Amora - Natalia Borges Polesso
O que todos os contos desse livro têm em comum? Todos falam de
relacionamentos afetivos em diferentes estágios: alguns tem casais no começo de
seus relacionamentos, outros abordam o fim. Há também aqueles livros que falam
de momentos pontuais, como o primeiro amor ou a descoberta da sexualidade na
adolescência. O que esses casais tem em
comum, além do amor (ou desamor) entre eles? São casais formados por mulheres.
“A gente some e quer que as pessoas continuem aÃ, no mundo, para a gente. Como se fossem portos inertes, sempre à espera de um barco que ficou à deriva, sem leme, sem farol.”
Eu, que nunca tinha lido leitura brasileira com personagens homossexuais,
achei muito interessante e realista a voz que a autora dá essas personagens
homo ou bissexuais em seus contos. Em
alguns momentos a escrita de Natalia entra num lirismo que pode ser muito
bonito, ainda mais quando fala de casais que não deram certo. Mesmo assim,
pessoalmente, prefiro os contos felizes que compõe essa reunião – por serem
mais raros, talvez?
Amora, que é o conto que dá tÃtulo ao livro, conta a história de uma
menina em um tornei de xadrez; ela ganha a competição, mas, no mesmo dia, tem o
que pensa ser sua primeira decepção amorosa. O tempo, porém, mostra que o
primeiro amor da protagonista terá um aspecto muito mais feliz e sensÃvel que
um encontro com um menino que a confundiu com outro menino. Amora é um dos
contos mais singelos do livro; uma
daquelas histórias que você termina com um suspiro e um sorriso no rosto.
“No entanto, era um descolamento, a sensação de não pertencer a lugar nenhum.”
Outro conto que me chamou a atenção foi ‘Dramaturgia Hemética’ que
consiste em uma troca de email entre duas mulheres. Gosto muito porque você
começa imaginando uma coisa e, quando vê, é tão enganado quanto àquela
personagem que recebeu os e-mails de madrugada. Um resumo desse conto é o primeiro trecho que selecionei para
essa resenha – algumas pessoas acham que as outras tem que estar sempre a
disposição enquanto elas fazem o que quiserem.
“E eu tenho vontade de mergulhar para me curar do amor que ainda não tenho e não sentir a saudade que nem existe.”
Para quem indicar ‘Amora’? Para
quem gosta de prosa bonita, com figuras de linguagem e sentimento. E para
quem gosta de contos que falam sobre relacionamentos amorosos (ou pseudo
amorosos). Como todo livro de contos, é bom ir degustando as histórias sem
pressa, para não cair naquela de ler apenas por ler. No caso de amora os contos
são curtinhos, dá para ler ao menos uns dois ou três por vez – mais que isso
não recomendo, é desperdÃcio de boas histórias numa única tacada.
Nota 8-
bom livro.
Olá, seja bem-vindo!
Pode falar o que quiser do filme, livro ou texto - só peço que tome cuidado para não ofender os outros leitores do blog. Nada contra palavrões mas também não vamos exagerar, ok?
Obrigada!