Filme "Kong: Ilha da Caveira" (resenha)

sexta-feira, abril 21, 2017 0 Comments A+ a-

   
    
   Quem não conhece a história de King Kong? O gorila gigante que, retirado de seu habitat natural, vai para cidade grande e apronta altas confusões? Sinopses clichês a parte, esse clássico de 1933 permanece na nossa cultura até os dias de hoje e recebeu milhares de remake, o último deles em 2005, dirigido por Peter Jackson, mesmo diretor de O Senhor dos Anéis.
   Falo que o último remake foi em 2005 porque para mim esse filme atual não é um remake. Pelo contrário, me parece uma espécie de expansão do Universo do personagem. O objetivo, pasmem, é realizar um  crossover entre King Kong e Godzilla nos cinemas.
   Mas isso é outra história, vamos ao filme. Para quem estava esperando cochilar e dormir "Kong: a ilha da caveira" foi uma grata surpresa. A história tem um ritmo bom e os personagens tem tempo de apresentação antes de irem para a ilha, o que significa que os expectadores acabam tendo motivo para gostar da maioria deles ao invés de torcer para o mostro matar a todos. Ironicamente, os personagens que tiveram mais tempo em tela no período pré-ilha são personagens que se tornam secundários quando vão para o local. Com exceção do personagem de Samuel L. Jackson, que tem bastante destaque na história e é igualmente bem desenvolvido, os personagens principais (vividos por Brie Larsson e Tom Hiddleston) tem um que de artificial, que o roteiro não conseguiu resolver. 
   O filme conta a história de um grupo de pesquisadores que, junto a um pessoal da aeronáutica, vai fazer um reconhecimento na tal "Ilha da Caveira". Os soldados só estão cumprindo ordens ao escoltar os cientistas até lá e quando jogam bombas no lugar. Já os cientistas, como todo cientista nesse tipo de filme, sabem mais do que aparentam e usam bombas para fazer com que os seres que vivem nessa ilha, incluindo Kong, saiam de suas "tocas". Mas acordar um gorila gigante com bombas acaba não sendo uma boa ideia e todos tem que lutar por suas vidas ao mesmo tempo em que tentam escapar da ilha blá-blá-blá. 

   Achei que iria me cansar desse plot rapidamente e dessa super exposição do macaco gorila e tal mas o filme soube dosar as aparições de Kong de forma que haja certa expectativa e empolgação com seu aparecimento. Um dos motivos pelo qual é possível esconder um gorila gigantesco nessa ilha é a descoberta de que na Ilha da Caveira existem mais seres gigantes, além do macaco. Um desses seres, inclusive, é uma espécie de dinossauro subterrâneo - e é também o maior inimigo de Kong. 
   Por mais que eu tenha gostado de ver Kong brigando com diversos seres igualmente gigantescos (a cena do polvo, por exemplo, não tem qualquer contexto na história mas é sensacional) me incomodou essa preocupação do roteiro em apresentar o famoso monstro como algo além do que um monstro. Falar que os "dinossauros" são inimigos de Kong porque mataram o pai do gorila é um exemplo do que eu estou falando. Já que é para ser divertido, que os próximos filmes tenham mais lutas entre monstros e menos dessa palhaçada de contar história da infância do gorila. 
   Claro, essa coisa de atribuir sentimentos ao monstro é um pouco da mística de Kong. A personagem de Brie Larsson é a loira da vez pela qual o macaco acaba se apaixonando e, eventualmente, até salvando. Brie Larsson tem um bom timing para ação e manda bem no filme mas é divertido ver que a personagem dela  acaba tendo mais química com um macaco do que com o personagem de Tom Hiddleston, que seria o seu relacionamento romântico na trama. 

   Sobre Tom Hiddleston, não me senti convencida com essa atuação dele.  Embora fisicamente apto para o papel (está mais forte e bronzeado), falta algo em todos os momentos de luta ou ação do personagem, algo de indefinível, como a forma sensível que ele pega em uma arma ou a total falta de carisma que o ator emite ao tentar viver um mocinho tradicional. O filme teria sido bom o suficiente sem um herói salvador e acho que isso também contribuiu para eu não gostar muito desse personagem. 
    Um personagem que me surpreendeu foi Preston Packard, vivido por Samuel L. Jackson.  No início a gente até entende o lado dele e torce para que ele consiga realizar seus objetivos mas, em mais uma tentativa de humanizar Kong, ele vira uma versão daquele capitão do Moby Dick e só quer saber de matar, matar, matar.  Entendo que é necessário um antagonista que não seja um monstro para que possamos torcer ainda mais pelo monstro mas a mudança me deixou meio pasma. Coisa de louco.
     Analisando o todo de uma forma puramente subjetiva, eu gostei de "Kong: Ilha da Caveira". Não é revolucionário, não é incrível mas é divertido de uma maneira simples. 

   Um filme de sessão da tarde: pra assistir e se divertir sem esquentar a cabeça. Nota 7,5 - o filme é ok e o meio ponto é por algumas cenas bem legais. 

Nascida no interior de SP, formada em Publicidade e Propaganda, sempre gostou de dar palpites sobre filmes, séries, animes, livros e o que mais assistir/ler. Autora do Blog "Resenhas e Outras Cositas Más" (Miss Carbono) e "Coisas de Karol". No Twitter fala de política, séries e da vida (não necessariamente nessa ordem). Siga: @karolro


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