Mentes Perigosas: O psicopata mora ao lado. - Ana Beatriz Barbosa Silva
Minha primeira resenha sobre um livro de não-ficção então sejam legais.
Nesse livro, Ana Beatriz Barbosa Silva, psiquiatra e palestrante, escreve sobre um assunto polêmico, até mesmo no ambiente médico: Os psicopatas e como reconhecê-los. O de livro tem 3 apresentações, escritas por 3 pessoas diferentes, entre elas a autora de novelas Glória Peres, que classificou-o como “um livro perturbador...".
Quis ler esse livro, não só por que tenho uma curiosidade natural por psicopatologias mas também por que a autora Glória Perez afirmou em uma entrevista que esse livro a inspirou a criar a personagem Yvone de “Caminho das Ãndias”. Não sou fã de novelas mas como gosto de um bom vilão fiquei curiosa para saber que tipo de inspiração haveria nesse livro.
Esperava um livro sobre psicologia com uma linguagem mais popular e talvez por isso tenha me decepcionado tanto. Senti que, apesar de ser uma psiquiatra conhecida, a autora deixou-se levar sobre sua opinião pessoal do que é um psicopata, usando um argumento cientifico aqui e outro ali mas no geral só dizendo o que pensa mesmo.
Foi como se eu estivesse lendo um panfleto, daqueles que são entregues para alertar a população sobre alguma doença especÃfica. Nos panfletos explicam as coisas de maneira simplista a superficial e dar diversos avisos sobre como combater tal mal, sempre frisando uma certa mensagem para que a pessoa que está lendo faça se conscientize e aja da maneira correta.
Em “Mentes Perigosas” ocorre o mesmo. A maneira como é descrita a mente psicopata, só se limitando a colocá-los como monstros etc, etc. e a caracterizar os “sinais” de que alguém é um psicopata é superficial e vazia. Em um certo perÃodo do livro eu até tive esperanças de que o assunto poderia se aprofundar um pouco mais, que foi quando a autora citou o papel da criação na definição de uma personalidade antissocial mas Ana Beatriz Barbosa não se fixou muito nesse caminho. Preferiu colocar que o psicopata nasceu assim e pronto.
Além disso, colocar os “sintomas” da psicopatia é o mesmo que convidar todos os sabichões que lêem o livro a aplicar esse teste em amigos e conhecidos. Isso pode gerar uma série de situações no mÃnimo embaraçosas, por que não é um teste da “Revista Capricho” e sim algo para detectar um transtorno de personalidade. Ou seja, não é qualquer um que pode identificar um psicopata – mesmo com todas as ‘valiosas’ dicas da Dra. Ana Beatriz.
O que me incomodou mesmo foi essa insistência em afirmar que a pessoa nasce com isso e pronto. Descobri que gosto muito mais do termo “sociopata” por que acredito que o contexto social tenha muito mais a ver com a psicopatia do que a biologia em si. É claro, há a parte biológica, mas o ambiente também é um fator a ser considerado.
No geral é um livro para ser lido como entretenimento, durante uma viagem ou nas férias mesmo. Leia, fique ligeiramente intrigado com o que a autora diz e até tente identificar um ou outro amigo psicopata, mas só por diversão, não considere isso um livro mais importante do que realmente é.
E, caso queira dar uma de “Glória Perez” e ler esse livro para criar o vilão de sua próxima história, eu sugiro que leia outra coisa. Por que os psicopatas descritos em “Mentes Perigosas” dariam péssimos personagens: São muito maniqueÃstas e tem pouca profundidade. Assim como o livro que os descreve. Nota 6 – não gostei.
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