A menina que brincava com fogo - Stieg Larsson (resenha)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011 21 Comments A+ a-

Segundo livro da trilogia Millenium. Logo percebi que eram mais paginas. Pensei: Ótimo. Por que é praticamente impossível sair mais algum livro depois do terceiro. Só se o falecido autor deixou algum manuscrito secreto ou se ele resolver mandar tudo por psicografia. Mas, apesar de alguns rumores da primeira situação, ainda acho difícil.
Mais uma capa linda dessa trilogia.
Então o livro tem 607 páginas. E esse é um numero bastante alto, a maioria das pessoas faz careta quando vê um livro desse tamanho. (o bibliotecário me chamou de corajosa).
Mas quem já leu grandes clássico e biografias com mais de mil páginas ou até mesmo “Harry Potter e a Ordem da Fênix” com 702 paginas sabe que isso é pouco relevante. O que importa mesmo é o conteúdo, a história.

E, nesse caso, vale completamente a pena ler cada uma das 607 paginas. Na verdade, no final do livro, tive vontade de começar a ler de novo (de fato, li a ultima pagina inteira de novo). Por que o livro faz sua cabeça dar voltas e mais voltas. São tantos mistérios, tantos por quês... Seria Lisbeth Salander, a hacker, pugilista e gênia da matemática protagonista da história, a culpada pelos triplos assassinatos? Ou será que ela é mais uma vitima da situação?

Por que, se tem uma coisa que “Os homens que não amavam as mulheres” me ensinou foi a sempre desconfiar das situações óbvias. E da policia. E dos homens que não amavam mulheres. E dos sujeitos grandalhões. E dos ricaços. E dos...
Já deu pra perceber que eu fico imensamente paranóica quando leio os livros de Stieg Larsson. Ele narra tantas conspirações e de maneira tão racional que chega a fazer sentido. Você se vê pensando como ele, embora nunca consiga completar o mistério sozinha.
Modéstia a parte, depois que comecei a ficar paranóica da mesma maneira que o autor, consegui pegar alguns mistérios no ar, através de detalhes ao longo das paginas. Mas, mesmo tendo esse noção básica do que ia acontecer, o final foi... Emocionante, embora essa palavra seja muito fraca para descrever meu desespero com as ultimas paginas. Dessa vez não havia assistido ao filme, então tudo era angustiante. Será que vai dar tudo certo?, eu me perguntava.
É óbvio que não vou responder a pergunta. Deixo ela no ar.

Quanto aos personagens, o que posso dizer? Acho que Lisbeth Salander é um dos melhores personagens que já vi, tamanha a complexidade dessa sujeita de 1,50. Mikael Blomkvist, com seu jeito de super-herói, acaba se tornando uma sombra dessa anti-heroina tão diferente. Embora não possa imaginar a série sem o charme e a tenacidade de Blomkvist, é Salander quem rouba a cena.

Prova disso é um trecho do livro em que Lisbeth desaparece. A ausência dela é uma coisa palpável na história, é um silencio perturbador, que aumenta o clima de suspense da série.
Comparando com “Os homens que não amavam...” com “A menina que brincava com fogo”, que se passa dois anos depois do primeiro livro, da pra perceber uma certa maturidade nos personagens, uma sutil evolução. Lisbeth está mais suave, mais sociável. Blomkvist mais sério e sisudo. É como se um tivesse pegado algo do outro durante o tempo em que estiveram juntos o que é ótimo, pois dá pra perceber o quanto essa dupla de “investigadores” se completa. 



Mas pra quem pensa que o livro não tem nada de errado, devo abrir um parêntese aqui. O ponto fraco desse segundo livro, ainda comparando com o primeiro, é a tradução. O primeiro livro foi traduzido por Paulo Neves e o segundo por Dorothé de Bruchard. Isso pra mim é o mesmo de dizer que o primeiro livro foi escrito por uma pessoa e o segundo por outra (sim, levo a tradução a sério). Não gostei da tradução de Bruchard, achei que faltou um pouco da cadência do primeiro, da adaptação das palavras. Faltou também conhecimento prévio da obra, já que palavras traduzidas no primeiro livro, ficaram sem tradução no segundo. O resultado fica, no mínimo, desconfortável.


Não estou dizendo que ela fez uma tradução ruim. Na verdade me faltam conhecimentos para fazer tal afirmação. A questão é que prefiro a primeira tradução pois já estava acostumada com ela. Apenas isso.
 

Considerando todos esses aspectos, ainda assim gostei do livro. Sim, a história só emplacou depois da pagina 200 e sim Lisbeth e Mikael simplesmente não se encontram durante o livro inteiro. Quem esperava que nesse livro eles voltassem a ser um casal com certeza caiu do cavalo. Eu esperava (e vou ler o ultimo livro ainda com essa esperança). 

Embora não considere esse livro meu preferido como é o primeiro dessa série, ainda dou nota 10. Apesar dos pesares, o livro tem situações de tirar o fôlego e fazer o leitor cair da cadeira (ou da cama).



Uma dessas situações é o final. Lembra, o que comentei quase no inicio dessa postagem? Realmente não posso dar spoiller mas termino o post com uma frase da própria Lisbeth Salander.




 “Não existem inocentes. Só existem diferentes graus de responsabilidade”.
           

É cínico mas faz sentido.





E vocês leitores? Já leram essa série? O que acharam da resenha? Aceito opiniões sinceras, mesmo que sejam negativas. =)
 

"My work always tried to unite the true with the beautiful; but when I had to choose one or the other, I usually chose the beautiful." -- Hermann Weyl Miss Carbono que é o numero 6 na tabela periodica