Resenha: Lugar Nenhum - Neil Gaiman

sexta-feira, novembro 30, 2012 1 Comments A+ a-


          Em uma noite chuvosa, Richard Mayhew, que estava comemorando o novo emprego em Londres, conversa com uma senhora incomum. Ela lê sua mão e prevê um longo caminho a ser percorrido. Além disso aconselha o herói a ficar longe de “Portas”.

          Três anos depois Richard mal se lembrava daquela noite e nem da previsão daquela senhora. Mas é quando encontra uma jovem sangrando na calçada que sua verdadeira aventura em Londres começa.
          Já havia lido “Coraline” também do Neil Gaiman e curtido muito o livro, portanto, quando tive a oportunidade de ler outro livro do autor não perdi tempo. Escolhi ‘Lugar Nenhum’ por ter a impressão de que era uma história mais adulta do que a de Coraline e por causa das criticas que li sobre o livro, todas elogiando o autor.
          E a ‘Londres de baixo’ criada pelo autor realmente é digníssima de elogios. Gaiman criou um mundo sujo e mais antigo que a própria Londres, com pessoas que tem habilidades incomuns vivendo nos esgotos e subterrâneo. É aterrorizante e fascinante de acompanhar a trajetória de Richard por esse mundo, em companhia da jovem Door, do marquês de Carabas e da misteriosa Hunter. Lembrando que Door significa ‘porta’ em inglês, por isso a profecia da velhinha tinha certo sentido, embora o próprio Richard não consiga enxergar isso ao longo da história.

Fan Art
          A maneira de narrar do autor me lembrou muitas vezes uma história infantil, não tanto pelas palavras mas pela maneira de se utilizar das palavras e como conduzia o diálogo. Porém uma criança não conseguiria entender as sutilezas do livro, o paralelo entre a ‘Londres de baixo’ e o mundo marginalizado em que os mendigos e moradores de rua vivem na realidade das grandes (e pequenas) cidades. A Londres mágica pode não existir no subterrâneo, mas os moradores de rua existem e recebem mesmo esse tratamento descrito no livro por parte dos habitantes da Londres ‘de cima’, ou das ‘pessoas normais’.
          Porém esse livro questiona e muito o que realmente é normal. Será que Richard seria mais feliz se tivesse permanecido em seu emprego comum, com sua noiva comum e destino absolutamente previsível? Mesmo mais suja e mortal, a Londres de baixo exerce uma fascinação sobre o personagem principal de forma que,  ainda que com medo e querendo ir para casa, ele permanece naquela situação em companhia desses amigos novos e igualmente estranhos.

Fan Art           O relacionamento entre Richard e Door merece um parágrafo a parte. Mesmo tendo afirmado diversas vezes que Door é uma menina, uma jovem, uma garota, dá para perceber certa tensão romântica entre esses personagens, uma ligação mais forte do que com o restante das pessoas relacionadas a Richard. A grande culpada por Richard ter ‘caído’ de seu mundo normal é Door, porém a ligação entre ela e o personagem principal se estabelece antes disso. Realmente, o autor não deixa muito claro se existe algo romântico entre eles, mas tive essa sensação.
          Falando em personagens, esses são outro ponto fortíssimo do livro. Embora o próprio ambiente criado pelo autor atue como um personagem, há também personas muito bem desenvolvidas por Gaiman, tanto física quanto psicologicamente. Os aspectos físicos são tão vividos que é como se eu estivesse vendo um desenho dos personagens a minha frente, é tudo muito vivido, talvez pelo histórico de Gaiman na criação de quadrinhos (ele é autor do elogiado Sandman).

          O melhor exemplo dessa descrição impecável são o Sr. Croup e o Sr. Vandemar. Ambos são vilões e vestem roupas iguais mas é impossível não distingui-los e imaginá-los cada um com sua característica particular. Se eu soubesse desenhar (eu não sei) seria capaz de fazê-lo perfeitamente, somente baseando-me nas informações do próprio autor.
          Essa precisão e profundidade não se aplicam apenas ao aspecto físico dos personagens. Algo que gostei bastante no livro foi que todos os personagens têm contornos psicológicos muito amplos, além de ser apenas bom ou mau. Os vilões são engraçados, os bonzinhos são dúbios em sua bondade, um traidor pode ser ainda um amigo... A única que se mantém mais ou menos a mesma ao longo da história é Door, o restante dos personagens não são tão corretos ou bonzinhos o tempo inteiro.  
          E ainda tem a questão: Será que tudo isso aconteceu mesmo? O mundo real aparece vez ou outra no livro e vez ou outra ao longo da história me veio essa questão na cabeça. O próprio final do livro questiona a sanidade de Richard, cabendo ao leitor dizer se o que passou aconteceu mesmo ou se o personagem apenas endoideceu por alguns dias depois que sua noiva o largou.
          Eu prefiro acreditar nessa Londres mágica que existe no subterrâneo. E dou nota 9,5, pois o livro, além de muito bom, é completamente diferente de tudo o que já li.
          Claro, muito dessa impressão se deve a minha falta de intimidade com histórias do gênero, mas gostei mesmo do livro e indico para os que gostam de narrativas fantásticas, mesmo que essas não tenham necessariamente um romance e não sejam voltadas para adolescentes.

P.S.: Descobri que o livro foi adaptado,  era uma série britânica. Para maiores informações é só procurar pela série Neverwhere


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Resenha: Partilha do amor - Helen Bianchin

segunda-feira, novembro 26, 2012 0 Comments A+ a-

Ela está vulnerável ao desejo de um homem poderoso...
Taylor Adamson acaba de ficar face a face com o incrivelmente arrogante Dante d'Alessandri, com quem precisa partilhar a custódia de seu sobrinho órfão. E ele parece decidido a garantir que o pequeno Ben seja criado para herdar sua fortuna. Mas, até que isso aconteça, terá de conviver com Taylor para poder controlá-la mais de perto...A princípio, Dante a vê como uma mera babá, mas logo percebe que ela pode cumprir outro papel, muito mais interessante. O impiedoso italiano sabe que Taylor fará de tudo para cuidar de seu pequeno sobrinho, e está disposto a aproveitar todas as oportunidades para ficar cada vez mais próximo dela... - Sinopse retirada do Skoob 

        Taylor, arrasada com a morte da irmã e do cunhado, só consegue pensar em proteger e dar o melhor cuidado para o seu sobrinho, Ben. Mas, para isso, ela precisa partilhar a guarda com Dante, o irmão de seu falecido cunhado. No inicio a mocinha não acha que Dante esteja realmente pensando no bem da criança mas, forçada pela convivência diária, acaba percebendo que aquele homem aparentemente selvagem e arrogante também só pensa no bem estar da criança. 
         Esse é um tipico romance de banca, com um tema que a autora, Helen Bianchin, costuma utilizar com freqüência: O casamento de conveniência, em que os mocinhos se casam, a principio, por outra razão que não seja o amor. A mocinha reluta no inicio, principalmente devido a uma agressão que sofreu no passado e que faz com que ela não confie nos homens, mas depois acaba sedendo e se casando com o bonitão italiano. 
         Dante e Taylor pouco diferem dos mocinhos desse tipo de romance. Talvez uma das poucas diferenças é que Dante seja mais paciente e carinhoso pois, enquanto os mocinhos do gênero normalmente relutam em demonstrar seus sentimentos, Dante o faz desde o inicio, embora só os manifeste em palavras do final. 
         Falando sobre o desfecho, achei-o um pouco forçado, uma situação meio nada a ver com o restante da história. Teria gostado mais se a autora tivesse investido mais na situação do agressor do passado. (Sem maiores detalhes para não dar spoiler). 
         Mas no geral é um livro razoável, recomendo para quem já gosta do gênero e do tema casamento de conveniência. Infelizmente não é meu livro preferido da autora nem um livro muito memorável mas é mediano. 
         Minha nota é 6,5 pois, embora o livro tenha vários momentos calientes e  tudo o mais, tirei meio ponto por causa do final. 

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Saga Crepúsculo: Amanhecer parte 2 (Resenha / Review)

quinta-feira, novembro 15, 2012 2 Comments A+ a-






Sem spoiler 


And all along I believed I would find you / Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years /I'll love you for a thousand more... ♫ 
  Christina Perri - A Thousands years 

       
         Esse post pode conter spoilers do primeiro filme. Para saber minha opinião sobre "Amanhecer - parte 1" clique aqui 
         O final de Amanhecer parte 1 é de tirar o folego: Após 'morrer' durante o parto, Bella ressurge como uma vampira, os olhos castanho-avermelhados característicos desses seres.  A segunda parte de "Amanhecer" e filme que encerra a série Crepúsculo começa exatamente nessa cena em que o outro terminou. Bella acorda para essa nova vida e tem que lidar tanto com os poderes quanto com a tal sede de sangue. 
         O fato da heroína ser recém-criada e, portanto, mais forte que todos os outros vampiros, é o que dá grandes toques de humor ao filme. Minha cena preferida desse mote foi a de quando Bella descobre que Jacob sofreu um imprinting por Renesmee. Já tinha imaginado no livro e, no filme, ficou igualmente ótima.
         Mas, o filme não é só "felicidade", ainda há uma ameaça aos Cullen, alguém que só está esperando uma denúncia qualquer para acabar com essa família. Se está com dúvidas sobre quem estou falando é só olhar a capa do filme: Sim, os Volturi estão de volta. 
         O filme tem um andar um pouco arrastado depois dessa revelação do propósito dos Volturi, algo que também aconteceu na primeira parte. E, assim como na parte 1, o ritmo se acelera nos minutos finais e tira o fôlego dos expectadores. 

          Falando nisso: Uma das minha principais reclamações, depois que li o livo 'Amanhecer' era que a tal batalha tão falada simplesmente não ocorria. Para mim não haveria sentido nenhum fazer um livro inteiro em que os personagens se preparam para uma batalha e, no final, não mostrar nada. 
          Mas, depois que vi esse final, mudei completamente de ideia. Só posso dizer, pois tenho medo de contar spoilers, que o filme é bem diferente do livro nesse aspecto. 

           Voltando ao filme, 'Amanhecer parte 2' é uma conclusão épica e mágica para a série. Se a Saga Crepúsculo é chamada por muitos (as vezes até em tom pejorativo) de 'conto de fadas moderno'  a conclusão parece pegar uma carona nesse ar de fantasia, com direito a trechos do próprio livro no final. 


            Não considero isso uma resenha ou review do filme. Sou a mais suspeita para falar de Crepúsculo, tenho uma relação de amor e aversão por essa saga desde que li os livros. Amo o conto de fadas relatado,os personagens secundários que me cativaram mais que os principais (Alice, Jasper, Emmet, Jacob...), o amor entre Edward e Bella... Mas detesto o uso que a autora faz do mito dos vampiros, as atitudes dos personagens principais, a mensagem que a autora passa com os livros. 

             Quando entrei no cinema, o fiz com o mesmo cinismo da parte 1, já imaginando que saberia o desfecho dessa Saga. Mas foi então que os roteiristas viraram a mesa e, com apenas uma sequencia de cenas, me tiraram completamente o fôlego. Chorei, gritei, torci, me desesperei, vibrei... O final foi catártico e, posso dizer sem sombra de dúvidas, épico e inesquecível. Ao menos para os fãs da Saga, como eu. 
               Enfim, depois de todo o sofrimento, vem o happy end. Algo poderia ser mais perfeito do que foi? Terminar justamente onde tudo começou, mostrando algumas das principais cenas da série... Mostrar o futuro, ainda que seja através de uma licença literária, -Alice não pode ver o futuro dos 'lobisomens' mas os roteiristas pareceram se esquecer disso - eu os perdoo por que a cena foi linda, e ainda, repassar todos aqueles personagens que marcaram os fãs... Podem chamar de clichê mas, se as técnicas já foram muito utilizadas é por que tem o efeito desejado. 
                E tudo isso ao som de Christina Perry. Esse trecho que coloquei ai em cima é da música 'A thousand years' e quer dizer: "E o tempo todo acreditei que te encontraria / O tempo trouxe o seu coração pra mim/ Eu tenho te amado por mil anos / Eu vou te amar por mais mil..." . 
                Perfeito para a Saga, né? Agora Edward e Bella vão viver o seu "para sempre" e nós, fãs, ficamos aqui deleitados com esse conto de fadas, além de um pouco órfãos também. 

Os créditos finais do filme passando. Minha ultima visão de ' Crepúsculo '  nos cinemas.

                Mesmo triste por ter mais chance de ir ao cinema para acompanhar uma história inédita de Bella, Edward e da Família Cullen, fico feliz por ter me dado uma chance de conhecer esses personagens e essa história tão emocionante. Digam o que quiser mas valeu a pena ter lido o livro e ter assistido esses filmes todos no cinema. 
                Voltando a falar do filme, o acho superior ao livro pois, através da narrativa em terceira pessoa, pode nos presentear com um desfecho muito melhor do que o que vemos no volume escrito por Stephanie Meyer. Se você não gostou do final, assista. Se gostou, assista também. 
                 Só não recomendo para o que não gostam da série pois sei que não adianta discutir com o gosto pessoal de ninguém (Haters gonna hate) . Eu sei que a série tem suas limitações mas é valido como um belo conto de fadas. Minha nota é 10 - entrou para os favoritos e fechou Twilight com chave de ouro. 

Assista ao trailer

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Resenha: O pecador arrependido - Penny Jordan #MaratonaDeBanca

terça-feira, novembro 13, 2012 3 Comments A+ a-



O RENOMADO ADVOGADO MAX CRIGHTON TINHA UMA FAMÍLIA MODELO... OU ASSIM PARECIA...ACOSTUMADO A SEDUZIR CLIENTES E A DESPREZAR MADELEINE, SUA ESPOSA, ELE NÃO PASSA DE UM GRANDE PATIFE. NO ENTANTO, QUANDO ESCAPA POR UM TRIZ DE UM BRUTAL ATENTADO, ELE PASSA A VER A VIDA COM OUTROS OLHOS. AO SAIR DO HOSPITAL, MAX ESTÁ ARREPENDIDO E QUER SER PERDOADO... MAS CONSEGUIRÁ ELE RECUPERAR A CONFIANÇA PERDIDA? - Sinopse retirada do Skoob 

          Quando vi que um dos meses da Maratona de Banca era "Penny Jordan", autora que faleceu no finalzinho do ano passado, logo pensei nesse livro, talvez um dos mais "polêmicos" da autora já que alguns amam e outros odeiam. 

           "O pecador arrependido" conta a história de Max Crighton , um pai omisso, marido infiel, filho desnaturado... Enfim, o típico canalha. Já conhecia o personagem de outros livros da família Crighton e, confesso, já achava difícil gostar desse livro antes mesmo de lê-lo. 
            As primeiras páginas pareciam confirmar minha impressão, afinal, Max só age como um cafajeste, página após página. Mas então ele fica a beira da morte e... muda. 
            Sabe aquelas histórias em que o personagem bate a cabeça e muda completamente a personalidade? Então, é bem parecido com o que ocorre com o mocinho desse livro. Relendo a cena depois, fiquei com a impressão de que ele desenvolve uma "consciência" antes do atentado, porém é depois do fato que ele realmente muda. 
             O problema é convencer Madeline, sua esposa, de que essa mudança é de verdade. Pior de tudo é que a mocinha já está até com outro, pensando em pedir a separação, quando recebe essa noticia da "mudança" do marido. Ela pensa que é mais um dos truques de Max mas acaba aceitando que ele se recupere na casa dos dois. 
             Fazendo um paralelo com a súbita mudança do mocinho, a autora também narra a mudança de Madeline, que passa de 'dona de casa' a 'empresária', além de se tornar quase uma referência matriarcal para o restante da família. É Madeline quem consola todos da família quando Max sofre o acidente, é ela quem toma as rédias da instituição de caridade antes dirigida pela avó de Max, Ruth Crighton. Enfim, a mocinha se torna uma mulher mais confiante com o passar da história. 
                O problema é que o livro é muito curto para haver toda essa mudança toda. Por isso é que temos a impressão de superficialidade, não há páginas suficientes para que todas essas evoluções e mudanças parecem críveis. A autora coloca uma passagem de tempo que mostra que, com o passar dos meses, Max continua mesmo um 'cara legal' , mas isso é algo que vemos de um capitulo para outro - muito rápido e pouco convincente
                Há aqueles que acham que Madeline perdoou o mocinho rápido demais mas, só pelo final do livro, percebe-se que não é assim. O que Madeline dá é uma nova chance ao casamento dos dois, mas não necessariamente seu perdão e amor de volta. Para quem leu só esse livro é um fim péssimo mas, nos próximos livros da série, acompanhamos indiretamente a evolução desse casal. 
               Enfim, confesso que chorei lendo esse livro e, no geral, gostei da história (apesar de alguns detalhezinhos irritantes). Minha nota é 7 - uma história razoável. 


 Para ler outras resenhas que escrevi para a Maratona de banca,clique aqui. 

Resenha: Febre Negra - Karen Marie Moning (Série Fever #001)

segunda-feira, novembro 12, 2012 1 Comments A+ a-


                    

          

          Pense em uma garota de 22 anos que ama rosa, é loiríssima e super mimada. Pois é, essa é a heroina de ‘Febre Negra’. Mackayla Lane é o que podemos chamar de fútil e até mesmo ela tem essa consciência de si mesma: Está completamente satisfeita com sua vida atual, morando com os pais, fazendo alguns cursos na faculdade para mantê-los satisfeitos e ‘curtindo a vida adoidado’.

            Porém tudo muda quando recebe uma ligação informando de que sua irmã mais velha foi assassinada na Irlanda. Depois de um período de luto, Mac vai até esse pais estranho para tentar descobrir algo sobre quem a matou. É ai que o livro começa de fato.
            Não entendo muito de mitologia celta, mas tenho a impressão de que a autora se inspirou em vários elementos dessa mitologia para criar esse livro. Os termos em gaélico, os objetos citados e o próprio ambiente em que se passa a história (Irlanda) contribuem para que eu tenha essa impressão.
            Explicando resumidamente, nesse livro as fadas (Fae) existem e são divididas entre uma corte da luz ( Seelies) e uma corte das sombras (Unseelies). Ambas as cortes tem reis e rainhas que as controlam e possuem poderes sobre-humanos. Aliás, esses seres, chamados de Tuatha Dé, não são humanos e sim vieram de outro planeta, por isso são tão diferentes dos humanos.

            Ok, meu primeiro problema: Extraterrestres. Ainda bem que a autora não se apegou muito a esse detalhe, então eu logo tratei de esquecer essa história de seres de outro planeta. Mas, como eu já disse em resenhas anteriores, sempre me incomoda quando o autor se utiliza dessa explicação para explicar a existência de algo.  Se a autora tivesse falado que os seres vieram de um mundo diferente, mágico, fantástico, sei lá... Mas falar em Aliens e viajantes que chegaram ao nosso planeta para mim é um ponto negativo sempre. Estou para ler uma história em que isso não me incomode.

vi no Wikipédia             Mas chega de chiliques por causa de ETs. Mac narra toda a história como se estivesse escrevendo suas memórias, então o livro todo está em primeira pessoa e no pretérito. De vez em quando ela lança mão de algumas frases misteriosas do tipo “naquela época eu não sabia” ou “só depois viria a saber,” e isso é um pouco diferente das histórias em primeira pessoa que costumo ler mas não necessariamente um ponto negativo do livro. Além dessa personagem-narradora também há alguns outros personagens importantes para história, sendo o mais importante deles Jericho Barrons. Como uma espécie de ‘mentor’, Barrons insere Mac nesse mundo sobrenatural e a ensina como lutar e como se defender dos Tuatha Dé que aparecem em seu caminho.
            Se o livro fosse só perseguir e matar os Fae do mal a história não teria muito sentido então Mac ainda tem que encontrar um livro e salvar o mundo humano da destruição. Além disso, Mac ainda precisa descobrir quem matou a sua irmã para que possa vingá-la.
            Por ser o primeiro livro de uma série, Febre Negra não é tão ruim. Apresenta claramente sua mitologia e deixa vários ganchos para próximos livros, sem se esquecer de apresentar uma conclusão satisfatória nesse primeiro volume, com direito a confronto de bem versus mal e descobertas (mais ou menos) surpreendentes.
            Mac, que no inicio é uma personagem chatinha de se acompanhar, melhora ao longo do livro se tornando menos ‘patricinha’ etc. Porém é um pouco decepcionante que grande parte da mudança da heroína esteja apenas no aspecto físico. Ela pinta os cabelos, muda o estilo de roupa e também alguma de suas prioridades, mas, pelo menos nesse primeiro momento, a mudança de personalidade não é tão grande assim.


            Mesmo sendo uma história de poucas páginas (270, sem contar o glossário) consegui pegar o espírito dessa série e não achei tão ruim. Espero que o interesse romântico de Mac seja melhor definido nos próximos livros por que em Febre Negra o nível de romance é zero e, apesar de algumas cenas mais ‘quentes’, fiquei na dúvida se o par dela é Barrons ou V’lane. Pensando no assunto acho que nenhum dos dois chega a ser um herói por enquanto, até por que Mac acha lindo/charmoso etc. todos os personagens masculinos que aparecem em seu caminho. Ou só tem homem bonito na Irlanda ou a mocinha tem muita sorte.
            Ainda é cedo para dizer se gosto da série, mas fiquei intrigada e pretendo ler o próximo volume – nem que seja para saber qual é o rumo que as coisas vão tomar adiante. Nota 8 – um bom livro. 

P.S.: Li esse livro antes de ler "Sedução Profana" mas percebi uma semelhança entre a mitologia de ambos os livros. Depois disso 'tomei vergonha' e descobri que esses termos pertencem (como eu desconfiava) ao Folclores Celta. Você pode saber mais sobre o assunto clicando aqui e aqui


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Resenha: O amante - Deborah Hale

segunda-feira, novembro 05, 2012 0 Comments A+ a-


             ALGUNS SEGREDOS SÃO IMPOSSÍVEIS DE SER GUARDADOS POR MUITO TEMPO!
INGLATERRA, 1815.Como Felicity contaria a seu querido amante que ele seria pai? Thorn ,apesar das circunstâncias dificeis,certamente faria uma oferta de casamento responsavel e honrosa, a qual Felicity jamais poderia aceitar.Por que ela só se casaria com ele se realmente houvesse amor entre ambos... Thorn Greenwood queria ter apenas alguns momentos de prazer ao lado de Felicity, mas, em vez disso, acabou se apaixonando perdidamente por ela. No entanto, de repente, ela terminou o relacionamento deles de forma abrupta. Teria Felicity imaginado que ele não passava de um caça-dotes? Não podia ser... A única coisa de valor que Thorn queria era o amor daquela mulher! – Sinopse retirada do Skoob

            Quando Lady Felicity Lyte descobre estar grávida de seu amante, Lorde Thorn Greenwood, resolve terminar o romance entre os dois. Porém o que não esperava era que Thorn batesse a sua porta em plena madrugada, completamente descomposto, acusando o sobrinho Felicity de fugir com a irmã dele para a Escócia.

            Após superar o choque de ver seu antigo amante batendo a sua porta, Felicity se compromete a ir atrás do casal fugitivo, e Thorn insiste em acompanhá-la. Mas a mocinha recusa, pois tem medo de que ele descubra sua gravidez e a obrigue a um casamento indesejável.
            Esse livro foge de alguns clichês bastante usuais em romances românticos, principalmente usados quando se trata de um livro “de época”, ou seja, que se passa em um período histórico anterior.  Claro, no cerne ainda se trata ainda de um romance mas se são os detalhes que fazem a diferença, foram esses detalhes que destacaram ‘O amante’  dos demais romances do gênero.
            O primeiro lugar-comum: A mocinha deve ser virgem e/ou inexperiente, só “despertando para o amor” quando o mocinho aparece em sua vida. O mocinho, por sua vez, deve ser experiente, embora nunca tenha se apaixonado de fato. Em ‘O amante’ acontece justamente o inverso: Felicity já foi casada e havia procurado um amante justamente por sentir falta do aspecto sexual do casamento. Já Thorn é quem é despertado; a autora não é muito direta nesse ponto mas dá a impressão de que o mocinho era virgem antes de começar a se relacionar com Felicity, sendo ela quem o ‘ensina’ como agradá-la etc.
            Só isso já valeria a leitura, mas ainda tem mais. O segundo clichê é do mocinho irresistível que, mesmo não sendo bonito, tem uma aura de poder/segurança tão forte em si que desperta a atenção e desejo da mocinha. Thorn é descrito como um homem de aparência comum que, em uma festa, dificilmente seria notado. A mocinha o acha atraente, claro, mas até mesmo reconhece a falta de predicados “típicos” no herói: Um dos poucos elogios a beleza de Thorn são seus olhos e sua altura. Mesmo nos pensamentos de Felicity não há mais descrições da beleza física dele, embora ele passe a ela uma sensação de segurança, de ser amada, Thorn não é bonito no sentido tradicional.      
            É por isso que, quando recebe a carta de Felicity terminando o relacionamento, Thorn não se sente particularmente surpreso. O livro não retrata muito o período em que os mocinhos foram amantes mas o tempo inteiro o mocinho se pergunta por que Felicity o escolheu, já que ela é extremamente bonita enquanto ele é apenas comum.
             Ou seja, esse é o primeiro conflito entre o casal, Thorn não acha que a mereça. E isso não é só apenas por causa de sua aparência física, mas também por que Felicity é bem mais rica que ele, embora o mocinho tenha uma reputação imaculada na sociedade (ao contrário da dela).  Thorn receia que a sociedade pense que seu interesse em Felicity é apenas financeiro, por isso é orgulhoso demais para pedi-la em casamento.       

            Nesse ponto do livro eu já estava completamente vidrada na história, ainda mais por que o livro foi escrito por Deborah Hale, uma autora cujos livros gosto muito e que recomendo fortemente para aqueles que gostam de romances de banca do período regencial. Até hoje não li um livro da Deborah Hale que não tenha sido bom, é uma autora de romances de banca que se especializou em construir histórias de amor que nos fazem suspirar no final. Ela não é muito citada nem mesmo nos blogs especializados, porém, se me perguntarem qual são as melhores autoras de romances de banca histórico com certeza a citaria na minha lista.
            Mas voltando ao livro, mesmo se passando em poucos dias, a história e o romance entre os personagens são extremamente convincentes. É óbvio que o casal principal se ama desde o principio, mas há muito orgulho e insegurança de ambos os lados.  
            O que me faz lembrar outro clichê que esse livro ignora: Se normalmente a mocinha é um poço de bondade e compaixão, nesse livro Felicity tem ares de antagonista. Mesmo pela visão romantizada de Thorn, vemos que Felicity é egoísta, mimada e temperamental. Claro, tudo isso é uma máscara para uma personalidade insegura e a convivência com Thorn faz de Felicity uma pessoa melhor, mas a mocinha testa a paciência do mocinho (e dos leitores) ao longo da história, principalmente em uma das cenas finais.  Sobre essa cena, o único motivo do final desse livro ter sido feliz é o fato do mocinho ser extremamente paciente e compreensivo (à lá Geoffrey de ‘O anel de Noivado’), por que se fosse pela mocinha o desfecho certamente teria sido outro.
            O livro ainda conta com um epilogo muito bonito e que reforçou a minha opinião de que esse livro se trata de uma série. Se não me engano as irmãs de Thorn, Ivy e Rosemary, também tem livros contando sua história. Porém, como acontece na maioria dos romances de banca, o fato de não ter lido os outros livros não dificultou a minha compreensão da história, a trama é independente.

            Se você gosta de romances românticos e está disposto a tentar uma história que foge um pouco do convencional e que é mais light, ou seja, que não tem tantas cenas quentes entre os personagens principais, eu indico ‘O amante’.    Esse livro entrou para a minha lista dos intocáveis, aqueles romances que não vendo/troco de jeito nenhum. Nota 9 – muito bom. 

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Resenha: Romeu Imortal - Stace Jay

sexta-feira, novembro 02, 2012 2 Comments A+ a-

  

          Na resenha que fiz de Julieta Imortal (primeiro livro dessa "série") comentei que, apesar da autora ter colocado um gancho para um próximo livro, eu não acreditava que isso seria possível. Afinal, não haveria mais história e, se o primeiro livro foi enrolado pra caramba, um segundo livro apenas chutaria o balde. 


           Mas fui surpreendida e o segundo livro saiu. E mais surpreendida ainda quando comecei a lê-lo. 


           Em Romeu Imortal, Romeu é recrutado pelos embaixadores e tem que fazer com que Ariel acredite no amor pois, se ela ainda continuar com esse ódio todo, logo irá passar para o lado dos Mercenários e ser a responsável pela destruição da Terra. Romeu, um convencido de primeira, acha que irá ser moleza conquistar a garota, mas acaba se esquecendo de um detalhe: Ariel detesta Dylan, o rapaz que Romeu "possuiu" afim de conquistá-la. Mas também não é pra menos: Dylan havia fingido ser apaixonado por Ariel, apenas por causa de uma aposta. 
            Logo Romeu percebe que não é tudo tão fácil como ele imaginava. E que Ariel é muito mais que a a jovem marcada por cicatrizes e com baixa estima que ele havia imaginado. 

           É impossível falar sobre esse livro sem compará-lo com o primeiro, Julieta Imortal. Como eu disse na resenha desse livro, achei tudo muito enrolado e confuso, como se a própria autora estivesse em dúvidas sobre o caráter de seus personagens ou sobre qual caminho tomar. Porém, em Romeu Imortal, dá para perceber certa evolução  na escrita de Stacey Jay: Os personagens já tem mais personalidade, os vilões e mocinhos estão mais definidos e, principalmente, não há mais aquela enrolação e lenga-lenga que havia nos monólogos de Julieta. Tanto Ariel como Romeu, que dividem a narração em primeira pessoa (hora sob perspectiva de um e hora sob a do outro) são narradores mais suportáveis que, embora tenham seus momentos de reflexão, não ficam mudando de ideia de um momento para outro como Julieta fazia. 
            Ainda falando sobre os personagens principais, gostei muito do personagem Romeu. Sabe aquele garoto meio mau caráter mas com senso de humor? Esse é Romeu. Mesmo no inicio, quando ele age como se a conquista do amor de Ariel fosse uma espécie de jogo, eu não consegui desgostar do personagem. Romeu é um cafajeste no inicio mas há certo charme nesse mau caratismo dele. 
             Não que ele seja um cafajeste o tempo inteiro. Logo ele se apaixona por Ariel e muda bastante. Mas, o mais legal de tudo é que ele não muda completamente. O próprio Romeu admite que nunca poderá ser uma cara bom, então ele continua sendo um pouco badboy, mesmo apaixonado e com nobres intenções. 
             Quanto a Ariel, ela me surpreendeu bastante também. Achei que ela iria ser uma heroína atormentada, tal qual Julieta, mas me surpreendi com seu senso de humor e seu lado um pouco vilanesco. Lendo o livro percebi que Ariel é  perfeita para Romeu justamente por ter um lado sombrio, igual a ele. 
             Afora os personagens, que na minha opinião foram muito bons (amo quando os personagens não são perfeitos demais) o livro também tem uma dinâmica mais interessante. Mesmo com mais páginas que Julieta Imortal, Romeu parece  fluir mais rápido e mais interessante também como se, agora que nós já conhecemos o 'mundo' dos Embaixadores e Mercenários, a autora pudesse mergulhar ainda mais na história. 

              Só tenho um parentese que é o 'dom' de Ariel. Não entendi muito bem qual é esse dom e por que isso poderia salvar ou destruir o mundo. No final, a própria autora parece não ter entendido isso muito bem pois não apresentou nenhuma conclusão sobre o assunto, nem mesmo no Epílogo. 
               Em tempo: Já falei que amo Epílogos? Principalmente quando eles se passam anos depois da conclusão da história *-*

               Enfim, recomendo para quem gostou de Julieta Imortal e também para quem, assim como eu, não gostou tanto. Apesar do primeiro livro ruinzinho, não é que o segundo conseguiu ser um bom passatempo? 

                Nota 7,5 - um bom livro mas tirei meio ponto pelo dom não explicado de Ariel. 

EXTRAS
Página do livro no Skoob - com sinopse e capa 

             
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