo de não um mais vários anos. 
        Chiwetel Ejiofor interpreta Salomon de maneira sensível, sem recorrer ao dramalhão e lágrimas infinitas para sustentar o desespero de seu personagem por sua situação. Michael Fassbender tem uma atuação digna de Oscar: De seu sotaque a todos os detalhes de seu cruel vilão, Fassbender conseguiu me fazer odiá-lo (mesmo continuando a achá-lo lindo no processo). Lupita Nyong'o interpreta uma escrava chamada Patsey, por quem Epps é completamente obcecado. Patsey é uma personagem muito sofrida sem qualquer esperança de saída ou redenção, Lupita mereceu todos os prêmios que ganhou por esse papel até agora e certamente é uma forte candidata ao prêmio no domingo. 
       Logo pela sinopse percebi que seria um filme que assistiria sem qualquer diversão, razão pela qual protelei até a ultima semana para assisti-lo. Agora que finalmente assisti, percebi que minha percepção estava correta. Não é um filme fácil de assistir, é muito triste, muito revoltante pensar em uma época, não muito tempo atrás, em que alguns seres humanos eram tratados de forma diferente somente pela cor de sua pele.
        No entanto, embora seja um filme difícil, é também um daqueles que todas as pessoas deveriam assistir. Não há catarse, não há alívio: Há apenas a reflexão da enormidade do que foi a escravidão nos Estados Unidos e na enormidade do dano causado a diversas gerações. Novamente cito o stand-up de Louis CK quando ele cita que os brancos podem ir em qualquer lugar... no passado. Ele (Louis) não se atreveria a ver o que acontece com os brancos no futuro por que "é claro que nós pagaremos por essa merda". Cito essa piada para mostrar o quanto o tema escravidão ainda é muito citado nos Estados Unidos, onde ainda há uma cultura de "nós negros", "eles brancos" (e vice-versa).  
"Pecado? Não existe pecado. Um homem faz o que quer com sua propriedade." - Edwin Epps
          Acredito que esse seja um dos motivos para que 12 anos de escravidão seja tão comentado e elogiado. Para vocês terem uma ideia esse filme será distribuído em escolas americanas, como material de estudo para os alunos. Essa é a enormidade de '12 anos de escravidão': um filme que foi feito comercialmente mas que está será utilizado como conteúdo em aulas de histórias, para que essa história real seja discutida em sala de aula. É um filme com um assunto sobre o  qual os americanos ainda precisam falar e discutir embora não seja necessário ser um americano para refletir sobre as consequências da escravidão para o mundo e para as pessoas da época. 
         Esses parágrafos acima foram um pouco fora da review mas são necessários para que vocês entendam que, embora não seja um filme que tenham me dado qualquer prazer em assistir, eu recomendo que todos vocês assistam. É importante, é um filme maior do que apenas um filme e também é (muito provavelmente) o vencedor do Oscar 2014. Por isso dou nota 8 - por que é um bom filme - e recomendo a todos que leram essa resenha que assistam 12 anos de Escravidão. 
                 Um filme difícil, porém necessário. 

|TRAILER|

12 anos de Escravidão concorre ao Oscar nas categorias: Melhor Filme, Diretor (Steve McQueen) Melhor Ator (Chiwetel Ejiofor), Melhor Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Melhor Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong’o),  Melhor Roteiro Adaptado, Melhor figurino, Melhor design de produção e melhor edição 

Obs.: Louis CK, além de protagonista da série Louie Ã© um dos principais nomes do Stand-up americano atual.  Para quem se interesssar, aqui o link da piada que citei na review. 

Filme: Gravidade (Resenha/ Review) #Oscar2014


       Era para saber apenas mais uma missão para o astronauta Matt Kowalski: Consertar o satélite Hubble, na companhia da doutora Ryan Stone, e retornar a Terra. Apenas mais uma missão para esse astronauta experiente e embora fosse a primeira missão da Dra. Stone no espaço e ela estivesse um pouco enjoada, tudo corria muito bem. 
       Mas então, numa série de acontecimentos azarados, os dois são jogados a esmo no espaço sideral, sem qualquer apoio da NASA. Uma situação desesperadora, a qual os dois tem que se adaptar se quiserem voltar para a Terra. Afinal, como bem dito no inicio do filme, a vida no espaço é impossível. 
       Gravidade tem uma fotografia fantástica e que impressiona pelo realismo. A impressão que se tem é que os atores estão mesmo no espaço, flutuando, sem rumo. A sensação é tão intensa que no começo do filme senti até um pouco de claustrofobia por aquele ambiente ermo e sem oxigênio - o fato de que as reservas de oxigênio da personagem diminuíam rapidamente também contribui para esse meu sentimento. Mas depois fui me acostumando, embora continuasse impressionada com o realismo do filme, que foge completamente dos clichês dos filmes de tragédia no espaço. 
       Sobre a trama, gosto de imaginar que ela se divide em duas partes. A primeira delas é a desesperadora, onde parece não haver esperança para os personagens e tudo (absolutamente tudo) parece dar errado para eles. A situação vivida pela Dra. Ryan (Sandra Bullock) e o astronauta Matt (George Clooney) parece coincidir com os humores da própria doutora, uma personagem com um passado dramático, sem esperanças e nem estímulos para continuar vivendo, completamente a mercê dos acontecimentos e do destino. 


         Sandra Bullock definitivamente mereceu a indicação por seu papel como Ryan Stone. Ela conseguiu passar, nesse primeiro momento toda a apatia e desilusão de sua personagem, toda a fragilidade do luto, até em seus momentos mais dramáticos. Já George Clooney parece estar interpretando mais uma versão de si mesmo, mas o filme é tão bom que até sua atuação parece acima da média, mas nada digno de premiação.  
         O segundo momento do filme acontece depois de um insight da doutora, com ajuda de Kowalski. Não posso dizer que seja um momento de esperanças, a situação deles ainda é critica demais. Mas, depois de uma certa cena que me fez chorar copiosamente, passei a acreditar que (mesmo praticamente impossível) eles poderiam sair dessa. 
        Alfonso Cuarón fez em Gravidade uma verdadeira inovação no cinema, utilizando técnicas para simular a ausência de gravidade que, embora conhecidas, foram desenvolvidas a perfeição. A direção é impecável, convergindo com os principais momentos e sentimentos evocados pelo roteiro. A câmera no seguindo o ponto de vista de Sandra Bullock nos aproxima do drama da personagens, sem falar nas tomadas a distância onde podemos ver a imensidão do espaço e da missão a ser concluída para que a personagem possa sobreviver. 


           As atuações excelentes, uma trilha sonora minima mas perfeita para os diversos momentos do filme e um roteiro muito bem escrito, faz com que Gravidade seja muito mais do que apenas outro filme no espaço. Me atrevo a dizer que essa história, pelos sentimentos que evoca, poderia se passar em qualquer lugar, razão que justifica a indicação para Oscar de Melhor Filme. O tema da vida, luto, tristeza e superação é comum a todas as pessoas, o que o diretor parece querer evocar ao incluir imagens de Santos e de Budha: Não importa a religião, a nacionalidade, todos estamos a mercê desses mesmos sentimentos. Cabe a cada pessoa a superação, a escolha de continuar vivendo e caminhando apesar de todas as perdas anteriores. 
            Afinal, se a situação parece completamente sem esperança, ao menos podemos apreciar essa grande aventura que é a vida. Nota 9 - muito bom.

                                                           |TRAILER|
Gravidade tem 10 indicações ao Oscar 2014: Melhor filme, melhor diretor, melhor atriz (Sandra Bullock), melhor Trilha Sonora, Edição de Som, direção de Arte, melhor Fotografia, melhor edição e melhores Efeitos Visuais.