Filme Moonlight - Sob a Luz do Luar (Resenha) #Oscar2017

quarta-feira, fevereiro 08, 2017 0 Comments A+ a-


At some point, you gotta decide for yourself who you're going to be. Can't let nobody make that decision for you.
   Chiron é um jovem tímido, que vive na periferia de Miami e é perseguido por ser menor do que os outros. Um dia ele conhece Juan, um traficante cubano, que o acolhe e o leva para a casa por uma noite. É Juan quem leva Chiron a praia pela primeira vez à praia e é ele quem conta a história que dá título ao filme, uma história que termina com a frase que coloquei no início dessa 'resenha' e que resume a intenção do filme.
   Ao longo de 1h50 acompanhamos a vida deste menino, passando por 3 fases: a primeira, que se chama "Little" por esse ser o nome pelo qual os outros meninos chamavam Chiron, conta sobre a infância do jovem. A segunda parte tem como título o próprio nome do garoto e fala sobre sua adolescência e todos os dramas que vem nessa fase - é na adolescência que o ocorre um dos momentos mais dramáticos e de cortar o coração desse filme. 
   Por fim, temos a ultima parte, intitulada "Black", em que conhecemos a face adulta desse jovem, agora endurecido pela vida. Nesse ponto do filme Chiron tem que lidar com o seu passado e finalmente "decidir por si mesmo quem vai ser". Esse momento é um tanto curto para todo o potencial que tinha, mas entendo o final meio abrupto: a decisão foi feita, fim de papo.
Primeira fase do filme e a atuação excelente de Mahershala Ali

   A direção, roteiro e trilha sonora deste filme são muito bonitas e formam um conjunto delicado e bonito. O personagem principal vem de um bairro difícil e passa por momentos ainda mais difíceis, ainda mais por se descobrir homossexual numa vizinhança pobre e homofóbica. Mas é tudo narrado com beleza, delicadeza e doçura, contrastando com aquele mundo barra pesada em que Chiron vive. Destaque também para as atuações, principalmente a de Naomie Harris, como a mãe viciada em crack do jovem e Mahershala Ali, que vive um traficante que ajuda o garoto quando pequeno. Não é à toa que ambos são indicados ao Oscar de 2017, estão de parabéns por sua atuação (assim como os atores que fazem Chiron nas 3 fazes do filme, que conseguiram nos fazer acreditar que se trata mesmo de uma só pessoa - os trejeitos do personagens sobrevivem em todas as fazes).
   Sobre o enredo, é o tipíco filme de descoberta da identidade. Nós acompanhamos esse personagem ao longo da sua vida e vemos as formas, as vezes brutais, com que sua personalidade é moldada. Como dito acima, no final o personagem finalmente se descobre, mas é tão abrupto o final logo após essa descoberta que me senti um pouco desorientada.  Se você for assistir Moonlight grandes são as chances de dizer "Como assim já acabou?" quando chegar ao final. 
Chiron na adolescência
   Mas nada disso tira o mérito da obra ou a beleza de sua história. Um filme com todo o elenco formado por negros indicado ao Oscar também me parece uma bela mudança, quando comparada a premiação do ano passado, em que nenhum negro foi indicado para nenhuma categoria. Note que aqui não se trata de discutir o mérito do filme - Moonlight é sim um merecedor dessa indicação. Mas, sem a discussão que houve no ano passado e as mudanças que decorreram destas, esse filme talvez não fosse hoje indicado a 8 categorias, entre elas melhor filme e diretor. 
   Indico para os que gostam desse tipo de trama e para os que se importam muito mais com a jornada do personagem do que para as reviravoltas na trama ou finais arrebatadores. Que fique aqui registrado a minha torcida para Mahershala Ali para ator coadjuvante. 
   Nota 7,5 - bom filme, mas tirei meio ponto por causa do final - mesmo entendendo porque interromper a história ali, queria ver um pouco mais da história de Chiron.

Nascida no interior de SP, formada em Publicidade e Propaganda, sempre gostou de dar palpites sobre filmes, séries, animes, livros e o que mais assistir/ler. Autora do Blog "Resenhas e Outras Cositas Más" (Miss Carbono) e "Coisas de Karol". No Twitter fala de política, séries e da vida (não necessariamente nessa ordem). Siga: @karolro


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