A rainha do Castelo de Ar - Stieg Larsson (resenha)

sexta-feira, março 25, 2011 14 Comments A+ a-

               
               Ultimo livro da Trilogia Millennium. Depois disso finito, acabou. Nada mais de Lisbeth Salander ou Mikael Blomkvist (a não ser nas adaptações que estão pra sair).

                POR QUE?! POR QUE?! (Leiam aqui como se fossem gritos de desespero).

                Estava, ao mesmo tempo, triste e curiosa sobre o ultimo volume da série e a realidade um pouco me decepcionou e também me deixou feliz. São muitos sentimentos contraditórios mas foi assim que eu me senti ao longo das 685 páginas desse romance.
                Me decepcionou que o ultimo livro da trilogia fosse apenas um “Epílogo Maior” de A menina que brincava com fogo. O livro é a conclusão do caso Zalachenko, uma seqüência que se inicia um momento depois do final do segundo livro. Por um lado faz sentido, afinal, uma coisa é descobrir que o pai e o irmão da sua amiga estão envolvidos em todos os assassinatos do segundo livro e que essa sua amiga foi internada um hospício quando tinha 13 anos apenas para abafar o fato de que seu pai (o assassino do segundo livro) é um espião Russo.
                Outra coisa é provar essa descoberta. Quem não se perdeu com a minha explicação ai em cima percebeu que é uma história com todos os elementos de “teoria da conspiração”, digno dos principais paranóicos. Imagina a dificuldade PROVAR essa história!
                Mas ai construir um livro INTEIRINHO em cima de defesas de advogados e a caçada de Blomkvist para ter provas contra àqueles que internaram Lisbeth é um golpe baixo e tanto. Qualquer outro escritor teria escrito um Epilogo de 5 páginas (no máximo) que explicasse todo o processo e pronto. Novo livro, novo caso.
Capa

                Mas esse é Stieg Larsson amiguinhos. Um escritor incrivelmente detalhista, a ponto de citar uma pequena biografia sobre cada personagem que entra na história. O escritor que insiste em fazer umas 200 páginas de “preliminares” antes de começar, de fato a história.

                O que nos leva ao que me deixou feliz com esse ultimo livro. Esse é o Stieg Larsson, em seu ultimo livro. O criador de personagens incríveis e reviravoltas de arrancar os cabelos (vide A menina que brincava com fogo). Então, enquanto os outros escritores estariam lá fazendo seu Epilogo de 5 páginas, esse gênio escreve um livro enooooorme e nós lemos, na maior felicidade. Porque, se ele demora 200 páginas para começar a história, depois que ela começa você mal consegue fechar o livro. A investigação é muito interessante, mesmo não havendo nenhum grande mistério no ar. E me vi prendendo um pouco o fôlego no final, torcendo pelos meus personagens favoritos e para dar tudo certo, mesmo já desconfiando que sim, daria tudo certo.
                Mas não custa torcer, não é?

                Vamos aos personagens. Nesse ultimo livro, Mikael continua o mesmo sujeito irresistível de sempre, pegador e infiel. Ao mesmo tempo, também está em sua melhor forma, não forma física, mas como investigador. Contando, ao mesmo tempo, com a sorte e com a astúcia ele consegue “pegar todos os bandidos”. E, ainda, tem tempo de engatar um novo romance que, dessa vez, parece ser sério MESMO.
                Lisbeth começou o livro meio fechada e pensamos que ela regrediu tudo. Também, não é todo dia que você leva um tiro na cabeça, eu entendo. Mas conforme os fatos vão se desenrolando dá pra perceber que a ‘evolução’ dos outros livros ainda está lá, embora ela tenha se fechado um pouco mais. Nesse livro Lisbeth faz duas coisas surpreendentes, que não combinam com aquela Salander do primeiro livro. A primeira é ajudar uma mulher que odeia. A segunda é poupar a vida de um assassino, um homem que não amava as mulheres.
                A “garota com a tatuagem de dragão” finalmente cresceu.

                O triste é que, como Salander mesmo diz, esse é só o principio. Ela ainda tem o “resto de sua vida”. Isso seria ótimo em outras circunstancias mas alguém ai se lembra que o Stieg Larsson morreu? Acho que nunca senti tanto a morte de um escritor. Stieg não teve a chance de terminar sua saga, nem de finalizar a saga de seus personagens. As perguntas em aberto nesse ultimo livro provavelmente nunca serão respondidas*. E o que era para ser uma série de 10 livros torna-se uma trilogia.

                Não deixo de pensar no que teria acontecido com os personagens se Larsson tivesse tido tempo. Eu, como uma romântica assumida (pelo menos em livros/filmes) imagino que, no final de tudo, Blomkvist e Salander finalmente se acertariam. Se não como um casal, pelo menos como grandes amigos.
                O final de “A rainha do castelo de ar” parece confirmar essas minhas esperanças. Os personagens que passaram dois livros inteiros se “estranhando”, finalmente tornam-se a se ver em circunstancias normais. 
               É óbvio que eu vou terminar essa resenha com os dois últimos parágrafos dessa trilogia fantástica. Vou colocar na cor branca por que ai quem quiser seleciona e lê.
                Mais uma vez é um pensamento de Lisbeth Salander.
                “Ela de repente se decidiu. Bobagem fazer de conta que ele não existia. Vê-lo já não doía mais.
                Abriu a porta e tornou a acolhê-lo em sua vida.”
               
             
                   Adeus, Millennium.   



                E ai, o que acharam da resenha? Será que acontece ou não uma continuação? Quero ver os palpites. =D


               
                

"My work always tried to unite the true with the beautiful; but when I had to choose one or the other, I usually chose the beautiful." -- Hermann Weyl Miss Carbono que é o numero 6 na tabela periodica