Os homens que não amavam as mulheres – Stieg Larsson (resenha)
Para quem nunca ouviu falar desse livro, o titulo parece estranho. Cansei de ouvir piadinha aqui em casa, quando o trouxe da biblioteca. “Então o cara é gay? Não ama as mulheres haha”. A piada não é boa mas fazer o que? Também pensaram que fosse um livro de auto-ajuda mas isso eu achei ainda mais idiota, afinal, a capa é super sombria em nada parecida com a capa desses livros.
Pois bem. Se não é uma história sobre gays nem um livro de auto-ajuda, sobre o que é “Os homens que não amavam as mulheres”? Se fosse resumir sobre o que é o livro em uma palavra eu diria: Investigação.
É um daqueles suspenses de investigação em que passamos o livro todo tentando adivinhar quem é o assassino. Se o livro for bom, nos surpreendemos no final, se não pelo autor do crime, pelo menos pelo motivo que os levou a faze-lo.
Mas Mikael Blomkvist, o jornalista condenado por difamação que investiga esse caso da família Vanger, não sabe se a vitima está morta, embora o mais provável é que esteja. Afinal, uma garota de 15 anos desaparecida por 4 décadas não pode estar viva. Alguém deve te-la matado. Mas quem?
Não há muita ação, o livro segue uma rotina. As investigações são mais teóricas, a base de documentos e conversas. Mikael se muda para uma cidadezinha meio perdida da Suécia e, ao mesmo tempo em que tenta resolver esse mistério, também escreve a biografia da complexa e extensa família Vanger: Uma família que, basicamente, não se suporta.
Mikael é um solteirão mais ou menos convicto que tem como único laço afetivo Erika Berger, co-proprietaria da revista Millenium, que também é de Mikael. Eles se conhecem a vinte anos e, embora não se possa dizer que estão apaixonados, não conseguem se afastar um do outro. Erika é casada, mas o marido parece aceitar bem a situação e Mikael não se importa muito.
Paralelo a isso aparece Lisbeth Salander. O que dizer dela? É a melhor personagem do livro: Com seu visual anarquista e seu jeito anti-social Lisbeth acaba sendo taxada de estranha, louca, retardada. Mas, por baixo disso, se esconde uma hacker com uma inteligência brilhante e, sim, um coração. Clichês a parte, é uma personagem misteriosa – provavelmente tem um trauma de infancia mas o livro não revela – e com um senso de justiça meio diferente do que estamos acostumados.
E o que acontece quando essa punk se junta com esse jornalista mulherengo? Por incrível que pareça eles se dão bem quase instantaneamente e fazem uma excelente dupla de investigação. Pouco a pouco os mistérios da família Vanger são revelados e os resultados são assustadores e surpreendentes.
Eu já tinha visto filme, na versão sueca (é que vai sair uma versão americana também). Peguei o livro mais por curiosidade pela serie e pelos personagens do que para saber quem era o assassino. Mesmo assim fique impressionada com a história, com a maneira com que esse autor sueco consegue juntar todas as provas e fazer com que o mistério seja revelado pouco a pouco, até o momento final.Pra quem gosta de romance, o livro pode deixar um pouco a desejar. Afinal, Mikael Blomkvist não parece estar apaixonado por ninguém. Mas o livro também tem seus momentos, a maioria perto do final. Uma das minhas passagens preferidas do livro diz:
“De repente ela percebeu que o amor era o instante em que o coração ficava a ponto de explodir”.
É uma frase simples, porém verdadeira.
Sem enrolar muito: Eu amei o livo. Não significa que seja perfeito; as vezes há tantos nomes histórias e detalhes que acabam confundindo o leitor. Mas, apesar disso, achei uma história incrível e mal posso esperar para ler o segundo volume da série. O que foi aquele final? Meu Deus!
Minha nota é 10. Esse livro tem tudo pra figurar entre meus preferidos.
p.s.: Estou lendo o segundo livro da série, em breve espero colocar uma resenha aqui. Também pretendo fazer uma resenha do filme ou pelo menos um artigo sobre os prós e contras da versão americana que vai sair.








