A professora de piano – Janice Y.K.Lee.

sexta-feira, março 04, 2011 13 Comments A+ a-

                Esse é o livro de estréia da escritora Janice Y.K. Lee e foi publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira. Janice nasceu em Hong Kong que é onde se passa o livro.

                É uma história que se passa em dois períodos. O primeiro é 1952/1953, oito anos após o fim da segunda guerra mundial. O segundo período é 1941 em diante, o que é pouco antes dos japoneses terem invadido Hong Kong.

Capa do Livro no Brasil
                O livro começa em 1952 quando a jovem Claire, recém-casada, acaba indo parar na cidade de Hong Kong. Seu marido, Martin, havia sido chamado para trabalhar no Departamento de Águas e ela o acompanhou. Antes disso, nunca havia saído da Inglaterra, sendo a vida todo cercada pelos pais opressores. Na verdade Claire só se casou para “fugir” deles.
                Depois de algum tempo conhecendo a cidade, uma amiga de Claire lhe arranja um emprego, como professora de piano. Os Chen, seus patrões, são chineses que foram criados na Inglaterra e nos Estados Unidos, portanto mais cosmopolitas e vividos do que a própria Claire. A filha deles, uma menina gorda chamada Locket não está nem um pouco interessada em piano mas tampouco Claire parece querer dar aulas.
                O período de 1941 conta como Will Truesdale, recém chegado a Hong Kong, se encontra com Trudy Lang pela primeira vez. No começo ele não a acha muito bonita mas logo está encantado e os dois não se desgrudam.
             
              O que uma história tem haver com a outra? Pouco a pouco vamos descobrindo. Claire conhece Will, agora motorista dos Chen e eles logo começam a se relacionar. Will, porém, pouco se abre, aparentando ser um homem com muitos segredos.

                Quando a guerra começa, no final de 1941, é que a história começa de verdade. Há todo o conflito desse período, a incerteza, os saques. A coleção da coroa, que desaparece durante a guerra e cujo paradeiro nunca foi descoberto, é quase um personagem desse livro, já que o destino dos personagens parece envolver a busca por esse tesouro (em 1942) e o desaparecimento deste, no outro período.
          
               Nenhum personagem é fácil de gostar. Will, com seu jeito hipócrita e falsamente corajoso no passado é tão detestável quanto a sua outra versão, mais atual, e imersa em arrependimentos. Claire é patética, deprimente e preconceituosa. Passa o livro inteiro cometendo besteira atrás de besteira, assim como Will.
                Trudy é a mais interessante. É uma personagem que no começo é divertida e fútil mas, depois que a guerra começa acaba perdendo esses traços, fazendo coisas que a maioria das pessoas consideraria reprovável. Não fiquei com raiva dela, acho que a guerra pode ser considerada uma situação atenuante.
                Outro personagem que poderia ser interessante, é Martin, marido de Claire. Mas ele é pouco desenvolvido, uma sombra com pouca participação, infelizmente. Fora esses, o livro está abarrotado de gente e é melhor pular isso. De maneira geral, posso dizer que, o que todos os personagens do livro têm em comum é o conformismo, a falta de orgulho.

Confesso que tive um pouco de preconceito com essa história. Os motivos foram dois:
1. Não gosto de livros que se passam na segunda guerra.
 2. Detesto (do fundo do meu coração) flashbacks na história.

                Mas isso não interferiu a leitura. O livro é muito interessante, conta um lado da segunda guerra que eu nunca havia escutado antes. Os vilões aqui, não são os alemães nazistas, mas sim os japoneses invasores e até mesmo alguns chineses que, querendo ter vantagens financeiras, foram mais cruéis do que os próprios japoneses.

                É um livro melancólico, narrado de uma maneira que faz com que você tenha certeza de que não vai acabar bem. Não há nenhum momento leve, de despreocupação, depois que a guerra começa. Somos arrastados para essa situação trágica, onde, em guerra ou no pós- guerra, simplesmente não há esperanças. O final é uma mistura agridoce, claro e ao mesmo tempo obscuro, óbvio e surpreendente.

                É um livro bom para refletir sobre esse período e sobre a maneira como a vida das pessoas é mudada de forma irreparável.
Nota 8.


Obs.: Achei um vídeo em que a autora fala sobre o livro. Muito interessante, porém em inglês (sem legendas, sorry). Clique AQUI  para assistir 

Obs. 2: Enquanto procurava sobre esse livro, encontrei um filme com nome idêntico. O filme A professora de piano, nada tem a ver com o livro, mas me interessei pela história. Alguém já assistiu? 


E uma ultima observação: Esse post foi publicado originalmente no Livros Em Pauta, blog em que eu sou resenhista. Resolvi postar aqui também, para quem ainda não havia lido. 


O que acharam do livro? Leriam? Sua participação é muito importante. =)

"My work always tried to unite the true with the beautiful; but when I had to choose one or the other, I usually chose the beautiful." -- Hermann Weyl Miss Carbono que é o numero 6 na tabela periodica