Resenha: O amante - Deborah Hale
ALGUNS
SEGREDOS SÃO IMPOSSÍVEIS DE SER GUARDADOS POR MUITO TEMPO!
INGLATERRA, 1815.Como Felicity contaria a seu querido amante que ele seria
pai? Thorn ,apesar das circunstâncias dificeis,certamente faria uma oferta de casamento
responsavel e honrosa, a qual Felicity jamais poderia aceitar.Por que ela só se
casaria com ele se realmente houvesse amor entre ambos... Thorn Greenwood
queria ter apenas alguns momentos de prazer ao lado de Felicity, mas, em vez
disso, acabou se apaixonando perdidamente por ela. No entanto, de repente, ela
terminou o relacionamento deles de forma abrupta. Teria Felicity imaginado que
ele não passava de um caça-dotes? Não podia ser... A única coisa de valor que
Thorn queria era o amor daquela mulher! – Sinopse retirada do Skoob
Quando
Lady Felicity Lyte descobre estar grávida de seu amante, Lorde Thorn Greenwood,
resolve terminar o romance entre os dois. Porém o que não esperava era que
Thorn batesse a sua porta em plena madrugada, completamente descomposto,
acusando o sobrinho Felicity de fugir com a irmã dele para a Escócia.
Após
superar o choque de ver seu antigo amante batendo a sua porta, Felicity se
compromete a ir atrás do casal fugitivo, e Thorn insiste em acompanhá-la. Mas a
mocinha recusa, pois tem medo de que ele descubra sua gravidez e a obrigue a um
casamento indesejável.
Esse
livro foge de alguns clichês bastante usuais em romances românticos, principalmente
usados quando se trata de um livro “de época”, ou seja, que se passa em um
período histórico anterior. Claro, no
cerne ainda se trata ainda de um romance mas se são os detalhes que fazem a
diferença, foram esses detalhes que destacaram ‘O amante’ dos demais romances do gênero.
O
primeiro lugar-comum: A mocinha deve ser virgem e/ou inexperiente, só
“despertando para o amor” quando o mocinho aparece em sua vida. O mocinho, por
sua vez, deve ser experiente, embora nunca tenha se apaixonado de fato. Em ‘O
amante’ acontece justamente o inverso: Felicity já foi casada e havia procurado
um amante justamente por sentir falta do aspecto sexual do casamento. Já Thorn
é quem é despertado; a autora não é muito direta nesse ponto mas dá a impressão
de que o mocinho era virgem antes de começar a se relacionar com Felicity,
sendo ela quem o ‘ensina’ como agradá-la etc.
Só
isso já valeria a leitura, mas ainda tem mais. O segundo clichê é do mocinho
irresistível que, mesmo não sendo bonito, tem uma aura de poder/segurança tão
forte em si que desperta a atenção e desejo da mocinha. Thorn é descrito como
um homem de aparência comum que, em uma festa, dificilmente seria notado. A
mocinha o acha atraente, claro, mas até mesmo reconhece a falta de predicados
“típicos” no herói: Um dos poucos elogios a beleza de Thorn são seus olhos e
sua altura. Mesmo nos pensamentos de Felicity não há mais descrições da beleza
física dele, embora ele passe a ela uma sensação de segurança, de ser amada,
Thorn não é bonito no sentido tradicional.
É
por isso que, quando recebe a carta de Felicity terminando o relacionamento,
Thorn não se sente particularmente surpreso. O livro não retrata muito o
período em que os mocinhos foram amantes mas o tempo inteiro o mocinho se
pergunta por que Felicity o escolheu, já que ela é extremamente bonita enquanto
ele é apenas comum.
Ou seja, esse é o primeiro conflito entre o
casal, Thorn não acha que a mereça. E isso não é só apenas por causa de sua
aparência física, mas também por que Felicity é bem mais rica que ele, embora o
mocinho tenha uma reputação imaculada na sociedade (ao contrário da dela). Thorn receia que a sociedade pense que seu
interesse em Felicity é apenas financeiro, por isso é orgulhoso demais para
pedi-la em casamento.
Nesse
ponto do livro eu já estava completamente vidrada na história, ainda mais por
que o livro foi escrito por Deborah Hale, uma autora cujos livros gosto muito e
que recomendo fortemente para aqueles que gostam de romances de banca do
período regencial. Até hoje não li um livro da Deborah Hale que não tenha sido
bom, é uma autora de romances de banca que se especializou em construir
histórias de amor que nos fazem suspirar no final. Ela não é muito citada nem
mesmo nos blogs especializados, porém, se me perguntarem qual são as melhores
autoras de romances de banca histórico com certeza a citaria na minha lista.
Mas
voltando ao livro, mesmo se passando em poucos dias, a história e o romance
entre os personagens são extremamente convincentes. É óbvio que o casal
principal se ama desde o principio, mas há muito orgulho e insegurança de ambos
os lados.
O
que me faz lembrar outro clichê que esse livro ignora: Se normalmente a mocinha
é um poço de bondade e compaixão, nesse livro Felicity tem ares de antagonista.
Mesmo pela visão romantizada de Thorn, vemos que Felicity é egoísta, mimada e
temperamental. Claro, tudo isso é uma máscara para uma personalidade insegura e
a convivência com Thorn faz de Felicity uma pessoa melhor, mas a mocinha testa
a paciência do mocinho (e dos leitores) ao longo da história, principalmente em
uma das cenas finais. Sobre essa cena, o
único motivo do final desse livro ter sido feliz é o fato do mocinho ser
extremamente paciente e compreensivo (à lá Geoffrey de ‘O anel de Noivado’),
por que se fosse pela mocinha o desfecho certamente teria sido outro.
O
livro ainda conta com um epilogo muito bonito e que reforçou a minha opinião de
que esse livro se trata de uma série. Se não me engano as irmãs de Thorn, Ivy e
Rosemary, também tem livros contando sua história. Porém, como acontece na
maioria dos romances de banca, o fato de não ter lido os outros livros não
dificultou a minha compreensão da história, a trama é independente.
Se
você gosta de romances românticos e está disposto a tentar uma história que
foge um pouco do convencional e que é mais light, ou seja, que não tem tantas
cenas quentes entre os personagens principais, eu indico ‘O amante’. Esse livro entrou para a minha lista dos
intocáveis, aqueles romances que não vendo/troco de jeito nenhum. Nota 9 –
muito bom.
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