A mão esquerda de Deus – Paul Hoffman

segunda-feira, outubro 24, 2011 2 Comments A+ a-

                Sabe aqueles livros que você quer ler apenas pela capa? ‘A mão esquerda de Deus’ foi um desses livros para mim. Quando ganhei um sorteio no twitter da Editora Suma poderia escolher qualquer livro do acervo da Editora (incluindo Escuridão que quero ler a tempos) mas escolhi esse apenas pela capa ma-ra-vi-lho-sa.
                Mas qual é a história mesmo?

                Thomas Cale é um menino de mais ou menos 15 anos – ninguém sabe ao certo sua idade – que vive no ‘Santuário’, um local para onde há cerca de 10 mil meninos órfãos que são ‘treinados’ para serem guerreiros, em nome do Grande Redentor enforcado. Os redentores, com suas batinas negras e ares de seriedade, tratam os garotos com extrema crueldade e são piores ainda com Cale (embora esse não saiba o porquê disso).
                A vida de Cale no ‘Santuário’ não é nada fácil mas segue um padrão previsível, de surras e aulas sobre estratégia militar com o Redentor Bosco (Lorde da Guerra), quando algo acontece.  Seu amigo Henri acha uma porta e a partir daí ocorrem vários fatos atípicos que vão resultar da fuga dos 3 garotos (Cale, Heri e Kleist, esse ultimo ainda não citado) do Santuário e, conseqüentemente, no inicio da aventura.

                O livro se passa em passado/presente/futuro alternativo pois, apesar de ter vários elementos que dão a entender que seja um livro do período da ‘Idade Média’ há outros tantos que diferem, de forma que não se sabe ao certo qual é o período do livro. Para começar vemos os Redentores, espécie de padres, adorando a figura de um Redentor Enforcado (Especulando: Judas?), citando a bíblia e agindo como os padres da idade média fariam. Temos também um ‘Marechal’ que governa boa parte do mundo, com seus exércitos de fortes guerreiros e armaduras brilhantes, o que lembra um pouco a dominação dos romanos – mas não é a mesma coisa.
Enfim, Paul Hoffman criou seu próprio universo, mas ainda não terminou de explicá-lo. Isso por que o livro é o primeiro de uma trilogia, que promete ser muito interessante – pelo menos para os fãs de trajetórias épicas. A maneira prolixa do autor me fez lembrar do mestre Tolkien mas isso se deve, principalmente, ao fato de eu não ser uma leitora fervorosa desse tipo de épico e esse ser o único autor que eu tenho para comparar. Porque ‘A mão esquerda...’ não tem elfos ou seres fantásticos, como também é muito mais ‘sem-fé’.  Mas que eu me lembrei do ‘Passolargo’ quando vi ‘IddrisPukke’, ah, lembrei.

Os personagens são meio ambíguos, sempre relutando em fazer uma boa ação, o que os torna ainda mais interessante. Tanto Cale e seus ‘amigos’, até as heroínas Riba e Arbell, passando por vilões e mocinhos de todas as espécies, todos os personagens desse livro recebem contornos que os tornam únicos, foram muito bem criados. É impossível ler sobre eles e não imaginá-los perfeitamente, como se fosse um filme, a narrativa toda é construída dessa maneira cinematográfica, o que é outro ponto positivo.
Apesar de ser um livro sobre crianças, não é um livro para crianças e talvez nem mesmo para jovens, por conta da narrativa lenta e descritiva – e de algumas ações do livro. Indico para os que gostam desses livros que unem profecias, guerras, paixões e personagens interessantes. Ou seja, para quem gosta de um bom épico e não liga muito para o estilo meio lento que esses livros tem.

Meu único parêntese nesse livro é sobre uma atitude de Cale no final do livro. É algo tão sem-sentido e sem ter a ver com personagem que me fez refletir se Cale não é de fato aquilo que teme/finge não ser: um herói. Veremos nos próximos livros.
Nota 8 – o livro é mais que bom mas dei essa nota por que, apesar do bom inicio, trata-se de uma trilogia e quero aguardar para ver como Hoffman vai desenvolver sua história nos próximos livros.

O que acham de livros épicos? Acompanhariam essa trilogia? Comentem! 

"My work always tried to unite the true with the beautiful; but when I had to choose one or the other, I usually chose the beautiful." -- Hermann Weyl Miss Carbono que é o numero 6 na tabela periodica

2 comentários

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Sanzinha
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25 de outubro de 2011 07:13 delete

Miiissss!

Já tem muito tempo que eu quero ler esse livro, mas até agora não consegui comprar e nem sei quando o farei.
Mas sua resenha me deixou com muito mais vontade de ler. Agora vou caçar no Skoob e ver se alguém quer trocar.... rsrs.
Adoro livros épicos!

Beijos, querida!

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Kel Costa
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27 de outubro de 2011 13:01 delete

Tenho esse livro há séculos, que consegui numa troca, mas nunca deu tempo de ler =/ rsrs

Bjs,
Kel
www.itcultura.com

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