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Filme: Millennium - Os homens que não amavam as mulheres #resenha

Sou completamente fascinada pela trilogia Millennium então quando saiu o remake eu fui correndo assistir. Para você que sempre quis saber do que se trata o livro/filme ‘Os homens que não amavam as mulheres’ lá vai:  Mikael Blomkvist é um jornalista que tem a reputação acima de qualquer suspeita. Mas isso até ser condenado por difamação e calunia contra um poderoso empresário.
Após esse fato ele perde toda a sua credibilidade como jornalista. É nesse momento que recebe a estranha proposta de Henrik Vanger: Henrik quer que Mikael descubra quem assassinou sua sobrinha, há mais de 20 anos atrás. Para isso Mikael teria que sair de Estolcomo e ir morar na gelada Hedestad por vários meses. Sem muita perpectiva Blomkvist aceita a proposta.
A hacker Lisbeth Salander aparece na história por que Vanger pede uma investigação sobre Blomkvist. Mas não demora muito e o caminho desses dois se cruzam, justamente quando Mikael descobre que esta investigando bem mais do que o suposto assassinato de uma herdeira. Juntos, eles tentam descobrir a identidade do assassino.

Vou tentar fazer uma analise racional da história mas não garanto.
O filme tem uma atmosfera densa, de suspense, tendo a trilha sonora (e efeitos sonoros em geral) grande influencia nesse clima. Fiquei vidrada na história e, mesmo já sabendo o final, confesso que roi bastante as unhas assistindo Millennium. Outra coisa que contriuiu para esse ar de suspense são as paisagens geladas, típicas dessa parte da Suécia.
O roteiro também é muito bem escrito e soube calibrar muito bem as cenas de suspense e de ação, fazendo com que esse filme de 02 horas e 30 minutos (talvez mais!) nem parecesse tão extenso. Ainda sobre o roteiro, foi uma grande sacada deixar tantas pontas soltas para o próximo filme, além de simplificar o enredo e os personagens para que o publico entendesse tanto em tão pouco tempo.
Parece algo simples mas que a versão sueca ficou devendo. Como é impossível deixar de compará-las, admito aqui que o remake é bem superior ao original. Ou seja, a Millennium dos americanos é um filme melhor do que Os homens que não amavam as mulheres dos suecos.

Porém, se me permitem um (ou alguns) mimimi de fã, fiquei um pouco irritada com algumas simplificações e ganchos deixados no filme. Alguns diálogos são tão absurdos e tirados sei lá de onde que bufei quando os vi na telona (vide aquele diálogo ridículo entre Salander e Blomkvist na cama em que ela, do nada, conta seu maior segredo a ele).
Sobre os personagens, eu estava certa, ao menos em partes: Mikael Blomkvist foi perfeitamente encarnado por Daniel Craig. Sobre Lisbeth Salander e Rooney Mara, no entanto...


Não é que a interpretação dela tenha sido ruim. Muito pelo contrário, confesso que me surpreendi com a atriz. Mas sabe quando você tem dificuldades de enxergar a personagem na pessoa? E isso ultrapassa a fidelidade ao livro, é mais um estranhamento de quem já se acostumou com outra atriz no papel. Ela atuava bem e tinha seus momentos bem Salander mas foi difícil para mim ver a personagem nela. Difícil também explicar isso.
                Na verdade acho que me deixou incomodada não foi nem a atriz, mas sim o tom que deram à personagem. Ao invés de misteriosa e enigmática, como na versão sueca, por exemplo, Lisbeth tem um tom quase de humor em Millennium. Foi estranho em alguns momentos, mas confesso que dei algumas risadas com ela.
                Esse meu papo de fã rende um post a parte, então deixa eu dizer só que adorei o fato dos atores falarem inglês com sotaque sueco e parar por aqui.


                Indico esse filme para todos? Não. Percebi no cinema que Millennium não é para todos: A moça do meu lado ficou uns segundos em silencio antes de dizer – lentamente- “Que filme estranho...”. A outra teve que ser acordada pela mãe. E vi outras pessoas com a expressão sonolenta e confusa, como se não tivessem entendidos bulhufas.
                Por esse motivo, indico se gostar de mistérios densos e com cenas fortes. A conversa dos personagens requer total atenção por que é através dela que o filme se desenvolve. Tudo é importante e tudo vai fazer sentido no final, desde que se preste atenção.
                Se gosta desse tipo de filme ou se já assistiu a outra versão e gostou, vá em frente. O filme é muito bom – nota 9. 

Qual foi o ultimo filme que assistiu no cinema? Você gostou? 
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A rainha do Castelo de Ar - Stieg Larsson (resenha)

               
               Ultimo livro da Trilogia Millennium. Depois disso finito, acabou. Nada mais de Lisbeth Salander ou Mikael Blomkvist (a não ser nas adaptações que estão pra sair).

                POR QUE?! POR QUE?! (Leiam aqui como se fossem gritos de desespero).

                Estava, ao mesmo tempo, triste e curiosa sobre o ultimo volume da série e a realidade um pouco me decepcionou e também me deixou feliz. São muitos sentimentos contraditórios mas foi assim que eu me senti ao longo das 685 páginas desse romance.
                Me decepcionou que o ultimo livro da trilogia fosse apenas um “Epílogo Maior” de A menina que brincava com fogo. O livro é a conclusão do caso Zalachenko, uma seqüência que se inicia um momento depois do final do segundo livro. Por um lado faz sentido, afinal, uma coisa é descobrir que o pai e o irmão da sua amiga estão envolvidos em todos os assassinatos do segundo livro e que essa sua amiga foi internada um hospício quando tinha 13 anos apenas para abafar o fato de que seu pai (o assassino do segundo livro) é um espião Russo.
                Outra coisa é provar essa descoberta. Quem não se perdeu com a minha explicação ai em cima percebeu que é uma história com todos os elementos de “teoria da conspiração”, digno dos principais paranóicos. Imagina a dificuldade PROVAR essa história!
                Mas ai construir um livro INTEIRINHO em cima de defesas de advogados e a caçada de Blomkvist para ter provas contra àqueles que internaram Lisbeth é um golpe baixo e tanto. Qualquer outro escritor teria escrito um Epilogo de 5 páginas (no máximo) que explicasse todo o processo e pronto. Novo livro, novo caso.
Capa

                Mas esse é Stieg Larsson amiguinhos. Um escritor incrivelmente detalhista, a ponto de citar uma pequena biografia sobre cada personagem que entra na história. O escritor que insiste em fazer umas 200 páginas de “preliminares” antes de começar, de fato a história.

                O que nos leva ao que me deixou feliz com esse ultimo livro. Esse é o Stieg Larsson, em seu ultimo livro. O criador de personagens incríveis e reviravoltas de arrancar os cabelos (vide A menina que brincava com fogo). Então, enquanto os outros escritores estariam lá fazendo seu Epilogo de 5 páginas, esse gênio escreve um livro enooooorme e nós lemos, na maior felicidade. Porque, se ele demora 200 páginas para começar a história, depois que ela começa você mal consegue fechar o livro. A investigação é muito interessante, mesmo não havendo nenhum grande mistério no ar. E me vi prendendo um pouco o fôlego no final, torcendo pelos meus personagens favoritos e para dar tudo certo, mesmo já desconfiando que sim, daria tudo certo.
                Mas não custa torcer, não é?

                Vamos aos personagens. Nesse ultimo livro, Mikael continua o mesmo sujeito irresistível de sempre, pegador e infiel. Ao mesmo tempo, também está em sua melhor forma, não forma física, mas como investigador. Contando, ao mesmo tempo, com a sorte e com a astúcia ele consegue “pegar todos os bandidos”. E, ainda, tem tempo de engatar um novo romance que, dessa vez, parece ser sério MESMO.
                Lisbeth começou o livro meio fechada e pensamos que ela regrediu tudo. Também, não é todo dia que você leva um tiro na cabeça, eu entendo. Mas conforme os fatos vão se desenrolando dá pra perceber que a ‘evolução’ dos outros livros ainda está lá, embora ela tenha se fechado um pouco mais. Nesse livro Lisbeth faz duas coisas surpreendentes, que não combinam com aquela Salander do primeiro livro. A primeira é ajudar uma mulher que odeia. A segunda é poupar a vida de um assassino, um homem que não amava as mulheres.
                A “garota com a tatuagem de dragão” finalmente cresceu.

                O triste é que, como Salander mesmo diz, esse é só o principio. Ela ainda tem o “resto de sua vida”. Isso seria ótimo em outras circunstancias mas alguém ai se lembra que o Stieg Larsson morreu? Acho que nunca senti tanto a morte de um escritor. Stieg não teve a chance de terminar sua saga, nem de finalizar a saga de seus personagens. As perguntas em aberto nesse ultimo livro provavelmente nunca serão respondidas*. E o que era para ser uma série de 10 livros torna-se uma trilogia.

                Não deixo de pensar no que teria acontecido com os personagens se Larsson tivesse tido tempo. Eu, como uma romântica assumida (pelo menos em livros/filmes) imagino que, no final de tudo, Blomkvist e Salander finalmente se acertariam. Se não como um casal, pelo menos como grandes amigos.
                O final de “A rainha do castelo de ar” parece confirmar essas minhas esperanças. Os personagens que passaram dois livros inteiros se “estranhando”, finalmente tornam-se a se ver em circunstancias normais. 
               É óbvio que eu vou terminar essa resenha com os dois últimos parágrafos dessa trilogia fantástica. Vou colocar na cor branca por que ai quem quiser seleciona e lê.
                Mais uma vez é um pensamento de Lisbeth Salander.
                “Ela de repente se decidiu. Bobagem fazer de conta que ele não existia. Vê-lo já não doía mais.
                Abriu a porta e tornou a acolhê-lo em sua vida.”
               
             
                   Adeus, Millennium.   



                E ai, o que acharam da resenha? Será que acontece ou não uma continuação? Quero ver os palpites. =D


               
                

A menina que brincava com fogo - Stieg Larsson (resenha)

Segundo livro da trilogia Millenium. Logo percebi que eram mais paginas. Pensei: Ótimo. Por que é praticamente impossível sair mais algum livro depois do terceiro. Só se o falecido autor deixou algum manuscrito secreto ou se ele resolver mandar tudo por psicografia. Mas, apesar de alguns rumores da primeira situação, ainda acho difícil.
Mais uma capa linda dessa trilogia.
Então o livro tem 607 páginas. E esse é um numero bastante alto, a maioria das pessoas faz careta quando vê um livro desse tamanho. (o bibliotecário me chamou de corajosa).
Mas quem já leu grandes clássico e biografias com mais de mil páginas ou até mesmo “Harry Potter e a Ordem da Fênix” com 702 paginas sabe que isso é pouco relevante. O que importa mesmo é o conteúdo, a história.

E, nesse caso, vale completamente a pena ler cada uma das 607 paginas. Na verdade, no final do livro, tive vontade de começar a ler de novo (de fato, li a ultima pagina inteira de novo). Por que o livro faz sua cabeça dar voltas e mais voltas. São tantos mistérios, tantos por quês... Seria Lisbeth Salander, a hacker, pugilista e gênia da matemática protagonista da história, a culpada pelos triplos assassinatos? Ou será que ela é mais uma vitima da situação?

Por que, se tem uma coisa que “Os homens que não amavam as mulheres” me ensinou foi a sempre desconfiar das situações óbvias. E da policia. E dos homens que não amavam mulheres. E dos sujeitos grandalhões. E dos ricaços. E dos...
Já deu pra perceber que eu fico imensamente paranóica quando leio os livros de Stieg Larsson. Ele narra tantas conspirações e de maneira tão racional que chega a fazer sentido. Você se vê pensando como ele, embora nunca consiga completar o mistério sozinha.
Modéstia a parte, depois que comecei a ficar paranóica da mesma maneira que o autor, consegui pegar alguns mistérios no ar, através de detalhes ao longo das paginas. Mas, mesmo tendo esse noção básica do que ia acontecer, o final foi... Emocionante, embora essa palavra seja muito fraca para descrever meu desespero com as ultimas paginas. Dessa vez não havia assistido ao filme, então tudo era angustiante. Será que vai dar tudo certo?, eu me perguntava.
É óbvio que não vou responder a pergunta. Deixo ela no ar.

Quanto aos personagens, o que posso dizer? Acho que Lisbeth Salander é um dos melhores personagens que já vi, tamanha a complexidade dessa sujeita de 1,50. Mikael Blomkvist, com seu jeito de super-herói, acaba se tornando uma sombra dessa anti-heroina tão diferente. Embora não possa imaginar a série sem o charme e a tenacidade de Blomkvist, é Salander quem rouba a cena.

Prova disso é um trecho do livro em que Lisbeth desaparece. A ausência dela é uma coisa palpável na história, é um silencio perturbador, que aumenta o clima de suspense da série.
Comparando com “Os homens que não amavam...” com “A menina que brincava com fogo”, que se passa dois anos depois do primeiro livro, da pra perceber uma certa maturidade nos personagens, uma sutil evolução. Lisbeth está mais suave, mais sociável. Blomkvist mais sério e sisudo. É como se um tivesse pegado algo do outro durante o tempo em que estiveram juntos o que é ótimo, pois dá pra perceber o quanto essa dupla de “investigadores” se completa. 



Mas pra quem pensa que o livro não tem nada de errado, devo abrir um parêntese aqui. O ponto fraco desse segundo livro, ainda comparando com o primeiro, é a tradução. O primeiro livro foi traduzido por Paulo Neves e o segundo por Dorothé de Bruchard. Isso pra mim é o mesmo de dizer que o primeiro livro foi escrito por uma pessoa e o segundo por outra (sim, levo a tradução a sério). Não gostei da tradução de Bruchard, achei que faltou um pouco da cadência do primeiro, da adaptação das palavras. Faltou também conhecimento prévio da obra, já que palavras traduzidas no primeiro livro, ficaram sem tradução no segundo. O resultado fica, no mínimo, desconfortável.


Não estou dizendo que ela fez uma tradução ruim. Na verdade me faltam conhecimentos para fazer tal afirmação. A questão é que prefiro a primeira tradução pois já estava acostumada com ela. Apenas isso.
 

Considerando todos esses aspectos, ainda assim gostei do livro. Sim, a história só emplacou depois da pagina 200 e sim Lisbeth e Mikael simplesmente não se encontram durante o livro inteiro. Quem esperava que nesse livro eles voltassem a ser um casal com certeza caiu do cavalo. Eu esperava (e vou ler o ultimo livro ainda com essa esperança). 

Embora não considere esse livro meu preferido como é o primeiro dessa série, ainda dou nota 10. Apesar dos pesares, o livro tem situações de tirar o fôlego e fazer o leitor cair da cadeira (ou da cama).



Uma dessas situações é o final. Lembra, o que comentei quase no inicio dessa postagem? Realmente não posso dar spoiller mas termino o post com uma frase da própria Lisbeth Salander.




 “Não existem inocentes. Só existem diferentes graus de responsabilidade”.
           

É cínico mas faz sentido.





E vocês leitores? Já leram essa série? O que acharam da resenha? Aceito opiniões sinceras, mesmo que sejam negativas. =)