Resenha do Filme “Cisne Negro”

quarta-feira, março 02, 2011 3 Comments A+ a-


“I don’t care if it hurts/I wanna have control/I wanna a perfect body/I wanna a perfect soul.”                                                                                                              Creep – Radiohead


             Esse filme já foi resenhado milhares de vezes (muitas mesmo). Eu, por exemplo, já li muitas resenhas de Cisne Negro em blogs e afins. Algumas muito boas, com bons argumentos e outras nem tanto.
            Mas o que essa resenha vai acrescentar às outras?  Eu acho que apenas uma coisa: Eu vi esse filme com olhos diferentes, pois assisti um dia depois de Natalie Portman ter ganhado o Oscar 2011 de melhor atriz (para ler o post completo sobre o Oscar clique AQUI). Então, ao assistir o filme, prestei uma atenção redobrada à Natalie, tentado checar se a atuação dela foi tudo isso mesmo.
            Além disso, como todas as resenhas que eu li foram ou de amor ou de ódio estava também preparada para amar ou odiar o filme. E, se for para escolher entre esses dois extremos, eu prefiro dizer que amei Cisne Negro.
           


           Bom, por onde começar? 
            Nina é uma jovem de 28 anos que ainda mora com a mãe. Ela dança numa companhia de balé e sonha em ter algum papel de destaque, já que tem se esforçado muito para isso. Coloque também em conta, o fato da mãe de Nina ser uma ex bailarina que apostou todos os anseios de sucesso que não teve em sua única filha. #RelaçãoDoentiaDetected
            Vem então a oportunidade de estrelar em “O lago dos cisnes” sendo, ao mesmo tempo, o cisne branco (com toda a sua pureza e inocência) e o cisne negro (pérfido e sensual). Mas Nina tem dificuldade em ser o Cisne Negro, pois é praticamente a personificação do cisne branco: Doce, meiga, meio infantil. Desperta a ternura e não a paixão. Pelo menos é isso o que Thomas Leroy, o diretor artístico (interpretado muito bem por Vicent Cassel) pensa sobre ela.


   
            Mas Leroy ainda vê certo potencial na bailarina e começa a treiná-la para ser tanto o cisne branco quanto o negro. E é ai que começa o filme. Não que Nina já não tivesse seus problemas antes. Mas esse papel o papel é uma espécie de gatilho que faz com que aspectos de Nina sejam finalmente revelados.
           
           Tenho que comentar que a trilha sonora desse filme é fantástica! Ela está ali o tempo todo e se encaixa com maestria no roteiro. Agora você me pergunta: Por que essa trilha perfeita não concorreu ao Oscar? Por que a academia a excluiu da seleção, sob o argumento de que era baseada no balé de Tchaikovsky, portanto, não original como eles queriam.

            Mas o que eles querem dizer com original?Todos os compositores tiveram suas bases para compor isso é certo. Se nesse filme as bases foram mais evidentes é por que assim teve que ser, já que o filme inteiro é baseado em um balé. Mesmo assim, o compositor (seja lá qual for o seu nome) conseguir levar toda a tensão do filme para as músicas. Garanto que jamais foi ouvir o tema principal de “O lago dos cisnes” com os mesmo olhos. Nem com a mesma inocência.
         


           Apesar dos outros personagens na história e de todos serem razoavelmente bem trabalhados, o filme é de Nina. Se no balé de Tchaikovsky papéis principais tão opostos (cisne branco e negro) pertencem a uma única solista, no filme quem sola é Natalie que se divide entre duas facetas de sua personagem de maneira admirável, fantástica. Os outros estão ali e cumprem um papel, mas giram como satélites ao redor dela. Isso durante o filme inteiro.
           
          Nós espectadores, também não somos exceção. Vemos o que Nina vê e acabamos entrando nessa “viagem sombria" junto com ela. Agora entendo por que muita gente diz que o filme é perturbador: Ele flerta com tabus e com a loucura. Desperta sentimentos fortes mesmo.
            A verdade é que esse filme é de uma complexidade psicológica fascinante. Eu realmente queria ter um amigo psicólogo para discutir esse filme comigo. Aliás, nem precisava ser psicólogo. Estou tentando fazer todos os meus amigos assistirem ao filme só para poder trocar figurinhas (fiz o mesmo com “A Origem”. Gosto de debater sobre filmes que me chamam a atenção).


            Só para terminar, a frase do começo do post é uma música do Radiohead. Para quem não entende inglês (e nem quis jogar no Google tradutor para ver o que era), quer dizer: “Eu não ligo se isso machuca/Eu quero ter o controle/ Eu quero um corpo perfeito/Eu quero uma alma perfeita.”
            Esse trecho me veio na cabeça algumas horas depois de assistir ao filme. Acho que tem tudo a ver com a história.
           
 Natalie Portman mereceu o Oscar ou não? O que vocês acham? Vamos comentar! =)
           

"My work always tried to unite the true with the beautiful; but when I had to choose one or the other, I usually chose the beautiful." -- Hermann Weyl Miss Carbono que é o numero 6 na tabela periodica

3 comentários

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2 de março de 2011 14:04 delete

Sinceramente, depois que li seus comentários fiquei com mais vontade ainda de ver esse filme *____*
Vou tentar vê-lo o mais rápido possível.

beeijos
Jéssica

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Andre Dias
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28 de agosto de 2011 03:59 delete

Considero um dos melhores filmes da década... boa resenha, parabéns pelo blog e obrigado pelo comentário no Papo de Boteco.

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Teorias de Gi
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3 de setembro de 2011 21:44 delete

Nossa amei a resenha até agora ainda não tinha lido nenhuma...Eu ainda não assisti ao Cisne Negro mas devo confessar q fiquei muito intrigada e certamente vou assistir...Há eu fico assim quando assisto ou leio algo legal quero conversar, falar e expor meus pontos de vista é uma briga interna por não achar ninguém...eu tbm amei A Origem achei fascinante e muito inteligente...Se assistir Cisne Negro volto aqui dizer o q achei!

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