Eu sei o que você está pensando - John Verdon (Resenha)

segunda-feira, setembro 12, 2011 2 Comments A+ a-

                Quando li a sinopse desse livro quase pirei, tinha que ler de qualquer jeito. Afinal, não é todos os dias que vemos um crime em um livro ser comparado com os crimes desvendados por Sherlock Holmes e Hercule Poirot, né?
                Ok, de vez em quando tem um ou outro mas dá para perceber quando é publicidade, apenas um migué para vender mais, e quando é de verdade.
                No caso de “Eu sei o que você está pensando”, a sinopse já intriga, atiça a curiosidade: Um assassino manda uma carta para um guru espiritual dizendo que o conhece tão bem que vai inclusive acertar o número que ele está pensando. O guru pensa um número e abre o seguinte envelope – só para ver ali o número que havia pensado.
                Mark Mellery, o guru espiritual em questão, procura seu colega de faculdade, o ex-investigador de homicídios David Gurney e apresenta a carta, procedida por outras cartas igualmente ameaçadoras. Mas David, que no ínicio estava apenas intrigado, logo se vê como consultor de um homicídio pois Mellery é assassinado em circunstâncias igualmente intrigantes.

                Gurney, como citei acima, é um ex-investigador, aposentado aos 47 anos de idade. Ele e sua mulher Madeline se mudam para uma fazenda no interior após aposentadoria dele mas David não está se adaptando como deveria a nova vida de aposentado, sua mente continua analítica e racional, o que coloca em crise seu casamento.
Com esse novo caso, Gurney encontra um adversário tão racional e dado a enigmas quanto ele próprio. E mal percebe que seu casamento vai indo ladeira baixo, pois está completamente concentrado em desvendar o crime. Seu filho Kyle, do primeiro casamento, também é negligenciado e ao longo do livro vemos que, Gurney ignora todas as tentativas de contato com o filho (não de conscientemente mas por que está com a ‘cabeça em outra coisa’).

Também não é para menos, até eu quase pirei com todas aquelas pistas subjetivas e detalhes do crime. Tirando a situação principal, que é como o assassino pôde ter adivinhado o número em que a vítima pensou, também há outros detalhes desconcertantes: Poemas com mensagens enigmaticas, uma trilha de pegadas que não leva a lugar nenhum e uma cena de crime sem qualquer DNA ou impressão digital são apenas o começo dessa caçada mais intelectual do que propriamente emocionante ao serial killer.

Li as primeiras páginas devagar mas, do meio para o final, é impossível largar o livro. Eu, que adoro um bom livro policial, tive dois suspeitos principais (que não vou revelar aqui) até quase os “45 do segundo tempo” e tinha tanta certeza de que meu primeiro suspeito era culpado que acabei ignorando as evidências que mostravam que isso não seria possível. Mas então, um pouco antes do assassino ser revelado eu ‘vi a luz’, digamos assim. E tudo pareceu muito muito óbvio. Como acontece nos melhores livros policiais, o assassino estava lá o tempo inteiro, só os policias não viram (parafraseando Pitty hahaha).

Maaas... (sempre tem um mas) Eu estava com tanta certeza da identidade do matador que o final foi um anti-climax para mim, não vou comentar mais para não dar spoiler mas, só agora, escrevendo a resenha, é que percebo que o autor foi muito coerente com a idenntidade do matador e que a minha hipótese estava com muitos furos para ser aceita.

Falando em identidade, não posso deixar de comentar sobre os personagens desse livro, muito bem desenvolvidos, com sua personalidade coerente do principio ao fim, desde o protagonista Gurney até os personagens secundários, como o capitão Rodriguez (que tem um sobrenome parecido com o meu, a propósito.) Fiquei surpresa ao descobrir que o autor, John Verdon, é um publicitário e não um policial por que tive certeza de que os personagens eram pessoas reais e que Gurney era uma espécie de alter-ego literário do autor.  Mas não é, o que torna mais fascinante ainda a criação da história.

                Voltando ao inicio da resenha, depois de ler esse livro eu não chego a igualar Gurney a Poirot ou Holmes mas, de todos os policiais que já li, é um dos personagens que chegam mais perto desses grandes detetives, no quesito inteligência e também na complexidade do caso. A não ser por um detalhe (Vou colocar em branco para não dar spoiler): Gurney não desvenda o caso.  Um detalhe que faz toda a diferença (clichê mas a pura verdade).

                Para quem recomendo esse livro? Para todos que gostam de romances policiais dos bons no estilo Agatha Cristie e Connan Doyle mesmo – a não ser pelo detalhe acima e pela conclusão, a ‘pegada’ é a mesma. Vale muito a pena ler se você é uma dessas pessoas que não resistem a um bom mistério e nem a uma boa história.
               Nota 8,5muito bom mas tirei meio ponto por esses detalhezinhos que me incomodaram um pouco. Mesmo assim indico muito.

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2 comentários

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12 de setembro de 2011 13:39 delete

GENTE! que vontade de ler esse livro! *o* adoro romances policiais, serial killers e mistérios, tudo junto&misturado o/
quero ainda mais ler esse livro depois da resenha... acabei lendo o spoiler, que nem é tão grande assim, porque de qlqr forma eu não quem é o assassino, mas fiquei super curiosa querendo saber como a estória termina! *-* vou compra-lo assim que der xD

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Eduardo
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13 de setembro de 2011 05:24 delete

Pois é eu estou lendo e passei ja um pouco da metade, adoro esse gênero, aliás a arqueiro ta arransando no que diz respeito a romances policiais.Eu já li vários títulos do Harlan Coben e pretendo ler os do James Patterson, será que vai rolar uma resenha deste útimo aqui ??!???

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