Resenha: 50 Tons mais escuros – E.L. James
Faz
quatro dias que Anastasia pôs fim ao seu relacionamento com o sombrio e
enigmático Christian Grey. Na ocasião ela havia se assustado ao perceber até
onde ia o sadismo do amante, e se deu conta de que jamais conseguiria fazer
aquilo, nem mesmo por ele.
Acontece
que, embora a mente racional de Ana saiba que essa foi sua melhor decisão, seu
corpo e seu coração estão morrendo de saudade do bilionário bonitão. Isso faz
com que a mocinha haja de forma autodestrutiva, não se alimentando ou dormindo
por longos quatro dias.
Porém
tudo isso muda quando ela recebe um email de Christian, perguntando se ela
precisaria de uma carona para um evento que eles haviam combinado de ir juntos,
antes de se separarem. Ana aceita e, só de saber que vai ver Christian
novamente, recomeça a viver.
Um
dos aspectos positivos de ’50 tons mais escuros’ é que vemos uma pequena
evolução na escrita da autora. Se, em 50 tons de cinza, a escrita de E.L. James
poderia ser considerada muito ruim, agora está só ruim. Percebe-se que o uso de
algumas expressões é diminuído nesse segundo volume, o que torna melhora a
leitura.
Por
ter gostado do primeiro livro e quase ter ido a loucura com aquele final, tinha
altas expectativas com ’50 tons mais escuros’. Para começar queria saber se
Christian iria conseguir superar seus traumas para, enfim, criar um
relacionamento verdadeiro com Ana. Depois, havia a curiosidade para conhecer
mais detalhes do passado desse homem, por que ele havia se tornado tão arisco
ao toque das pessoas e tão fechado para relacionamento. Por ultimo, ainda tinha
aquela curiosidade por saber se Ana se renderia ao lado obscuro de sua própria
sexualidade ou se continuaria afirmando que fazia tudo aquilo por ele.
No
fundo eu sabia que não poderia acontecer tudo isso logo no segundo livro,
afinal, é uma trilogia, mas essas eram minhas expectativas quando comecei.
Meu
primeiro choque foi a mudança de Christian: Em quatro dias Grey passou de
bilionário esquivo que foge de relacionamentos, para um cara completamente
apaixonado e entregue, que está disposto a tudo para ficar com Anastasia... Até
mesmo abrir mão de seu lado sádico. Uma parte de Ana fica um pouco decepcionada,
mas ela também fica feliz por conseguir tirar o seu “50 tons” da escuridão e
traze-lo para a luz dos relacionamentos baunilha.
Então
o livro prossegue e, por conta de uma perseguição implacável de uma ex-namorada
maluca, Ana aceita morar com Christian por um tempo. Para a segurança dela, ele
também coloca seguranças grandalhões próximos a ela enquanto vai ao trabalho e
faz com que ela prometa informa-lo sobre todos os passos que der.
Falar
sobre o trabalho de Ana me fez lembrar de seu chefe, Jack Hide. Quando vi o
nome desse personagem sabia, com todas
as minhas forças que ele teria algum papel importante na trama. A semelhança do nome Jack Hide com o
personagem de “O médico e o monstro” (Dr. Jekyll, que também era Mr. Hyde) é
tão óbvia que não há como não sacar que esse personagem terá uma personalidade
oculta.
Dito
e feito. Sem spoilers sobre o assunto, mas a cena em que o sr. Hide mostra o
seu verdadeiro caráter é meio inverossímil, como se ele estivesse se tornado um
monstro mesmo.
Infelizmente
não é a única coisa inverossímil e fraca do livro. Se você, assim como eu, se
preparava para descobrir mais segredos obscuros do senhor Grey, prepare-se para
se decepcionar. Nosso mocinho conta um pouco mais sobre o seu passado e,
realmente, ele passou por muita coisa barra pesada antes dos 4 anos. Mas, será
esse um motivo válido para que ele não suporte que o toquem até hoje? Não, nem
um pouco. Foi ai que comecei a me perguntar se todos esses psicólogos e
psiquiatras que Christian frequentou quando era pequeno eram todos uns
incompetentes ou se era a autora que não soube justificar bem esse aspecto do
seu personagem.
Daí,
quando eu pensei que a parte dos segredos não poderia ficar pior, vem o segredo
mais obscuro do senhor Grey, o mais terrível, aquele que ele teme que fará Ana
se afastar dele para sempre.
Suspense,
música dramática, esquilo
dramático. Christian conta o segredo e... Era isso? A cena
foi tão rápida e mal escrita que fiquei sem entender os detalhes, mas, se foi
isso mesmo o que eu entendi, acho que o nosso personagem masculino andou lendo
livros Freudianos demais.
| Minha expressão quando li sobre o 'super' segredo de Christian Grey. |
Enfim,
o livro foi passando e meu incomodo foi crescendo. Tudo era muito raso, muito
frágil no argumento da autora. Isso sem contar a própria Anastasia que,
novamente, pensava uma coisa quando estava longe dele e fazia outra quando
estava perto. Numa página acha que eles tem que ir devagar, na outra já está morando
com ele. Diz que não gosta de BDSM mas faz provocações sobre o assunto em
vários momentos da trama.
Imagine situações como essa em loop infinito e
saberá como foi o comportamento de Anastasia nesse livro. Em alguns momentos
senti alguma iniciativa da heroína mas, infelizmente, Ana não conseguiu sair do
medíocre e patético durante todo o livro.
Eu
até teria aturado esses personagens malucos como mocinhos se o livro tivesse
uma trama interessante. Porém, se no primeiro livro, a trama principal era o
contrato que Ana teria que assinar e os mistérios do sr. Grey no segundo livro
não há trama nenhuma. É simplesmente o cotidiano
desse casal problemático que alterna brigas e discussões a cenas de sexo e
declarações de amor e posse. A autora tenta provocar algumas reviravoltas, mas
tudo se resolve magicamente na próxima cena, em poucas linhas.
Sinceramente,
analisando todo o livro, não há nada (repito, NADA) que justifique metade das
485 páginas de “50 tons mais escuros”. Nem mesmo as cenas de sexo empolgam:
Tirando a cena do “baile de mascaras” achei o restante muito tedioso e não por
não terem BDSM mas por que autora não
conseguiu me convencer da tensão sexual existente entre os personagens nesse
segundo livro, como ocorreu no primeiro.
Falando
em BDSM, se no primeiro livro eu não consegui perceber essa visão
preconceituosa da autora sobre o tema, no segundo esta foi escancarada: E.L.
James chega ao ponto de transformar em vilã a única personagem que assume
gostar desse estilo de vida, em mais uma cena pouco crível e desnecessária do
livro.
Por isso, rebatizei o titulo de livro de
“50 tons mais escuros” para “50 tons
de decepção”. Por que foi
decepcionante perceber que o bilionário misterioso outrora conhecido como sr.
Grey não é nada mais do que um pirralho mimado e carente*. Decepcionante ver
a mocinha ter momentos de lucidez para logo em seguida cair no choro ou
esquecer tudo em nome da paixão.
É
decepção por ver uma autora tão preconceituosa ser considerada uma libertadora
da sexualidade feminina. E ver uma série que parecia ter tanto potencial entrar
pelo ralo.
Dou
nota 6,5 – não gostei do livro mas o meio ponto vai para os momentos de
sobrevida, quando achei que a história poderia entrar nos eixos (só para me
decepcionar novamente depois) e também para a cena do baile de mascaras, que
realmente é muito boa.
Sobre
o terceiro e ultimo livro da Trilogia, “50 tons de liberdade”: Podem ter
certeza de que lerei sim, nem que seja para saber o que diabos a autora vai
colocar em um terceiro livro (mais perseguição sem sentido, pelo o que eu
entendi). Mas vai demorar um pouco: no momento não sinto a mínima vontade de
comprar/ler esse ultimo livro.
* Uma das maiores exemplos dessa mudança pela qual
Christian Grey passa é a forma como Ana se refere a ele: No primeiro livro era
“Sr. Grey” e, no segundo, é apenas Christian.
Veja também a página do livro no Skoob.
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