|FILME| Whiplash - Em busca da perfeição (Resenha / Review) #Oscar2015

sexta-feira, fevereiro 20, 2015 0 Comments A+ a-


               Andrew é um jovem de música em seu primeiro semestre em Shaffer, uma das mais conceituadas escolas de música dos Estados Unidos, sonhando em ser um baterista de Jazz. Quando é convidado pelo maestro Terence Fletcher para participar da orquestra de Jazz do conservatório, Andrew sente que está mais perto de seu sonho. Ao mesmo tempo, cria coragem para convidar a garota que ele gosta para sair e ela aceita.
                    Whiplash - Em busca da perfeição (chamarei somente de Whiplash até o final da review) é o quarto filme indicado que assisto e resenho aqui no blog e é, sem dúvida, o melhor que vi até agora. Depois de Birdman eu já estava me perguntando se nenhum dos indicados iria me empolgar de verdade. Eu gostei de alguns deles e outros me fizeram pensar mas faltava aquele filme que me fizesse vibrar de verdade, um filme não só bom no final ou no começo mas que me empolgasse do começo ao fim. Quando eu estava quase me conformando em assistir só bombas até domingo, eis que o filme tão esperado apareceu.
              O filme consegue flertar com alguns clichês do gênero “jovem busca o sucesso” e, ao mesmo tempo, foge de todos eles, com uma versão mais intensa e visceral do que todos os filmes que vi do gênero (não foram muitos, admito). Vamos aqui considerar que, embora Whiplash seja inspirado em uma experiência do diretor na banda do colégio, não se trata de uma história real, o que faz com que tudo seja ainda mais impressionante.

                Andrew, que a primeira vista, parecia apenas o garoto normal e meio inseguro com um sonho, logo se mostra um personagem mais complexo. O mais novo de três irmãos, Andrew luta para ter destaque entre seus familiares, batalhando pela atenção dos pais com o irmão jogador de futebol americano e o outro que ‘trabalha’ na ONU. Essa competição acaba sendo levada também para a banda, onde Andrew precisa concorrer com outros dois bateristas, a níveis extremos.
           J.K.Simmons, que interpreta o Fletcher no filme, está absurdamente incrível e assustador no papel. O regente da orquestra é um homem abusivo com seus pupilos, partindo de uma atitude paternalista para a agressão física e intimidação em um piscar de olhos (ou em uma mudança de andamento). Já adianto aqui que minha torcida para o Oscar de melhor ator coadjuvante está com ele, mesmo eu ainda não tendo conferido todos os outros indicados. Ele e Miles Teller tem uma química explosiva em cena (no bom sentido) e suas trocas e diálogos, entre um solo de jazz e outro é que fazem desse filme algo incrível de ser assistido.

                     A relação de admiração e ódio entre Andrew e Fletcher segue um crescendo ao longo da trama, ambos se tornando cada vez mais intensos, chegando até mesmo a se agredir (verbal e fisicamente). Fletcher tem padrões elevados e Andrew se esforça ao limite para conseguir alcançar esses padrões, se tornando mais e mais obcecado em ser o melhor baterista possível.
                     Ao contrário de filmes similares e do gênero, não vemos aqui um jovem apaixonado pelo o que faz que vai conseguindo o sucesso fazendo o que ama. Esqueça amor, a palavra aqui é obsessão. E, de fato, ao contrário da crença que teimam e espalhar popularmente, o sucesso não cai do céu ou vem sem esforço. Quando o assunto é música, antes do sucesso há horas de estudos e treinos intensos e às vezes até mesmo dolorosos.
                 Ainda mais se tratando do jazz, um gênero tão complexo e fascinante. Um dos pontos altos do filme é essa musicalidade: o jazz está presente em (quase) todos os momentos e cenas da vida de Andrew e se completa perfeitamente com o enredo. O título, Whiplash, além de ser o nome de uma das músicas tocadas pela banda, também pode ser traduzido como o ato de empurrar alguém, repentinamente, para que essa se machuque. E é isso o que Fletcher faz com Andrew, empurra-o cada vez mais e, como todo impulso para a frente, esse também pode resultar numa queda feia ou num avanço rumo a glória (Nesse aspecto, o final pode ser um pouco incomodo já que não fica claro, depois de tudo, qual o resultado).
                É interessante ver que Andrew, ao mesmo tempo em que parece inseguro e tímido em algumas cenas, também é um dos mais arrogantes quando o assunto é sua habilidade na bateria. Acho que as práticas intensas lhe dão confiança, mas, ao mesmo tempo, ele só pratica tanto assim por sua baixa confiança. Andrew se pressiona tanta quanto Fletcher e, com o passar do filme, vemos que esses dois são muito parecidos, ambos obcecados pela música e pelo virtuosismo que só horas de muito estudo e sacrifício podem trazer.

                   O fato de eu tocar um instrumento musical (violoncelo) e já ter participado de uma orquestra antes, fez com que eu ficasse ainda mais empolgada com a história. Não, nenhum maestro meu jamais me arremessou uma cadeira, mas posso dizer que conheci pessoas que eram tão obcecadas pela música como os dois personagens principais. Perto deles eu me sentia mais como Nicole, a namorada de Andrew no filme, insegura sobre o que queria da minha vida, ao lado de pessoas tão cheias de certeza.
"Não há outra combinação de palavras mais nociva do que 'bom trabalho' " - Terence Fletcher
                 Eu indico esse filme para que os gostam de música, claro, e para os que gostam de dramas em que o personagem principal parece estar por um fio em sua sanidade mental, tão focado está em seus objetivos. O final é um pouco aberto mas também é um dos melhores momentos de todo o filme, a batalha final entre Andrew e Fletcher. Um na bateria, o outro na regência, a cena é o ápice da história e também de arrepiar.

                  Se você gosta de uma boa história e de uma boa música, assista Whiplash. Nota 9muito bom!

|TRAILER|


Whiplash concorre ao Oscar na(s) categoria(s): melhor filme, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor mixagem de som. 

"My work always tried to unite the true with the beautiful; but when I had to choose one or the other, I usually chose the beautiful." -- Hermann Weyl Miss Carbono que é o numero 6 na tabela periodica


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