Heresia – S.J. Parris (Resenha)
Giordano Bruno é um italiano, ex-monge, excomungado e fugitivo da inquisição católica que vai para a Inglaterra à procura de um lugar onde possa provar sua teoria de que o Universo é infinito e a Terra é somente um mísero planeta desse universo imenso.
Chegando a Terra da rainha ele é “convidado” a trabalhar como espião para os ingleses e infiltrar-se na escola de Oxford para descobrir se ainda há papistas no lugar e, mais ainda, quem são eles. Explicação histórica: Nessa época a religião oficial da Inglaterra era a protestante em oposição ao Catolicismo Romano, a maioria na época. Porém o país ainda abrigava alguns adeptos da antiga religião e eram esses que Bruno deveria investigar.
| Capa do livro no Brasil |
Sob pretexto de participar de um debate em que defenderia a teoria heliocentrista (de que o Sol fica no centro e a Terra gira a sua volta), Bruno vai a Oxford, na companhia de seu amigo Sidney. Logo na primeira noite ele percebe que aquela é uma comunidade tradicional e reservada, composta quase exclusivamente de homens, todos preocupados em ascender ou se manter em seus cargos.
Então ocorre o primeiro assassinato. A maioria trata o caso como um acidente mas Bruno começa a investigar e se vê numa verdadeira conspiração, onde ninguém é o que aparenta.
É um livro de suspense histórico com várias reviravoltas, quase todas surpreendentes. Os cenários recebem descrições minuciosas e os personagens são muito bem estruturados; Apesar da grande quantidade de personagens na história cada um tem uma característica que o torna fácil de distingui-lo um do outro: O homem sem orelhas, o pavão, o subdiretor, o diretor, a filha do diretor... Enfim, dessa maneira é mais fácil se lembrar quem é quem.
| G. Bruno |
A história tem capítulos mais longos o que pode dificultar um pouco a leitura, mas a narrativa é bem agradável. Escrito em primeira pessoa em “Heresia” nós acompanhamos os fatos pelos olhos de Giordano Bruno, um sujeito um pouco arrogante, meio inocente mas inteligente e com um bom coração. Bruno não se parece muito com os heróis e investigadores tradicionais; muitas de suas descobertas são feitas ao acaso ou apenas por saber observar alguns detalhes. O assassino, por exemplo, só foi descoberto no ultimo momento e ainda por causa de uma confissão.
Talvez por isso o livro seja tão interessante: Cabe a nós, leitores, observarmos coisas que o investigador não percebeu, atitudes que são narradas por ele de maneira banal mas que são verdadeiras revelações na história. No começo a solução parece fácil mas então a quantidade de suspeitos, pistas e informações confundem a mente do leitor (E de Bruno) de tal maneira que fica difícil saber quem é o mocinho e quem é o vilão da história.
Por que, afinal, o que é mais herege: Ter uma religião diferente da maioria ou jogar com a vida das pessoas para conseguir o que se quer, em nome de uma suposta “batalha santa”? Nesse ponto a autora é de uma neutralidade impressionante pois ambos os lados (católicos e protestantes) são retratados com igual imparcialidade e a mensagem final é de tolerância, independente da religião.
Recomendo “Heresia” para todos que gostam de suspenses no estilo “Código da Vinci” cheio de reviravoltas, embora Heresia seja menos “corrido” que o suspense de Dan Brown. Quem gosta de histórias no período histórico também não vai se decepcionar, a ambientação da autora é ótima. E, por ultimo, se você está procurando uma boa série de suspense fica a indicação, por que Heresia também é uma série (Quando será que sai o próximo livro?).
Mas se você prefere uma história mais rápida, com poucas descrições, talvez seja melhor ler outra coisa. Heresia é um livro para se ler aos poucos, sem pressa, a não ser nas ultimas páginas por que ai é impossível largar.
Dou nota 8,5 – o livro é muito bom, mas tirei meio ponto por que ainda não decidi se gosto ou não desse tal Giordano Bruno.







